Pesquisar este blog

quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Lições de 2014



A despeito de, como todo ser humano, planejar, sonhar, desejar, há muito deixei de ver as passagens de ano como o grande momento em que meus sonhos serão realizados, o famoso muito dinheiro no bolso, saúde pra dar e vender, para mim é apenas a linda letra de uma canção. Em seu único salmo, Moisés ora a Deus para que este o ensine a contar seus dias, a fim de que alcance um coração sábio, é desta forma que ao invés de contar os anos a partir de realizações, os conto pelas lições aprendidas. 

2014 penso que foi um ano de grandes aprendizados e lições que levarei por toda a minha vida. Aprendi que Deus age de fato em todas as circunstâncias, para o bem daqueles que o amam e são chamados por seu decreto. Aprendi que este tudo, que a Bíblia diz engloba os males e as injustiças (Rm 8.28). 

Aprendi a respeito do valor da oração, de como esta nos ajuda em tempos de aflição, na crescente comunhão e intimidade com Deus, e na percepção de que este é um Pai amoroso, que se compadece de nós como um progenitor se apieda do filho a quem tanto ama (Sl 103. 14, 15; Mt 7.11). 

Aprendi que ele Deus, é o oleiro, e nós como barro, que a despeito da má qualidade é pacientemente moldado pelas mãos soberanas de Deus (Is 64.8), e que neste processo assume as mais variadas formas, ainda que de forma temporária. 

Aprendi que Deus é o meu refúgio e fortaleza, o meu socorro bem presente na hora da angústia (Sl 46. 1ss), ainda que minha percepção seja constantemente tentada a vê-lo como distante, ou ausente em momentos de aflição (Sl 10. 1, 2) (Sl 121.2).

É lugar comum em uma época como esta pensar no ano que virá como sendo o ano da virada, de grandes realizações, dos grandes milagres e de uma forma quase que incessante este ciclo vai se repetindo. Não abro mãos de planejar, mas percebo de forma inconteste que não quero Deus fora de minha vida. 

Na verdade anseio Deus acima dos meus planos, sei que ele é, e será a minha segurança, quando a vida me coloca diante de situações que expõem a minha impotência, insignificância, e plena nulidade. E sei, mais do que nunca que nada pode me afastar do seu amor, e que nele sou mais que vencedor, independente da situação. 

O Deus que cuidou de nós em 2014, não muda em 2015, continua soberano e controlando todas as coisas,todos nós fazemos planos para o ano vindouro, mas em oração peço que a vontade dele sobre os meus caminhos e sobre a minha vida, seja soberana, assim estarei seguro em suas mãos, e fazendo o que ele planejou para o minha vida, e como disse Paulo serei mais que vencedor em, e por Cristo Jesus o meu (nosso) Senhor. 

Desejo um 2015 de vitórias para todos!

Marcelo Medeiros.

sábado, 27 de dezembro de 2014

Resgatando o Espanto



Li há algum tempo o Guia Politicamente Incorreto da Filosofia. Um dos artigos que me chamou a atenção foi o que o autor comparou os aeroportos com churrascos na lage. De fato o que não falta é gente fazendo selfie momentos antes do embarque. A sugestão de Pondé, é que se em algum momento a pessoa se vir em tal situação, que ao menos a mesma se preocupe em não demonstrar felicidade. Eu gostaria de fazer uma outra proposta. 

Mario Sérgio Cortella pontuou em Não nascemos prontos, que está faltando espanto. O assombro do qual fala o autor é a admiração diante da tecnologia, afinal, o celular, por exemplo é uma invenção que não chega a ter seus vinte cinco anos, e de lá para cá, ele foi acumulando aparelho telefônico, gravador de voz, rádio, câmera fotográfica, internet, televisão digital, entre outras coisas. Com isto o aparelho celular é um exemplo de como a humanidade deveria se assombrar diante de tamanha engenhosidade. 

Concordo com Pondé e com Cortella. Vou explicar. Tome como exemplo as redes sociais, que permitiam a aproximação de pessoas, e a comunicação em tempo real de tamanha eficácia, que praticamente eliminou as correspondências. A primeira delas foi o Orkut, que com a ascensão do Facebook, foi mandada para o lixo, e depois veio o vulgo zap zap, mandando aquele para o espaço. Acredito que sem espanto toda inovação humana corre o risco de não ser devidamente aproveitada, mas ser reduzida a um modismo, e depois descartada como se nenhuma outra contribuição viesse da mesma. 

Cresce cada vez mais, na minha cabeça que o espanto é o remédio para o tédio que apanha o ser humano, quando as coisas se tornam rotineiras. Voltando às viagens de avião, é uma das experiências mais extraordinárias que se possa ter, desde que não seja reduzida a mais uma ocasião para selfies. As aeronaves são máquinas que permitem aos seres humanos em geral fazer aquilo que lhes foi negado por sua natureza biológica (voar), e desta maneira, percorrer distâncias consideráveis em tempo reduzido (aqui já se tem motivo de sobra para espanto). 

Estar em um transporte extremamente rápido, movido a um combustível altamente inflamável, a uma altura absurda, me faz ver que a minha vida não depende de mim mesmo, que ela está nas mãos de outra pessoa, que ela é demasiadamente frágil e pequena, que a terra, tão pequena (quando vista de uma altura de vinte mil pés), é enorme diante da pequenez de cada ser humano. É neste instante que Pascal é evocado. 

Pascal fala da imensidão e vastidão do universo,e ressalta que a única grandeza do ser humano consiste em pensar, a leitura pessoal que faço dos seus pensamentos me leva á conclusão que ser consciente de seu pequenez é a essência da nobreza do homem diante do cosmos, e o misto de emoções proporcionadas por uma viajem de avião, a apreensão no momento da decolagem, o alívio no momento do pouso podem proporcionar profundas reflexões, ou como diria Cortella espanto, diante da vida, da maravilha tecnológica, do cosmos visto da altura em que se está. 

Mas tudo isto pode ser apagado pelo selfie quando este se torna um fim em si mesmo. Outra questão, o auto retrato é uma maravilha também. Há quase um século e meio era necessário se colocar imóvel durante horas para que a posição fosse gravada em uma tela por um pintor, aí veio a máquina de fotografar e facilitou para quem era retratado, depois vieram as câmeras fotográficas, facilitando a quem retratava, mas criando ansiedade para quem era fotografado e desejava saber como havia ficado. Foi então que surgiram os celulares com suas câmeras digitais, viabilizando um auto retrato e a imagem instantânea da mesma, bem como a publicação em rede sociais. Mas ninguém se espanta com isto mais, o modismo banalizou esta maravilha tecnológica e dispensou a arte e o artista.

Mesmo diante de toda esta maravilha, eu fico com a sensação de pousar de avião em meio a uma forte chuva. É incrível estar atravessando uma nuvem com a visibilidade totalmente obstruída, e somente perceber que está chovendo quando ao visualizar a paisagem, ver as gotas de água escorrendo na janela do avião. É algo que beira praticamente ao fascinum e tremendum.

Eu acredito que se você teve paciência para ler este artigo até aqui, talvez esteja se perguntando o que isto tudo tem a ver com churrascos na lage. Eu que venho de comunidades percebo que as mesmas proporcionam visões fantásticas de dois cenários. De um lado a natureza, de outro, das realizações humanas. Ambas são motivo de espanto, mas a despeito toda a maravilha que uma visão da lage proporciona ninguém se espanta, ou sequer frui da beleza seja natural, seja arquitetônica, e este é o grande pecado da geração atual, tanto na lage quanto nos aeroportos. 

Forte Abraço, Marcelo Medeiros.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Deus e a existência do mal



Um dos grandes problemas levantados no debate a respeito da existência de Deus é a realidade do mal. Como pode um deus bondoso e todo poderoso tolerar o mal. Parte do problema tem sido respondido com a afirmação de que é o mal, a tragédia que faz com a que humanidade seja de fato mais humana. 

Ainda assim, parece haver pessoas que não se contentam com o fato de terem de passar por eventos trágicos, o que ocasiona frases como esta da imagem acima. Ao visualizar em uma comunidade de debate no facebook, pensei imediatamente em um homem como Jó. Em um momento este é descrito vivendo em um estado de ventura e de repente ele perde todos os seus bens, posses, o respeito social, e mesmo o direito de reclamar. 

Em boa parte do seu livro Jó aparece chamando Deus para um julgamento, ele chega a afirmar, que se Deus comparecesse para um debate, lhe exporia a sua causa, mas quando este lha aparece em meio de uma tormenta e lhe faz perguntas, atente bem, perguntas, ele, Jó, emudece. Minha conclusão, é de que a frase da imagem é a prova inconteste de que a melhor imagem para descrever a humanidade é a que a compara com crianças birrentas. 

Do conforto de sua casa, escritório, apartamento, etc, qualquer um fala do relâmpago, do trovão e de uma tormenta, mas estar diante da grandeza destes fenômenos é algo que faz qualquer indivíduo sensato se borrar de medo, imagine um encontro com Deus, quem poderia argumentar o que quer que fosse diante dele? Jó emudeceu e constatou que Deus tudo pode e que nenhum dos seus planos podem ser frustrados, de quebra a certeza de que quaisquer conjecturas são como o pensamento de um animal irracional. 

Há um outro homem em quem eu penso quando me vejo diante de tais colocações. Jesus de Nazaré. Ele, mais do que ninguém, se identificou com os sofredores, com os pobres, injustiçados, e em sua resignação diante da morte de cruz ele derrotou e venceu o mal, quando ainda no Getsêmane orou a Deus dizendo, todavia, não se faça a minha, mas a sua vontade. A ressurreição de Cristo é a maior expressão da vitória de Cristo sobre o mal e a abertura de possibilidade da vitória de cada cristão em particular. 

Não é do meu feitio, confesso, mas peço a Deus a sabedoria de Davi, que disse: emudeci, por quando o fizeste (Sl 39. 9 ACF), pois do contrário terei de dizer como Jó: falei do que não entendia, por isto me abomino e me arrpendo no pó e na cinza (Jó 42. 3, 6). 

Marcelo Medeiros
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

Créditos!

Por favor, respeite os direitos autorais e a propriedade intelectual (Lei nº 9.610/1998). Você pode copiar os textos para publicação/reprodução e outros, mas sempre que o fizer, façam constar no final de sua publicação, a minha autoria ou das pessoas que cito aqui.

Algumas postagens do "Paidéia" trazem imagens de fontes externas como o Google Imagens e de outros blog´s.

Se alguma for de sua autoria e não foram dados os devidos créditos, perdoe-me e me avise (blogdoprmedeiros@gmail.com) para que possa fazê-lo. E não se esqueça de, também, creditar ao meu blog as imagens que forem de minha autoria.