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domingo, 15 de outubro de 2017

A salvação e o Advento do Salvador



O termo salvação implica a noção de livramento, libertação. Para Stott, se no tempo de Jesus a salvação possuía correlação com vida eterna, no presente momento, ela se relaciona com a noção de liberdade. Edward  define como sendo a libertação da punição em consequência do pecado, e a admissão na vida eterna, e felicidade no Reino de Cristo, o salvador.


No novo Testamento, dois termos são empregados para expressar o conceito são σωζω (soodzo), e σωτηριον (sooterian, ou sooterion), empregados respectivamente para livramento temporal e espiritual. Tanto o léxico do Novo Testamento grego, de Edward Robinson, as notas exegéticas da Bíblia de Estudo Palavra chave, e o léxico do Novo Testamento grego de Gingrich e Danker, possibilitam o entendimento de que mesmo quando aplicados em relação aos perigos temporais, tais verbetes indicam que o fundo do problema é o pecado.


É sob este prisma que σωζω precisa ser compreendido, uma vez que os evangelistas o empregam para os relatos das curas de Jesus (Mt 9. 21 - 23; Mc 5. 23, 28, 34), livramentos temporais (Mt 8. 21 - 27), e salvação espiritual (Mt 18. 11; Lc 9. 56; 19. 10). Esta introdução se faz necessária em razão de uma maior concatenação entre a lição de escola bíblica e a exegese bíblica.

A razão de ser do advento de Jesus, cujo nome significa salvação, é a salvação dos homens de seus pecados. Isto é afirmado inicialmente no sonho de José, onde o anjo lhe explica a natureza da concepção de Maria.
Ora, o nascimento de Jesus Cristo foi assim: Que estando Maria, sua mãe, desposada com José, antes de se ajuntarem, achou-se ter concebido do Espírito Santo. Então José, seu marido, como era justo, e a não queria infamar, intentou deixá-la secretamente. E, projetando ele isto, eis que em sonho lhe apareceu um anjo do Senhor, dizendo: José, filho de Davi, não temas receber a Maria, tua mulher, porque o que nela está gerado é do Espírito Santo; E dará à luz um filho e chamarás o seu nome JESUS; porque ele salvará o seu povo dos seus pecados. Tudo isto aconteceu para que se cumprisse o que foi dito da parte do Senhor, pelo profeta, que diz; Eis que a virgem conceberá, e dará à luz um filho, E chamá-lo-ão pelo nome de EMANUEL, Que traduzido é: Deus conosco. E José, despertando do sono, fez como o anjo do Senhor lhe ordenara, e recebeu a sua mulher; E não a conheceu até que deu à luz seu filho, o primogênito; e pôs-lhe por nome Jesus (Mt 1. 18 - 25 ACF). 
Neste texto Jesus é ao mesmo tempo aquele que salva o povo dos seus pecados e por isto ele é Deus presente. As expectativas, outrora depositadas na descendência davídica, agora recaem sobre Jesus. Ele é o DEUS CONOSCO. Aqui o alvo da salvação é a nação de Israel, à nação judaica se destina a salvação (γαρ σωσει τον λαον αυτου απο των αμαρτιων αυτων -  porque ele salvará o seu povo dos seus pecados).

Em sucessivos textos dos Evangelhos Jesus identifica a salvação como sendo seu propósito maior.
Vede, não desprezeis algum destes pequeninos, porque eu vos digo que os seus anjos nos céus sempre vêem a face de meu Pai que está nos céus. Porque o Filho do homem veio salvar o que se tinha perdido (Mt 18. 10, 11 ACF). 
Neste contexto a pergunta é a respeito de quem é o maior no Reino dos céus, o que faz com que Jesus pegue uma criança e a coloque entre os seus discípulos. Brennan Manning afirma que na época de Cristo, as crianças não eram vista de forma idealizada, mas com desprezo. Jesus identifica o desprezo direcionado às crianças com a situação do pecador perdido, e mais: diz que os que se identificam com os mesmos são o alvo de sua obra.

Neste contexto é inserida a parábola da ovelha perdida, sendo neste contexto cada pequenino uma ovelha e Jesus, o Pastor que vai em busca dos tais. Esta mesma fórmula se repete ainda mais duas vezes em Lucas. Na primeira, na ocasião em que os samaritanos opõem-se à passagem dele pelo seu território, e os discípulos propõe-se a clamar para que desça fogo do céu, ao que Jesus responde: que o Filho do homem não veio para destruir as almas dos homens, mas para salvá-las. E foram para outra aldeia (Lc 9. 56 ACF).

Lucas também narra a história de Zaqueu, um coletor de impostos que queria conhecer quem era Jesus, e para tal subiu em um pé de figueira brava. Convidado por Jesus para que descesse, ele recebe a Jesus com alegria e motivação de repartir seus bens com os pobres e restituir tudo o que ele havia defraudado alguém. Diante de tal reação Jesus diz: 
E, vendo todos isto, murmuravam, dizendo que entrara para ser hóspede de um homem pecador. E, levantando-se Zaqueu, disse ao Senhor: Senhor, eis que eu dou aos pobres metade dos meus bens; e, se nalguma coisa tenho defraudado alguém, o restituo quadruplicado. E disse-lhe Jesus: Hoje veio a salvação a esta casa, pois também este é filho de Abraão. Porque o Filho do homem veio buscar e salvar o que se havia perdido (Lc 19. 7 - 10 ACF). 
A expressão para perdido é απολωλος (apoloolos) que vem do verbo απόλλυμι (hapólymi). O prefixo από denota intensidade, ao passo que όλλυμι denota destruição. A criança desprezada, a prostituta, e o publicano odiado foram terrivelmente afetados pelo pecado e destruídos intensamente pelo efeito do mesmo. Daí a necessidade de um salvador.  

Ao longo dos Evangelhos sinóticos σωζω será empregado para os eventos de cura, sempre acompanhado da expressão a tua fé te salvou (Mt 9. 22; Mc 5. 34; Lc 8. 48; 17. 19; 18. 42). Estas curas são sinal da presença do Reino, ser curado é indício de ser alcançado pela presença do Reino de Deus. 

Por último, 
E, como Moisés levantou a serpente no deserto, assim importa que o Filho do homem seja levantado; Para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. Porque Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que condenasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele (Jo 3. 14 - 17 ACF). 
Quem crê em Jesus não perece, mas tem a vida eterna. Esta verdade é afirmada duas vezes no texto. Também é dito que Deus enviou seu filho ao mundo para que o mundo fosse salvo por ele. Estas palavras encontram eco na fala de Paulo a seu filho na é, Timóteo:
Esta é uma palavra fiel, e digna de toda a aceitação, que Cristo Jesus veio ao mundo, para salvar os pecadores, dos quais eu sou o principal. Mas por isso alcancei misericórdia, para que em mim, que sou o principal, Jesus Cristo mostrasse toda a sua longanimidade, para exemplo dos que haviam de crer nele para a vida eterna (I Tm 1. 15, 16 ACF). 
A razão de ser do advento de Cristo, foi a salvação dos pecadores. Ele se deu a si mesmo em preço de redenção por todos, para servir de testemunho a seu tempo (I Tm 2. 6 ACF). Esta verdade te, de ser mantida acesa em nossos corações e em nossas mentes. 

Marcelo Medeiros, em Cristo. 

sábado, 22 de julho de 2017

O SENHOR E SALVADOR JESUS CRISTO


Estudar a respeito da pessoa e Jesus Cristo é de suma importância. Os cristãos precisam ter em mente a resposta para a pergunta que Cristo fez aos seus discípulos: e vós quem dizeis que eu sou? Jonh Stott destaca a tendência ao longo da História da Igreja em criar personagens caricatas da pessoa de Jesus, sendo que a salvação é dada unicamente aos que creem em Cristo como dizem as Escrituras. 

por este motivo acredito que o estudo a respeito da pessoa de Cristo, precisa de ser precedido pelo estudo a respeito da autoridade da Bíblia. Somente a partir da inerrância das Sagradas Escrituras, posso acreditar que os Evangelhos façam um retrato fidedigno de Cristo. Não é difícil ver em Jesus a figura de um filósofo, de um poeta, de um comunista, conforme pode ser visto aqui

Por mais bela, inteligente, útil e sedutora que possa ser a construção do Jesus histórico da Teologia Latino Americana, por exemplo, e por mais que coadune em alguns aspectos, percebo que não posso perder de vista as afirmações de Lewis a respeito do Jesus histórico, para quem tais procedem mais da necessidade de adaptar Cristianismo como politica. Através do personagem Fitafuso, ele afirma: 
Você perceberá que muitos escritores e políticos cristãos pensam que o Cristianismo começou a dar errado bem cedo, afastando-se da doutrina do seu Fundador. Devemos fazer uso dessa ideia para encorajar mais uma vez o conceito de um "Jesus histórico", que só será encontrado se eles se livrarem dos "acúmulos e perversões", posteriores, para depois compará-los com a tradição cristã. Na última geração de seres humanos, nós conseguimos estimular uma interpretação do tal "Jesus Histórico" em linhas mais liberais e humanitárias; agora formulamos um novo Jesus histórico, em linhas Marxistas, catastróficas e revolucionárias. As vantagens dessas interpretações, que esperamos modificar a cada trinta anos mais ou menos, são inúmeras. Em primeiro lugar, elas tendem a direcionar a devoção dos homens para algo que não existe, pois cada "Jesus Histórico" não existe na história. Os documentos dizem o que dizem, e não podem ser alterados; cada novo "Jesus Histórico", portanto tem de ser criado a partir destes documentos, suprimindo certos aspectos e exagerando outros, e também fazendo certas suposições [...]
Em segundo lugar cada uma dessas interpretações confia a importância do seu "Jesus Histórico" a alguma estranha teoria que se supõe que ele tenha pregado. Ele tem de ser um grande homem, no sentido moderno da expressão - um homem no fim de uma linha centrífuga e desequilibrada - um excêntrico que vende uma panaceia. Desse modo conseguimos distrair a mente dos homens daquilo que Ele É e daquilo que Ele Fez. [...] fazemos dele um simples mestre, e depois escondemos a própria semelhança essencial que existe entre seus ensinamentos e aqueles de todos outros grandes mestres de moral (LEWIS, p. 115, 116, 2007). 
Lewis começa criticando o reducionismo da maioria das vidas de Jesus, ou buscas pelo Jesus histórico, visto que o quadro pintado por aqueles que seriam as testemunhas oculares da vida de Cristo pintam um quadro bem diversificado. Esta diversidade de olhares a respeito da pessoa de Cristo aponta para o problema de sua extrema complexidade. Jesus é plenamente Deus (Jo 1. 1, 2; 20. 28; Rm 9. 5; Tt 2. 13), homem perfeito (Gl 4. 4, 5; I Tm 2. 5), pastor (I Pe 2. 25), mestre (Jo 3. 2), apóstolo (Hb 3. 1), rei (I Tm 6. 16), juiz (Jo 5. 22), sacerdote (Hb 4. 14 - 16). 

A fonte para toda e qualquer busca a respeito da pessoa e obra de Cristo tem de ser a Escritura, com sua diversidade de olhares a respeito da pessoa e obra de Cristo, desde o Filho de Abraão e de Davi, até o REI DOS REIS E SENHOR DOS SENHORES do livro do Apocalipse. A visão de Cristo como mero mestre de moral (tendência das percepções reducionistas), impede a percepção de que como tal Jesus seria mais um . dentre tantos outros que vieram. 

O presente estudo reflete, em termos, o terceiro artigo do cremos das Assembleias de Deus. Que assevera: cremos, 
No Senhor Jesus Cristo, o Filho Unigênito de Deus, plenamente Deus, plenamente Homem, na concepção e no seu nascimento virginal, em sua morte vicária e expiatória, em sua ressurreição corporal dentre os mortos e em sua ascensão vitoriosa aos céus como Salvador do mundo (Jo 3.16-18; Rm 1.3,4; Is 7.14; Mt 1.23; Hb 10.12; Rm 8.34 e At 1.9). 
Este destaca: 1) o Senhorio de Cristo; 2) sua procedência do Pai; 3) sua divindade; 4) sua humanidade; 5) nascimento virginal; 6) morte expiatória e vicária; 7) ressurreição e ascensão, bem como sua posição como salvador, sendo intimamente ligadas uma à outra. Na perspectiva de Jonh Stott, tanto o senhorio quanto a divindade de Cristo estão intimamente ligados. Para este,
quando o Antigo Testamento veio a ser traduzido para o grego em Alexandria, cerca de 200 a. C., os devotos e estudiosos judeus não sabiam como lidar com o nome sagrado de Javé, ou Jeová. Eles eram reticentes demais em pronunciá-lo; não sentiam a liberdade para traduzi-lo, ou mesmo para transliterá-lo. portanto eles colocavam em seu lugar a paráfrase ho Kyrios, ("o Senhor"), razão pela qual Javé ainda aparece na maioria das versões como "Senhor" [....]
O que realmente é impressionante é que os seguidores de Jesus, sabendo que, pelo menos em círculos judaicos, ho Kyrios, era o título tradicionalmente dado a Javé, criador do Universo, e o Deus da aliança de Israel, não tinham escrúpulo de aplicar o mesmo nome a Jesus, nem viam nenhum mal em fazê-lo (OUÇA O ESPÍRITO, OUÇA O MUNDO, P. 98). 
Na perspectiva do autor era uma confissão de admissão da divindade de Cristo. Mais do que isto: falas tipicamente atribuídas a Iahweh são aplicadas à pessoa de Cristo no Novo Testamento. Então todo aquele que invocar o nome de Iahweh, será salvo. porque no monte de Sião e em Jerusalém haverá ilesos - como Iahweh falou - entre os sobreviventes que Iahweh chama (Jl 3. 5 Bíblia de Jerusalém [2. 32]). 

Este mesmo texto recebe um tratamento bem fundamentado de Stott. Minha pretensão é a de que apenas a confissão de Fé da Igreja primitiva sejam suficientes. Nesta o Senhorio de Cristo e sua obra de salvação se encontram explicitamente.
A saber: Se com a tua boca confessares ao Senhor Jesus, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo. Visto que com o coração se crê para a justiça, e com a boca se faz confissão para a salvação. Porque a Escritura diz: Todo aquele que nele crer não será confundido. Porquanto não há diferença entre judeu e grego; porque um mesmo é o Senhor de todos, rico para com todos os que o invocam. Porque todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo (Rm 10. 9 - 13). 
A confissão de Cristo aliada à crença na ressurreição dentre os mortos á condição para a salvação. Note que aqui Jesus é chamado de κυριον (Kyrion). Perceba que não se trata de mera aceitação do pecador a Jesus. Não é a admissão de seu senhorio que traz a condição para a salvação. Daí apos citar Isaías Paulo cita Joel associando Jesus à Iahweh.

Na perspectiva joanina, ele é o ο λογος (hó logos) criador, que participa da criação, com o Pai e com o Espírito. 
No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez. Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens. E a luz resplandece nas trevas, e as trevas não a compreenderam (Jo 1. 1 -  5). 
Neste último texto a figura de Jesus é associada ao λογος, que por sua vez é a associada à sabedoria no judaísmo helênico, conforme destaca Esequias Soares em seu livro Cristologia lançado pela Hagnos. Em primeiro lugar, é afirmado aqui que λογος estava com Deus. E em outros momentos Jesus fala de uma glória que tinha junto ao Pai antes da fundação do mundo. 
E agora glorifica-me tu, ó Pai, junto de ti mesmo, com aquela glória que tinha contigo antes que o mundo existisse. Pai, aqueles que me deste quero que, onde eu estiver, também eles estejam comigo, para que vejam a minha glória que me deste; porque tu me amaste antes da fundação do mundo (Jo 17. 5, 24 ACF). 
Ele estava com Deus no princípio (Jo 1. 2 NVI).  Em segundo lugar λογος é Deus. Jesus é Deus pois tem o poder de fazer as mesmas coisas que o Pai, dentre as quais exercer o juízo, salvar e dar vida aos mortos, conforme de pode perceber neste texto. 
Mas Jesus respondeu, e disse-lhes: Na verdade, na verdade vos digo que o Filho por si mesmo não pode fazer coisa alguma, se o não vir fazer o Pai; porque tudo quanto ele faz, o Filho o faz igualmente. Porque o Pai ama o Filho, e mostra-lhe tudo o que faz; e ele lhe mostrará maiores obras do que estas, para que vos maravilheis. Pois, assim como o Pai ressuscita os mortos, e os vivifica, assim também o Filho vivifica aqueles que quer. E também o Pai a ninguém julga, mas deu ao Filho todo o juízo; Para que todos honrem o Filho, como honram o Pai. Quem não honra o Filho, não honra o Pai que o enviou. Na verdade, na verdade vos digo que quem ouve a minha palavra, e crê naquele que me enviou, tem a vida eterna, e não entrará em condenação, mas passou da morte para a vida. Em verdade, em verdade vos digo que vem a hora, e agora é, em que os mortos ouvirão a voz do Filho de Deus, e os que a ouvirem viverão. Porque, como o Pai tem a vida em si mesmo, assim deu também ao Filho ter a vida em si mesmo; E deu-lhe o poder de exercer o juízo, porque é o Filho do homem. Não vos maravilheis disto; porque vem a hora em que todos os que estão nos sepulcros ouvirão a sua voz. E os que fizeram o bem sairão para a ressurreição da vida; e os que fizeram o mal para a ressurreição da condenação. Eu não posso de mim mesmo fazer coisa alguma. Como ouço, assim julgo; e o meu juízo é justo, porque não busco a minha vontade, mas a vontade do Pai que me enviou (Jo 5. 19 - 30 ACF). 
Não bastassem tais elementos, à semelhança de Paulo, João afirma que Jesus é digno de semelhante honra que o PAI tem. Ainda que arianos e subordinacionistas amem textos como este, a verdade é que o judeu entendia perfeitamente bem que ao se afirmar FILHO DE DEUS, JESUS SE EQUIPARAVA AO PAI.

Em terceiro lugar à semelhança do PAI, λογος é fonte de vida. Pois, assim como o Pai ressuscita os mortos, e os vivifica, assim também o Filho vivifica aqueles que quer. E: como o Pai tem a vida em si mesmo, assim deu também ao Filho ter a vida em si mesmo

JESUS É SENHOR E SALVADOR.  

quinta-feira, 20 de julho de 2017

A Santíssima Trindade: Um Só Deus em Três pessoas


O Estudo a respeito da doutrina da Trindade é um desdobramento do segundo artigo do cremos das Assembleias de Deus. Na lição de número dois há a abordagem a respeito do monoteísmo. O segundo artigo do cremos afirma que há um só Deus, que por sua vez subsiste em três pessoas: a do Pai, a do Filho, e a do Espírito Santo.

Não é um ensino que se possa embasar facilmente em textos isolados do Antigo Testamento. De forma alguma! É comum a recorrência aos textos que falam da criação, da torre de Babel, e outros do tipo, para fundamentar a doutrina da Trindade no Antigo Testamento. Mas há um problema com relação a este tipo de exegese: a resposta judaica. O texto bíblico versa:
E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; e domine sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre o gado, e sobre toda a terra, e sobre todo o réptil que se move sobre a terra. E criou Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou (Gn 1. 26, 27 ACF).
Antes de apresentar a resposta judaica, preciso pontuar, explicar que sou cristão trinitariano. Acredito em trindade. Somente Deus poderia suportar o que Cristo suportou, e somente como Deus/Homem, Cristo pode socorrer perfeitamente todo aquele que o invoca. Somente Deus pode suportar a rebeldia nossa de cada dia, nossas resistências diárias e o Espírito o faz.

Mas o maior problema com relação à toda forma de rejeição da Doutrina da Trindade é que sendo Deus Espírito infinito a pessoalidade é o único ponto de contato possível entre este e o homem, conforme asseverado por Shaeffer em sua trilogia: O Deus que se revela, O Deus que intervém, A Morte da Razão. Mas como um Deus que é um só pode ser pessoal? Claro que aqui cabe o questionamento a respeito da aplicabilidade do termo a Deus. Mas fato é que mesmo a Hagadá de Gênesis 2 evoca um relacionamento de amor entre Deus e Israel, e entre aquele e a criação.

Logo, em consonância com o pensamento de Louis Berkhof, antes da criação do tempo Deus expressou sua personalidade em relacionamento de amor com seu Filho e de ambos com o Espirito Santo. Explicarei melhor este pensamento quanto postar aqui as citações de um livre pensador, que na minha opinião foi quem melhor soube expressar este pensamento: C. S. Lewis.

Meu propósito foi tão somente explicar que a despeito de ser cristão trinitariano não vejo o texto de Gn 1. 26, por exemplo como base para fundamentação do pensamento a respeito de Trindade, até porque a revelação a respeito de Deus é progressiva. Alguns exemplos: o nome de Deus, O Eterno não foi revelado aos patriarcas, foi a Moisés; não há espaço para uma angelologia elaborada em Gênesis (são seres espirituais? como comem, podem ser vistos pelos homens e desejados?); Abraão vê Deus, por que os demais não o podem? São questões que se respondidas conduzem ao caráter progressivo da teologia bíblica. Retornando ao pensamento da Hagadá.

A respeito de Gn 1. 26, eles afirmam:
É necessário explicar muito bem este versículo, porque a sua formação esconde muitas surpresas. Os idólatras defendem a existência de uma divindade múltipla e usam este texto como prova, porque nele se lê no plural: Façamos o homem [...]
No início da criação o Senhor deu vida a três artesãos: o céu, a terra, e a água. Confiou a cada qual uma tarefa e lhes deu a capacidade de lavá-la a bom termo. Deu ordens à água para que se juntasse e fizesse a parte enxuta, à terra para que desse origem aos corpos celestes que a iluminariam, e ao céu para que formasse o firmamento e separasse as suas águas. À água ordenou ainda que desse origem aos peixes e às outras criaturas. Desse modo, foram criadas todas as coisas, cada uma no seu dia mais apropriado, graças á esses três artesãos. No sexto dia todos se reuniram para ouvir o que o Senhor tinha para lhes dizer. 
Mas o Santo, Bendito seja, disse: "no dia de hoje quero criar a criatura mais importante do Universo, a qual chamarei Adão, homem. Nenhum de vós poderá realizar esta obra sozinho, muito embora tenhais contribuído para realizar o restante. Portanto deveis atuar juntos, e eu me unirei a vós. Vós havereis de prover os elementos para o corpo do homem, enquanto eu lhes darei uma alma santa e um espírito imortal". (Homem e mulher a Imagem de Deus - Hagadá de Gn 2).  
Desta perspectiva o termo façamos é uma junção poética por meio da qual o mesmo Deus que dera ordem à terra para que produzisse a relva e toda sorte de animais, e às águas para que produzissem répteis, aves e monstros marinhos, agora convoca a terra, o vento, as águas e tudo o mais para a composição do homem.

Uma outra perspectiva que aparece no próprio Hagadá é a de que a expressão Façamos seja na verdade aquilo que se chama plural de majestade.
Uma última razão é que o rei e as personalidades importantes muitas vezes empregam a primeira pessoa do plural para exprimir a própria majestade. Deus, por isso disse: Façamos o homem, para expressar a sua grandeza e onipotência. (Homem e mulher a Imagem de Deus - Hagadá de Gn 2).  
A mesma regra pode ser aplicada aos textos que falam da expulsão do Paraíso, da confusão das línguas na Torre de Babel (Gn 3. 22; 11. 6). Estas afirmativas não querem dizer que a trindade passa a existir do momento em que os pais cristãos passam a falar em Trindade. É o mesmo que afirmar que a lei da gravidade foi criada por Newton, pior passou a existir a partir do momento em que foi elaborada.

Um caso bem curioso que precisa ser pensado é o do famoso ANJO DO SENHOR, ou מַלְאַ֣ךְ יְהוָ֔ה, mala'k YHWH. Este fala como sendo o próprio Deus, mas na verdade é um mediador entre Deus e os homens. É assim nos casos de Hagar (Gn 16. 1 - 9); Abraão (Gn 22. 1 - 15ss); Moisés (Ex 3. 1 - 15), neste último texto percebe-se inclusive que o מַלְאַ֣ךְ יְהוָ֔ה arroga para si o nome do próprio Deus. Em Juízes se percebe que ele arroga para si ações que são exclusivas do próprio Iahweh.
E subiu o anjo do SENHOR de Gilgal a Boquim, e disse: Do Egito vos fiz subir, e vos trouxe à terra que a vossos pais tinha jurado e disse: Nunca invalidarei a minha aliança convosco. E, quanto a vós, não fareis acordo com os moradores desta terra, antes derrubareis os seus altares; mas vós não obedecestes à minha voz. Por que fizestes isso? Assim também eu disse: Não os expulsarei de diante de vós; antes estarão como espinhos nas vossas ilhargas, e os seus deuses vos serão por laço. E sucedeu que, falando o anjo do Senhor estas palavras a todos os filhos de Israel, o povo levantou a sua voz e chorou (Jz 2. 1 - 4 ACF). 
Aqui o מַלְאַ֣ךְ יְהוָ֔ה arroga para si a saída do Egito. Algo similar ao caso da sarça ardente, onde se diz que o מַלְאַ֣ךְ יְהוָ֔ה aparece para Moisés, mas depois se diz que Deus viu que ele se virou para ver o fenômeno, e que Deus fala. Juntando todas estes textos percebe-se aqui a mediação entre seres celestiais e o próprio Deus. Mas há uma diferença. 


Não se pode confundir a mediação dos anjos na apocalíptica judaica e em textos nos quais estes são portadores de algum tipo de revelação com a manifestação do anjo do Senhor (מַלְאַ֣ךְ יְהוָ֔ה). Aqueles não recebem adoração e nem o terror e o espanto comum por parte dos visionários. E eu lancei-me a seus pés para o adorar; mas ele disse-me: Olha não faças tal; sou teu conservo, e de teus irmãos, que têm o testemunho de Jesus. Adora a Deus; porque o testemunho de Jesus é o espírito de profecia (Ap 19. 10 ACF). 



Se anjos são espíritos ministradores que trabalhem em prol dos que hão de herdar a salvação (Hb 1. 14), se são conservos dos que guardam o testemunho de Cristo (Ap 19. 10), se são criaturas, ao invés de seres autônomos, como explicar que dentre os anjos que visitam a Abraão um deles aceite adoração. 



No livro Falsos Deuses Timothy Keller chama a atenção do leitor para um fator pouco observado. Na narrativa da luta de Jacó com um varão. Na medida em que a alva sob, ou que o dia nasce, o varão pede para que Jacó o libere. Keller afirma que a razão de tal é para que o patriarca não veja o rosto de Deus. O que fica claro no final do texto, que diz:  E chamou Jacó o nome daquele lugar Peniel, porque dizia: Tenho visto a Deus face a face, e a minha alma foi salva (Gn 32. 20 ACF). 



O profeta Oséias fará uma significativa exegese deste texto ao dizer: 

O Senhor também com Judá tem contenda, e castigará Jacó segundo os seus caminhos; segundo as suas obras o recompensará. No ventre pegou do calcanhar de seu irmão, e na sua força lutou com Deus. Lutou com o anjo, e prevaleceu; chorou, e lhe suplicou; em Betel o achou, e ali falou conosco, Sim, o Senhor, o Deus dos Exércitos; o Senhor é o seu memorial (Os 12. 2 - 5 ACF). 
O profeta compara a contenda judicial com Israel (neste cado o Reino Norte), com a contenda que Jacó teve com o próprio Deus. Uma contenda que se inicia no ato do nascimento, na clara luta pela primogenitura, que se reflete na rivalidade com o irmão mais velho. É importante ter isto em mente, uma vez que a luta de Jacó com Deus no vau de Jaboc antecede a reconciliação deste com Esaú.

Tanto que quando se encontram Jacó afirma: se agora tenho achado graça em teus olhos, peço-te que tomes o meu presente da minha mão; porquanto tenho visto o teu rosto, como se tivesse visto o rosto de Deus, e tomaste contentamento em mim (Gn 33. 10 ACF). O encontro entre Deus e Jacó produziu reconciliação entre ele e seu irmão. Na verdade as trevas protegeram Jacó de ver Deus face à face.

Feita a exegese e interpretação mais básica do texto, convém apontar que para os interesses deste estudo basta a alternância entre as expressões Anjo (mala´k -  מַלְאַ֣ךְ), e Iahweh (יְהוָ֔ה). Primeiro se afirma que ele lutou com Deus, depois que lutou com o anjo e finalmente com o Deus dos exércitos. O pensamento de Keller reflete a ideia de que ninguém pode ver a Deus. 
Não poderás ver a minha face, porquanto homem nenhum verá a minha face, e viverá. Disse mais o Senhor: Eis aqui um lugar junto a mim; aqui te porás sobre a penha. E acontecerá que, quando a minha glória passar, pôr-te-ei numa fenda da penha, e te cobrirei com a minha mão, até que eu haja passado. E, havendo eu tirado a minha mão, me verás pelas costas; mas a minha face não se verá (Ex 33. 20 - 23 ACF). 
Por esta razão Gideão teme ao ver o Anjo do Senhor.
Porém o anjo de Deus lhe disse: Toma a carne e os pães ázimos, e põe-nos sobre esta penha e derrama-lhe o caldo. E assim fez. E o anjo do Senhor estendeu a ponta do cajado, que estava na sua mão, e tocou a carne e os pães ázimos; então subiu o fogo da penha, e consumiu a carne e os pães ázimos; e o anjo do Senhor desapareceu de seus olhos. Então viu Gideão que era o anjo do SENHOR e disse: Ah, Senhor DEUS, pois vi o anjo do SENHOR face a face. Porém o Senhor lhe disse: Paz seja contigo; não temas; não morrerás (Jz 6. 20 - 23 ACF).
O mesmo dá-se com Manoá
Então Manoá disse ao anjo do Senhor: Ora deixa que te detenhamos, e te preparemos um cabrito. Porém o anjo do Senhor disse a Manoá: Ainda que me detenhas, não comerei de teu pão; e se fizeres holocausto o oferecerás ao Senhor. Porque não sabia Manoá que era o anjo do Senhor. E disse Manoá ao anjo do Senhor: Qual é o teu nome, para que, quando se cumprir a tua palavra, te honremos? E o anjo do Senhor lhe disse: Por que perguntas assim pelo meu nome, visto que é maravilhoso? Então Manoá tomou um cabrito e uma oferta de alimentos, e os ofereceu sobre uma penha ao Senhor: e houve-se o anjo maravilhosamente, observando-o Manoá e sua mulher. E sucedeu que, subindo a chama do altar para o céu, o anjo do Senhor subiu na chama do altar; o que vendo Manoá e sua mulher, caíram em terra sobre seus rostos. E nunca mais apareceu o anjo do Senhor a Manoá, nem a sua mulher; então compreendeu Manoá que era o anjo do Senhor. E disse Manoá à sua mulher: Certamente morreremos, porquanto temos visto a Deus. Porém sua mulher lhe disse: Se o Senhor nos quisesse matar, não aceitaria da nossa mão o holocausto e a oferta de alimentos, nem nos mostraria tudo isto, nem nos deixaria ouvir tais coisas neste tempo (Jz 13. 15 - 23 ACF).
E Isaías
No ano em que morreu o rei Uzias, eu vi também ao Senhor assentado sobre um alto e sublime trono; e a cauda do seu manto enchia o templo. Serafins estavam por cima dele; cada um tinha seis asas; com duas cobriam os seus rostos, e com duas cobriam os seus pés, e com duas voavam. E clamavam uns aos outros, dizendo: Santo, Santo, Santo é o Senhor dos Exércitos; toda a terra está cheia da sua glória. E os umbrais das portas se moveram à voz do que clamava, e a casa se encheu de fumaça. Então disse eu: Ai de mim! Pois estou perdido; porque sou um homem de lábios impuros, e habito no meio de um povo de impuros lábios; os meus olhos viram o Rei, o Senhor dos Exércitos (Is 6. 1 - 5 ACF). 
Na verdade, nem mesmo a Glória do Senhor pode ser vista em todo o momento.
Dize a Arão, teu irmão, que não entre no santuário em todo o tempo, para dentro do véu, diante do propiciatório que está sobre a arca, para que não morra; porque eu aparecerei na nuvem sobre o propiciatório (Lv 16. 2 ACF).
Deus não pode ser visto face à face por homem algum. Daí que na Teofania do Sinai, ele desça em nuvens espessas e em densas trevas. Stott afirma que somente em Cristo Deus pode ser visto sem criar temor e terror nos homens. Do contrário eles não suportam o peso da presença e da manifestação de Deus.

No Novo Testamento as aparições de Deus para Hagar, para os anciãos que vão ao monte com Moisés, e para Gideão, Manoá e Isaías ganham novo significado. Em primeiro lugar vê-se ali afirmação clara de que o λογος (LOGOS), identificando com a sabedoria divina no judaísmo helênico, e agora com Cristo é Deus.
No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez. Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens. E a luz resplandece nas trevas, e as trevas não a compreenderam (Jo 1. 1 - 5 ACF). 
De igual modo, entende-se no Novo Testamento que quem apareceu nas manifestações divinas foi o próprio Cristo.
Disse-lhes, pois, Jesus: A luz ainda está convosco por um pouco de tempo. Andai enquanto tendes luz, para que as trevas não vos apanhem; pois quem anda nas trevas não sabe para onde vai. Enquanto tendes luz, crede na luz, para que sejais filhos da luz. Estas coisas disse Jesus e, retirando-se, escondeu-se deles. E, ainda que tinha feito tantos sinais diante deles, não criam nele; Para que se cumprisse a palavra do profeta Isaías, que diz: Senhor, quem creu na nossa pregação? E a quem foi revelado o braço do Senhor? Por isso não podiam crer, entào Isaías disse outra vez: Cegou-lhes os olhos, e endureceu-lhes o coração, A fim de que não vejam com os olhos, e compreendam no coração, E se convertam, E eu os cure. Isaías disse isto quando viu a sua glória e falou dele (Jo 12. 35 - 41 ACF).  
Em outro texto, as palavras de Iahweh para Isaías são atribuídas ao Espírito Santo.
E, como ficaram entre si discordes, despediram-se, dizendo Paulo esta palavra: Bem falou o Espírito Santo a nossos pais pelo profeta Isaías, Dizendo:Vai a este povo, e dize:De ouvido ouvireis, e de maneira nenhuma entendereis;E, vendo vereis, e de maneira nenhuma percebereis. Porquanto o coração deste povo está endurecido,e com os ouvidos ouviram pesadamente,e fecharam os olhos,para que nunca com os olhos vejam,Nem com os ouvidos ouçam,Nem do coração entendam,E se convertam,E eu os cure (At 28. 25 - 27 ACF). 
Mas esta é uma percepção dos escritores e autores do Novo Testamento. Eles se tornaram convictos da divindade de Cristo, bem como de sua filiação divina a partir da ressurreição.  Foi assim com Tomé, que após tocar nas marcas dos cravos das mãos de Cristo disse: E Tomé respondeu, e disse-lhe: Senhor meu, e Deus meu! (Jo 20. 28 ACF). Paulo afirma que Jesus nasceu da descendência de Davi segundo a carne, mas, foi declarado Filho de Deus em poder, segundo o Espírito de santificação, pela ressurreição dentre os mortos, Jesus Cristo, nosso Senhor (Rm 1. 3, 4 ACF).

Na percepção de Willian Lane Craig, foi a ressurreição de Cristo, o fator principal a fazer com que judeus monoteístas vissem Cristo como Deus. Mas como explicar a relação entre as três pessoas da Trindade, melhor, a dinâmica existente entre as mesmas? Se a pergunta for: o que vem antes deste Deus? a resposta é mais do que óbvia. Isto porque perguntar pelo que vem antes de Deus equivale a perguntar pelo que vem da letra a.

Por no mínimo três vezes o Apocalipse traz a declaração de que Cristo é o Alfa e o Ômega, o princípio e o fim. Eu sou o Alfa e o Ômega, o princípio e o fim, diz o Senhor, que é, e que era, e que há de vir, o Todo-Poderoso (Ap 1. 8 ACF), E disse-me mais: Está cumprido. Eu sou o Alfa e o Ômega, o princípio e o fim. A quem quer que tiver sede, de graça lhe darei da fonte da água da vida (Ap 21. 6 ACF), Eu sou o Alfa e o Ômega, o princípio e o fim, o primeiro e o derradeiro (Ap 22. 13 ACF).

Em segundo lugar vem a questão a respeito de como um único Deus pode ser três pessoas, ou substâncias. Mais uma vez se faz necessário recorrer a C. S. Lewis, Franklin Ferreira e cia. A dificuldade de entender um único Deus em três pessoas, ou substâncias decorre do pensamento lógico matemático. No tocante a explicação da realidade tridimensional (espaço, tempo e matéria), tudo bem, mas quando se fala no além tempo - algo que não está na percepção humana, visto que não há quem tenha relação com a atemporalidade.

É aqui que reside toda, ou grande parte da  questão.
A diferença é a seguinte: na geração, o que foi gerado é da mesma espécie que o gerador. Um homem gera bebês humanos, um castor gera castorzinhos e um pássaro  gera ovos de onde sairão outros passarinhos. Mas, quando fazemos algo, esses algo é de uma espécie diferente. Um pássaro faz um ninho, um castor constrói uma represa, um homem faz um aparelho de rádio - ou talvez algo um pouco mais parecido consigo mesmo que um rádio; uma estátua, por exemplo. Se for um escultor habilidoso, sua estátua se parecerá muito com um homem. Mas é claro que não será um homem de verdade; terá somente a aparência. Não poderá pensar, nem respirar. Não tem vida. 
Este é o primeiro ponto que precisamos deixar claro. O que Deus gera é Deus, assim como o que o homem gera é homem. O que Deus cria não é Deus, assim como o que o homem faz não é homem.
É neste sentido que os crentes são chamados para serem filhos de Deus. Tanto que o Novo Testamento emprega duas linguagens para se referir ao fato de cristãos se tornarem filhos de Deus. A primeira é a da adoção, a segunda é a da geração. Mas mesmo quando Paulo fala de adoção na carta aos Romanos, ele fala de um processo de conformação à imagem de Cristo.

Pensar a Trindade hoje consiste em pensar relacionamentos. Somos seres relacionais porque Deus se relaciona dinamicamente por meio de três pessoas e o modo pelo qual tal se dá é a glorificação mútua entre o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Conhecer a Deus não consiste somente em ter informações a respeito de Deus, ou dedicar-se a uma ciência chamada Teologia. Não!

O conhecimento de Deus dá-se na via relacional. E somente é possível relacionar-se com Deus por meio de Cristo Jesus, e com este por meio do Pai e do Espírito. Mas a relação com Deus é convite para que o homem se relacione com o seu próximo, conforme visto na oração sacerdotal.
E não rogo somente por estes, mas também por aqueles que pela tua palavra hão de crer em mim; Para que todos sejam um, como tu, ó Pai, o és em mim, e eu em ti; que também eles sejam um em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste. E eu dei-lhes a glória que a mim me deste, para que sejam um, como nós somos um. Eu neles, e tu em mim, para que eles sejam perfeitos em unidade, e para que o mundo conheça que tu me enviaste a mim, e que os tens amado a eles como me tens amado a mim. Pai, aqueles que me deste quero que, onde eu estiver, também eles estejam comigo, para que vejam a minha glória que me deste; porque tu me amaste antes da fundação do mundo (Jo 17. 20 - 24 ACF). 
Somente o teísmo trinitariano explica relacionamento. Em Cristo, Marcelo Medeiros.
  
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