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domingo, 6 de outubro de 2013

Evangélico sim, e com muito orgulho

 
Há dois dias atrás postei aqui um post cuja temática abordava o papel vergonhoso dos vereadores evangélicos no processo de aprovação de uma lei que não contemplava as justas reivindicações dos professores. Ao fim do post fiz questão de me identificar como Evangélico que não se envergonha do Evangelho, mas que cora de vergonha dos políticos que se definem desta forma visando exclusivamente o voto dos evangélicos, mas que na hora de honrarem o Evangelho, aprovam leis injustas, mostrando ausência de compromisso com ideais evangélicos (aqui).  Para a gloria de Deus, me deparei com a notícia de que na próxima terça, haverá um ato de solidariedade aos professores, e que os evangélicos estão encabeçando o movimento. É este tipo de atitude que me dá orgulho de ser evangélico.
 
Marcelo Medeiros, ainda com vergonha dos vereadores evangélicos que em nome da politica partidária venderam as suas consciências, mas com orgulho do Evangelho de Cristo.

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

O papel vergonhoso dos vereadores evangelicos do municipio do Rio

 

Cresci no Evangelho durante um período em que não era comum ver crente se envolvendo com politica, e os poucos que se envolviam não eram vistos com bons olhos, ao menos esta era a realidade de minha casa e da congregação na qual fui criado. Com o passar do tempo, lá pela década de oitenta do século passado, presenciei a emergência de políticos e mais políticos ditos evangélicos e com os mesmos o surgimento de toda uma teologia que visava justificar a presença dos mesmos no meio politico. Ricardo Mariano que o diga, afinal, este autor se manifesta a respeito desta postura em dois trabalhos, o primeiro, intitulado "A Reação dos Evangélicos ao Novo Código Civil", e o segundo tem por título "Efeitos da Secularização do Estado, do pluralismo e do mercado religioso sobre as Igrejas pentecostais".
No primeiro trabalho o autor destaca a articulação politica dos parlamentares evangélicos com vistas a impedir quaisquer intervenções, sejam boas, sejam más, por parte do Estado na estrutura e funcionamento das organizações evangélicas. Todavia, ressalta o autor, tal intervenção se dá no plano político e no ideológico. Como? Por meio da construção de uma imagem de entidade perseguida, sempre ameaçada pelo governo, e que precisa do aparato político para se defender. O resultado, esta nova classe política vende junto à sua clientela uma imagem de defensores dos interesses do Reino de Deus em um mundo hostil. A impressão que se tem é que tal processo constitui-se um entrave à laicização e à secularização do nosso estado. Retornando ao autor supracitado, nada mais falso do que isto.
Por quê? No segundo trabalho, Mariano responde que as instituições estão organizadas de uma forma secularizada, como se fossem empresas. O apelo às estratégias de marketing, a gestão centralizada (em nada democrática), a venda do sagrado e do miraculoso, como se estes fossem produtos, são fatores indicadores de que tais instituições se encontram secularizadas e assim sendo nada podem fazer para deter o processo de secularização que se instaurou em nossa sociedade, visto que o mesmo é presenciado no interior daquelas. Para justificar e encobrir possíveis discrepâncias aos olhos dos fieis (palavras minhas), tais líderes apelam à Teologia da Prosperidade. A forma com a qual Mariano resume esta teologia, merece nossa atenção.
De acordo com Mariano, o cerne da Teologia da Prosperidade consiste em que o crente, ou cristão tem de ocupar lugares estratégicos na sociedade, a fim de que sua posição seja usada para maior beneficio do Reino de Deus. Cabe aqui a pergunta a respeito do que venha a ser o Reino de Deus, este é uma teocracia, ou a mensagem que Jesus trouxe? Lembremos que Jesus não procurou em momento algum estabelecer uma teocracia. O grande problema de toda boas mentira, é o fundo de verdade que ela possui e o papel de quem faz teologia é, dentre outros, separar a verdade do erro. Assim, cabe aqui a observação de que a primeira parte do pensamento acima exposto se parece muito com a ética protestante do século XVIII e XIX, sendo que não se encontra presente nesta nem a noção de educação como um valor em si, e muito menos a prática da ascese.
A tradição protestante cunhou a noção de que a Educação é um valor em si. Os esforços de Comenius, de Robert Raikes e tantos outros com respeito a alfabetização, visavam uma maior instrução do povo, a fim de que o mesmo pudesse ler e interpretar a Bíblia por si mesmo. Daí que nos países protestantes a Educação seja um valor em si, ao passo que em países de tradição católica esta é um meio para algo, ou se do contrário, é inútil. Já a doutrina da ascese proclamava que o fim do acumulo de riqueza jamais deveria de ser o luxo, ou a ostentação. Ambas concepções estão ausentes nesta teologia da prosperidade, cujo fim é a justificativa do procedimento prodigo de líderes ditos evangélicos. O produto final é uma teologia que justifica o egoísmo, e que por este motivo vai na contramão da visão de Reino de Deus ensinada na Bíblia.
Somando as conclusões do primeiro trabalho com as do segundo, concluo que na mesma proporção em que empresários e diversos setores sociais se fazem representar na esfera política, isto se dá com os políticos evangélicos. O problema começa com o fato de que nem a visão evangélica, nem a teologia de tradição protestante coadunam com a postura politico ideológica. Na verdade é justamente o que falta aos ditos candidatos, um comprometimento político e ideológico afinado com os valores bíblicos, o que somado à falta de conhecimento (por parte de grande parcela dos evangélicos) do que seja de fato o cristianismo resulta em tragédias tais como a que vimos no caso da greve dos professores.
A despeito do caráter legítimo do movimento dos professores no Município do Rio de Janeiro, que lutam por salários melhores e por uma educação melhor, vereadores evangélicos, cujo nome não mencionarei, votaram favoráveis ao prefeito ao invés de levantarem a voz contra a vergonha que se vê. Tal postura, conforme descrevi acima, se alinha com o total descomprometimento com a causa. Melhorias na educação passam inevitavelmente pela valorização da profissão docente. Esta, conforme ouvi de meu professor de Biologia, no ensino médio, é uma profissão de carreira, que o governo transformou em bico, e o fez por meio da política de desvalorização salarial.
O que se espera de um governo minimamente comprometido com a Educação é que este valorize os profissionais (que ingressam na carreira mediante concurso público), da mesma por meio de remuneração e reconhecimento do aperfeiçoamento constante dos mesmos. Uma coisa brilhantemente ignorada pela maioria dos cidadãos de nosso país é que a aparentemente baixa carga horaria dos professores se dá em razão de ser esta uma atividade que demanda constante atualização e estudo. Creio que parte do sofrimento dos professores, tal como acontece com os músicos, se dê em razão de que em nosso país, a educação é tida como um luxo, e somente é valorizada se produz algum tipo de retorno financeiro, e, ou ascensão social. Para maiores informações ver Otaíza de Oliveira Romanelli, Historia da Educação no Brasil. O produto final é a desvalorização de uma profissão fundamental.
Infelizmente esta semana se encerra com a vergonhosa participação dos políticos evangélicos na aprovação de um plano de cargos e salários que não contempla as reivindicações feitas pelos nossos professores. Sim no lugar de votarem com a consciência, votaram com as legendas. Com isto nada mais fizeram do que confirmar o perfil descrito no presente texto. Ao ler a história, vejo reformadores cujo papel foi fundamental para a causa social, e fizeram isto sem necessariamente serem eleitos como políticos. Há, é claro, o exemplo positivo dos puritanos que ao ocuparem vagas no parlamento inglês, se doaram de verdade pelo Reino. Diante de tal realidade, peço a Deus que levante tais homens, porque o Rio de Janeiro, particularmente está precisando.

Marcelo Medeiros, Evangélico morto de vergonha, não do Evangelho, mas dos políticos evangélicos.
 
 

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Lição da EBD n° 1: O valor de um bom conselho


Conselho nada mais é do que uma opinião, um parecer sobre o que convém fazer; aviso, advertência, podendo também ser entendido como uma assembleia de pessoas que deliberam sobre certos assuntos, é neste último sentido que se fala em conselho estadual, ou municipal de   educação. A ideia que permeia tais conselhos é a de que cada pensamento se confirma com conselho e com bons conselhos se faz a guerra (Pv 20. 18). O livro de Provérbios, constitui-se como uma literatura voltada para aquisição da sabedoria, e por este motivo, afirma incessantemente o valor dos bons conselhos.
 
I) A sabedoria de Provérbios.
 
Os provérbios são máximas expressas em poucas palavras e que por este motivo se tornaram populares. Rifão, anexim, adágios são palavras sinônimas para provérbios. O Dicionário Aurélio na versão virtual traz ainda as seguintes informações:
O rifão tem estilo vulgar, às vezes com termos baixos; o anexim, sentencioso, contém ironia ou chiste. O adágio, o rifão e o anexim são chamados pelo povo de ditados. Todas as línguas têm seus provérbios. Com frequência os mesmos provérbios com formas diferentes ocorrem entre muitos povos e cm épocas diferentes. Às vezes, provérbios semelhantes têm a mesma origem. Em outros casos não têm provavelmente nenhuma conexão. A Bíblia contém um livro inteiro de provérbios. Estes provérbios são até hoje de uso comum, especialmente em países de maioria protestante.
Na Bíblia há um livro feito apenas de tais sentenças. Ele recebe em nossa língua o nome de Provérbios (hb mashal [מִ֭שְׁלֵי]). A finalidade do mesmo consiste justamente em transmitir lições de modo fácil e que as mesmas permaneçam na mente do ouvinte. Seguindo Gordon Fee e Douglas Stuartt, um grande erro que se pode cometer com os provérbios da Bíblia consiste em deixar de perceber o seu caráter pedagógico e interpretar os mesmos como se fossem leis. Este erro é cometido principalmente pelos que seguem a moral de causa e efeito.
Dois provérbios deixam claro que se não forem acompanhados pela sabedoria, as máximas de nada adiantam. Como as pernas do coxo, que pendem flácidas, assim é o provérbio [וּ֝מָשָׁ֗ל] na boca dos tolos (Pv 26. 7 ARCF). Entenda que no caso do coxo, as pernas perdem a sua principal função, de igual modo o proverbio na boca do tolo, visto que este não possui o sendo para aplicar as lições ali contidas. Como o espinho que entra na mão do bêbado, assim é o provérbio [וּ֝מָשָׁ֗ל] na boca dos tolos (Pv 26. 9 ARCF). Entenda que o bêbado, é por definição alguém cujo o cérebro perturbado pela ação do álcool, de modo que ele não pode socorrer a si mesmo quando um espinho entra em sua pele.
 
II) O propósito, ou finalidade de Provérbios
 
Provérbios é uma coletânea de adágios cujo propósito final é o de transmitir a sabedoria (hokmã [חָכְמָ֣ה]), aqui entendida não como saber, mas como habilidade para aplicar o conhecimento de forma prática. Para maiores informações, ver neste blog, o estudo Sabedoria de Deus para uma vida vitoriosa. Ao lado da sabedoria temos a instrução (mushar [מוּסַ֣ר]), esta mesma palavra é utilizada em Jó 12. 18 para atadura, mas os autores bíblicos a usam para castigo (Pv 1. 8; 13. 1, 24), correção (Pv 3. 11).
Para se receber a instrução do entendimento, a justiça, o juízo e a equidade (Pv 1. 3 ARCF), o final da disciplina aqui é a pratica da justiça, juízo e equidade. O objetivo principal aqui é que o homem de Deus, de posse das sagradas letras que podem nos tornar sábios para a salvação que há em Cristo, se torne plenamente instruído em toda a boa obra (II Tm 3. 14 - 17).
Para dar aos simples, prudência, e aos moços, conhecimento e bom siso (Pv 1. 4 ARCF). A aquisição da prudência (ormãh [עָרְמָ֑ה])é uma das finalidades do ensino dos provérbios. Não é sem razão que a sabedoria clama: Entendei, ó simples, a prudência; e vós, insensatos, entendei de coração (Pv 8. 5 ARCF). Uma vez personificada a sabedoria afirma: eu a sabedoria, habito com a prudência, e acho o conhecimento dos conselhos (Pv 8. 12 ARCF). Em todos estes casos, tem a ver com a capacidade de prever e evitar as inconveniências e os perigos; cautela, precaução.
Mediante leitura dos provérbios, os sábios ouvem a sabedoria dos antigos e adquirem mais e mais conhecimento, ou לֶ֑קַח (leqãh), cujo sentido real é o de um aprendizado recebido por meio da ação de um mestre. O sábio ouvirá e crescerá em conhecimento, e o entendido adquirirá sábios conselhos (Pv 1. 5 ARCF).
Sem este trabalho anterior, a verdade expressa nos provérbios não pode ser plenamente entendida, afinal, a vida não é feita de regras inflexíveis, do tipo pode, ou não pode. Pelo contrário! O temor, este sim, é o caminho para a sabedoria (Pv 1. 7). Com isto os escritores bíblicos estão nos dizendo que: pela misericórdia e verdade a iniquidade é perdoada, e pelo temor do Senhor os homens se desviam do pecado (Pv 16. 6 ARCF).
O sábios judeus tem toda a razão em afirmar: No temor do Senhor há firme confiança e ele será um refúgio para seus filhos. O temor do Senhor é fonte de vida, para desviar dos laços da morte (Pv 14. 26, 27 ARCF). Mas o que é o temor do Senhor? A sabedoria responde: O temor do Senhor é odiar o mal; a soberba e a arrogância, o mau caminho e a boca perversa, eu odeio (Pv 8. 13 ARCF). Não se trata de regras, mas de temer a Deus a fim de que o mal seja evitado, daí o entendimento mais do que comum que o temor do Senhor é o principio da Sabedoria.
 
III) O valor do bom conselho
 
Via de regra a expressão לְעֵצָ֣ה (eshah) é empregada nos livros sapienciais de forma positiva para o conselho oriundo da sabedoria. Mas pode também ser entendido como urdidura, trama, e é estritamente neste sentido que o sábio afirma: Não há sabedoria, nem inteligência, nem conselho [עֵ֝צָ֗ה] contra o Senhor (Pv 21. 30 ARCF). Creio firmemente que a razão de ser de tal afirmativa seja o fato de que ninguém pode surpreender a Deus, pelo contrário! É Ele que aniquila as imaginações dos astutos, para que as suas mãos não possam levar coisa alguma a efeito. Ele apanha os sábios na sua própria astúcia; e o conselho [ לְעֵצָ֣ה] dos perversos se precipita (Jó 5. 12, 13 ARCF). 
Mas o caso de Roboão, mostra que para ouvir o bom conselho é necessário um coração sábio (I Rs 12. 8, 13, 14). E o caso de Absalão, que preferiu o conselho de Husai ao de Aitofel, nos mostra que mesmo quando o conselheiro é astuto, é Deus quem detém o poder de confirmar, ou derrotar o conselho (II Sm 17. 7, 14, 23). Aqui se confirmar as palavras que Elifaz proferiu para Jó: Ele apanha os sábios na sua própria astúcia; e o conselho [ לְעֵצָ֣ה] dos perversos se precipita (Jó 5. 12, 13 ARCF). E, Muitos propósitos há no coração do homem, porém o conselho do Senhor permanecerá (Pv 19. 21 ARCF).
Salomão ainda afirma que Quando não há conselhos os planos se dispersam, mas havendo muitos conselheiros eles se firmam (Pv 15. 22 ARCF). Aqui cabe a observação de que a palavra para planos é סֹ֣וד (sôdh), que pode ser compreendida como intimidade (Sl 25. 14), ou planejamento secreto (Pv 15. 22). Em dois casos, o uso do termo indica que por ter intimidade com os seus, Deus lhes revela seus propósitos e segredos íntimos (Sl 25. 14; Pv 3. 32). Para todos os efeitos a sabedoria é mais do necessária para que possamos discernir entre o bom e o mau conselho, entre o conselho que vem de Deus, e o que não vem d'Ele.
O salmista afirma: Bem-aventurado o homem que não anda segundo o conselho [ לְעֵצָ֣ה] dos ímpios, nem se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores (Sl 1. 1 ARCF). Jó discorda do conceito de que com os idosos está a sabedoria. Para este a sabedoria está em adquirir os conselhos de Deus. Afinal
Na sua mão está a alma de tudo quanto vive, e o espírito de toda a carne humana.  Porventura o ouvido não provará as palavras, como o paladar prova as comidas? Com os idosos está a sabedoria, e na longevidade o entendimento.  Com ele está a sabedoria e a força; conselho e entendimento tem.  Eis que ele derruba, e ninguém há que edifique; prende um homem, e ninguém há que o solte (Jó 12. 10 - 14 ARCF). 
O bom conselho é muito valioso. Daí o conselho do sábio: Ouve o conselho, e recebe a correção, para que no fim sejas sábio (Pv 19. 20 ARCF). Cada pensamento se confirma com conselho e com bons conselhos se faz a guerra (PV 20. 8 ARCF). Mas os que não ouvem e nem aceitam o conselho da sabedoria comerão dos frutos das suas ações (Pv 1. 25 - 32). Que Deus nos dê mais e mais de sua sabedoria para que possamos filtrar os conselhos, ouvir e colocar em prática os bons conselhos.
 
Em Cristo, Pr Marcelo Medeiros.
                                                                                                                                                           
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