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quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Desastre à vista



Falei na semana passada a respeito da dura missão que cristãos de matriz católica, evangélica e protestante teriam ao tratar da questão homossexual, visto que teriam diante de si um paradoxo, a conciliação entre a doutrina, que afirma ser pecaminosa a condição humana em geral, o que inclui a homossexualidade. A única exceção seria excluir os homossexuais do gênero humano, mas sabemos que são humanos,  e, justamente por este motivo pecadores (aqui). 

Me permita explicar. O ponto mais duro da pregação cristã é a doutrina do pecado. Ela tem sofrido os mais cruéis ataques. Alguns alegam que sua ênfase produz, ou exacerba a culpa, provocando comportamento depressivo (como se o mecanismo da culpa estivesse atrelado exclusivamente à religião). O resultado mais funesto é que Igrejas cuja preocupação primordial é o bem estar do público que a frequenta, elas removeram definitivamente a pregação e junto com esta, a exposição do que é pecado. 

Em contrapartida os proponentes da causa homossexual foram bem eficazes em associar o discurso religioso com a depressão, mal estar e crimes (eu não quero com isto dizer que tenham sido honestos, ou verdadeiros, mas que aos poucos tem alcançado o seu objetivo em naturalizar o comportamento entre os jovens). Resultado, é mais fácil ser criminalizado por homofobia, ainda que a mesma não seja tipificada como crime, do que por racismo. 

Quando escrevi a respeito da reunião que ocorreu no vaticano, percebi uma euforia por parte imprensa e a preocupação (por parte da cúria romana) com um olhar mais misericordioso para com estes. O problema conforme dito acima é a rejeição, por parte dos mesmos, de sua condição pecadora. 

A bomba no mundo gospel veio por conta das declarações do Pr Brian Houston, que disse que as uniões entre iguais estão sendo discutidas no concílio. Para quem não o conhece, o ministro supra é líder de uma Igreja que tem figurado como ícone na música de expressão contemplativa (usualmente chamada de louvor e adoração. O assim chamado ministério, tornou-se conhecido por meio de uma das suas mais proeminentes figuras Darlene Zschech, autora de maravilhosos hits que embalaram os momentos iniciais de reuniões evangélicas, que segundo fontes deixou a igreja hillsong em 2010, e passou a integrar o ministério Unlimited (aqui). 

O problema é que lendo a matéria (aqui) percebi, que a grande preocupação do ministério é com a quantidade de jovens que lotam, ou enchem as suas reuniões, o que ao meu ver turva a percepção dos líderes a respeito do assunto. Um outro ponto de similar relevância é que mesmos os defensores da causa reconhecem a pouca relevância teológica da igreja em apreço, e veem como único ponto positivo de sua decisão, a influência que os mesmos tem junto aos milhares de jovens que são atraídos pelas canções. 

Ainda não tem nada decidido, mas começo a ver aqui a fragilidade filosófica e teológica do movimento neo pentecostal e das estratégias de marketing que o mesmo tem lançado mãos para atrair multidões. Se a finalidade é lotar as reuniões e os templos a decisão desta entidade tem de se dar em favor da cultura mesmo, jamais pelo impopular evangelho bíblico, e aqui vejo a primeira derrocada de um dos ramos do evagelicalismo. Minha pergunta é: aonde vamos parar?

Marcelo Medeiros

Rm 13. 1 - 7 e suas implicações políticas (O crente e a Política)



Recentemente me envolvi em uma controvérsia em meu trabalho. Ao interpelar um irmão a respeito da conduta dele, o mesmo saiu com a evasiva de que sua obrigação era a de cumprir as ordens das autoridades, e que pela Bíblia ele era sujeito às mesmas, e assim sendo não se via obrigado a ser agradável a mais ninguém. 

Fiz o hercúleo esforço de lidar com a ignorância (ou má vontade mesmo), do próprio e explicar o básico, ou seja, 

  1. O princípio da obediência á autoridade não é cego, do contrário, Daniel poderia se sentir livre para comer as iguarias do rei (afinal, era uma ordem de uma autoridade constituída). 
  2. Todavia, sendo boa, ou má, fiel, ou ímpia, a legitimidade de uma potestade consiste em desempenhar como ministro de Deus o seu papel de louvor das boas obras e condenação das más. 
  3. É o papel de juízo de Deus sobre as obras dos homens que a autoridade encontra a sua devida legitimidade. 
  4. Somente o exercício do papel de ministro de Deus e de vingador das más obras que legitima a submissão dos crentes às mesmas. 
  5. A autoridade da qual o texto fala aqui não é a eclesiástica, uma vez que o termo εξουσια (exousia) nunca é empregado para o ministério eclesiástico. 
Neste tempo de eleições gostaria de trabalhar em breves linhas este texto a fim de trazer maiores esclarecimentos aos leitores deste blog a respeito de tão precioso texto e das implicações políticas do mesmo. 

A Palavra de Deus recomenda a obediência à autoridade, visto que a εξουσια (exousia) procede de Deus. Com isto Paulo quer dizer que todo poder emana de Deus, e isto é fato. A leitura da Bíblia revela homens com José, por exemplo, saindo da condição de escravo e prisioneiro para poderem trabalhar em prol da preservação do povo de Deus. Ao proporcionalmente inverso se dá com a ascensão de Nabucodonozor, como instrumento de juízo para Jerusalém apóstata (Jr 25. 25), e com Ciro sendo chamado para libertar o povo do cativeiro (Is 45. 1 - 7). 

Assim, é preciso bom senso no que tange à obediência à autoridade, visto que o próprio Daniel e seus amigos desobedeceram as ordens de Nabucodonozor quanto à dieta, e, no caso dos três jovesn, a adoração à estátua que este soberano construiu. Mais tarde Daniel se envolve em outra controvérsia por causa do edito promulgado no período de Dario, o medo. 


O livro de Habacuque é bem claro em afirmar que Deus levantou os caldeus como instrumento de juízo para o povo hebreu (Hc 1. 5 - 10). Todavia, não isentou os mesmos das consequências oriundas do abuso (Hc 1. 11ss; 2. 15 - 19). O mesmo pode-se concluir das palavras do profeta Isaías a respeito da Assíria, 
Ai da Assíria, a vara da minha ira, porque a minha indignação é como bordão nas suas mãos.Enviá-la-ei contra uma nação hipócrita, e contra o povo do meu furor lhe darei ordem, para que lhe roube a presa, e lhe tome o despojo, e o ponha para ser pisado aos pés, como a lama das ruas.
Ainda que ele não cuide assim, nem o seu coração assim o imagine; antes no seu coração intenta destruir e desarraigar não poucas nações. Porque diz: Não são meus príncipes todos eles reis? Não é Calno como Carquemis? Não é Hamate como Arpade? E Samaria como Damasco? Como a minha mão alcançou os reinos dos ídolos, cujas imagens esculpidas eram melhores do que as de Jerusalém e do que as de Samaria,
Porventura como fiz a Samaria e aos seus ídolos, não o faria igualmente a Jerusalém e aos seus ídolos? 
Por isso acontecerá que, havendo o Senhor acabado toda a sua obra no monte Sião e em Jerusalém, então castigarei o fruto da arrogante grandeza do coração do rei da Assíria e a pompa da altivez dos seus olhos (Is 10. 5 - 12 ACF). 
Na mesma proporção percebida nesta nação ímpia, grande erro das supostas autoridades do tempo moderno consiste em acreditar que podem fazer o que quiserem sem que sejam questionadas. Tal como ocorreu com a Assíria, se dará com estes. 

É afirmado três vezes que a autoridade, é διακονος (diakonos), um serviçal de Deus no tocante ao exercício da vingança, visto que é chamado de vingador (εκδικος [edikós]). Daí que a autoridade tenha sempre em mente que o poder que lhe foi concedido por Deus jamais pode ser empregado de forma abusiva, do contrário, os princípios do texto supra serão duramente aplicados. 

É exclusivamente neste sentido que se pode afirmar que o crente que se opõe à autoridade resite à ordenação de Deus. Opor-se a Nabucodonozor, era opor-se a Deus, visto que Deus havia submetido até os animais do campo à autoridade deste (Jr 27. 6), mas a submissão não incluía a traição aos preceitos da aliança, o que indica que mesmo a autoridade legítima quando ultrapassa os limites do bom  senso e da justiça, precisa ser resistida. 

Atualmente crentes, pastores tem exercido ativamente sua cidadania, empregando todos os recursos ao seu alcance para produzir reflexão. Críticas tem sido feitas à governos totalitários e corruptos, bem como a forma do brasileiro exercer a cidadania. Mas ainda há um longo percurso a ser feito, a fim de que o evangélicos se posicionem como sal e luz do mundo e exerçam sua influência nesta sociedade. Espero que a presente reflexão de alguma forma contribua. 

Marcelo Medeiros

terça-feira, 21 de outubro de 2014

O Evangelho (Grupo Logos).



Desde criança sou apreciador de música, tanto que me profissionalizei como músico. Algo que aprendi a admirar na música evangélica eram aqueles discos de bandas, grupos e conjuntos que quando via a letra na contra capa vinham com as respectivas fundamentações bíblicas. O Grupo Logos, foi um destes movimentos musicais com papel determinante em minha formação como crente em Cristo Jesus. 

Neste post eu gostaria de compartilhar a letra de uma canção de um dos maiores CD's deste grupo: O Evangelho, e junto com a mesma algumas impressões que tenho tido da leitura de Paul Washer. A letra da canção diz: 
Eu sinto verdadeiro espanto no meu coração
Em constatar que o evangelho já mudou.
Quem ontem era servo agora acha-se Senhor
E diz a Deus como Ele tem que ser ...

Mas o verdadeiro evangelho exalta a Deus
Ele é tão claro como a água que eu bebi
E não se negocia sua essência e poder
Se camuflado a excelência perderá!

Refrão
O evangelho é que desvenda os nossos olhos
E desamarra todo nó que já se fez
Porém, ninguém será liberto, sem que clame
Arrependido aos pés de Cristo, o Rei dos reis.

O evangelho mostra o homem morto em seu pecar
Sem condições de levantar-se por si só ...
A menos que, Jesus que é justo, o arranque de onde está
E o justifique, e o apresente ao Pai.

Mostra ainda a justiça de um Deus
Que é bem maior que qualquer força ou ficção
Que não seria injusto se me deixasse perecer
Mas soberano em graça me escolheu

É por isso que não posso me esquecer
Sendo seu servo, não Lhe digo o que fazer
Determinando ou marcando hora para acontecer
O que Sua vontade mostrará.

Refrão
O evangelho é que desvenda os nossos olhos
E desamarra todo nó que já se fez
Porém, ninguém será liberto, sem que clame
Arrependido aos pés de Cristo, o Rei dos reis.

Porém, ninguém será liberto, sem que clame
Arrependido aos pés de Cristo, o Rei dos reis.
Uma observação inicial é que a mudança no Evangelho não é somente uma mudança de centro, o homem no lugar de Deus, por exemplo, mas também na amalgamação do Evangelho com a cultura humana, tornando a mensagem do messo inviável. No lugar do apelo apostólico ao arrependimento é cada vez mais comum estratégias de marketing e entretenimento. 

O grande problema é que um Evangelho superficial produz crentes superficiais. Somente quando o homem se vê diante de sua real condição espiritual é que se pode falar em reais possibilidades de mudanças, do contrário, jamais. E é isto que a Bíblia mostra nos sucessivos relatos de encontros entre os homens e Deus nas Escrituras. 

Algo lindo do Evangelho é que ele esmaga o orgulho humano, mas ao mesmo tempo produz a verdadeira libertação da qual o homem tanto precisa. Ao desobrigar o homem de toda religiosidade baseada em desempenho, a boa nova aponta para a liberdade sob o reinado e senhorio de Cristo, o Rei dos Reis e Senhor dos Senhores. 

Estes são apenas alguns dos conteúdos do Evangelho que precisam ser recuperados pela Igreja da atualidade: A depravação do homem, a necessidade de arrependimento, a sujeição ao senhorio de Cristo. Todavia, é necessário o entendimento de que vinhos novos não cabem em odres velhos, daí a revisão para com o que se tem pregado e oferecido como Evangelho, mas na verdade não é. 

Forte Abraço, em Cristo, Marcelo Medeiros. 

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