Pesquisar este blog

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Esteja alerta e Vigilante, Jesus Voltará



O termo alerta diz respeito ao estado de atenção necessário em decorrência de algum evento esperado. Sinais foram dados para a vinda de Cristo, ao crente cabe a ponderação a respeito dos mesmos a fim de não ser pego de surpresa na manifestação de Cristo. Vigiar é literalmente estar de vigília e de sentinela. Neste texto pretendo abordar brevemente a necessidade de manter a máxima atenção aos sinais da Vinda de Cristo com vistas a não sermos pegos de surpresa na mesma.

A NECESSIDADE DE VIGILÂNCIA
Vigiai, pois, porque não sabeis a que hora há de vir o vosso Senhor. Mas considerai isto: se o pai de família soubesse a que vigília da noite havia de vir o ladrão, vigiaria e não deixaria minar a sua casa. Por isso, estai vós apercebidos também; porque o Filho do homem há de vir à hora em que não penseis (Mt 24. 42 - 44 ACF). 
O texto aponta claramente que a vigilância deve se dar em razão do total desconhecimento da ocasião em que Cristo há de vir. É com este intuito que se evoca a figura do ladrão, cuja missão se realiza em função do elemento surpresa. O texto termina com a afirmação de que o Filho do homem Virá em uma hora em que ninguém pensa.

A parábola das Dez Virgens é uma mensagem que visa reforçar esta fala. As virgens saem em cortejo ao noivo e este chega apenas na terceira vigília da noite. Vigiai, pois, porque não sabeis o dia nem a hora em que o Filho do homem há de vir (Mt 25. 13 ACF), esta é a lição da parábola contada pelo Senhor. Esta mesma vigilância pode ser expressa nas palavras:
Estejam cingidos os vossos lombos, e acesas as vossas candeias. E sede vós semelhantes aos homens que esperam o seu senhor, quando houver de voltar das bodas, para que, quando vier, e bater, logo possam abrir-lhe. Bem-aventurados aqueles servos, os quais, quando o Senhor vier, achar vigiando! Em verdade vos digo que se cingirá, e os fará assentar à mesa e, chegando-se, os servirá. E, se vier na segunda vigília, e se vier na terceira vigília, e os achar assim, bem-aventurados são os tais servos (Lc 12. 35 - 38 ACF). 
  1. Lombos cingidos podem ser indidcadores de prontidão para uma partida. Neste caso é estar adequadamente vestido para receber o Senhor quando este voltar. 
  2. As candeias devem de estar acesas, uma vez que a chegada do mesmo poderá se dar em quaisquer das vigílias da noite. 
  3. A atitude que Ele, o Senhor espera dos seus serviçais é que estes o recebam tão logo Ele chegar, para tal, devem estar acordados (vigiando). 
  4. A referência Às sucessivas vigílias é um indicador de que a parousia vai demorar a ocorrer. A parábola das virgens já indicava tal. 
  5. Os servos que estiverem vigilantes serão honrados. 
Mais um texto a ser visto é este abaixo transcrito:
Mas daquele dia e hora ninguém sabe, nem os anjos que estão no céu, nem o Filho, senão o Pai. Olhai, vigiai e orai; porque não sabeis quando chegará o tempo. É como se um homem, partindo para fora da terra, deixasse a sua casa, e desse autoridade aos seus servos, e a cada um a sua obra, e mandasse ao porteiro que vigiasse. Vigiai, pois, porque não sabeis quando virá o senhor da casa; se à tarde, se à meia-noite, se ao cantar do galo, se pela manhã, Para que, vindo de improviso, não vos ache dormindo. E as coisas que vos digo, digo-as a todos: Vigiai (Mc 13. 32 - 37 ACF).   
  1. Cristo trata eventos futuros como assunto exclusivo do Pai (At 1. 7), daí o fato dele vedar aos seus discípulos o conhecimento da data de sua Vinda. 
  2. A despeito de negar aos seus o conhecimento de uma possível data da Vinda de Cristo, ele mesmo pede aos seus que olhem para os sinais. O verbo βλεπω (blepoo) vai desde a percepção com a faculdade da visão até a percepção, ou discernimento. 
  3. Ao partir Jesus deu autoridade aos seus servos para pregar o Evangelho, explusar demônios, curar enfermos, etc.... (Mc 16. 15 - 19). Ele determinou vigilância. 
  4. Todavia, tal como o chefe da casa a Vinda de Cristo se dará de improviso. 
  5. A palavra de Cristo teve aplicação para a geração de discípulos que o ouviu, e ainda tem para os que o ouvem na atualidade, o que se percebe na palavra: E as coisas que vos digo, digo-as a todos: Vigiai. 
VIGILÂNCIA EM TERMOS PRÁTICOS
E isto digo, conhecendo o tempo, que já é hora de despertarmos do sono; porque a nossa salvação está agora mais perto de nós do que quando aceitamos a fé. A noite é passada, e o dia é chegado. Rejeitemos, pois, as obras das trevas, e vistamo-nos das armas da luz. Andemos honestamente, como de dia; não em glutonarias, nem em bebedeiras, nem em desonestidades, nem em dissoluções, nem em contendas e inveja. Mas revesti-vos do Senhor Jesus Cristo, e não tenhais cuidado da carne em suas concupiscências (Rm 13. 11 - 14 ACF). 
  1. A parábola das Virgens mostra que "todas" dormiram, e "todas" foram despertadas com o brado anunciando a chegada do noivo. Este é o indicador de que é tempo de acordar. Por isso diz: Desperta, tu que dormes, e levanta-te dentre os mortos, e Cristo te esclarecerá. Portanto, vede prudentemente como andais, não como néscios, mas como sábios, Remindo o tempo; porquanto os dias são maus (Ef 5. 14 - 16 ACF). 
  2. Para Paulo já estamos vivendo nos fim dos séculos. Ora, tudo isto lhes sobreveio como figuras, e estão escritas para aviso nosso, para quem já são chegados os fins dos séculos (I Co 10. 11 ACF). 
  3. Uma das metáforas para a Vinda de Cristo é o nascer do sol. Mas para vós, os que temeis o meu nome, nascerá o sol da justiça, e cura trará nas suas asas; e saireis e saltareis como bezerros da estrebaria (Ml 4. 2 ACF). 
  4. Em razão da proximidade da Vinda de Cristo, as obras das Trevas têm de ser rejeitadas e o comportamento condizente com a luz adotado. E olhai por vós, não aconteça que os vossos corações se carreguem de glutonaria, de embriaguez, e dos cuidados da vida, e venha sobre vós de improviso aquele dia (Lc 21. 34 ACF). 
Que este alerta fique gravado em nossos corações. Em Cristo, 

Marcelo Medeiros. 

sábado, 16 de janeiro de 2016

Esperando a Volta de Jesus




Aguardando a bem-aventurada esperança e o aparecimento da glória do grande Deus e nosso Senhor Jesus Cristo (Tt 2. 13 ACF). Este texto indica que a esperança cristã tem na volta de Jesus o seu cerne. Neste mesmo texto a epifanéia, nome dado à vinda de Cristo, é classificada como bem-aventurada. Aguardar o retorno glorioso de Cristo já é estar em estado de ventura. No presente post pretendo abordar esta Esperança.


A ESPERANÇA

É bem mais do que mera expectativa. É o grande e execelente motivo de Glória do Cristão. Paulo diz: e nos gloriamos na esperança da glória de Deus (Rm 5. 2 ACF). Mesmo em meio Às maiores tribulações, os cristãos podem fazer das mesmas apredizado porque a "esperança não traz confusão" (Rm 5. 5 ACF), pois a base da mesma é o amor de Deus revelado em Cristo Jesus. em outras palavras, 
Porque para mim tenho por certo que as aflições deste tempo presente não são para comparar com a glória que em nós há de ser revelada. Porque a ardente expectação da criatura espera a manifestação dos filhos de Deus. Porque a criação ficou sujeita à vaidade, não por sua vontade, mas por causa do que a sujeitou, Na esperança de que também a mesma criatura será libertada da servidão da corrupção, para a liberdade da glória dos filhos de Deus (Rm 8. 18 - 21 ACF). 
Este texto é de suma importância para uma reflexão a respeito da Esperança, uma vez que o mesmo aponta para os objetos da Esperança Cristã. Quais?

  1. Uma Glória que em nós há de ser revelada. A mesma da qual Paulo fala em Rm 5. 2. O pecado privou o homem desta glória, mas a libertação do corpo do pecado (Rm 7. 7 - 24). 
  2. A libertação da servidão da corrupção. Esta se dará quando o que for mortal e corruptível não mais o for. Na perspectiva paulina: convém que isto que é corruptível se revista da incorruptibilidade, e que isto que é mortal se revista da imortalidade (I Co 15. 53 ACF).  
  3. A liberdade da Glória dos filhos de Deus. Será a liberdade dos grilhões e aguilões do pecado. Ora, o aguilhão da morte é o pecado, e a força do pecado é a lei (I Co 15. 56 ACF). libertos do poder do pecado os salvos em Cristo experimentarão a liberdade da glória dos filhos de Deus. 
  4. Esta libertação inclui a natureza, que tal como o homem também foi sujeita à vaidade (Gn 3. 19; Rm 8. 22 - 26). 
Todavia, o texto igualmente aponta para a essência da nossa Esperança. 
  1. A Esperança é αποκαραδοκια (apokaradokia), ou ardente expectativa. Aos crente de Felipo Paulo escreve que segundo a intensa expectação [αποκαραδοκια (apokaradokia)] que o mesmo tinha, Cristo seria glorificado tanto em sua vida como em sua morte. 
  2. Tanto a ardente expectativa quando a espera suave eliminam quaisquer possibilidades de confusão por parte de quem espera, visto que todas as promessas tem o sim e o amém de Deus, inclusive as pertinentes à Vinda de seu Filho Jesus Cristo (II Co 1. 20). 
  3. Tanto em Fp 1. 20, quanto em Rm 8. 19, 20 o termo αποκαραδοκια (apokaradokia) vem acompanhado de um outro que igualmente denota a esperança Cristã, ελπιδι ou ελπις (elpidi, ou elpis). Consiste na espera, ou expectativa prazerosa que se mantém em relação a algo. Daí a força da exortação paulina que recomenda: Alegrai-vos na esperança (Rm 12. 12a ACF). 
  4. Um último verbete a ser visto no tocante à Esperança é προσδεχομαι [prosdechomai], esperar, ou ter expectativa. 
  5. Em todos estes casos a Esperança nasce da libertação que o crente experimenta em relação ao poder do pecado, por meio da justificação e da santificação, e aponta para a rendenção final, a saber: a glorificação (Tt 2. 11 - 14). 
  6. A essência da fé cristã está ligada com a ardente expectativa, e ao mesmo tempo com o desejo agradável de que Cristo venha buscar a sua Igreja. 
Mas qual é a base da Esperança no tocante à volta do Senhor? Simples, a Esperança é a firme confiança do crente nas promessas de Deus. Segue-se então que a base da Esperança de que Cristo vierá são as promessas de seu Glorioso Retorno. 

A PROMESSA DA VINDA DE CRISTO

Em tempos em que qualquer sonho, desejo, ou aspiração pessoal tem sido elevado à categoria de promessa de Deus, ainda que a mesma não tenha o mínimo de fundamentação bíblica, convém examinar a mais frequante das promessas da Bíblia, a Vinda de Cristo. E uma considerável quantidade de textos referendam à mesma. Veja:
Porque o Filho do homem virá na glória de seu Pai, com os seus anjos; e então dará a cada um segundo as suas obras (Mt 16. 27 ACF). 
E, estando assentado no Monte das Oliveiras, chegaram-se a ele os seus discípulos em particular, dizendo: Dize-nos, quando serão essas coisas, e que sinal haverá da tua vinda e do fim do mundo? Porque, assim como o relâmpago sai do oriente e se mostra até ao ocidente, assim será também a vinda do Filho do homem. E, como foi nos dias de Noé, assim será também a vinda do Filho do homem. E não o perceberam, até que veio o dilúvio, e os levou a todos, assim será também a vinda do Filho do homem (Mt 24. 3, 27, 37, 39 ACF).  
Não se turbe o vosso coração; credes em Deus, crede também em mim. Na casa de meu Pai há muitas moradas; se não fosse assim, eu vo-lo teria dito. Vou preparar-vos lugar. E quando eu for, e vos preparar lugar, virei outra vez, e vos levarei para mim mesmo, para que onde eu estiver estejais vós também (Jo 14. 1 - 3 ACF).
E, quando dizia isto, vendo-o eles, foi elevado às alturas, e uma nuvem o recebeu, ocultando-o a seus olhos. E, estando com os olhos fitos no céu, enquanto ele subia, eis que junto deles se puseram dois homens vestidos de branco. Os quais lhes disseram: Homens galileus, por que estais olhando para o céu? Esse Jesus, que dentre vós foi recebido em cima no céu, há de vir assim como para o céu o vistes ir (At 1. 9 - 11 ACF). 
De maneira que nenhum dom vos falta, esperando a manifestação de nosso Senhor Jesus Cristo (I Co 1. 7 ACF).
E esperar dos céus o seu Filho, a quem ressuscitou dentre os mortos, a saber, Jesus, que nos livra da ira futura (I Ts 1. 10 ACF).
Porque, qual é a nossa esperança, ou gozo, ou coroa de glória? Porventura não o sois vós também diante de nosso Senhor Jesus Cristo em sua vinda? (I Ts 2. 19 ACF). 
Estas promessas são a base da Esperança do Cristão.  

COMO ESPERAR A VINDA DE CRISTO?

Como Cristo espera que estejamos para o seu retono glorioso? Esta pergunta precisa ser feita, principalmente se for considerado que a cada nova tragédia uma febre escatológica é deflagrada, todavia ao invés de alimentar a curiosidade de seus discípulos Jesus deixou aos mesmos um norte a respeito de como deveriam agir. 

A) Com Vigilância
Vigiai, pois, porque não sabeis a que hora há de vir o vosso Senhor. Mas considerai isto: se o pai de família soubesse a que vigília da noite havia de vir o ladrão, vigiaria e não deixaria minar a sua casa (Mt 24. 42, 43 ACF). 
Vigiai, pois, porque não sabeis o dia nem a hora em que o Filho do homem há de vir (Mt 25. 13 ACF).
Em ambos os textos é erceptível a presença do verbo γρηγορευω [gregoreuoo], cujo sentido é o de manter-se acordado, não dormir. Daí a recomendação de Paulo: Não durmamos, pois, como os demais, mas vigiemos, e sejamos sóbrios (I Ts 5. 6 ACF). O sono aqui é uma metáfora, que é explicada pela parábola em que mordomo aguarda o retorno de seu Senhor. 

B) Mordomia
Quem é, pois, o servo fiel e prudente, que o seu senhor constituiu sobre a sua casa, para dar o sustento a seu tempo? Bem-aventurado aquele servo que o seu senhor, quando vier, achar servindo assim. Em verdade vos digo que o porá sobre todos os seus bens (Mt 24. 45 - 47 ACF). 
Estejam cingidos os vossos lombos, e acesas as vossas candeias. E sede vós semelhantes aos homens que esperam o seu senhor, quando houver de voltar das bodas, para que, quando vier, e bater, logo possam abrir-lhe. Bem-aventurados aqueles servos, os quais, quando o Senhor vier, achar vigiando! Em verdade vos digo que se cingirá, e os fará assentar à mesa e, chegando-se, os servirá. E, se vier na segunda vigília, e se vier na terceira vigília, e os achar assim, bem-aventurados são os tais servos (Lc 12. 35 - 38 ACF).
A vinda de Cristo é descrita como um momento de alegria? Sim, as igualmente o é como uma prestação de contas, daí a necessidade de mordomia. 

C) Santidade

E o Senhor vos aumente, e faça crescer em amor uns para com os outros, e para com todos, como também o fazemos para convosco; Para confirmar os vossos corações, para que sejais irrepreensíveis em santidade diante de nosso Deus e Pai, na vinda de nosso Senhor Jesus Cristo com todos os seus santos (I Ts 3. 12, 13 ACF).
E o mesmo Deus de paz vos santifique em tudo; e todo o vosso espírito, e alma, e corpo, sejam plenamente conservados irrepreensíveis para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo. Fiel é o que vos chama, o qual também o fará (I Ts 5. 23, 24 ACF).  

  1. A vida descrita aqui transcende a superficialidade, é uma vida de plenitude.  A base da mesma é o amor. 
  2. Na medida em que o amor cristão cresce, os crentes igualmente crescem em santidade diante de Deus. 
  3. Este crescimento tem de ser contínuo até a Vinda de Cristo. 
  4. É Deus quem mediante o seu Espírito, santifica o crente e o faz irrpreensível, até a Vinda de Cristo Jesus. 
  5. A santidade realizada pelo mesmo tem sua progressão em todas as áreas da vida do cristão, aqui representadas pelo Espírito, alma e corpo. 
Em Cristo, Marcelo Medeiros

 

sábado, 2 de janeiro de 2016

Escatologia o Estudo das Últimas Coisas


Escatologia é um ramo da Teologia Sistemática cujo material é constituído pela interpretação da profecia bíblica, apocalíptica e das demais matérias da Sistemática [aqui leia-se Sistemática como Dogmática]. O que pretendo dizer aqui é que descreio de uma Escatologia saudável, que não reúna e equilibre estes elementos. Sem os tais o que se tem é uma interminável especulação a respeito de eventos futuros que se resumem a tentativas de ver em clérigos romanos a besta, ou de acomodar evantos às passagens da Bíblia. 

De acordo com a revista do primeiro trimestre do corrente ano das Casas Publicadoras das Assembleias de Deus, o estudo da escatologia traz ao coração dos salvos a esperança de um dia estarem para sempre com o SenhorJesus Cristo. A título de consideração inicial posso afirmar que a Esperança é a matéria por excelência da Escatologia. 

A presente introdução já deu o tom do corrente post. Qual? 1) Definir o que é Escatologia. 2) Esclarecer as fontes bíblicas e teológicas da mesma. 3) Ressaltar o elemento da Esperança contido na mesma. Não é tarefa fácil, visto que o ser humano tem um profundo interesse no futuro e os estudos escatológicos tem sido profundamentes influenciados por este caráter especulativo. Feitas as colocações convido o leitor a aventura no estudo da escatologia. 

O QUE É ESCATOLOGIA?

A pergunta a respeito da natureza da Escatologia bíblia imediatamente nos remete ao que não é escatologia. E a resposta a esta primeira indagação remete ao leitor bíblico às seguintes questões:
  1. Não é a entrega a especulações a respeito do futuro, uma vez que o próprio Cristo disse aos seus discípulos: Não vos pertence saber os tempos ou as estações que o Pai estabeleceu pelo seu próprio poder (At 1. 7 ACF). 
  2. Não consiste em intermináveis tentativas de marcações de datas para a Vinda de Cristo, uma vez que o mesmo disse: Mas daquele dia e hora ninguém sabe, nem os anjos do céu, mas unicamente meu Pai (Mt 24. 36 ACF). 
  3. A afirmação de Jesus acima, não é uma negação de sua autoridade e divindade, mas o indicador de um padrão, uma vez que o próprio Deus quando faz anunciados aos seus profetas não trabalha com datas. 
  4. Não é a acomodação de eventos atuais às profecias bíblicas [algo que ocorre principalmente no caso dos programas de implantação de chips e eventos catastróficos como a derrubadas das torres gêmeas, do World Trade Center, ao atentado terrorista ocorrido na França ano passado, ou ao desastre ambiental de Mariana MG (ver aqui)]. 
  5. Não consiste na acomodação de textos bíblicos às ideias pré concebidas no campo da dogmática [este é o caso do pré-tribulacionismo, posição teimosamente defendida pelos líderes evangélicos no Brasil, mas incosistente do ponto de vista bíblico, conforme será demonstrado mais afrente]. 
  6. Não pode ser confundida com a série Deixados para Trás de Tim LaHaye, cujo teor é puramente especulativo e contém elementos mais lendários e mitologicos do que bíblicos. Os filmes são interessantes, mas poderiam ser colocados numa categoria inferior a Inimigo de Estado, Controle Absoluto, Vingador do Futuro, O Pagamento e tantos outros que se entregam a especulações a respeito de temas como o Fim do Mundo, Crise política, ambos presente na Escatologia atual. 
  7. Aqui observa-se que a Escatologia não é algo delimitado ao povo evangélico. Franquias cenematográficas como o Exterminador do Futuro possuem seu viés escatológico, o mesmo se pode dizer de obras como o livro e o filme feito com base no mesmo A Máquina do Tempo de H. G. Wells. 
Uma vez percebidas as verdades acima convém perguntar: o que de fato é a escatologia?
  1. Etimologicamente falando é a junção dos termos gregos εσχατη (eschatee) com λογος, o primeiro tem a ver com último, o segundo com estudo, tratado, saber. 
  2. Escatologia seria assim o saber a respeito das últimas coisas. Mas o que precisamente poderiam ser estas últimas coisas?
  3. Biblicamente falando as últimas coisas são os evantos que transcorrem entre a ascensão de Cristo e o seu retorno. Com este sentido o termo εσχατων των ημερων [eschaton ton heemeron, ou últimos dias] é empregado em Hb 1. 1, 2. 
  4. De igual modo o termo εσχατων των χρονων [eschaton ton chronon] é empregadopara se referir aos eventos pertinentes ao primeiro advento de Cristo, que culminou com sua morte e ressurreição e sucessivamente com a redenção dos crentes (I Pe 1. 20). 
  5. O mesmo se pode dizer de termos como συντελεια του αιωνος [synteleia ton aioonos], cujo emprego pode ser feito em alusão a eventos futuros (Mt 13. 49; 28. 20), como para os que ocorreram no momento histórico em que Cristo morreu (Hb 9. 26). 
  6. Perceba a partir deste último texto bíblico que a consumação dos séculos, na mentalidade do autor da Carta aos Hebreus é o momento em que o mesmo está vivendo. 
  7. Algo similar ocorre na mente de Pedro quando este associa o derramamento do Espírito no Pentecostes com a profecia de Joel (Jl 2. 28 - 31) e acrescenta a expressão εσχατων των ημερων [eschaton ton heemeron, ou últimos dias]. Os eventos ligados a morte, ressurreição e ascenção de Cristo inauguram a era Final. 
  8. Conforme sugerido acima, em relação à expressão συντελεια του αιωνος, εσχατων των ημερων pode ser empregado para eventos futuros, coforme visto nos textos que fazem alusão à apostasia (I Tm 4. 1), à corrupção generalizada (II Tm 3. 1ss), e ao descrédito com relação à Vinda de Cristo (II Pe 3. 3). 
  9. Gordon Fee e Douglas Stuartt afirmam que o Novo Testamento é um documento eminentemente escatológico, visto que seus contemporâenos acreditavam que a qualquer momento o Reino de Deus irromperria na Era presente
  10. Conclui-se assim que a escatologia não se limita a eventos futuros, antes abrange eventos pertinentes ao momento em que os discípulos, e demais membros da comunidade primitiva viveram. O ensino de Cristo, bem como sua pregação são eminentemente escatológicos [ver aqui]
Este é o momento em que se pode passar para as fontes bíblicas da Escatologia. 

FONTES BÍBLICAS DA ESCATOLOGIA

Falar a respeito das fontes bíblicas da Escatologia, demanda, por parte de quem se propõe a realizar tal feito, séria consideração a respeito das profecias bíblicas e da apocalíptica. Em geral estes dois movimentos são confundidos no imaginário cristão. A prova cabal de similar confusão é o fato de Daniel ser tido, ou considerado como profeta, quando na verdade ele é um חָזֹ֖ון (hazon) visionário. 

Biblicamente falando o movimento profético é um movimento que tem seu começo na monarquia. Não se trata um movimento literário desde o início, tanto que Elias, Eliseu, Aías de Silo e tantos outros não deixaram escritos. É a partir do ministério de Isaías, e Jeremias que o movimento assume forma literária, mediante ordem divina de que os oráculos sejam escritos. 

Disse-me também o SENHOR: Toma um grande rolo, e escreve nele com caneta de homem: Apressando-se ao despojo, apressurou-se à presa (Is 8. 1 ACF). A ordem visa a perpetuação das palavras oraculares para o dia do final: Vai, pois, agora, escreve isto numa tábua perante eles e registra-o num livro; para que fique até ao último dia, para sempre e perpetuamente (Is 30. 8 ACF). 

Deus ordenou a Jeremias que escrevesse a profecia a fim de que quando esta se cumprisse, o cumprimento fosse testemunho de que Deus havia mandado o profeta falar tantos os oráculos de juízo quanto os de consolação, é o que concluo deste texto abaixo:
Assim diz o Senhor Deus de Israel: Escreve num livro todas as palavras que te tenho falado. Porque eis que vêm dias, diz o Senhor, em que farei voltar do cativeiro o meu povo Israel, e de Judá, diz o Senhor; e tornarei a trazê-los à terra que dei a seus pais, e a possuirão (Jr 30. 2, 3 ACF). 
O profeta é um homem que começa o seu oráculo com a expressão veio a palavra do Senhor (Is 38. 4; 39. 5; Jr 2. 1; 30. 1; 32. 26; 33. 23). Já o apocalipsista é um homem de visão. Daniel é um claro exemplo. Discordo de que este último seja uma produção do período interbíblico, quando, de acordo com a maioria dos eruditos se desenvolveu a apocalítica, mas seu estilo é eminetemente assim, devido ao emprego de visões simbólicas (Dn 7; 8), do uso histórico das profecias (Dn 9. 1ss) e das visões frequentes. Tais detalhes podem ser aferidos neste breve estudo que fiz.

Do profetismo a escatologia dogmática herdou:

  1. As profecias que dizem respeito a Jesus Cristo, tanto em seu primeiro advento, quanto no seu segundo. Na verdade ambos sestão profundamente misturados, conforme se pode ver nos seguintes textos (Gn 49. 9 - 12; II Sm 7. 12 ss; Mq 5. 2). 
  2. O primeiro texto mistura cenas de nascimento de um descendente de Judá com as de execução de um juízo e o estabelecimento de uma paz sem fim. 
  3. Esta percepção messiânica permanece mesmo no ministério profético de João Batista, para quem a Vinda do Messias tem como objetivo único a execução de um juízo sobre os que não se arrependem e não ouvem a pregação de Batista e do Messias (Mt 3. 10 - 12). 
  4. Foi Cristo quem fez a distinção entre o período da salvação e o do juízo (Mt 11. 5ss; 16. 27). 
  5. As profecias pertinentes a Israel. Isaías, Jeremias, e Miquéias, por exemplo descrevem um quadro cujo cumprimento não é pleno. Nestas o Monte de Sião será um referencial de ensino e sabedoria para todas as nações da terra e os povos para lá correrão (Is 2. 2 - 4). 
  6. Em razão do conhecimento do Senhor, não se fará mal nem dano algum no santo monte do Senhor (Is 11. 9). 
  7. Isaías chega a descrever o seguinte quadro: E a lua se envergonhará, e o sol se confundirá quando o Senhor dos Exércitos reinar no monte Sião e em Jerusalém, e perante os seus anciãos gloriosamente (Is 24. 23 ACF). 
  8. Um quadro similar a este será retratado por João em sua descrição da Cidade Santa. E ali não haverá mais noite, e não necessitarão de lâmpada nem de luz do sol, porque o Senhor Deus os ilumina; e reinarão para todo o sempre (Ap 22. 5 ACF). 
  9. Este mesmo monte é um local em que as estruturas dos céus serão abaladas e a morte aniquilada para sempre (Is 25. 6 - 9). 
  10. Estas profecias formam o cerne de duas categorias apocalípticas e escatológicas: a do Milênio e a do Estado Eterno e servem como exemplo da influência do profetismo na formação do pensamento escatológico. 
  11. Há também as profecias condizentes aos gentios. Elas indicam que o plano de Deus não se restringe exclusivamente aos filhos de Israel, antes abrangem as gentes, ou as demais nações (Gn 12. 3; 18. 18; 22. 18). 
  12. A lei do senhor emanará de Sião, para todos os povos (Is 2. 3). 
  13. Por mim mesmo tenho jurado, já saiu da minha boca a palavra de justiça, e não tornará atrás; que diante de mim se dobrará todo o joelho, e por mim jurará toda a língua (Is 45. 23 ACF). 
  14. Naquele tempo chamarão a Jerusalém o trono do Senhor, e todas as nações se ajuntarão a ela, em nome do Senhor, em Jerusalém; e nunca mais andarão segundo o propósito do seu coração maligno (Jr 3. 17 ACF). 
  15. Há também as profecias bíblicas pertinentes à Igreja. Elas decorrem de uma compreensão de que os gentios estão incluídos na etapa da salvação e que tal como os judeus fazem parte das promessas feitas a Abraão, Isaque e Jacó.
  16. Tais profecias são mais perceptíveis mediante leitura apurada da Carta aos Efésios. Nesta Paulo demonstra como judeus e cristãos foram inidos em um único povo (Ef 2. 11 - 18; 3. 4 - 6). 
Da apocalíptica judaica a Escatologia herdou: 
  1. As imagens cataclísmicas dos evantos finais tais como: a destruição da terra, da natureza, das potências do céu, etc...
  2. Uma visão simbólica e teleológica da história (Dn 2; 7; 8). O advento dos reinos mundiais é descrito por meio da ascenção de bestas, ou de ujma estátua constituída de vários metais em que a mesma é destruída (Dn 2). 
  3. Quadros eminentes da volta do Senhor. São aquelas imagens em que no lugar da restauração da monarquia judaica o próprio Deus é descrito Aquele que vem para Reinar (Dn 7. 13, 14). 
  4. Ele é Aquele que Vem com as nuvens do céu [símbolo de glória]. Esta imagem será constante no Novo Testamento para descrever a Vinda de Cristo (Dn 7. 13; Mt 16. 27; 24. 30; 26. 64). 
Feitas as considerações supra passemos às conclusões sa dogmática na Escatologia. 

RESULTADOS NA DOGMÁTICA E NA ESPERANÇA



No tocante à dogmática pode-se dizer que: 

  1. A Escatologia é a consumação da Teontologia [doutrina do Ser de Deus], visto que a mesma descreve a Glorificação final de Deus em tudo e em todas as coisas (Ap 4. 8, 11; 19. 6, 7). 
  2. É igualmente a consumação da Antropologia, visto que nesta os homens são descritos cumprindo o eterno propósito para o qual foram criados, a saber: o de glorificar a Deus por meio de suas palavras e obras. De uma forma, ou de outra, na condição de salvos ou na de perdidos os homens redenrão glórias a Deus, visto que Deus mesmo jurou toda língua confessará e todo o joelho se dobrará (Is 45. 23; Rm 14. 11; Fp 2. 10, 11). 
  3. A Escatologia é a consumação da Hamartialogia, visto que proclama a aniquilação de toda forma de mal, conforme se pode ver na letra da música de Nelson Cavaquinho [Juízo final], neste dia do mal será queimada a semente, o amor será eterno novamente. Conforme se vê nas observações supra, as profecias afirmam categoricamente: não se fará mal nem dano algum no santo monte do Senhor (Is 11. 9). 
  4. Na Soteriologia se verá a conclusão da obra definitiva de Cristo. No passado cada crente foi salvo da ira de Deus ao ser justificado em e com sua graça (Rm 5. 1 - 11). No presente o crente experimenta libertação do poder do pecado mediante a aplicação da graça na vida diária. Este processo é denominado de santificação (Rm 6. 14 - 22). No futuro não estaremos mais sob risco de pecar, uma vez que seremos salvos do poder do pecado. O nome deste processo é glorificação (Rm 8. 29, 30), cuja consumação definitiva se dará na Vinda de Cristo. 
  5. Cristologicamente falando o próprio Jesus deu a entender que sua encarnação não revelava tudo a respeito de sua natureza (Is 53. 1; Jo 12. 38), daí o fato de que Ele mesmo tenha falado em um dia em que o Filho do Homem haveria de se revelar (Lc 17. 30). O autor aos Hebreus afirma: Vemos, porém, coroado de glória e de honra aquele Jesus que fora feito um pouco menor do que os anjos, por causa da paixão da morte, para que, pela graça de Deus, provasse a morte por todos (Hb 2. 9 ACF). 
  6. A Eclesiologia tem sua resolução na Escatologia, visto que nesta se descreve a união final entre Cristo e sua Igreja (Jo 14. 3; I Ts 4. 17). 
  7. A Esperança Cristã é a Glória de Deus (Rm 5. 2; 8. 18) a manifestação de Nosso Grande Deus e Salvador Jesus Cristo (Tt 2. 13, 14), uma herança incorruptível (I Pe 1. 4, 5), novos céus e nova Terra (II Pe 3. 13) etc...
CONCLUSÃO

Em tempos tão marcados pelo materialismo e pelo hedonismo a função da esperança é fazer com que o crente olhe para além do tempo presente, para além daquilo que se vê, e recobre sua identidade a se comporte neste presente tempo como se não estivesse mais sob este aéon. 

Em Cristo, Marcelo Medeiros. 
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

Créditos!

Por favor, respeite os direitos autorais e a propriedade intelectual (Lei nº 9.610/1998). Você pode copiar os textos para publicação/reprodução e outros, mas sempre que o fizer, façam constar no final de sua publicação, a minha autoria ou das pessoas que cito aqui.

Algumas postagens do "Paidéia" trazem imagens de fontes externas como o Google Imagens e de outros blog´s.

Se alguma for de sua autoria e não foram dados os devidos créditos, perdoe-me e me avise (blogdoprmedeiros@gmail.com) para que possa fazê-lo. E não se esqueça de, também, creditar ao meu blog as imagens que forem de minha autoria.