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sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Religão causa de graves transtornos?


Já escrevi sobre este assunto aqui com o simples intuito de responder este texto. Dias após me deparo com esta matéria. A partir de experiência própria e das experiências mau sucedidas de diversas pessoas com a religião uma especialista americana, por nome Marlene Winell, descobre uma síndrome que se desenvolve em pessoas criadas em um ambiente religioso fundamentalista. Segundo a especialista em apreço as pessoas que sofrem deste tipo de transtorno podem desenvolver pânico que envolve cenas apocalípticas, medo de ir para o inferno, baixa autoestima, depressão. etc... .
É mais do que fato que a doutrina cristã afirma que o homem é irremediavelmente pecador, e que nado do que ele faça pode sanar tal situação. Somente uma intervenção divina pode ajuda-lo. Isto é fato. Todavia, também é verdade que pela graça de Deus o homem pode ser alcançado e resgatado deste estado. Na linguagem de Jesus, isto é frequentemente expresso por meio de falas do tipo: não são os são que precisam de médico, ou, o Filho do homem veio para buscar e salvar o que se havia perdido.
Na linguagem paulina esta mesma verdade é expressa por meio de assertivas do tipo pela graça sois salvos, não por obras de justiça, mas pelo seu muito amor, etc.... Mesmo no Antigo Testamento, podemos ver um retrato da ira de Deus associado á sua graça e misericórdia para com homens, que de acordo com o autor do salmo brotam de um único Deus que conhece a nossa estrutura e sabe que somos pó (Sl 103. 14 - 16; 130. 1 - 4).
Diante do exposto,  gostaria de propor duas considerações iniciais. Primeiro, desde os primórdios da fé cristã, existem pessoas que se dispõem a colocarem sobre as demais um jugo, fardo, peso, que elas mesmas não dispõem a carregar. Tais são os que atam fardos pesados e os colocam sobre os ombros dos homens, mas eles mesmos não estão dispostos a levantar um só dedo para movê-los (Mt 23. 4 ARCF).
A segunda consideração é que a despeito de existirem pessoas cujo proposito é disseminar a opressão, há um Jesus que diz aos que sinceramente o buscam:
Venham a mim, todos os que estão cansados e sobrecarregados, e eu lhes darei descanso. Tomem sobre vocês o meu jugo e aprendam de mim, pois sou manso e humilde de coração, e vocês encontrarão descanso para as suas almas. Pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve (Mt 11. 28 - 30 ARCF). 
Minha premissa aqui é que os que sinceramente buscam a Deus não ficarão enganados. Uma vez que a própria Bíblia dá amplas garantias de que quem busca a Deus é orientado no caminho em que deve seguir (Sl 25. 4, 12, 14; Jo 7. 19). A carta de Paulo aos Gálatas mostra com clareza uma comunidade que após receber o Evangelho da graça se colocou sob o jugo de um grupo reduzindo a sua condição de livres em Cristo á de escravos.
Diante da matéria não há como ignorar que de fato existam pessoas que adoeceram e ainda enfermam em ambiente religioso, mas é necessário perguntar se o mérito da culpa cabe exclusivamente à religião, ou ao sistema doutrinário da mesma. Afinal, se pregações sobre o apocalipse causam transtornos, teremos de acabar definitivamente com filmes de terror do tipo "A hora do pesadelo" (me perdoem o eufemismo, pois sei que este não assusta a mais ninguém), mas na medida em que faço tamanha ironia me lembro de quão infantil fui em me aterrorizar com Fred Krügger e Jason, na mesma proporção em que acreditei infantilmente que um espirro seria suficiente para que eu perdesse a salvação.
Paulo, Santo Agostinho e Lutero são homens que tiveram em comum o anseio de obedecer a Deus genuinamente, mas se depararam com sua inadequação, com sua pecaminosidade, e desesperaram de si mesmas depositando toda a sua confiança em Deus. Falo isto em razão dos depoimentos de inadequação, impotência que aparecem no texto, e creio que foi o desesperar de si que faltou a estas pessoas.
 
Em Cristo, Pr Marcelo Medeiros
 

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Confissão e Cura versus hipocrisia pública

 
 
Li há alguns anos atrás um autor que me marou profundamente. O nome dele? Rubem Martins Amorese. Um dos textos mais marcantes que este autor elaborou foi a respeito da crise de confissão que temos em nossos dias. Vivemos em uma sociedade de pseudos doentes porque as pessoas se negam resolutamente a confessarem os seus pecados. Uma das razões apontadas pelo autor é a falta de credibilidade do povo na pessoa dos confessores. Em outras palavras aquilo que confessamos em particular pode virar assunto das últimas fofocas de roda. O dilema que temos diante de nós, é a Bíblia de um lado e a opinião pública do outro.
A Bíblia diz: O que encobre as suas transgressões nunca prosperará, mas o que as confessa e deixa, alcançará misericórdia (Pv 28. 13), e: Confessai as vossas culpas uns aos outros, e orai uns pelos outros, para que sareis. A oração feita por um justo pode muito em seus efeitos (Tg 5. 16). Diante da possibilidade da exposição nos apegamos ao famoso líbelo de confessar para Deus. Tudo bem, afinal Davi disse: Confessei-te o meu pecado, e a minha maldade não encobri. Dizia eu: Confessarei ao SENHOR as minhas transgressões; e tu perdoaste a maldade do meu pecado (Sl 32. 5), mas de forma alguma podemos entender este texto como uma confissão em pensamento, visto quee no contexto do texto em apreço o mesmo afirma: Quando eu guardei silêncio, envelheceram os meus ossos pelo meu bramido em todo o dia (Sl 32. 3). Creio que para encontrarmos a raiz deste terrível mal temos de recorrer a dois filósofos cuja presença neste terra serve-nos de luz. O primeiro é Blaise Pascal, cristão. O segundo Luis Felipe Pondé.
Para Pascal, todos vivemos uma vida em nós mesmos e uma vida imaginária na mente das pessoas. Nas palavras do filósofo, não nos satisfazemos com a vida que temos em nós e no nosso próprio ser; desejamos viver na idéia dos outros uma vida imaginária, e, para isto esforçamo-nos para por fingir. Trabalhamos incansavelmente para embelezar e conservar nosso ser imaginário e negligenciamos o verdadeiro. RESULTADO, fazemos um enorme esforço para ressaltar nossas qualidade e ocultar os nossos defeitos. CONCLUSÃO: AS PESSOAS EVITAM CONFESSAR PARA QUE A IMAGEM QUE ELAS CONSTRUÍRAM NÃO SE DESMORONE. O nome disto é hipocrisia. Em outras palavras: fingir ser aquilo que não somos.
De acordo com Pondé a substância da moral pública em nossos dias é a hipocrisia. As pessoas fazem a máxima questão de se afirmarem como éticas, e o fazem como se isto fosse alguma virtude inerente à sua pessoa e como se pudessem fazer um marketing dela. Com isto o pecado como essência da natureza humana é ignorado. Um homem cuja trajetória é maculada por um escâdalo sexual, por exemplo, é impiedosamente julgado pelos demais, como se os que o julgam não fossem pecadores, QUANDO NA VERDADE SÃO.
Para que o nosso meio volte a desfrutar das beneces da confissão, necessário se faz o resgate da idéia de pecado, do conceito de graça e da universalidade do pecado e necessidade que todos temos dele. Em Cristo Jesus, Marcelo Medeiros.
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