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segunda-feira, 14 de julho de 2014

O conceito de Herói



Nosso conceito de heroísmo vem da Grécia, basta ler os mitos. Na atualidade, este conceito tem sido questionado, é verdade, mas os jogadores e, nos países de primeiro mundo os atletas em geral, ainda são vistos como arquétipos.  É como se eles fossem uma fonte de superação, ainda mais no caso do futebol, um esporte que no imaginário popular rompe com a lógica de classe em razão do talento. 

Marcelo Medeiros. 


Copa, um balanço geral



Escrevo este post, em parte para assumir que sou mais um entre milhões de brasileiros que gosta de torcer por sua seleção, é uma confissão pública, mas não um mea culpa, de forma alguma! A razão é bem simples, ao contrário de alguns xiitas de plantão, não vejo a mínima ligação necessária entre política e futebol. Embora aquela se reflita neste, o fato mais do que inconteste é que o futebol não necessariamente determina a política. Mas tem um monte de gente que pensa assim.

O fato é que eu, da mesma forma que os milhões de torcedores espalhados por este país, torço por causa da necessidade de preenchimentos existenciais (falo mais a respeito aqui). A diferença, é que sei que não posso basear a minha felicidade em tais coisas, mas será que os ufanistas políticos sabem disto? Sabem eles que a política é tão imprevisível, e pode ser tão, ou mais decepcionante quanto o futebol? Que são estimulados à militância pelo mesmo vazio existencial? Acredito que saibam, mas que não estão dispostos a admitir. 

A copa ao meu ver foi sim uma decepção. O Brasil foi, e é a única seleção a não ter conquistado um título em casa. Sei que isto não se compara aos fracassos políticos, e que o quarto lugar na competição é infinitamente melhor do que o octogésimo oitavo em educação, e octogésimo quinto em Índice de Desenvolvimento Humano. Também concordo com Cristóvão Buarque quando ele afirma que o povo brasileiro deveria aprender a se espantar com isto (aqui). Mas ainda que se espantasse, isto nada tem a ver com ser, ou não ser torcedor.

Retomando o assunto da Copa, faltou futebol brasileiro, sobraram teorias e mais teorias da conspiração; tudo com aquele tempero de suspeita fundada (visto que o procedimento de nossos políticos deixa, e muito, á desejar em matéria de transparência aqui). Assim, a Copa começou sob o signo da suspeita de que tinha sido comprada e termina com forte desconfiança de que foi vendida. 

E eu com isto? Você, caro leitor, eu não sei, mas amanheci com a sensação de que neste último mês não vi a seleção brasileira jogar, mas que assisti uma nova versão de um antigo filme: A soma de todos os medos. O medo da política já existe, afinal, cresce em nosso país a sensação de que não é povo quem elege quem está no poder, mas um esquema fraudulento, e agora, este mesmo medo foi transferido para o futebol. O resultado: vazio existencial aliado à total descredibilidade. 

Marcelo Medeiros

Passou desapercebido



Em meio ao ufanismo da copa das confederações do ano passado e à profunda vergonha desta última copa, passou desapercebido o feito de cinco jovens que foram premiados com medalhas de prata e bronze, em olimpíadas internacionais de astronomia (aqui). O feito, se for levado em consideração que o país ocupa o octogésimo oitavo lugar em educação, e o octogésimo quinto em Índice de Desenvolvimento Humano, é notável (aqui).

Contudo não há, de minha parte lugar para ufanismo, orgulho sim, otimismo nacionalista não! A razão de ser é bem simples. Não percebo suporte algum da mídia e menos ainda do governo na formação de jovens como os que aparecem na foto acima (aqui), e a educação aqui se justifica unica e exclusivamente em razão de um pragmatismo sócio econômico, o que caso ocorresse com estes jovens talvez eles não fossem ganhadores de tais prêmios.

Não vou entrar no mérito da condição social, do aparato que estes jovens tiveram. O fato, ao meu ver inconteste é que se eles fossem tão celebridades quanto os pagodeiros, os atores e jogadores de futebol, outros jovens procurariam ser como eles, mesmo com toda dificuldade que um jovem de classe média baixa, que resolva seguir tal caminho, tenha de enfrentar. Mas há neste país uma insistência em manter tais jovens no total anonimato, e entendo, creia, entendo mesmo. 

Entendo que seja bom que eles permaneçam no anonimato. Assim, ninguém perguntará por eles quando estiverem atuando como cientistas em países de primeiro mundo. Ninguém irá questionar a ausência de uma política de valorização dos profissionais que atuam nesta área. Esta é a triste realidade com que tenho de conviver, e me pergunto: até quando?

Marcelo Medeiros
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