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quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

O Crescente Interesse pela Fé Reformada Entre Pentecostais



É com grande alegria que li a declaração de Geremias do Couto a respeito de sua posição teológica como Calvinista. Falo isto, porque á semelhança deste expoente, fui atraído pela Teologia Reformada desde a adolescência. Mas nunca encontrei apoio, ou anuência entre os meus colegas de denominação, chegando inclusive a ouvir de alguns que se minhas convicções não se alinhavam com o pensamento denominacional, se é que isto de fato exista, deveria sair da denominação. E de fato, cheguei a pensar assim algumas vezes, até que li um artigo no qual o Reverendo Augustus Nicodemus Lopes expunha o outro lado da moeda [aqui].

De acordo com o artigo em apreço, os grandes reformadores jamais pretenderam sair da Igreja, eles tinham em mente reformar a mesma por dentro. Além disto, os reformados (com exceção do período inicial, dada à estranheza das práticas pentecostais) sempre viram nos mesmos irmãos em Cristo. Resumindo: um crente reformado somente deve deixar sua denominação, se e tão somente se ele for obrigado a isto, se as relações se tornarem insustentáveis, e ele for convidado a fazer isto. Enquanto isto o crente de convicção reformada deve se esmerar para com mansidão e temor, dar aos demais irmãos as razões de suas convicções. 

A despeito, da sábias colocações vi alguns nomes de extrema sensatez deixarem a Assembléia de Deus, e honestamente, lamento por isto. Depois de mais de dez anos, tenho tido o meu interesse renovado em leitura reformada, MacArthur, Piper, Wascher, Owen, e creio na importância do papel doutrinário, apologético e polemista destes autores. Todavia, oro a Deus para que as mentes que de fato influenciam e formam pensamento sejam despertadas, senão para o Calvinismo, ao menos para o diálogo pacífico. 

Não faltam na rede comentários demonizando a CPAD pela publicação de obras calvinistas [aqui], dentre as quais o clássico Verdade Absoluta, de autoria de Nancy Pearcey, que segundo alguns é uma autora Calvinista. Por outro lado alguns comentários ao artigo Os Calvinistas estão Chegando, não são nada agradáveis, visto trazerem no seu bojo a ideia falsa de que um pentecostal não pode aderir às doutrinas da Reforma. 

Aos pseudo arminianos, que gostam de demonizar os calvinistas e juntamente com estes as suas obras digo: que ao menos se esforcem em ler uma obra de Spourgeon, Piper, ou quem sabe Verdade Absoluta da autora supra citada, para saber do que de fato falam. Aos irmãos reformados membros de igrejas históricas, que atentem para os comentários do Pastor Geremias do Couto, onde o mesmo expõe a fragilidade do pensamento que afirma a incompatibilidade entre a fé reformada e o pentecostalismo (em outro artigo, neste mesmo espaço, procurarei aprofundar mais esta questão). 

Abraços Calvinistas Cristãos, continuístas assembleianos, Marcelo Medeiros. 

sábado, 31 de janeiro de 2015

Não Tomarás o Nome do Senhor em Vão



No presente post, farei uma breve abordagem do terceiro mandamento do decálogo, cuja citação segue na íntegra: Não tomarás o nome do Senhor teu Deus em vão; porque o Senhor não terá por inocente o que tomar o seu nome em vão (Ex 20. 7 ACF). De acordo com o autor da lição, o que se pretende combater aqui é o juramento falso, uma vez que na antiguidade os contratos eram firmados mediante juramento. É isto que se pode deduzir das mais variadas passagens que se encontram no mesmo contexto deste mandamento.

Para o autor da lição os relacionamentos entre os filhos do povo de Israel deveriam ser pautados na honestidade. Tal pensamento encontra seus ecos nas palavras de Moisés, que disse: Não furtareis, nem mentireis, nem usareis de falsidade cada um com o seu próximo; Nem jurareis falso pelo meu nome, pois profanarás o nome do teu Deus. Eu sou o Senhor (Lv 19. 11, 12 ACF).

O NOME DE DEUS

Os nomes de Deus podem ser divididos da seguinte forma: nomes genéricos, e nomes específicos. No primeiro caso figuram: אֱלֹהִ֑ים (elohim), na verdade este termo é o plural de Deus אֱלֹ (El); e עֶלְיֹֽון׃ (Elyon), cujo significado mais comum tem sido a expressão o Altíssimo (Sl 77. 10; 78. 17, 56; 82. 6;  91. 1, 9), são alguns exemplos de ocorrência desta expressão para se referir a Deus. Em algumas ocasiões אֱלֹ (El) e עֶלְיֹֽון׃ (Elyon), são combinados de forma a darem origem a uma nova expressão  לְאֵ֥לעֶלְיֹֽון׃ (El Elyon), ou Deus Altíssimo, que por sua vez ocorre quatro vezes em (Gn 14. 18 - 22).

Os nomes específicos são: אֲדֹנָ֤י (Adonai), frequentemente usado na leitura da sinagoga para substituir יֱהוִה֙ (Jeová, ou Iahweh), o impronunciável tetragrama hebraico. Em dos diálogos entre Deus e Abraão, o autor do relato descreve o patriarca se referindo a Deus pelo nome אֲדֹנָ֤י יֱהוִה֙ (Senhor Deus [Gn 15. 2  ACF]). Ao revelar o seu nome Eterno para Moisés, o Todo poderoso lhe disse: E eu apareci a Abraão, a Isaque, e a Jacó, como o Deus Todo-Poderoso; mas pelo meu nome, o Senhor, não lhes fui perfeitamente conhecido (Ex 6. 2 ACF) . אֵ֣ל שַׁדָּ֑י (El Shaday), este foi o nome pelo qual os Deus se revelou aos patriarcas.

Mas por que falar em nomes de Deus em um estudo a respeito do juramento? Por uma razão bastante simples: o nome de Deus é santo קָדְשֹׁ֑ו (Qadosch), e santidade do seu nome jamais deve de ser profanada, seja em razão de um juramento, falso, ou de uma conduta não condizente com a condição de crentes em Cristo. No caso do judeu, por exemplo, Paulo afirmou categoricamente, que por causa do comportamento incoerente dos mesmos, o nome de Deus era blasfemado entre as nações, veja:
então você, que ensina os outros, não ensina a si mesmo? Você, que prega contra o furto, furta? Você, que diz que não se deve adulterar, adultera? Você, que detesta ídolos, rouba-lhes os templos? Você, que se orgulha na lei, desonra a Deus, desobedecendo à lei? Como está escrito: O nome de Deus é blasfemado entre os gentios por causa de vocês (Rm 2. 21 - 24 NVI). 
Neste texto em particular o apóstolo das nações articula uma citação do profeta Isaías, que vale à pena ser lida em seu contexto original, e depois, articulada com o ensino de Paulo, pelo viés da Hermenêutica canônica.
E  agora o que tenho aqui? , pergunta o Senhor. Pois o meu povo foi levado por nada, e aqueles que os dominam zombam, diz o Senhor. E o dia inteiro o meu nome é constantemente blasfemado (Is 52. 5 NVI). 
Isaías profere este oráculo como alusão à libertação futura, do exílio que ainda está por vir. A causa deste? A desobediência do povo aos mandamentos da aliança. Acontece que, mesmo não sendo observado entre os judeus os pecados claramente denunciados pelos profetas, é perceptível que a fidelidade dos mesmos aos mandamentos divinos, é no mínimo parcial, e isto ao ponto de Paulo dizer: você, que se orgulha na lei, desonra a Deus, desobedecendo à lei?

O JURAMENTO FALSO

Não jurem falsamente pelo meu nome, profanando assim o nome do seu Deus (Lv 19. 12 NVI). Jurar falsamente é típico de pessoas infiéis, que não buscam a verdade. Embora digam: ‘Juro pelo nome do Senhor’, ainda assim estão jurando falsamente (Jr 5. 2 NVI). Mas a verdade ressaltada pelo profeta Jeremias, é que o templo de nada adianta, quando se quebra a lei, inclusive os que juram falsamente pelo nome do Senhor
Vocês pensam que podem roubar e matar, cometer adultério e jurar falsamente, queimar incenso a Baal e seguir outros deuses que vocês não conheceram, e depois vir e permanecer perante mim neste templo, que leva o meu nome, e dizer: Estamos seguros!, seguros para continuar com todas essas práticas repugnantes?  (Jr 7. 9, 10 NVI). 
Deus promete juízo contra os que juram enganosamente.
Eu virei a vocês trazendo juízo. Sem demora vou testemunhar contra os feiticeiros, contra os adúlteros, contra os que juram falsamente e contra aqueles que exploram os trabalhadores em seus salários, que oprimem os órfãos e as viúvas e privam os estrangeiros dos seus direitos, e não têm respeito por mim, diz o Senhor dos Exércitos  (Ml 3. 5 NVI).  
perceba que:
  1. O juramento falso é colocado em pé de igualdade com todos os demais pecados. 
  2. Tal como ocorre com os demais pecados, o falso juramento atrai a ira de Deus sobre todos quanto o praticam. 
  3. Pode produzir falsa sensação de segurança.  
No Novo Testamento, tanto Jesus quanto Tiago levantarão questão em torno do juramento. Para o Filho de Deus o juramento deveria ser evitado à todo custo
Vocês também ouviram o que foi dito aos seus antepassados: ‘Não jure falsamente, mas cumpra os juramentos que você fez diante do Senhor. Mas eu lhes digo: Não jurem de forma alguma: nem pelo céu, porque é o trono de Deus; nem pela terra, porque é o estrado de seus pés; nem por Jerusalém, porque é a cidade do grande Rei.
E não jure pela sua cabeça, pois você não pode tornar branco ou preto nem um fio de cabelo. Seja o seu ‘sim’, ‘sim’, e o seu ‘não’, ‘não’; o que passar disso vem do Maligno" (Mt 5. 33 - 37 NVI). 
O nome de Deus é devidamente honrado quando a palavra é firme. Não se deve jurar por nada, visto que ninguém possui o controle do curso da vida. e toda vez que se evoca algo em juramento, se faz por algo que maior. 

Em Cristo, Marcelo Medeiros

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Do Charlie ao beijaço gay em público



Recentemente o mundo foi abalado pelo atentado sofrido por cartunistas de um conhecido jornal, o Charlie Hebdo. Desde já pretendo deixar claro que não é sobre isto que pretendo dissertar aqui. Duas semanas após, as redes sociais, são inundadas com a seguinte notícia: duas ativistas gays, que foram presas em uma reunião religiosa, por lá resolverem protestar contra o Deputado Federal e Pastor Marco Feliciano, decidiram entrar na justiça contra o mesmo, por "danos morais", e estão pedindo uma indenização considerável.  

Mas o que há de comum entre os dois eventos? Minha proposta é fazer uma breve ligação entre os mesmos, mas para exemplificar, postarei abaixo uma charge do Charlie Hebdo, que creio será bem ilustrativa, a despeito do caráter ofensivo. 



Como o leitor deve de ter intuído, a charge é ofensiva, e se somada ao beijaço gay, provocativo, aponta para a mais nova tendência do momento, a de ofender cristãos (aqui você pode ver a análise de Rachel Sheherazard sobre o fato), e no caso do Charlie, toda e qualquer religião; e ainda se acharem no exercício dos seus respectivos direitos. 

Cada vez mais a liberdade de expressão tem sido confundida com o direito de ofender. Pasme, mas é isto que tenho visto em redes sociais, que a imprensa pode, e deve ofender, quando necessário for. Mas aqui cabe uma pergunta: ofender a quem? A Verdade é que o alvo predileto é a religião cristã, que por si só é ofensiva ao mundo. Por quais razões? Pela vindicação de verdade, que soa como intolerância, pela taxação de comportamentos, tidos como legítimos, tais como o homossexualismo, e inúmeros outros fatores poderiam ser elencados aqui. 

A questão central aqui, é que ao mesmo tempo em que eles tem o direito de ofender, nosso direito de afirmar que nossa percepção é verdadeira está sendo associado, cada vez mais a intolerância. É preciso que cristãos se conscientizem de que já estamos em uma sociedade cada vez mais anticristã, e que precisamos mais do que nunca absorver o Evangelho, a fim de não sermos tão sensíveis às provocações tipo a da imagem do Charlie, e das ativistas gays. Para mais ver aqui.

Marcelo Medeiros
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