Pesquisar este blog

Mostrando postagens com marcador família. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador família. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 12 de maio de 2015

Família e comerciais de margarina



As redes sociais foram criadas com o intuito claro de socializar conhecimento, informação, contatos, além, é claro de diminuir distâncias. Mas alguns vícios foram associados às mesmas. Contudo, não há porquê em demonizar as redes. A saída, é o desmascaramento contínuo das mazelas humanas, dentre as quais uma denunciada por Pascal, de não se satisfazer com a vida que se tem em si, mas de se projetar continuamente na mente dos outros e criar assim, um outro eu

A razão de ser deste post é a infeliz constatação de que além de perseguir a felicidade o homem contemporâneo faz das tripas corações para se mostrar feliz aos outros. Felicidade, ou a imagem de que se é feliz, bem sucedido, é o novo produto do momento. E um dos maiores trunfos para tal é a incorporação da família comercial de margarina. 

Para Pondé, a desgraça é o que faz o homem ser humano. Pascal, disse que uma vez o objeto de desejo sendo alcançado, o homem se entedia com aquilo que outrora fora desejado. Mas C. S. Lewis descobriu a farsa em toda esta luta para ser feliz, e isto sem cair no desespero existencial. Para este autor, o propósito da vida não é a felicidade, mas que os seres humanos se tornem pessoas melhores, daí o sofrimento, inclusive na família. 

Não bastasse a loucura desenfreada, alguns ministros e obreiros, diante da percepção desta carência popular, investem suas energias ministeriais em sermões e palestras sobre o assunto. Alguns o fazem com extrema sobriedade, outros chegam ao cúmulo de distorcer a mensagem do Evangelho e saturar o rebanho de Deus com mensagens e mais prédicas sobre a temática. 

O assunto em questão pode e deve ser alvo de reflexão e ensinamento em Escolas Bíblicas e em púlpitos, mas jamais tal deve se fazer sem que o mesmo seja ligado ao contexto do Evangelho de Cristo e à doutrina cristã em geral. O alvo da Bíblia é mudar a prática, mas para que tal se dê, tem de haver ensino. Este não pode jamais frisar somente um lado da verdade, mas tem de abranger toda a verdade. 

Em uma escola bíblica, este autor viu quão duro julgamento Davi recebeu [ler aqui], mas que juízo fariam de Jesus, que em sua vida terrena não obteve a credibilidade para o seu ministério e cuja intenções foram colocadas em dúvida por aqueles que melhor do que ninguém deveriam compreender sua missão e propósito? 
Disseram-lhe, pois, seus irmãos: Sai daqui, e vai para a Judéia, para que também os teus discípulos vejam as obras que fazes. Porque não há ninguém que procure ser conhecido que faça coisa alguma em oculto. Se fazes estas coisas, manifesta-te ao mundo. Porque nem mesmo seus irmãos criam nele (Jo 7. 3 - 5 ACF). 
Além de ser alvo de incompreensão dos seus irmãos, Jesus alertou aos seus discípulos que eles seriam igualmente tratados por seus familiares. Leia as palavras de Jesus abaixo e pergunte em que aspecto elas se enquadram na pregação atual sobre família?
E o irmão entregará à morte o irmão, e o pai o filho; e os filhos se levantarão contra os pais, e os matarão. E odiados de todos sereis por causa do meu nome; mas aquele que perseverar até ao fim, esse será salvo [...] Não é o discípulo mais do que o mestre, nem o servo mais do que o seu senhor. Basta ao discípulo ser como seu mestre, e ao servo como seu senhor. Se chamaram Belzebu ao pai de família, quanto mais aos seus domésticos? Portanto, não os temais; porque nada há encoberto que não haja de revelar-se, nem oculto que não haja de saber-se. [...] Não cuideis que vim trazer a paz à terra; não vim trazer paz, mas espada; Porque eu vim pôr em dissensão o homem contra seu pai, e a filha contra sua mãe, e a nora contra sua sogra; E assim os inimigos do homem serão os seus familiares. Quem ama o pai ou a mãe mais do que a mim não é digno de mim; e quem ama o filho ou a filha mais do que a mim não é digno de mim. E quem não toma a sua cruz, e não segue após mim, não é digno de mim. Quem achar a sua vida perdê-la-á; e quem perder a sua vida, por amor de mim, achá-la-á (Mt 10.21-39 ACF). 
Em Marcos é possível constatar que quando a família de Jesus foi até uma casa em que ele estava pregando e anunciando o Evangelho, o fizeram com a intenção clara de o prender como alguém que havia perdido o juízo. E, quando os seus ouviram isto, saíram para o prender; porque diziam: Está fora de si (Mc 3. 21 ACF). Com sua vida Jesus ilustrou o alto custo do Evangelho e da clara escolha pelo reino. 
 
Muitos outros texto poderiam ser ligados a este, mas o leitor pode conferir em sua Bíblia com referência marginal, ou de rodapé. Mas a mensagem que este post se propõe a transmitir, é a de que o Evangelho não garante que cada crente terá uma família comercial de margarina. Se pela graça de Deus o leitor alcançou uma família equilibrada e que sai bem na foto mesmo sem as costumeiras maquiagens, saiba que isto é graça. 

Este é o momento para um apelo. Pregadores em nome de Jesus, parem de pregar sobre família, preguem sobre renúncia, pecado, perdão, misericórdia e graça. Estes são os fatores que pesam na estabilidade de uma família em um mundo caído, e isto sim, é Evangelho. Foi isto que Cristo fez. Fora a verdade inconteste de que nem Abraão, nem Moisés são padrão de amor conjugal, mas Cristo. Preguem a Cristo, e este crucificado. 

Forte Abraço. 

Marcelo Medeiros. 

Família, desmistificando o assunto




A razão de ser do presente artigo e consequentemente do presente post é a percepção deste autor de que o assunto da moda é família. A causa? Possivelmente o desejo que cada um traz de ser bem sucedido e realizado nos relacionamentos pessoais, somado às dificuldades que a sociedade atual impõem aos mais variados relacionamentos. Daí, que multiplicam-se exponencialmente autores que escrevem sobre o assunto, e pregadores que fazem incursões no mesmo. Destas, algumas sérias outras comprometedoras.

Este autor acredita que o Evangelho não pode, em hipótese alguma ser comprometido, ou ter a sua essência alterada em detrimento das mais variadas necessidades humanas. A mulher samaritana necessitava de água e de salvação. Ela quis unir o útil ao agradável, mas nem por isto Jesus deixou de confrontar a mesma. Eis aqui um vivo exemplo de que o Evangelho não deve ser adaptado.

A razão de ser de tal exposição, se dá pelo fato de que reconhecidamente o ambiente pentecostal não é aberto à crítica intelectual. Sendo a mesma frequentemente confundida com julgamentos pessoais. Daí a necessidade de esclarecer que o propósito deste post não é o de denegrir homem de Deus algum, mas tão somente separar a verdade do erro, e zelar pelo Evangelho.

Em uma Escola Bíblica, este autor teve o desprazer de ouvir uma pregação ("palestra motivacional?") a respeito da família. Nesta o palestrante apontava a longevidade de Abraão como procedente das relações familiares saudáveis, ao passo que Davi, envelheceu rápido por não ter sido bem sucedido com a família.

O primeiro questionamento que vem à mente é: um homem casado com uma mulher estéril, em uma cultura patriarcal, tribal, pode ser tido como  realizado? Um lar onde a concubina entre em rota de colisão com a principal esposa, é um ambiente pacífico? Uma vez consideradas estas questões o autor pode concluir por si só que, no mínimo, houve por parte do palestrante uma idealização de quem das relações familiares de Abraão.

Há de se lembrar que Abraão conhece Hagar no momento em que peregrinou para o Egito. E o preço de sua paz lá naquelas terras foi um estranho acordo com sua mulher, a de que esta dissesse que era sua irmã e os homens do lugar poupassem a vida do patriarca, do grande pai na fé, por amor de sua mulher. O leitor, ou leitora consegue imaginar um homem que honre sua hombridade fazendo tal coisa? Nem o roteirista de proposta indecente conseguiu imaginar algo desta proporção! Afinal, na obra cinematográfica, há arrependimento por parte do homem, ainda que tardio, mas alguém vê no texto bíblico um mínimo esboço de comoção em Abraão? Pelo contrário, ele ganha presentes do Faraó!

Uma vez desmistificado o caso de Abraão, convém desmistificar o caso de Davi. Por mais que se ressaltem elementos bíblicos e textuais apontando o Rei e poeta como um homem omisso com seus filhos, depressivo, permissivo, ao ponto de entregar o controle familiar e ser manipulado pelo seu general, e por Bete-Seba; há que se considerar um fator: a casa de Davi, estava sob juízo divino por causa do seu adultério com a mulher de Urias, e como não bastasse, a forma como ele tramou a morte deste.

A única coisa que explica a atitude de tal pregador é que no lugar do mesmo fazer exegese, ele fez eisegese. No lugar de trabalhar com o sentido original dos textos e com um sólido paradigma teológico, o palestrante preferiu inserir alguma ideia, cuja fonte é difícil de rastrear, mas não de especular. O resultado foi uma mensagem agradável para quem se encontra sérias dificuldades familiares, mas totalmente divorciada do Evangelho.

Aqui é o momento de ressaltar dois elementos ignorados pelos pregadores de família. O pecado e a graça. No caso de Davi, o pecado é bem claro. Ele não resiste a um rabo de saia. Além das muitas mulheres no caso de Nabal ele se mostra iracundo. Seus pecados são facilmente identificados, ao passo que no caso de Abraão, não fica muito claro, e dos que aparecem, tal como a mentira de por duas vezes fazer sua mulher passar por irmã, imediatamente os papas do evangelicalismo levantam defesas e justificativas para encobrir o erro do patriarca. Mas a mulher que quiser ver em Abraão um modelo ideal de homem tem de estar pronta para dividir ele com outra, ou a ser rifada. 

Davi tinha problemas pessoais e estes apenas reforçam que sua chegada ao trono de Israel foi uma questão de Graça de Deus, e tão somente esta. Pela lógica um rei de um povo tem no lar o teste final de sua capacidade de governar, mas a graça subverte esta e todas as demais lógicas humanas. Foi assim no caso de Eliabe, e Elisama, por que não seria com os conceitos modernos tais como os defendidos pelo palestrante?

A consequência imediata da perda da visão de pecado é a banalização da graça. Abraão viveu mais de cem anos? Graça! Davi viveu apenas seus setenta e alguns? Graça! Do erro de Abraão saíram duas nações numerosas e poderosas, e de Davi reis, que não foram depostos de seus tronos? Graça! Por graça Abraão é amigo de Deus, e Davi, o homem segundo o coração de Deus, que ao contrário de Saul, fez toda a vontade de Deus pertinente ao seu reino

É mais do que coerente que crente algum queira para si as consequências da vida de Davi. Para tal basta, em tese que não se cometam os mesmos erros que ele cometeu. Mas nem isto é garantia de pleno sucesso na vida familiar. Afinal, filhos, mulher, marido, sogro, sogra, genro, nora não são personagens de comercial de margarina, mas seres caídos e como tais precisam ser considerados e tratados. 

É unica e exclusivamente por meio deste entendimento que maridos, mulheres, pais, filhos, genros, noras, sogros, sogras, passam a tratar uns aos outros com base no perdão, no amor, na misericórdia e outros elementos que ajudam a superar as mazelas da convivência em um mundo caído, mas longe de um paraíso na terra. Aos que desejam fazer de seus respectivos lar um paraíso, cabe a lembrança de que após pecar o homem foi expulso de lá, e por quê? Para não tomar da árvore da vida. Na condição de pecadores o homem não pode se realizar plenamente em esfera alguma de sua vida. Fica a lição. 

Marcelo Medeiros. 

domingo, 15 de março de 2015

Vamos orar por Sóstenes Cavalcanti



O leitor assíduo do meu blog já deve de ter percebido que não tenho o costume de usar este espaço para falar mal de ninguém. Critico as ideias, tal como fiz com a posição pró homoafetiva de uma pastora inclusiva que esteve em um programa popular, ou como fiz quando Silas Malafaia resolveu criticar a doutrina da predestinação. Mas não faço ataques pessoais. 

Venho usar este espaço para pedir as orações em prol do Pastor Sóstenes Cavalcante, membro da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, escolhido para comandar a comissão que dará andamento ao estatuto da família, um projeto do deputado Anderson Ferreira (PR-PE), que tem por objetivo manter a definição atual de família como uma sociedade formada por um homem, uma mulher e filhos [leia aqui]. 

Peço oração por que esta é uma guerra extremamente complicada. A despeito de todo evangélico entender que a relação homoafetiva é pecaminosa, nem eu, nem evangélico nenhum tem coisa alguma contra homossexuais que resolvam assumir sua relação, adotar filhos e constituir núcleos societários. Perseguir os tais seria uma postura doentia, e qualquer pessoa lúcida crente, ou não percebe isto. 

O problema se dá quando a luta por direitos se dá por meio de falácias, tais como as que associam a violência e o preconceito sofrido pelos mesmos com a questão doutrinária, e não satisfeitos armam seus circo ideológicos com o intuito de calar toda e qualquer opinião contrária. Algo similar se deu com o conceito de família. Critiquem o quanto quiserem os defensores da causa gay, mas duvido que o projeto de Anderson Ferreira (PR-PE), não tenha sido motivado por algum boato, verídico, ou não, de algum projeto de mudança na concepção de família. 

Tudo bem que direitos civis sejam concedidos aos mesmos e até ampliados. Mas vejo como contraditória, e mais como ressentida esta atitude que afirma o diferente em detrimento do normativo. em outras palavras destroem e minam o conceito clássico, ou tradicional de família, com vistas a afirmação de novos grupos societários, e isto com direito à abolição das datas que comemoram dias de pais e de mães [aqui]. 

Contudo os desafios do caro Evangélico não param por aí, afinal, vida de crente na política brasileira, não é vida de profeta na corte. Crentes que pisem no congresso, nas câmaras, nas assembleias legislativas estaduais e nos cargos políticos, são como ovelhas no meio de lobos [aqui]. Marco Feliciano, que sucessivas vezes foi achincalhado pela mídia, e sempre em matérias, que ora distorciam a verdade, ora encobriam outros fatos, deve servir de exemplo para que se perceba o quanto o meio político é hostil aos evangélicos. 

Por último, não falta quem em seu surto de histeria não associe (de forma desonesta) a participação política dos evangélicos às tentativas de estabelecimento de uma teocracia neste país. O curioso é que não falta quem refute a ideia absurda de que a permanência do PT no poder esteja à serviço da criação de uma ditadura, pena que o mesmo critério não seja utilizado na análise da participação de cristãos na política. Daí que sem teorizar peço as orações dos santos por este parlamentar, a fim de que a atuação do mesmo na casa glorifique a Deus, e traga sal e luz ao ambiente tão contaminado pelos vícios. 

Em Cristo, Marcelo Medeiros. 

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Vaticano se Reúne Para tratar Questão Homossexual



Confesso que recebi com extrema preocupação a notícia veiculada pela Folha on line a respeito de uma decisão do vaticano com relação a um novo olhar para com a questão da homossexualidade e das uniões homoafetiva [ver aqui]. A matéria coloca que homossexuais tem dons a oferecer à comunidade e imediatamente indaga a possibilidade de que as uniões deste gênero sejam reconhecidas. Mas a leitura do texto traz um pouco mais de tranquilidade, uma vez que ali é a questão é colocada da seguinte forma: A Igreja deveria aceitar o desafio de encontrar um espaço fraternal para os homossexuais sem abdicar da doutrina católica sobre família e matrimônio

Da minha perspectiva, não há problema algum no reconhecimento de que homossexuais tem dons e qualidades a oferecer. Já abordei este tema sob a ótica da graça comum, e que você, caro leitor, poderá conferir neste post. Todavia o grande problema é o paradoxo do olhar mais misericordioso e compassivo, sem a concessão doutrinária. Digo isto, porque sob o discurso da tolerância, o mundo atual tem sido cada vez mais hostil à concepção de pecado, ao exclusivismo cristão e à certeza. Logo, a questão vai para além do debate a respeito da homossexualidade. 

Já expressei aqui a minha opinião com respeito ao assunto. E confesso que mais do que a simples preocupação com a regulamentação da união civil entre iguais, ou a criminalização da homofobia, meu alerta se acende em relação à atual política de consenso, que trava o direito à qualquer opinião contrária. Um exemplo é o caso de Levy Fidelix, cujas palavras nada ofensivas foram interpretadas como homofobia, provocando ação da própria OAB [aqui]. 

No seu Guia Politicamente Incorreto da Filosofia, o filósofo Luís Felipe Pondé já criticava esta tendência com o nome de praga PC (politicamente correto). O maior sinal desta infecção é o fato de as pessoas falarem de si mesmas como se fossem anjos. Neste ambiente, um grupo que esfregue na cara de todo mundo que não há ninguém que possa se dizer, ou se chamar de bom, não terá outra reação que não a rejeição. O problema, ao que tudo indica, é que em todo o mundo os homossexuais saíram na frente, assegurando para si o direito de serem intocáveis à qualquer forma de crítica. 

Tanto o Vaticano quanto os cristãos protestantes e evangelicalistas possuem um desafio à frente. O tema tem de ser seriamente debatido, e a verdade tem de sobressair e ser afirmada em amor, independente do quanto o mundo atual seja predisposto a não ouvir. O Vaticano (assim creio eu), não é unânime a respeito do problema e a proposta do Papa Francisco vai abrir brechas para que os militantes da causa gay, que lá estão infiltrados possam fazer de tudo e algo mais para  minar o que se pretende preservar, que é a doutrina tradicional a respeito da família. 

Para os protestantes, evangélicos o desafio será o de produzir uma reflexão própria a fim de sair da sombra do catolicismo e, pior, vencer a má vontade do mundo atual no tocante a qualquer possibilidade de diálogo com a doutrina cristã e, principalmente com cristãos, por mais bem intencionados que sejam. Todos os cristãos se veem diante do desafio de produzir uma prática que concilie o amor e a misericórdia com a fidelidade doutrinária. 

Forte Abraço a todos os leitores, Marcelo Medeiros

terça-feira, 11 de junho de 2013

A família e a Escola Bíblica Dominical


Ao longo deste trimestre temos estudado a respeito da família e dos ataques que a mesma vem sofrendo. E, uma conclusão que podemos extrair desta série de Estudos é que o padrão divinamente estabelecido para as relações familiares, bem como o modelo conjugal, e os referenciais de educação e criação dos filhos são provenientes de uma única fonte, a palavra de Deus (Dt 6. 4 - 9; Mt 19. 1 - 11). Mesmo depois da entrada do pecado no mundo e da corrupção das relações humanas, bem como do padrão divinamente estabelecido, necessário se faz com que atentemos que é a palavra de Deus a fonte de santificação das nossas relações familiares (I Tm 4. 4, 5), bem como o principal elemento de preservação da nossa família. Daí a necessidade de refletirmos a respeito da Escola Bíblica Dominical. 

A Família e a Palavra de Deus


A família é descrita pelas Escrituras como sendo a primeira instituição criada por Deus. Ela foi estabelecida no Éden, quando Deus disse que não era bom que o homem estivesse só. Ao criar o homem, Deus disse façamos o homem, conforme a nossa imagem e conforme a nossa semelhança (Gn 1. 26, 27), uma descrição mais detalhada da criação do homem mostra-nos o mesmo sendo formado do pó da terra, de uma forma muito similar ao trabalho desenvolvido pelo oleiro. Mas antes de avançarmos neste assunto, é necessário que observemos que a Palavra criadora age no ato de origem do homem. A diferença esta em que, ao contrário do que ocorre em toda a criação, quando Deus libera a sua Palavra e deixa tudo por conta da liberação da mesma, aqui o criador não se contenta em simplesmente liberar uma palavra, mas se lança na atividade criadora, no ato de moldar. 
O mesmo se dá com a criação da mulher, de acordo com o relato da tradição oral sacerdotal. Deus diz, depois ele faz. No caso da criação do homem, do macho e da fêmea, a Palavra e o agir divinos estão em constante ação. Na natureza, em geral, a fala é o suficiente para que tudo se crie, no homem fala e ação estão mutuamente combinadas.
Com a entrada do pecado no mundo, a família foi maculada. As relações entre homem e mulher, entre irmãos, e entre pais e filhos foram seriamente corrompidas. O homem acusa a mulher de ser responsável pela sua queda. Esta, acusa a serpente, que podemos entender como sendo o diabo, de ser a responsável pela desgraça (Gn 3. 10 - 14). Os primeiros irmãos vão ser protagonistas do primeiro casa de fratricídio da história humana, e o texto nem de longe aponta problemas psicológicos, ou sociais como a causa do conflito, mas simplesmente o fato de que as obras de um irmão eram boas e as do outro eram más (I Jo 3. 12). Da descendência de Caim surgiram os primeiros artífices e músicos, e contraditoriamente os primeiros casos de poligamia. 
Para a generalização da maldade, foi apenas um salto (Gn 6. 5, 12). Deus resolveu, então destruir todo o gênero humano, mas preservar um homem, que havia achado graça aos seus olhos (Gn 6. 8). Mais uma vez a Palavra de Deus entra em ação, visto que  disse Deus a Noé: [...] faze para ti uma arca da madeira de gofer  Gn 6. 13, 14. Por meio da Palavra de Deus a um chefe de família, todo o restante da família foi salva do juízo divino. As medidas da arca, quem deveria entrar na mesma, o material empregado na mesma, a finalidade, tudo estava claramente expresso nas orientações que Deus havia dado a Noé, por meio de sua SANTA PALAVRA. 
Se na criação observamos a Palavra de Deus associada ao agir do mesmo, aqui, esta está ligada à atitude humana. Deus nos deu a sua palavra para que nós as colocássemos em prática (Sl 119. 4), e para colocarmos a mesma em prática, precisamos ouvir atentamente o que Deus está querendo dizer para nós. Não é sem razão que a confissão judaica de fé começa com o apelo para o ouvir, pois está escrito: יִשְׂרָאֵ֑ל   שְׁמַ֖ע (Shemá Isharel), Ouve ó Israel Yhwh é único Deus. Sem o ouvir não o saberemos. 
Mas o ouvir que não se consuma na prática do que é ouvido, termina por se caracterizar como estéril ao ouvir tem de suceder o amar a Deus, com todas as forças (Dt 6. 5), bem como o esforço humano de fazer da Palavra que se ouve, o centro da vida familiar. E como se dá tal ação? Por meio do falar que expressa o amor que temos pelo único Deus, e por uma série de medidas cuja finalidade é a preservação de nossa herança cultural e espiritual. Infelizmente a história bíblica nos mostra que não houve, por parte do povo um zelo em cumprir as recomendações divinas no Deuteronômio. Ainda no período histórico inicial se levanta uma geração que não conhece ao Senhor, nem a obra que ele fez em Israel, o resultado, uma verdadeira catástrofe e instabilidade que começa com o período dos juízes e termina no período pós exílico. 

O surgimento da Escola Bíblica Dominical

É usual atrelar a Escola Bíblica Dominical às práticas de ensino descritas na Bíblia, que começam com o Deuteronômio (Dt 6. 5 - 9), e avançam até os dias de Neemias (Ne 8. 2 - 8). Na verdade a Escola Bíblica Dominical é uma instituição moderna cujo surgimento está ligado ao contexto da modernidade, da revolução industrial e das reformas políticas, sociais e religiosas que começaram a varrer a Europa a partir do século XVI. Nós precisamos ver esta instituição a partir desta perspectiva a fim de termos argumento para justificar a mesma como instituição atual e necessária para a saúde familiar e da Igreja. 
Uma das características da modernidade foi a perda, por parta da Igreja católica romana, da hegemonia cultural que esta detinha durante a Idade Média. A invenção da imprensa, possibilitou que livros fossem produzidos e impressos em larga escala, e que o saber, antes limitado aos mosteiros, fosse divulgado com maior facilidade. Outra questão importante é a perda do poder político, os estados europeus passaram a clamar por maior liberdade, e por fim a revolução industrial abalou definitivamente os modos de produção econômica. 
Contudo, a herança da revolução industrial foi nefasta. Esvaziamento do campo, aumento da população urbana e precariedade social contribuíram para o aumento dos suicídios, do alcoolismo e da prostituição. Os que ficaram ociosos, devido à falta de emprego, e mesmo de especialização para as novas condições de trabalho, tentavam fugir da miséria por meio de atividades ilícitas. 
Para o bem da sociedade inglesa, a Igreja passava por um período de avivamento, que na visão da maioria dos autores de História da Igreja foi o principal responsável pela preservação da paz na Inglaterra, sim, a Escola Dominical surge com Robert Raikes, em meio ao avivamento metodista que estava sacudindo a Europa do século XVIII. 
O surgimento da ideia  de acordo com o Manual da Escola Bíblica Dominical, se dá enquanto Raikes estava, em plena manhã de domingo, escrevendo um artigo para um jornal, e teve a vidraça de sua janela atingida por uma pedra. Ele se levantou, dirigiu alguns impropérios às crianças e retornou às atividades. Porém, seu coração fora incomodado pelo estado de abandono social, moral e espiritual em que se encontravam aquelas crianças, e logo começou a pensar no que poderia ser feito para amenizar a condição das mesmas. Foi quando teve a ideia de usar o espaço das igrejas (leia-se templo) para ensinar as mesmas a ler, escrever, ler a Bíblia e ainda dar reforço escolar.
A iniciativa, não foi vista como boa. Na mentalidade de muitos crentes era um absurdo usar um espaço sagrado com crianças profanas como as que Raikes estava trazendo para o interior do templo. A despeito da oposição inicial, a proposta logo foi se espalhando e recebendo cada vez mais aceitação, visto que se via na mesma, uma grande estratégia de Evangelização infantil, e um modo eficaz de alcançar as famílias que estavam demasiadamente ocupadas com o trabalho nas fábricas. 
Aqui precisamos estabelecer que: 

  1. A iniciativa de Robert Raikes é de certa forma, herdeira da tradição reformada. Nesta é importante que as pessoas saibam ler para lerem e interpretarem a Bíblia. 
  2. A mesma se deu durante o período do avivamentos metodista, que recebeu este nome em função da proposta de reuniões nos lares para a oração e estudo da palavra. 
  3. As crianças a quem Raikes dirigiu a sua ação não eram crentes, mas crianças que em pleno domingo se viam abandonadas nas ruas, visto que os pais delas trabalhavam nas fábricas de domingo à domingo, e às vezes em cargas horárias de dezesseis horas por dia. 

O sucesso da Escola Bíblica Dominical, que não era apenas bíblica, visto que nela também eram ministradas aulas com fins de alfabetização e reforço escolar; se deu em toda Europa e Estados Unidos. Prova cabal de tal êxito pode ser visto na implantação da primeira igreja protestante em solo brasileiro, no caso a Congregacional, que foi estabelecida em Petrópolis é fruto deste trabalho cuja iniciativa pioneira do casal de missionários Sara e Robert Kallei. Porém o blogueiro Judson Canto alerta em seu blog, em um artigo a respeito do assunto que a primeira Escola Dominical, foi realizada em nosso país em Junho de 1836, quando Justin Spaulding, enviado pela Igreja Metodista dos Estados Unidos. De acordo com o autor em apreço a iniciativa não foi bem sucedida em função dos problemas que o missionário enfrentou quando chegou aqui. Mas necessário se faz entendermos que a Escola Dominical é a melhor educação teológica possível dentro do contexto da modernidade. Pois quando olhamos para o modelo bíblico de ensino, percebemos que o mesmo não se reduz aos domingos.

O modelo bíblico de ensino

De acordo com a Bíblia a educação cabia, em primeiro lugar ao patriarca (Gn 18. 19, 20), depois ao pai, ou chefe de família, que além de ensinar, deveria zelas para que a casa fosse pautada na prática da lei do Senhor (Dt 6. 5 - 11; 11. 19, 20). Com a falha deste sistema surge o modelo dos juízes, cujo ápice é Samuel, ao meu ver o mais zeloso de todos, e que mesmo fora do exercício da função se compromete em ensinar e interceder pelo povo (I Sm 12. 22, 23). O modelo seguinte é o sacerdotal, onde cabe ao sacerdote o ensino da lei (Jr 18. 18; Ml 2. 7, 8), mas ao que parece cedo, cedo, este modelo entra em crise (Jr 2. 8; Os 4. 6). Aqui cabe esclarecer que a falência do sistema não se dá em função de questões de conteúdo e metodologia, mas de ausência de comprometimento, conforme os textos deixam implícito.
No Novo Testamento, temos a ordem de Jesus para ensinar. Desta ordem surge o modelo apostólico de ensino. Este é diário (At 2. 42, 43; 5. 42), e tem como conteúdo o que Jesus mandou ensinar (Mt 28. 19, 20), a finalidade do ensino aqui é apresentar todo homem perfeito a Cristo (Cl 1. 28, 29). Daí a nossa colocação quanto à consideração do caráter histórico da Escola Bíblia Dominical, visto que a educação bíblica não é dominical, mas diária. Para que venhamos a viver novamente esta realidade bíblica, a Escola em apreço é um bom começo, mas bom seria que seus ensinamentos fossem perpetuados dentro do lar cristão, por meio de um treinamento dos pais, feito pelos ministros conforme preceitua a Bíblia (Ef 4. 11, 12).

Em Cristo, Pr Marcelo Medeiros. 

terça-feira, 9 de abril de 2013

O Casamento Bíblico


Qual é o modelo bíblico de casamento? Esta é a pergunta que precisamos nos fazer nestes dias em que estamos estudando a respeito da família no século XXI. A lição que temos, de autoria de Elinaldo Renovato, afirma que o casamento tem de ser: a) monogâmico, b) heterogâmico, c) indissolúvel. Eu gostaria de começar este breve subsídio com uma análise, ou definição do termo casamento. 
O conceito de casamento
De acordo com o dicionário Michaellis o casamento é:
1 União legítima de homem e mulher.
2 União legal entre homem e mulher, para constituir família.
3 Cerimônia ou festa nupcial.
4 Sociol Um ou vários atos simbólicos sancionados por uma determinada sociedade com o objetivo de estabelecer uniões matrimoniais. C. civil: o que é realizado perante a autoridade civil, com as solenidades e exigências prescritas pela lei.  
De acordo com o Aurélio:  
  1. União legal de um homem e de uma mulher.
  2. Celebração de núpcias: assisti a um casamento.
  3. Um dos sete sacramentos da Igreja Católica.
  4. Casamento religioso, casamento celebrado na presença de um padre.
Nesta obra temos ainda os seguintes esclarecimentos:
Em certos países não tem efeito jurídico e deve, sob pena de sanção, ser precedido do casamento civil; noutros, pode tê-lo, mediante declaração prévia dos nubentes; noutros, por fim, tem-no sem quaisquer formalidades ulteriores. No Brasil, pode ter efeito civil, desde que sejam observados determinados preceitos legais [Lei n&186; 1.100, de 23 de maio de 1950].
Para a Igreja Católica o casamento é um sacramento; exige livre consentimento e não pode ser anulado; pode, quando muito, haver reconhecimento oficial de nulidade desde a origem. Ato público, é precedido de publicação de banhos ou proclamas. Entre os protestantes, o casamento é um compromisso solene, mas não um sacramento, e o divórcio não sofre proibição absoluta.
Do conceito dicionarizado compreendemos que: 

  1. O casamento se constitui como uma união em conformidade com a lei, ou seja, a união entre homem e mulher é regulada por meio de leis.
  2. No sentido popular o casamento é a celebração das núpcias, que freqüentemente ocorrem no âmbito religioso, mas que conforme vimos na visão do Estado pouco, ou nenhum valor possui se não estiver devidamente amparado na lei que rege a cada país.
  3. A compreensão católica a respeito do casamento é a de que este é um sacramento. Define-se este como cada um dos sinais sensíveis produtores da graça, instituídos por Jesus Cristo como auxiliares indispensáveis para a pessoa conseguir a salvação eterna. Tal conceito não é amparado na Bíblia, daí a compreensão protestante de casamento como um compromisso solene.
  4. Na visão bíblica o casamento é a união entre macho e fêmea a fim de que sejam ambos uma só carne. 
O padrão bíblico de casamento

De acordo com o relato das Escrituras, três coisas podem ser afirmadas a respeito do molde bíblico de casamento e todas ligadas ao seu caráter a) monogâmico, b) heterogâmico, e c) indissolúvel. Os textos bíblicos aos quais podemos  recorrer são os mesmos da lição passada.

Então disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança. Domine ele sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu, sobre os animais grandes de toda a terra e sobre todos os pequenos animais que se movem rente ao chão. Criou Deus o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou. Deus os abençoou, e lhes disse: Sejam férteis e multipliquem-se! Encham e subjuguem a terra! Dominem sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu e sobre todos os animais que se movem pela terra (Gn 1. 26 - 28 NVI).

Então o Senhor Deus fez o homem cair em profundo sono e, enquanto este dormia, tirou-lhe uma das costelas, fechando o lugar com carne. Com a costela que havia tirado do homem, o Senhor Deus fez uma mulher e a trouxe a ele. Disse então o homem: Esta, sim, é osso dos meus ossos e carne da minha carne! Ela será chamada mulher, porque do homem foi tirada. Por essa razão, o homem deixará pai e mãe e se unirá à sua mulher, e eles se tornarão uma só carne (Gn 2. 21 - 24 NVI).

Monogâmico

O casamento é essencialmente monogâmico. A palavra é a junção de duas palavras gregas, a saber μονο cujo sentido é o de um, ou único e que é a palavra grega para casamento e γαμον que é uma das palavras gregas para casamento. Em nossa língua, a expressão em apreço vem a indicar o estado conjugal em que um homem desposa uma única mulher ou uma mulher um só marido. Aqui, necessário se faz acrescentar que o Casamento, é a união entre macho e fêmea, que se dá por meio da conjunção carnal. Logo, a monogamia, vem a ser a união exclusiva de um macho com uma única fêmea. De acordo com a Bíblia, o homem deixa pai e mãe a fim de se unir a uma mulher, e assim, formar com ela uma única carne (Gn 2. 24; Mt 19. 5; Mc 10. 7, 8). O problema da prostituição está no fato de que mesmo o homem que contrai cópula de forma ilegítima com uma mulher, de certa forma faz um corpo com ela (I Co 6. 16). DAÍ A NECESSIDADE DA IGREJA AFIRMAR E REAFIRMAR O CARÁTER MONOGÂMICO DO CASAMENTO.
Heterogâmico
O termo ετερω (hétero), pode significar outro, como também aquilo que é diferente. Neste aspecto a Bíblia é bem incisiva. Ainda que sejam escassas as passagens que afirmam que o homossexualismo é pecado, contudo, o relato da criação e os textos paralelos indicam com a criação da humanidade na condição de macho e fêmea que este é o padrão para as relações humanas. FAMÍLIA SE CONSTITUI A PARTIR DA UNIÃO DE UM HOMEM E UMA MULHER.

Mas não podemos nos esquecer aqui que a palavra por nós criada, o neologismo heterogamia é a junção de ετερω com γαμειν. É desta última palavra que vem o termo moderno gameta, que é cada uma das duas células sexuais maduras entre as quais se opera a fecundação: gameta masculino, ou espermatozoide, e gameta feminino, ou óvulo. De acordo com o Aurélio, o gameta é uma Célula reprodutora, masculina ou feminina, cujo núcleo só contém n cromossomos.

Aqui precisamos encarar uma realidade bíblica, ainda que o casamento não tenha na procriação o seu propósito exclusivo, contudo este não pode ser ignorado, uma vez que o mandato cultural, ordena que homens e mulheres multipliquem-se sobre a terra, o que se pode DAR EXCLUSIVAMENTE A PARTIR DO EXERCÍCIO SADIO DA SEXUALIDADE ENTRE HOMEM E MULHER (Gn 1. 26 - 28; Sl 113. 9; 127. 3, 5).
Indissolúvel
Escrevi sobre a indissolubilidade do matrimônio em um artigo entitulado Uma Palavra Sobre más interpretações bíblicas e voltarei ao assunto, quando abordarmos a questão do divórcio. Mas o que podemos falar é que se o casamento é uma unidade na qual homem e mulher se tornam um corpo, o divórcio que não tenha na infidelidade a sua causa é uma mutilação. Deus abençoe a você leitor em Cristo Jesus.
Pr Marcelo Medeiros.

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Família, criação de Deus

 
Nosso trimestre da Escola Bíblica Dominical aborda temas a respeito da família. Fica explícito que a a preocupação dos autores, bem como da editora, e provavelmente da denominação, sejam as mudanças nos valores que regem a nossa vida, e conequentemente afetam as relações humanas, dentre as quais as familiares. Nossa primeira lição busca afirmar que o valor perene da família se deve pela sua origem divina. Nosso breve subsídio vai se orientar pela definição de família e pelo resumo da lição.
 
A definição de família
 
O dicionário eletrônico Michaellis dá as seguintes definições para família:
1 Conjunto de pessoas, em geral ligadas por laços de parentesco, que vivem sob o mesmo teto, particularmente o pai, a mãe e os filhos.
2 Conjunto de ascendentes, descendentes, colaterais e afins de uma linhagem ou provenientes de um mesmo tronco; estirpe.
 3 Pessoas do mesmo sangue ou não, ligadas entre si por casamento, filiação, ou mesmo adoção, que vivem ou não em comum; parentes, parentela.
4 fig Grupo de pessoas unidas por convicções, interesses ou origem comuns.
Por sua vez o Aurélio exprime os seguintes conceitos:
O pai, a mãe e os filhos: família numerosa. /
Todas as pessoas do mesmo sangue, como filhos, irmãos, sobrinhos etc.
Grupo de seres ou coisas que apresentam características comuns: família espiritual.
 
O primeiro conceito exprime a idéia atualmente conhecida como família nuclear, a que é composta por pai, mãe e filhos. O segundo engloba os demais parentes e se encaixa com maior perfeição no conceito de família patrarcal, ou clã. A terceira definição nos aponta para a forma com a qual a família é constituída, por meio do casamento. A última nos remete às ligações afetivas oriundas do sentimento de pertença, neste caso a Igreja vem a ser sim uma família.
 
A instituição da família na Bíblia
 
Então disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança. Domine ele sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu, sobre os animais grandes de toda a terra e sobre todos os pequenos animais que se movem rente ao chão. Criou Deus o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou. Deus os abençoou, e lhes disse: Sejam férteis e multipliquem-se! Encham e subjuguem a terra! Dominem sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu e sobre todos os animais que se movem pela terra (Gn 1.26 - 28 NVI).
 
Então o Senhor Deus declarou: Não é bom que o homem esteja só; farei para ele alguém que o auxilie e lhe corresponda. Depois que formou da terra todos os animais do campo e todas as aves do céu, o Senhor Deus os trouxe ao homem para ver como este lhes chamaria; e o nome que o homem desse a cada ser vivo, esse seria o seu nome. Assim o homem deu nomes a todos os rebanhos domésticos, às aves do céu e a todos os animais selvagens. Todavia não se encontrou para o homem alguém que o auxiliasse e lhe correspondesse.
Então o Senhor Deus fez o homem cair em profundo sono e, enquanto este dormia, tirou-lhe uma das costelas, fechando o lugar com carne. Com a costela que havia tirado do homem, o Senhor Deus fez uma mulher e a trouxe a ele. Disse então o homem: Esta, sim, é osso dos meus ossos e carne da minha carne! Ela será chamada mulher, porque do homem foi tirada. Por essa razão, o homem deixará pai e mãe e se unirá à sua mulher, e eles se tornarão uma só carne. O homem e sua mulher viviam nus, e não sentiam vergonha (Gn 2. 18 - 25 NVI).

Do texto bíblico podemos extrair as seguintes lições: 
  1. A afirmação de que o homem foi feito à imagem de semelhanaça de Deus aparece por duas vezes no primeiro texto. A instituição da família na Bíblia segue o modeo trinitário. O homem foi feito à imagem e à semelhança de Deus, que é trino, logo ele somente poderia ser homem se fosse macho e fêmea, ou seja, não poderia ser solitário.
  2. Fica claro já no primeiro texto que o modelo bíblico de família é a que se constitui de macho e fêmea. Fato claramente afirmado por Jesus em seu Evangelho quando indagou os seus discípulos: Vocês não leram que, no princípio, o Criador os fez homem e mulher e disse: Por essa razão, o homem deixará pai e mãe e se unirá à sua mulher, e os dois se tornarão uma só carne? (Mt 19. 4, 5 NVI). 
  3. A solidão não é algo bom para ser, ou criatura alguma, daí o casamento se constituir como um parceria, na qual o papel da mulher é de ser para com o homem uma auxiliadora que lhe corresponda, que lhe esteja à altura.
  4. A definição de família como pessoas do mesmo sangue, como filhos, irmãos, sobrinhos etc. ganha tônica nas palavras do texto bíblico, que afirma que o Senhor Deus fez o homem cair em profundo sono e, enquanto este dormia, tirou-lhe uma das costelas, fechando o lugar com carne. Com a costela que havia tirado do homem, o Senhor Deus fez uma mulher e a trouxe a ele. Diante disto o homem disse: Esta, sim, é osso dos meus ossos e carne da minha carne! Ela será chamada mulher, porque do homem foi tirada. Aqui o parentesco é garantido pelo origem comum à homem e mulher.
  5. Ao contrário do que e diz nas Ciências Sociais, a família nucear tem precedência bíblica obre quaisquer outros modelos, visto que o texto bíblico diz: o homem deixará pai e mãe e se unirá à sua mulher, e eles se tornarão uma só carne. O conceito bíblico de família tem a ver com unidade orgânica. Marido e mulher se tornam uma só carne.
  6. O texto termina com a afirmação de que homem e sua mulher viviam nus, e não sentiam vergonha, indicando com isto que em função de homem e mulher serem uma só carne o lar, por eles constituído, é um lugar, ou ambiente de mútua aceitação. ETE FOI O PROJETO INICIAL DE DEUS.
 
A narrativa bíblica prossegue afirmando que o pecado entrou no mundo e com a entrada do mesmo a relação do homem com Deus foi contaminada e suas relações interpessoais também. Ma este projeto pode ser retomado graças ao Senhor Jesus Cristo, que veio ao mundo para reconciliar o homem com Deus e com o seu semelhante.
 
Em Cristo, Pr Marcelo Medeiros

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Malaquias, a Sacralidade da Famíia





O profeta Malaquias (מַלְאָכִֽי ) profetizou no período que sucedeu o ministério profético de Ageu e Zacarias. A pregação destes, ao que parece foi de extrema utilidade para que o povo desse continuidade às obras de restauração dos muros e do templo de Jerusalém. Mas não resolveu a questão referente à apatia espiritual do povo. Os dias que sucederam a construção do templo não trouxeram de imediato o cumprimento das profecias de Ageu e Zacarias. Conforme dito ao longo deste série de estudos, somente quando Herodes, o Idumeu restaurou o templo, que parte da glória (כָּבֹ֔וד) prometida foi vista. Ainda assim, Temper e Longman III nos fazem observar que não há em toda literatura do judaísmo qualquer relato de que a glória do Senhor (no sentido de manifestação divina), tenha descido sobre o templo. Daí a impassibilidade do pov frente às questões de natureza espiritual.
No que tange à autoria, Malaquias (מַלְאָכִֽי ) apresenta sérios problemas. Priemeiro, não há ocorrência deste mesmo nome em todo o Antigo Testamento. Segundo, Malaquias (מַלְאָכִֽי ) ocorre como nome próprio no cabeçalho do livro, mas a expressão também ocorre no terceito capítulo, onde o termo em apreço (מַלְאָכִֽי ) possui outro o sentido, o de meu mensageiro.
Vejam, eu enviarei o meu mensageiro (מַלְאָכִֽי ), que preparará o caminho diante de mim. E então, de repente, o Senhor que vocês buscam virá para o seu templo; o mensageiro da aliança (מַלְאָכִֽי ), aquele que vocês desejam, virá", diz o Senhor dos Exércitos (Ml 3. 1 NVI). Conforme podemos ver há duas ocorrências do termo (מַלְאָכִֽי ), que equivale ao nome do profeta. Partindo deste dado muitos estudiosos tem proposto que o nome em apreço não seja de caráter pessoal, mas um termo para um profeta anônimo, que se auto denomina mensageiro do Senhor.
Esta posição tem sido rejeitada tanto por ortodoxos como Dillardd e Hill, quanto por moderados como Temper e Longman III. MacArthur propõe na intordução de sua Bíblia de Estudo que o nome do profeta de fato seja este, como acontece no cabealho de tocdos os profetas. Além do mais, precisamos lembrar que outros nomes de profetas tem o seu significado e muitos deles se relacionam
sim com o conteúdo de sua profecia. É o caso, por exemplo, de Zacarias filho de Baraquias  בֶּן־בֶּ֣רֶכְיָ֔ה   (Zarariah ben barakya). O nome Zacarias (זְכַרְיָה֙) significa "Deus se lembra", ao passo que Baraquias, significa "Deus abençoa". Por esta regra nenhum destes livros era para ser de autoria pessoal. Mas isto não é aceitável por nenhuma escola, por que seria no caso de Malaquias?
A mensagem de Malaquias é bem simples. O relacionamento entre Deus e Israel está sendo desprezado pelo povo. Isto pode ser visto na forma com que o povo trata a própria condição de eleitos. Deus os amou e consequentemente rejeitou os edomitas, os descentens de Esaú (Ml 1. 2 - 4), mas o povo não responde da forma adequada. O filho honra seu pai, e o servo o seu senhor. Se eu sou pai, onde está a honra que me é devida? Se eu sou senhor, onde está o temor que me devem?, pergunta o Senhor dos Exércitos a vocês, sacerdotes. "São vocês que desprezam o meu nome! Mas vocês perguntam: ‘De que maneira temos desprezado o teu nome? (Ml 1. 6 NVI). Deus afirma categoricamente: Não tenho prazer em vocês, diz o Senhor dos Exércitos, e não aceitarei as suas ofertas (Ml 1. 10 c NVI).
Os sacerdote eram os principais responsáveis pela lei e pelo ensino da mesma ao povo. Porque os lábios do sacerdote devem guardar o conhecimento, e da sua boca todos esperam a instrução na lei, porque ele é o mensageiro do Senhor dos Exércitos (Ml 2. 7 NVI). Mas o que vemos é totalmente inverso. Malaquias prossegue afirmando: vocês se desviaram do caminho e pelo seu ensino causaram a queda de muita gente; vocês quebraram a aliança de Levi, diz o Senhor dos Exércitos (Ml 2. 7 NVI).
O profeta prosssgue em estio de debate com o povo: Vocês têm cansado o Senhor com as suas palavras. ‘Como o temos cansado?, vocês ainda perguntam. Quando dizem: ‘Todos os que fazem o mal são bons aos olhos do Senhor, e ele se agrada deles’ e também quando perguntam: ‘Onde está o Deus da justiça? (Ml 2. 7 NVI). A possivel prosperidade dos maus instigava a mente dos judeus de forma  negativa. Eles achavam que os padrões de conduta divina haviam mudado. De forma tal que entre eles se falava: É inútil servir a Deus. O que ganhamos quando obedecemos aos seus preceitos e andamos lamentando diante do Senhor dos Exércitos? Por isso, agora consideramos felizes os arrogantes, pois tanto prospera o que pratica o mal como escapam ilesos os que desafiam a Deus! (Ml 3. 14, 15 NVI).
O que vemos aqui? Simples, se a aliança está comprometida, os relaciomentos também o serão, por este motivo o povo começa uma prática abominável, que de acordo com os estudiosos supra citados, será a de divorciarem das mulheres judias para se casarem com estrangeiras. Vejamos:
Há outra coisa que vocês fazem: Enchem de lágrimas o altar do Senhor; choram e gemem porque ele já não dá atenção às suas ofertas nem as aceita com prazer. E vocês ainda perguntam: "Por quê? " É porque o Senhor é testemunha entre você e a mulher da sua mocidade, pois você não cumpriu a sua promessa de fidelidade, embora ela fosse a sua companheira, a mulher do seu acordo matrimonial.
Não foi o Senhor que os fez um só? Em corpo e em espírito eles lhe pertencem. E por que um só? Porque ele desejava uma descendência consagrada. Portanto, tenham cuidado: Ninguém seja infiel à mulher da sua mocidade. "Eu odeio o divórcio", diz o Senhor, o Deus de Israel, e "o homem que se cobre de violência como se cobre de roupas", diz o Senhor dos Exércitos. Por isso tenham bom senso; não sejam infiéis (Ml 2. 13 - 16 NVI).

Revisando:
  1. Israel é um povo escolhido pelo Senhor mas que não honra a aliança que Deus estabeleceu com eles.
  2. O povo alega um relacionamento filial com YHWH, mas não o honra nem como Pai, muito menos como Senhor.
  3. Este pensamento reflete-se na adoração, uma vez que em termos práticos YHWH, nem é Pai, nem Senhor, qualquer coisa que se ofereça em seu altar é aceitável.
  4. Os sacerdotes, que deveriam guardar a aliança, são a principal causa do desvio do povo.
  5. A justiça de Deus é colocada em dúvida, uma vez que os maus estão prosperando, que sentido faz servir a Deus com fidelidade?
  6. A vida religiosa do povo se reflete na banalização da vida familiar, uma vez que o relacionamento entre Deus e o homem é modelo do relacionamento entre marido e mulher.
 Em função de tal postura:

  1. Deus escolherá entre os gentios, um povo que seja seu. Em toda parte incenso e ofertas puras são trazidos ao meu nome, porque grande é o meu nome entre as nações, diz o Senhor dos Exércitos (Ml 1. 11 NVI).
  2. Os que não honrarem ao Senhor serão amaldiçoados. Maldito seja o enganador que, tendo no rebanho um macho sem defeito, promete oferecê-lo e depois sacrifica um animal defeituoso, diz o Senhor dos Exércitos; "pois eu sou um grande rei, e o meu nome é temido entre as nações (Ml 1. 14 NVI).
  3. Deus não muda, por este motivo o povo não é destruído. De fato, eu, o Senhor, não mudo. Por isso vocês, descendentes de Jacó, não foram destruídos (Ml 3. 6 NVI).
  4. Quando o Senhor vier, ele irá purificar os sacerdotes, a fim de que estes ofereçam uma oferta aceitável. Vejam, eu enviarei o meu mensageiro, que preparará o caminho diante de mim. E então, de repente, o Senhor que vocês buscam virá para o seu templo; o mensageiro da aliança, aquele que vocês desejam, virá", diz o Senhor dos Exércitos. Ele se sentará como um refinador e purificador de prata; purificará os levitas e os refinará como ouro e prata. Assim trarão ao Senhor ofertas com justiça. Então as ofertas de Judá e de Jerusalém serão agradáveis ao Senhor, como nos dias passados, como nos tempos antigos (Ml 3. 1, 3, 4 NVI).
  5. Haverá um dia, e este é o dia do Senhor, em que Deus mesmo fará com que todos vejam a diferença entre o justo e o ímpio. Este dia, não deixará nem raiz nem ramo, mas para aqueles que temem ao nome do Senhor, nascerá o sol da justiça (Ml 3. 16 - 4. 3).
  6. Deus odeia qualquer banalização do relacionamento conjugal.
Em termos práticos:

Vivemos dias em que Deus já tem escolhido entre os gentios, um povo exclusivamente seu, zeloso de boas obras (Tt 2. 14; I Pe 2. 9).
Deus engrandeceu o seu nome entre as nações da terra, ao conquistar para si homens de toda a tribo língua, povo e nação (Ap 5. 9, 10) e engrandecerá ainda mais, quando o mundo for sejeito ao seu Filho, Jesus Cristo, e este também se sujeitar a Deus. Então virá o fim, quando ele entregar o Reino a Deus, o Pai, depois de ter destruído todo domínio, autoridade e poder. Pois é necessário que ele reine até que todos os seus inimigos sejam postos debaixo de seus pés. O último inimigo a ser destruído é a morte. Porque ele "tudo sujeitou debaixo de seus pés". Ora, quando se diz que "tudo" lhe foi sujeito, fica claro que isso não inclui o próprio Deus, que tudo submeteu a Cristo. Quando, porém, tudo lhe estiver sujeito, então o próprio Filho se sujeitará àquele que todas as coisas lhe sujeitou, a fim de que Deus seja tudo em todos (I Co 15. 24 - 28 NVI).
Deus não muda (Tg 1. 17), tal como ocorreu com Israel, assim é conosco, sua fidelidade é a causa de nossa salvação (II Tm 2. 11, 12).
Fomos feitos povo de propriedade exclusiva de Deus (Tt 2. 13, 14; I Pe 2. 9), e reis e sacerdotes para Deus nosso Pai (Ap 1. 5; 5. 9, 10). É por Cristo Jesus que oferecemos a Deus sacrifícios agradáveis (Hb 13. 15; I Pe 2. 5).
Nossa vida familiar deve refletir nosso comprometimento com Deus (Ef 5. 22 - 6. 4).
É esta a lição que extraímos de Malaquias. Por ora paro por aqui, mas prometo rever este assunto, e com certeza Deus há de falar mais aos nossos corações.

Em Cristo, Pr Marcelo Medeiros.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

Créditos!

Por favor, respeite os direitos autorais e a propriedade intelectual (Lei nº 9.610/1998). Você pode copiar os textos para publicação/reprodução e outros, mas sempre que o fizer, façam constar no final de sua publicação, a minha autoria ou das pessoas que cito aqui.

Algumas postagens do "Paidéia" trazem imagens de fontes externas como o Google Imagens e de outros blog´s.

Se alguma for de sua autoria e não foram dados os devidos créditos, perdoe-me e me avise (blogdoprmedeiros@gmail.com) para que possa fazê-lo. E não se esqueça de, também, creditar ao meu blog as imagens que forem de minha autoria.