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domingo, 29 de março de 2015

Jesus, o homem perfeito (o Evangelho de Lucas, o médico amado)



Estou de posse da nova revista da Escola Bíblica dominical editada pela Casas Publicadoras  das Assembleias de Deus. O tema é o mais maravilhoso possível, Jesus de Nazaré, o homem perfeito. O livro escolhido para tal abordagem é o de Lucas. Curiosamente, o tema surge em um momento que tenho por ímpar. Falo porque estou me dedicando à Cristologia, e para tal consultando algumas fontes sérias na área, passando por Stott e Boff, por exemplo, tendo como referencial, é claro, a teologia reformada. 

Os temas a serem tratados neste trimestre serão:


  1. O Evangelho segundo Lucas
  2. O Nascimento de Jesus
  3. A infância de Jesus
  4. A tentação de Jesus
  5. Jesus Escolhe os seus discípulos
  6. Mulheres que ajudam a Jesus
  7. Poder sobre as doenças e morte
  8. O poder de Jesus sobre a natureza e os demônios
  9. As limitações dos discípulos
  10. Jesus e o dinheiro
  11. A última ceia
  12. A morte de Jesus
  13. A ressurreição de Jesus


Que Deus abençoe cada aluno de Escola Bíblica Dominical dentro e fora do país, a fim de que cada um seja um cristão plenamente bem instruído na fé da qual é formado, e habilitado para falar com temor e tremor, defendendo a esperança e a fé do Evangelho. Em Cristo, 

Marcelo Medeiros. 

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Lição da CPAD, para o segundo trimestre de 2014


De acordo com o editor do blog belverede as lições do segundo trimestre de Escola Bíblica Dominical irão focar os dons espirituais. O autor é o Pastor Elinaldo Renovato. Com esta lição se quebra uma cadeia de lições com temas bíblicos e inicia uma discussão de teor temático. Contudo, o estudo é de suma importância, uma vez que a despeito de sermos uma denominação pentecostal, cujo crescimento, notadamente se deu a partir da ênfase nos carismas, hoje vivenciamos uma crise paradigmática e teórica, o que nos força a estudar o assunto.
Outro excelente aspecto da lição é trazer lições que permitem a discussão de temas atuais tais como apostolado, dom de profecia e ministério profético. Acima de tudo, creio que esta lição vai abrir nossos olhos para um modelo mais orgânico de Igreja, centrado no serviço a Deus e aos homens, literalmente.
 
Em Cristo, Pr Marcelo Medeiros.

sábado, 9 de novembro de 2013

Lições da Escola Bíblica Dominical de 2014

 
 
Soube mediante publicação de dois blogs que o tema da revista de Escola Bíblica Dominical do próximo trimestre, no caso o primeiro do ano de dois mil e catorze que o tema abordado será a jornada de fé do povo de Israel. A fonte é o blog belverede, do Eliseu Antônio Gomes, e o blog do Artur Ribeiro.
 
Uma Jornada de Fé
A formação do povo de Israel e sua herança espiritual

 

Comentarista: Pastor Antonio Gilberto



LIÇÕES:
Lição 1 – O livro de Êxodo e o Cativeiro de Israel no Egito
Lição 2 – Um Libertador para Israel
Lição 3 – As Pragas Divinas e as Propostas Ardilosas de Faraó
Lição 4 – A Celebração da Primeira Pascoa
Lição 5 – A Travessia do Mar Vermelho
Lição 6 – A Peregrinação de Israel no Deserto até o Sinai
Lição 7 – Os Dez Mandamentos do SENHOR
Lição 8 – Moisés - Sua Liderança e Seus Auxiliares
Lição 9 – Um Lugar de Adoração a DEUS no Deserto
Lição 10 – As Leis Civis Entregues por Moisés aos Israelitas
Lição 11 – DEUS Escolheu Arão e Seus Filhos para o Sacerdócio
Lição 12 – A Consagração dos Sacerdotes
Lição 13 – O Legado de Moisés
 
A opção pela temática não se deu sem uma polemica, visto que não faltam dentre os crentes aqueles que entendem que temas atuais, tais como: Ecumenismo, catolicismo, falsos ensinos e ouros deveriam de serem abordados. Tenho dois problemas com estas perspectivas e gostaria de compartilhar em breves linhas. Primeiro, não gostei da abordagem ultrapassada que nossas lições fizeram dos assuntos atuais. Tomemos como exemplo a Escatologia. Existem no mínimo quatro abordagens criticas e três ortodoxas a respeito do assunto, mas a única ensinada é o pré-tribulacionismo de cunho dispensacionalista.  É uma escatologia de terror, que diante das capitulações das mais diversas previsões e especulações em torno de um possível fim do mundo, do ressurgimento do império babilônico, de qual papa poderia ser a besta do Apocalipse. Tal perspectiva responde apenas uma curiosidade que aparece em momentos de grandes tragédias, mas imediatamente desaparece.
O mesmo podemos dizer a respeito do Catolicismo que não pode mais ser visto exclusivamente a partir de um aspecto apologético, que classifica o mesmo como herético, e prima exclusivamente por uma análise negativa do caráter institucional. O que se perde com isto? Muito! Perdemos a capacidade de dialogar, de ouvir de captar a polarização entre o que é a Teologia, a instituição, e a práxis religiosa Católica.
Em segundo lugar tanto a temática quando o currículo do Ensino em geral, o que engloba a Escola Bíblica também, são determinados pelos objetivos que se tem em mente. O currículo, como disse Tomaz Tadeu Silva, é um documento de identidade, ou seja, é determinado pela identidade que pretendemos imprimir em nossos educandos. Logo, o ensino a respeito ecumenismo, catolicismo, falsos ensinos nesses últimos dias, fazem sentido exclusivamente a partir do momento em que a liderança da Igreja pretenda formar os liderados para a Apologética. Por sua vez a escatologia completa (algo impossível de ser abordado em um único trimestre de Escola Bíblica Dominical, visto que é um ramo da escatologia, cujo ensino demanda toda uma articulação com o conteúdo global da Teologia sistemática),  ela somente faz sentido se o proposito for a preparação de um povo para viver estes dias no mundo como se não vivessem. Do contrário tudo o mais é mera perda de tempo.
Abordar assuntos da atualidade a partir de perspectivas teológicas engessadas, comprometidas com a política de um denominacionalismo caquético, constitui-se um dos maiores problemas, visto que o máximo que o mesmo faz é produzir um povo sem competências de diálogo com o tempo presente e cuja mensagem se tornará cada vez mais sem sentido para a nossa geração. Estas são apenas algumas das demandas que pesam sobre a nossa Escola Bíblica Dominical e que demandam atenção dos envolvidos com a mesma e mais ainda dos editores de revistas de Escola Bíblica dominical das mais diversas denominações.
 
Em Cristo e um forte abraço, Pr Marcelo Medeiros, superintendente da Escola Bíblica Dominical na Adecin.

terça-feira, 11 de junho de 2013

A família e a Escola Bíblica Dominical


Ao longo deste trimestre temos estudado a respeito da família e dos ataques que a mesma vem sofrendo. E, uma conclusão que podemos extrair desta série de Estudos é que o padrão divinamente estabelecido para as relações familiares, bem como o modelo conjugal, e os referenciais de educação e criação dos filhos são provenientes de uma única fonte, a palavra de Deus (Dt 6. 4 - 9; Mt 19. 1 - 11). Mesmo depois da entrada do pecado no mundo e da corrupção das relações humanas, bem como do padrão divinamente estabelecido, necessário se faz com que atentemos que é a palavra de Deus a fonte de santificação das nossas relações familiares (I Tm 4. 4, 5), bem como o principal elemento de preservação da nossa família. Daí a necessidade de refletirmos a respeito da Escola Bíblica Dominical. 

A Família e a Palavra de Deus


A família é descrita pelas Escrituras como sendo a primeira instituição criada por Deus. Ela foi estabelecida no Éden, quando Deus disse que não era bom que o homem estivesse só. Ao criar o homem, Deus disse façamos o homem, conforme a nossa imagem e conforme a nossa semelhança (Gn 1. 26, 27), uma descrição mais detalhada da criação do homem mostra-nos o mesmo sendo formado do pó da terra, de uma forma muito similar ao trabalho desenvolvido pelo oleiro. Mas antes de avançarmos neste assunto, é necessário que observemos que a Palavra criadora age no ato de origem do homem. A diferença esta em que, ao contrário do que ocorre em toda a criação, quando Deus libera a sua Palavra e deixa tudo por conta da liberação da mesma, aqui o criador não se contenta em simplesmente liberar uma palavra, mas se lança na atividade criadora, no ato de moldar. 
O mesmo se dá com a criação da mulher, de acordo com o relato da tradição oral sacerdotal. Deus diz, depois ele faz. No caso da criação do homem, do macho e da fêmea, a Palavra e o agir divinos estão em constante ação. Na natureza, em geral, a fala é o suficiente para que tudo se crie, no homem fala e ação estão mutuamente combinadas.
Com a entrada do pecado no mundo, a família foi maculada. As relações entre homem e mulher, entre irmãos, e entre pais e filhos foram seriamente corrompidas. O homem acusa a mulher de ser responsável pela sua queda. Esta, acusa a serpente, que podemos entender como sendo o diabo, de ser a responsável pela desgraça (Gn 3. 10 - 14). Os primeiros irmãos vão ser protagonistas do primeiro casa de fratricídio da história humana, e o texto nem de longe aponta problemas psicológicos, ou sociais como a causa do conflito, mas simplesmente o fato de que as obras de um irmão eram boas e as do outro eram más (I Jo 3. 12). Da descendência de Caim surgiram os primeiros artífices e músicos, e contraditoriamente os primeiros casos de poligamia. 
Para a generalização da maldade, foi apenas um salto (Gn 6. 5, 12). Deus resolveu, então destruir todo o gênero humano, mas preservar um homem, que havia achado graça aos seus olhos (Gn 6. 8). Mais uma vez a Palavra de Deus entra em ação, visto que  disse Deus a Noé: [...] faze para ti uma arca da madeira de gofer  Gn 6. 13, 14. Por meio da Palavra de Deus a um chefe de família, todo o restante da família foi salva do juízo divino. As medidas da arca, quem deveria entrar na mesma, o material empregado na mesma, a finalidade, tudo estava claramente expresso nas orientações que Deus havia dado a Noé, por meio de sua SANTA PALAVRA. 
Se na criação observamos a Palavra de Deus associada ao agir do mesmo, aqui, esta está ligada à atitude humana. Deus nos deu a sua palavra para que nós as colocássemos em prática (Sl 119. 4), e para colocarmos a mesma em prática, precisamos ouvir atentamente o que Deus está querendo dizer para nós. Não é sem razão que a confissão judaica de fé começa com o apelo para o ouvir, pois está escrito: יִשְׂרָאֵ֑ל   שְׁמַ֖ע (Shemá Isharel), Ouve ó Israel Yhwh é único Deus. Sem o ouvir não o saberemos. 
Mas o ouvir que não se consuma na prática do que é ouvido, termina por se caracterizar como estéril ao ouvir tem de suceder o amar a Deus, com todas as forças (Dt 6. 5), bem como o esforço humano de fazer da Palavra que se ouve, o centro da vida familiar. E como se dá tal ação? Por meio do falar que expressa o amor que temos pelo único Deus, e por uma série de medidas cuja finalidade é a preservação de nossa herança cultural e espiritual. Infelizmente a história bíblica nos mostra que não houve, por parte do povo um zelo em cumprir as recomendações divinas no Deuteronômio. Ainda no período histórico inicial se levanta uma geração que não conhece ao Senhor, nem a obra que ele fez em Israel, o resultado, uma verdadeira catástrofe e instabilidade que começa com o período dos juízes e termina no período pós exílico. 

O surgimento da Escola Bíblica Dominical

É usual atrelar a Escola Bíblica Dominical às práticas de ensino descritas na Bíblia, que começam com o Deuteronômio (Dt 6. 5 - 9), e avançam até os dias de Neemias (Ne 8. 2 - 8). Na verdade a Escola Bíblica Dominical é uma instituição moderna cujo surgimento está ligado ao contexto da modernidade, da revolução industrial e das reformas políticas, sociais e religiosas que começaram a varrer a Europa a partir do século XVI. Nós precisamos ver esta instituição a partir desta perspectiva a fim de termos argumento para justificar a mesma como instituição atual e necessária para a saúde familiar e da Igreja. 
Uma das características da modernidade foi a perda, por parta da Igreja católica romana, da hegemonia cultural que esta detinha durante a Idade Média. A invenção da imprensa, possibilitou que livros fossem produzidos e impressos em larga escala, e que o saber, antes limitado aos mosteiros, fosse divulgado com maior facilidade. Outra questão importante é a perda do poder político, os estados europeus passaram a clamar por maior liberdade, e por fim a revolução industrial abalou definitivamente os modos de produção econômica. 
Contudo, a herança da revolução industrial foi nefasta. Esvaziamento do campo, aumento da população urbana e precariedade social contribuíram para o aumento dos suicídios, do alcoolismo e da prostituição. Os que ficaram ociosos, devido à falta de emprego, e mesmo de especialização para as novas condições de trabalho, tentavam fugir da miséria por meio de atividades ilícitas. 
Para o bem da sociedade inglesa, a Igreja passava por um período de avivamento, que na visão da maioria dos autores de História da Igreja foi o principal responsável pela preservação da paz na Inglaterra, sim, a Escola Dominical surge com Robert Raikes, em meio ao avivamento metodista que estava sacudindo a Europa do século XVIII. 
O surgimento da ideia  de acordo com o Manual da Escola Bíblica Dominical, se dá enquanto Raikes estava, em plena manhã de domingo, escrevendo um artigo para um jornal, e teve a vidraça de sua janela atingida por uma pedra. Ele se levantou, dirigiu alguns impropérios às crianças e retornou às atividades. Porém, seu coração fora incomodado pelo estado de abandono social, moral e espiritual em que se encontravam aquelas crianças, e logo começou a pensar no que poderia ser feito para amenizar a condição das mesmas. Foi quando teve a ideia de usar o espaço das igrejas (leia-se templo) para ensinar as mesmas a ler, escrever, ler a Bíblia e ainda dar reforço escolar.
A iniciativa, não foi vista como boa. Na mentalidade de muitos crentes era um absurdo usar um espaço sagrado com crianças profanas como as que Raikes estava trazendo para o interior do templo. A despeito da oposição inicial, a proposta logo foi se espalhando e recebendo cada vez mais aceitação, visto que se via na mesma, uma grande estratégia de Evangelização infantil, e um modo eficaz de alcançar as famílias que estavam demasiadamente ocupadas com o trabalho nas fábricas. 
Aqui precisamos estabelecer que: 

  1. A iniciativa de Robert Raikes é de certa forma, herdeira da tradição reformada. Nesta é importante que as pessoas saibam ler para lerem e interpretarem a Bíblia. 
  2. A mesma se deu durante o período do avivamentos metodista, que recebeu este nome em função da proposta de reuniões nos lares para a oração e estudo da palavra. 
  3. As crianças a quem Raikes dirigiu a sua ação não eram crentes, mas crianças que em pleno domingo se viam abandonadas nas ruas, visto que os pais delas trabalhavam nas fábricas de domingo à domingo, e às vezes em cargas horárias de dezesseis horas por dia. 

O sucesso da Escola Bíblica Dominical, que não era apenas bíblica, visto que nela também eram ministradas aulas com fins de alfabetização e reforço escolar; se deu em toda Europa e Estados Unidos. Prova cabal de tal êxito pode ser visto na implantação da primeira igreja protestante em solo brasileiro, no caso a Congregacional, que foi estabelecida em Petrópolis é fruto deste trabalho cuja iniciativa pioneira do casal de missionários Sara e Robert Kallei. Porém o blogueiro Judson Canto alerta em seu blog, em um artigo a respeito do assunto que a primeira Escola Dominical, foi realizada em nosso país em Junho de 1836, quando Justin Spaulding, enviado pela Igreja Metodista dos Estados Unidos. De acordo com o autor em apreço a iniciativa não foi bem sucedida em função dos problemas que o missionário enfrentou quando chegou aqui. Mas necessário se faz entendermos que a Escola Dominical é a melhor educação teológica possível dentro do contexto da modernidade. Pois quando olhamos para o modelo bíblico de ensino, percebemos que o mesmo não se reduz aos domingos.

O modelo bíblico de ensino

De acordo com a Bíblia a educação cabia, em primeiro lugar ao patriarca (Gn 18. 19, 20), depois ao pai, ou chefe de família, que além de ensinar, deveria zelas para que a casa fosse pautada na prática da lei do Senhor (Dt 6. 5 - 11; 11. 19, 20). Com a falha deste sistema surge o modelo dos juízes, cujo ápice é Samuel, ao meu ver o mais zeloso de todos, e que mesmo fora do exercício da função se compromete em ensinar e interceder pelo povo (I Sm 12. 22, 23). O modelo seguinte é o sacerdotal, onde cabe ao sacerdote o ensino da lei (Jr 18. 18; Ml 2. 7, 8), mas ao que parece cedo, cedo, este modelo entra em crise (Jr 2. 8; Os 4. 6). Aqui cabe esclarecer que a falência do sistema não se dá em função de questões de conteúdo e metodologia, mas de ausência de comprometimento, conforme os textos deixam implícito.
No Novo Testamento, temos a ordem de Jesus para ensinar. Desta ordem surge o modelo apostólico de ensino. Este é diário (At 2. 42, 43; 5. 42), e tem como conteúdo o que Jesus mandou ensinar (Mt 28. 19, 20), a finalidade do ensino aqui é apresentar todo homem perfeito a Cristo (Cl 1. 28, 29). Daí a nossa colocação quanto à consideração do caráter histórico da Escola Bíblia Dominical, visto que a educação bíblica não é dominical, mas diária. Para que venhamos a viver novamente esta realidade bíblica, a Escola em apreço é um bom começo, mas bom seria que seus ensinamentos fossem perpetuados dentro do lar cristão, por meio de um treinamento dos pais, feito pelos ministros conforme preceitua a Bíblia (Ef 4. 11, 12).

Em Cristo, Pr Marcelo Medeiros. 

quarta-feira, 29 de maio de 2013

O Equívoco de Frank Viola a respeito da EBD



Um dos livros mais impressionante que adquiri nos últimos dias foi o polêmico cristianismo pagão, de autoria de Frank Viola em co-autoria com George Barna. Minha insistência em ler a referida obra se deu em função da boa experiência que tive ao ler o clássico a Rã na Chaleira, de George Barna. Voltado ao Cristianismo pagão, creio que a aceitação pública que esta livro tem alcançado se de em razão do fenômeno conhecido como "desigrejados". Sou Igualmente forçado a reconhecer que grande parte do que ele coloca no seu livro tem sim fundo de verdade. Basta olhar para os cartazes que fazem anúncio de eventos "evangélicos" (sim coloco a palavra entre aspas"), e perceber que o centro midiático não é Cristo, mas personalidades carismáticas. Em outras palavras Tales Roberto, Cassiane, Apóstolo Estevão Hernandes, Bispa Sônia, são mais populares do que Jesus. De igual modo, é necessário entender que boa parte de nosso Cristianismo é sim influenciado pelo paganismo, mas ao contrário do que pensam Viola e Barna, a influência vem de Paulo e talvez do Helenismo dos judeus convertidos e por que não? do judaísmo mesmo, mas isto é um assunto para outro post. Fato é que Viola acerta na questão do aspecto orgânico da Igreja, coisa que tem sido esquecida nos dias atuais.
Minha preocupação é com a visão de Viola sobre a educação teológica, e a Escola Bíblica Dominical. Creio que ambas precisam de profundas revisões. Não se trata de eliminar o curso teológico, como parece propor o autor, mas de fazer com que toda a herança teológica sirva para maior compreensão da Bíblia e desenvolvimento da espiritualidade cristã sim. Até porque se a teologia nasceu de um diálogo entre os primeiros pais e a cultura pagã, tal se deu em função de desafios específicos que eles tiveram de enfrentar, e embora dialogassem com a filosofia, por exemplo, em muitos aspectos lograram êxito em extrair a verdade, bem como os aspectos nos quais ocorra uma convergência entre a cultura pagã e a cristã. Aliás, tal iniciativa se deu não com os pais cristãos, mas com o próprio judaísmo helenista que dialogou com a filosofia pagã e gerou uma das mais preciosas pérolas que é o livro deuterocanônico de Sabedoria de Salomão. Foi esta a iniciativa de Paulo no areópago e em grande parte das missões. No primeiro caso o apóstolo empregou a poesia e a literatura pagã como meio de aproximação das verdades cristãs com a cultura pagã. Nas missões, e principalmente em Éfeso, Paulo se valeu dos recursos da retórica e da pedagogia pagã para ensinar as verdades centrais do Evangelho, por meio de disputa, debate, diálogo etc... Ainda que em nada tais recursos se pareçam com o sermão moderno, criticado por Viola, fato é que eles são igualmente de origem pagã. Se não podemos condenar Paulo, por que condenarmos os sermões modernos como os de Jonh Stott e Martyn Lloyde Jones? Ao pensar nestes nomes, podemos verificar que ainda que seguindo uma  tradição cuja forma pode ser pagã, eles todos, incluindo o apóstolo dos gentios, foram fiéis ao conteúdo bíblico. 
A respeito da Escola Bíblica Dominical, percebo que Viola faz uma leitura histórica parcial. Ele percebe que a intenção inicial de Robert Raikes, era a de reunir as crianças aos domingos na Igreja para lhes dar educação formal (alfabetização, reforço escolar, e iniciação na leitura bíblica). Mas parece não atentar para o fato de que a obra de Raikes, se dá em meio ao avivamento, metodista. Este movimento enfocava a leitura  bíblica e a oração nos lares. Não quero aqui afirmar que Raikes quis com sua iniciativa levar a diante o programa da reforma, que visava educar e alfabetizar todos os crentes, para que estes pudessem ler e entender a Bíblia e interpretá-la por si mesmos. Mas o fato, mais do que óbvio que emerge quando lemos sobre a História da Igreja é que a iniciativa de Raikes colaborou sim para que este programa fosse alcançado. 
Se pensarmos como Viola, que tal iniciativa foi assumida pela escola pública, estaremos jogando fora toda a tradição reformada. Não sei em que contexto Viola vive, mas em nosso contexto a Escola pública vive uma crise, na qual é acompanhada pelos demais estabelecimentos de ensino formal. O analfabetismo funcional tem sido sim, o maior inimigo de nossos crente no que tange à leitura bíblica. Em outras palavras: se cabe ao espaço público o ensino da leitura, cabe aos demais setores da sociedade o comprometimento com a ampliação das competências de leitura.
No atual contexto, necessário se faz reafirmar que o desenvolvimento das competências necessárias à leitura  proveitosa da Bíblia serão desenvolvidas pela Igreja, jamais pela escola pública, que diga de passagem, é um espaço dominado por pessoas que vêem o livro sagrado como misógino, preconceituoso, reacionário, fundamentalista e até como mitológico. Diante de tal realidade não podemos nos dar ao luxo de ver o ensino teológico como luxo, nem de associá-lo às diversas formas de pedantismo. Precisamos sim, de teologia, e muito mais ainda de Escola Bíblica Dominical. Precisamos ser atentos às lições da história. O Erro que Viola comete já foi cometido pelos evangelicalistas, que colocando o foco na vida prática do Evangelho acabaram por caírem no ativismo, armadilha fatal que tem sido cuidadosamente preparada para aprisionar os envolvidos com o novo movimento de crescimento da Igreja, da qual a Igreja orgânica proposta por Viola faz parte. Que jamais incorramos no mesmo tipo de erro, que consiste na separação entre teoria e prática.

Em Cristo, Pr Marcelo Medeiros







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