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sexta-feira, 16 de outubro de 2015

E Deus os Criou Homem e Mulher



O presente post tem por objetivo dar ao leitor um vislumbre bíblico a respeito da criação do homem e da mulher. Nenhum crente esclarecido nega que a humanidade sofreu e tem sofrido mutações, eu, por exemplo creio assim. A dificuldade está em acreditar que o homem seja produto de um longo processo evolutivo, conduzido por alguma coisa chamada acaso, e que as sucessivas mutações possam dar origens a novas espécies. 

Homem e mulher foram criados como tais à imagem e semelhança de Deus, sendo assim: seres pessoais, racionais, capazes de se relacionar e se comunicarem, criativos e com amplas possibilidade de dominar sob o restante da criação. De igual modo ambos possuem a capacidade e a responsabilidade de cuidar e manter a criação de Deus, visto que os céus são os céus do Senhor; mas a terra a deu aos filhos dos homens (Sl 115. 16 ACF). Este texto é indicativo de que os céus são domínio divino, ao passo que a terra é o domínio humano. 

COMO O HOMEM FOI CRIADO
E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; e domine sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre o gado, e sobre toda a terra, e sobre todo o réptil que se move sobre a terra. E criou Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou (Gn 1. 26, 27 ACF). 
E formou o Senhor Deus o homem do pó da terra, e soprou em suas narinas o fôlego da vida; e o homem foi feito alma vivente (Gn 2. 7 ACF).
Destes textos pode-se extrair as seguintes observações:

  1. O homem (leia-se gênero humano) é composto de matéria, neste caso o pó da terra, e espírito, o hálito divino soprado em suas narinas. 
  2. Em consequência o ser humano é um ser vivente, ou como diz o texto alma vivente. 
  3. A criação do homem foi feita mediante deliberação divina a partir de elementos pré-existentes na natureza já criada por Deus, e da própria natureza divina. No primeiro caso o pó, elementos oriundo da porção terra, e no segundo o hálito divino. 
  4. No ato da criação foi conferido ao homem o domínio sobre todos os seres viventes. Esta autoridade tinha por objetivo expressar o domínio de Deus sobre toda a natureza. 
  5. Homem e mulher refletem a imagem de Deus, a ambos é conferido o domínio sobre a natureza, a faculdade de ocupar o espaço e de cuidar do mesmo. 
O pó é indicador de fragilidade. Sucessivas vezes os autores bíblicos afirmam que o homem é pó. A despeito das sucessivas gozações que ateus possam fazer hoje é cada vez mais comum, para se afirmar a insignificância humana, dizer que o homem é poeira cósmica, ou se preferir pó das estrelas. Eu particularmente prefiro ficar com o Padre Antônio Vieira e com o filósofo Blaise Pascal. 

Para Vieira o homem é pó que sente, que pensa, que arrazoa. Todavia na experiência de cada pessoa não há como se afirmar que o pó tenha sentimentos, capacidades intelectuais, cognitivas e volitivas. Daí a descrença comum de que nós sejamos pó. Eu particularmente creio que se o homem mantivesse esta verdasde em mente, não desejaria em hipótese alguma ser Deus, porque se veria constatemente como pó. 

Tanto antes quanto após a queda o homem permanece pó. É assim para lembrar e jamais esquecer-se de sua fragilidade. Após pecar Deus disse: No suor do teu rosto comerás o teu pão, até que te tornes à terra; porque dela foste tomado; porquanto és pó e em pó te tornarás (Gn 3. 19 ACF). Jó no ápice de sua angústia clamou a Deus dizendo: Peço-te que te lembres de que como barro me formaste e me farás voltar ao pó (Jó 10. 9 ACF). 

Deus soprou o seu espírito, o seu hálito no homem, e este veio a ser mais do que pó, um ser vivo. Se a lição do pó é a fragilidade humana, a lição do vento, conforme afirmado pelo professor Adauto Lourenço, é a de que a vida é sustentada por Deus. Davi afirma: Eis que fizeste os meus dias como a palmos; o tempo da minha vida é como nada diante de ti; na verdade, todo homem, por mais firme que esteja, é totalmente vaidade (Sl 39. 5 ACF). 

Ruach [ר֣וּחַ] é a expressão para espírito, vento, sopro e fôlego de vida, tem no vocábulo grego πνευμα [pneuma], ou πνευματος [pneumatos] o seu equivalente. Segundo Vieira:
O vento é a nossa vida [..] deu o vento, levantou-se o pó, parou o vento caiu. Deu o vento, eis o pó levantado: estes são os vivos. Parou o vento, eis o pó caído: estes são os mortos. Os vivos pó, os mortos pó; os vivos pó levantado, os mortos pó caído; os vivos pó com  vento, e por isto vãos; os mortos pó sem vento e por isto sem vaidade. Esta é a distinção e não há outra (Sermão da Quarta - Feira de Cinzas). 
Já Pascal ao mesmo tempo em que reconhece a fragilidade do homem e sua indgnidade reconhece também a sua grandeza, que consiste dentre outras coisas em pensar. Daí que este mesmo pó, pinte, componha sinfonias, escreva músicas, teologias, filosofias. Mas tudo isto é ação do vento sobre o pó. O mesmo que dá suporte À vida humana, que fez com que os primeiros homens vivessem mais de novecentos anos. 

O primeiro homem foi criado para a imortalidade. Mesmo sendo em parte matéria, e por isto mesmo um ser espacial e temporal, nada me impede de crer que caso não houvesse pecado o homem seria imortal para todo o sempre. Ou seja, teria sua vida sustentada por Deus para todo o sempre. Mas ao transgredir o homem passou a experimentar a morte. 

Um detalhe igualmente observado pelo professor Adauto Lourenço é o de que a expressão hebraica מֹ֥ות תָּמֽוּת [muth th'muth], usualmente traduzida por certamente morrerás, na verdade expressa o morrendo morrerás. A morte é decorrente do processo de envelhecimento, que consiste na falência do organismo em seu processo de renovação celular. A cada minuto milhões e células morrem em nosso organismo, e outras milhões nascem. Com o envelhecimento o número de células que vai nascendo decresce, até que o ser humano morra [aqui e aqui]. 

A CRIAÇÃO DA MULHER

O primeiro texto que fala a respeito da criação da mulher e do homem juntos, sem dar maiores detalhes, o faz em razão de demonstrar que ambos possuem dignidade, por serem à imagem de Deus. Ambos são frágeis. O homem por ser pó, a mulher por ter vindo do homem, que por sua vez, veio do pó. 

Já o segundo texto visa dar maiores detalhes a respeito da criação do primeiro casal. Assim Gn 1 é um relato cosmológico, ao passo que Gn 2 . 4 - 24 é um realto antropológico. O mais curioso é que os termos para homem, e Adão quase que se confundem em língua original, dando a entender que o que está em jogo no texto é a humanidade. 

Sem homem e sem mulher o mundo talvez fosse povoado por seres pessoais (anjos são seres pessoais e o próprio Deus também o é). Mas tanto o homem quanto a mulher se constituem como tais a partir da relação de afinidade e dessemelhança que um possui em relação ao outro. É neste ponto em que a questão do casamento salta aos olhos. 

O CASAMENTO

O mundo caminha inevitavelmente para a aprovação de leis que reconhcem e legalizam a união homoafetiva [aqui]. Tal não seria tamanho problema se não se desse mediante doutrinação ideológica. A ideologia tem sido tal que até estratégias como o fim do dia dos pais tem sido aventadad em alguns municípios do Brasil [aqui]. Face ao exposto é necessário que se revejam as bases do casamento cristão. 

Este estudo é indicador de que antes de protestar contra a união homoafetiva a Igreja tem de ser a comunidade que expressa em termos práticos que o casamento nos moldes divinos é o melhor projeto. Há que se afirmar que O Casamento Bíblico constitui-se pelo caráter heterogâmico, monogâmico e indissolúvel. 

Marcelo Medeiros

sábado, 10 de outubro de 2015

A criação dos céus e da terra



Partindo do que já foi afirmado neste estudo  é possível afirmar que dentre os objetivos do Gênesis pode-se elencar os seguintes: 1) conferir sabedoria para a salvação (II Tm 3. 14, 15), 2) educar o homem em justiça (II Tm 3. 16, 17), 3) produzir esperança (Rm 15. 4), e 4) produzir fé (Rm 10. 17; Hb 11. 3). Em outras palavras embora seja um retrato fiel da criação o livro em apreço não é de teor científico. Tanto que seu conteúdo pode ser acessado somente por fé.

Pela fé entendemos que os mundos pela palavra de Deus foram criados; de maneira que aquilo que se vê não foi feito do que é aparente (Hb 11. 3 ACF). É impossível permanecer na verdade sem prévia compreensão, o que demanda crença. Como disse o próprio Senhor no livro de Isaías: se não o crerdes, certamente não haveis de permanecer (Is 7. 9 ACF). 

I) O CRIACIONISMO BÍBLICO, CONSIDERAÇÕES

Para os sábios do período e pré-exílico e interbíblico, a criação revela de Deus de forma inequívoca. O salmista declara:
Os céus contam a glória de Deus, e o firmamento proclama a obra de suas mãos. O dia entrega mensagem a outro dia e a noite a faz conhcer a outra noite. Não há termos, não há palavras, nenhuma voz que deles se ouça, e por toda a terra sua linha aparece e até os confins do mundo a sua linguagem (Sl 19. 2 - 5a [19. 1 - 4] Bíblia de Jerusalém). 

Já o sábio assevera:
Sim, naturalmente vãos foram todos os homens que ignoraram a Deus e que, partindo dos bens visíveis, não foram capazes de conhecer Aquele que é, e nem considerando as obras, de reconhcer o Artífice. Se fascinados por sua beleza os tomaram por deuses, aprendam quanto lhes é superior o Senhor dessas coisas. E se os assombrou sua força e atividade, calculem quanto mais poderoso é Aquele que as formou (Sab 13. 1, 3 - 5 Bíblia de Jerusalém). 
E Paulo, diz:
o que se pode conhecer de Deus é manifesto entre eles, pois Deus lho revelou. Sua realidade invisível - seu eterno poder e sua divindade - tornou-se inteligivel desde a criação do mundo, através das criaturas (Rm 1. 19, 20 Bíblia de Jerusalém). 
O que estes textos estão dizendo é que a despeito do grau de mistério em Deus, é possível conhecê-lo por meio da sua criação. Este conhecimento é analógico, mas permite una percepção do poder eterno e da divindade divina. Em outras palavras o visível faz clara manifestação do invisível.  O criacionismo bíblico mais do que se perder em uma disputa de teor cosmológico, confere propósito à criação. E o propósito da criação é a glória de Deus conforme visto (Sl 19. 1). 

II) A CRIAÇÃO DO TEMPO, MATÉRIA E ESPAÇO

Toda realidade circundante é conhecida por meio destas propriedades: o tempo, a matéria e o espaço. O primeiro é a medida de duração dos seres sujeitos à mudança da sua substância ou a mudanças acidentais e sucessivas da sua natureza, apreciáveis pelos sentidos orgânicos. Em outras palavras, tempo é uma medida perceptivel aos homens por meio da mudança ocorrida na matéria. 

A criação do tempo é consolidade por meio da mudança: houve uma tarde e uma manhã: primeiro dia (Gn 1. 5 Bíblia de Jerusalém). E novamente consolidado com a criação dos luzeiros, quando Deus disse: Haja luminares na expansão dos céus, para haver separação entre o dia e a noite; e sejam eles para sinais e para tempos determinados e para dias e anos (Gn 1. 14 ACF). Aqui a mudança passa a ser sinalizada por meio de elementos da criação, neste caso, o sol e a lua. 

Ao criar a matéria, Deus criou o tempo. Ora a terra estava vazia e vaga e trevas cobriam o abismo, e um sopro de Deus agitava a superfície das águas (Gn 1. 2 Bíblia de Jerusalém). A matéria aqui é representada pela presença da terra, e da água. Matéria é tudo o que compõe os corpos físicos, no caso da água, hidrogênio e oxigênio. 

Já o espaço é: uma extensão tridimensional ilimitada ou infinitamente grande, que contém todos os seres e coisas e é campo de todos os eventos. Diz-se que ele é tridimensional por ser constituído de altura, largura e profundidade. Perceba que o texto diz: a terra estava vazia e vaga e trevas cobriam o abismo, e um sopro de Deus agitava a superfície das águas (Gn 1. 2 Bíblia de Jerusalém). Com isto o texto está dizendo que:

  1. O espaço conhecido por terra estava vazio, ou seja não estava ocupado. 
  2. O abismo revela a noção de profundidade. 
  3. A ação do Espírito (palavra equivalente a sopro), se dá na altura, ou seja na superfície das águas. 
  4. Embora não limitado ao espaço e ao tempo, Deus age em ambos. 
Tempo, espaço e matéria são também marcas do Deus triúno. Esta é a percepção do professor Adauto Lourenço. O tempo é divido em passado, presente e futuro (marcas do Deus triuno?). O espaço, conforme visto é dividido em altura,largura e profundidade. E a matéria? Ela existe no estado líquido, sólido, ou gasoso. 

III) A CRIAÇÃO DA LUZ

Um dos maiores embaraços com os quais os crentes tiveram de lidar ao longo dos anos foi ter de explicar a existência da luz independente da criação dos astros, uma vez que de acordo com o relato do Gênesis, a luz foi criada no primeiro dia, a vegetação no terceiro dia e somente no quarto dia foram criados os astros. 

O professor Adauto Lourenço apresenta aqui duas explicações. A primeira: Deus criou todas as coisas para que fossem mantidas e sustentadas por ele. Ou como afirmado corretamente no livro de Jó: estendeu o setentrião sobre o vazio e suspendeu a terra sobre o nada (Jó 26. 7 Bíblia de Jerusalém). Em outras palavras: Deus sustenta a terra sobre o vazio. Este mesmo Deus é poderoso para fazer com que haja luz e vegetação sem astros. 

A segunda explicação é que para o professor em apreço esta referida luz é proveniente de uma radiação chamada radiação cósmica de fundo em micro-ondas. Ela descoberta por Arno Penzias e Robert Woodron Wilson dos laboratórios Bell Telephone. Ela consotitui uma evidência científica. O problema é que cedo ela foi associada à teoria do Bog Band (esta sim aberta à discussão visto ser uma interpretação dos dados). Todavia é possível pensar em luz antes da criação das estrelas. 

IV) A CRIAÇÃO EM SI

A esta altura do estudo, possivelmente o leitor tenha feito a seguinte indagação: por que o criacionismo, ao invés da evolução? a pergunta pode ser respondida por meio das palavras de Sir James no clássico o Evangelho mal trapilho, que segue abaixo:


Sir James Jeans, o famoso astrônomo britânico disse certa vez: “o universo parece ter sido desenhado por um matemático puro”. Joseph Campbell escreveu também sobre “a intuição de uma ordem cósmica matematicamente definível”. Contemplando a ordem da Terra, do Sistema Solar e do Universo estelar cientistas e estudiosos concluíram que o grande projetista não deixou nada para o acaso.A inclinação da terra, por exemplo, de 23 graus, produz as nossas estações. Os cientistas dizem-nos que, se a terra não tivesse a inclinação que tem, os vapores dos oceanos mover-se-iam para norte e sul cobrindo os continentes de gelo. Se a lua estivesse a 80 mil quilômetros da terra, em vez de 320 mil, as marés seriam tão enormes que todos os continentes seriam submergidos pela água – até as montanhas seriam afetadas pela erosão. Se a crosta terrestre fosse apenas três metros mais grossa, não haveria oxigênio, e sem ele toda vida animal morreria. Se os oceanos fossem uns poucos metros mais profundos, o dióxido de carbono e o oxigênio teriam sido absorvidos e nenhuma vida vegetal poderia existir. O peso da terra estimado em seis sextilhões de toneladas (isto é um seis seguido de vinte e um zeros). Ela tem, ainda assim, um equilíbrio perfeito, e gira com facilidade em torno do seu eixo. Ela revolve diariamente à razão de mais de mil e seiscentos quilômetros por hora, ou quarenta mil quilômetros por dia. Num ano isto dá mais de catorze milhões de quilômetros. Considerando o extraordinário peso de seis sextilhões de toneladas, girando a essa fantástica velocidade ao redor do seu eixo invisível, as palavras de Jó 26. 7 assumem significado sem paralelo: “Ele ... faz pairar a terra sobre o nada”. Jó nos convida ainda a meditar sobre “as maravilhas de Deus” (Jó 37. 14). Considere o sol. Cada metro quadrado da superfície do sol emite constantemente um nível de energia de cento e trinta mil cavalos força (isto é aproximadamente 450 motores de oito cilindros [...]. Ainda assim o sol é apenas uma estrela menor nos cem bilhões de astros que compõem a nossa via Láctea [...] quando tentamos apreender mentalmente as quase incontáveis estrelas e outros corpos celestes, encontrados na nossa Via Láctea, apenas, somos levados a ecoar o hino de louvor de Isaías ao poderoso criador: “Levantai ao alto os olhos e vede. Quem criou estas coisas? Aquele que faz sair o seu exercito de estrelas, todas bem contadas, as quais ele chama pelo nome, por ser ele grande em força e forte em poder, nem uma só vem a faltar (MANNING, 2005).



Perceba a impressionante harmonia na criação. De forma que a mesma não é nem pode ser fruto do acaso. Saudações fraternas em Cristo Jesus, Marcelo Medeiros. 

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Família, criação de Deus

 
Nosso trimestre da Escola Bíblica Dominical aborda temas a respeito da família. Fica explícito que a a preocupação dos autores, bem como da editora, e provavelmente da denominação, sejam as mudanças nos valores que regem a nossa vida, e conequentemente afetam as relações humanas, dentre as quais as familiares. Nossa primeira lição busca afirmar que o valor perene da família se deve pela sua origem divina. Nosso breve subsídio vai se orientar pela definição de família e pelo resumo da lição.
 
A definição de família
 
O dicionário eletrônico Michaellis dá as seguintes definições para família:
1 Conjunto de pessoas, em geral ligadas por laços de parentesco, que vivem sob o mesmo teto, particularmente o pai, a mãe e os filhos.
2 Conjunto de ascendentes, descendentes, colaterais e afins de uma linhagem ou provenientes de um mesmo tronco; estirpe.
 3 Pessoas do mesmo sangue ou não, ligadas entre si por casamento, filiação, ou mesmo adoção, que vivem ou não em comum; parentes, parentela.
4 fig Grupo de pessoas unidas por convicções, interesses ou origem comuns.
Por sua vez o Aurélio exprime os seguintes conceitos:
O pai, a mãe e os filhos: família numerosa. /
Todas as pessoas do mesmo sangue, como filhos, irmãos, sobrinhos etc.
Grupo de seres ou coisas que apresentam características comuns: família espiritual.
 
O primeiro conceito exprime a idéia atualmente conhecida como família nuclear, a que é composta por pai, mãe e filhos. O segundo engloba os demais parentes e se encaixa com maior perfeição no conceito de família patrarcal, ou clã. A terceira definição nos aponta para a forma com a qual a família é constituída, por meio do casamento. A última nos remete às ligações afetivas oriundas do sentimento de pertença, neste caso a Igreja vem a ser sim uma família.
 
A instituição da família na Bíblia
 
Então disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança. Domine ele sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu, sobre os animais grandes de toda a terra e sobre todos os pequenos animais que se movem rente ao chão. Criou Deus o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou. Deus os abençoou, e lhes disse: Sejam férteis e multipliquem-se! Encham e subjuguem a terra! Dominem sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu e sobre todos os animais que se movem pela terra (Gn 1.26 - 28 NVI).
 
Então o Senhor Deus declarou: Não é bom que o homem esteja só; farei para ele alguém que o auxilie e lhe corresponda. Depois que formou da terra todos os animais do campo e todas as aves do céu, o Senhor Deus os trouxe ao homem para ver como este lhes chamaria; e o nome que o homem desse a cada ser vivo, esse seria o seu nome. Assim o homem deu nomes a todos os rebanhos domésticos, às aves do céu e a todos os animais selvagens. Todavia não se encontrou para o homem alguém que o auxiliasse e lhe correspondesse.
Então o Senhor Deus fez o homem cair em profundo sono e, enquanto este dormia, tirou-lhe uma das costelas, fechando o lugar com carne. Com a costela que havia tirado do homem, o Senhor Deus fez uma mulher e a trouxe a ele. Disse então o homem: Esta, sim, é osso dos meus ossos e carne da minha carne! Ela será chamada mulher, porque do homem foi tirada. Por essa razão, o homem deixará pai e mãe e se unirá à sua mulher, e eles se tornarão uma só carne. O homem e sua mulher viviam nus, e não sentiam vergonha (Gn 2. 18 - 25 NVI).

Do texto bíblico podemos extrair as seguintes lições: 
  1. A afirmação de que o homem foi feito à imagem de semelhanaça de Deus aparece por duas vezes no primeiro texto. A instituição da família na Bíblia segue o modeo trinitário. O homem foi feito à imagem e à semelhança de Deus, que é trino, logo ele somente poderia ser homem se fosse macho e fêmea, ou seja, não poderia ser solitário.
  2. Fica claro já no primeiro texto que o modelo bíblico de família é a que se constitui de macho e fêmea. Fato claramente afirmado por Jesus em seu Evangelho quando indagou os seus discípulos: Vocês não leram que, no princípio, o Criador os fez homem e mulher e disse: Por essa razão, o homem deixará pai e mãe e se unirá à sua mulher, e os dois se tornarão uma só carne? (Mt 19. 4, 5 NVI). 
  3. A solidão não é algo bom para ser, ou criatura alguma, daí o casamento se constituir como um parceria, na qual o papel da mulher é de ser para com o homem uma auxiliadora que lhe corresponda, que lhe esteja à altura.
  4. A definição de família como pessoas do mesmo sangue, como filhos, irmãos, sobrinhos etc. ganha tônica nas palavras do texto bíblico, que afirma que o Senhor Deus fez o homem cair em profundo sono e, enquanto este dormia, tirou-lhe uma das costelas, fechando o lugar com carne. Com a costela que havia tirado do homem, o Senhor Deus fez uma mulher e a trouxe a ele. Diante disto o homem disse: Esta, sim, é osso dos meus ossos e carne da minha carne! Ela será chamada mulher, porque do homem foi tirada. Aqui o parentesco é garantido pelo origem comum à homem e mulher.
  5. Ao contrário do que e diz nas Ciências Sociais, a família nucear tem precedência bíblica obre quaisquer outros modelos, visto que o texto bíblico diz: o homem deixará pai e mãe e se unirá à sua mulher, e eles se tornarão uma só carne. O conceito bíblico de família tem a ver com unidade orgânica. Marido e mulher se tornam uma só carne.
  6. O texto termina com a afirmação de que homem e sua mulher viviam nus, e não sentiam vergonha, indicando com isto que em função de homem e mulher serem uma só carne o lar, por eles constituído, é um lugar, ou ambiente de mútua aceitação. ETE FOI O PROJETO INICIAL DE DEUS.
 
A narrativa bíblica prossegue afirmando que o pecado entrou no mundo e com a entrada do mesmo a relação do homem com Deus foi contaminada e suas relações interpessoais também. Ma este projeto pode ser retomado graças ao Senhor Jesus Cristo, que veio ao mundo para reconciliar o homem com Deus e com o seu semelhante.
 
Em Cristo, Pr Marcelo Medeiros
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