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terça-feira, 18 de agosto de 2015

Conhecimento Produz Apostasia?



Infelizmente a imagem que provocou este tópico parece ter sido caçada e não a salvei em meus documentos. Mas para o leitor que possivelmente tenha contato com esta postagem fica a reflexão a respeito da possibilidade de equilíbrio entre fé, razão, ortodoxia bíblica, conservadorismo e progressismo.

Antes de responder a pergunta, uma colocação. Desde cedo lido com questões malucas como estas. As pessoas dizem: "cuidado, ler demais enlouquece", "a letra mata", "o estudo esfria". Vez ou outra quando menciono que estou cursando uma pós em Ciências da Religião, ou quando faço uma citação de um filósofo em minhas aulas me deparo com a pergunta: "professor, a filosofia desvia as pessoas?", ou "cuidado com as leituras dos teólogos liberais". Não, esta é a resposta para ambas as questões.

Da minha perspectiva não ocorre. Assim como me tornei calvinista antes de ler as obras de Calvino, e que se observe que foram popucas, não me tornei materialista dialético por ter lido Marx, nem niilista por ter lido Nietzsche. Não deixei de acreditar que Deus se comunica por meio de sonhos por ter lido "A interpretação dos Sonhos" de Freud, ou que milagres ocorram apenas porque li Hume.

Para todas estas leituras Chesterton, C. S. Lewis, Shaeffer e outros tantos funcionam como bons antídotos. Mas a questão não é esta. Não creio que acesso algum ao conhecimento, seja de que tipo for, provoque apostasia nas pessoas. As causas são outras. Meus conflitos pessoais com Deus, por exemplo, sequer tocam em tais questões.

Seguindo as pisadas de quem entende do assunto, creio que a ansiedade, a luta pelas riquezas, a sedução dos prazeres desta vida, as tribulações e perseguições por causa da palavra (que hoje ocorrem dentro dos templos) são tentações muito mais fortes para que um crente abrace ideologias contrárias à fé. Daí é somente abraçar algum teólogo liberal, ou neo ortodoxo, teórico ateu, ou niilista e seguir em frente. Mas a raiz dos problemas não está na esfera intelctual.

Pondé frequantemente ironiza o ateísmo por ser uma filosofia que nasce da desilusão do ser humano em relação à vida. Este fenômeno pode ocorrer precocemente, ou tardiamente. E para mim é aí, ao invés de nas leituras, que mora o verdadeiro perigo. Ela pode ser oriunda de um contato real com a dor, ou de um contato fictício. Mas é a verdadeira causa. Forte abraço.

Marcelo Medeiros. 

sábado, 1 de agosto de 2015

Apostasia, fidelidade e deligência no Ministério



Ao obreiro é determinado que ele seja irrepreensível a fim de que na qualidade e ecônomo dos mistérios de Deus ele administre com fidelidade o conteúdo da fé cristã (I Tm 3. 1 - 16; II Tm 2. 2; Tt 1. 5 - 8). Não é sem razão que imediantamente após uma descrição do perfil do obreiro Paulo aborde a questão da apostasia dos dias finais, tema deste estudo. 

O Espírito diz expressamente que nos últimos tempos alguns renegarão a fé, dando atenção a espíritos sedutores e a doutrinas demoníacas (I Tm 4. 1 Bíblia de Jerusalém). 

O texto não trata de mais uma exposição das ideias de Paulo, mas de uma fala expressa. O verbete ρητως (reetoos), indica algo que ocorrerá de forma explícita, condundente, positiva e terminante. A menção ao Espírito evoca que o evento anunciado nas palavras subsequentes são de natureza inequívoca. Na verdade o apóstolo está dando um tom profético, tal como ocorrem em seu discurso aos anciãos de Éfeso. 
Estai atentos a vós mesmos e a todo rebanho: nele o Espírito santo vos constituiu guardiães, para apascentar a Igreja de Deus, que ele adquiriu para si pelo sangue do seu próprio Filho. Bem sei que depois da minha partida, introduzir-se-ão entre vós lobos vorazes que não pouparão ao rebanho. Mesmo do meio de vós surgirão alguns, falando coisas pervertidas, para arrastarem atrás de si os discípulos (At 20. 28 - 30 Bíblia de Jerusalém). 

  1. O Espírito Santo constituiu Bispos na Igreja no intento de que os mesmos fossem guardiãos do povo de Deus. 
  2. A Igreja depende dos mesmos a fim de preservar sua integridade doutrinária e apostólica. 
  3. A Essência da heresia é a perversão da doutrina bíblica e apostólica. 
  4. O Fato que o Espírito diz expressamente tanto no discurso de Paulo em Éfeso, quanto na carta por ora estudada é a apostasia. 
αποστησονται (apostesontai) é traduzido na BJ por renegar, de re partícula que indica uma ação repetitiva, e negar, cujo sentido é o de afirmar negativamente, contestar, recusar. Nesta caso a apostadia possuí dois movimentos. O primeiro de negativa das doutrinas evangélicas, tal como no caso Himineu e Alexandre, que por rejeitarem a boa consciência naufragaram na fé (I Tm 1. 19, 20). O primeiro igualmente começou a ensinar que a ressurreição já havia passado (II Tm 2. 17, 18). 

Todavia a negação da verdade bíblica tem seu fundamento na negativa humana em crer no conteúdo doutrinário. Em outras palavras a pessoa não se dispõe, sob hipótese alguma em acreditar, a despeito do quanto se argumente com a mesma com bases bíblicas. O problema que se coloca diante do leitor e do estudioso da Bíblia é que este será um padrão de comportamento seguido por muitos. Não serão poucos os apóstatas. 

Estes, darão ouvidos a espíritos sedutores (πνευμασιν πλανοις [penumasin planois]). Repare a expressão πλανοις [planois]. Desta vem a palavra planeta. O engano é associado em razão de se crer naquela época que o movimento dos planetas não possibilitava uma observação plena dos sentidos. Os falsos mestres e os espíritos que os inspiram possuem esta capacidade: a de enganar os sentidos e a percepção dos seus ouvintes. 

Paulo passou por este problema em Corinto, e isto ao ponto de dizer:
Receio, porém, que assim, como a serpente seduziu Eva, por astúcia, vossos pensamentos se corrompam, desviando-se da simplicidade devida a Cristo. Com efeito, se vem alguém e vos proclama outro Jesus diferente daquele que vos proclamamos, ou se acolheis um espírito diverso do que recebestes ou um evangelho diverso daquele que abraçastes, vós o suportais de bom grado (II Co 11. 3, 4 Bíblia de Jerusalém). 
O texto descreve a leniência de Corinto para com os falsos mestres e a falsa doutrina, mas fala igualmente da astúcia de Satanás em enganar a Eva. Doutrina demoníaca é toda a doutrina que tem por finalidade negar alguma verdade central do Evangelho, que é veiculada por homens que já foram seduzidos pelo engano. 

Por causa da hipocrisia dos mentirosos, que tem a propria consciência como que marcada a ferro quente (I Tm 4. 2 Bíblia de Jerusalém). 

O diabo encontra solo fértil para atuação na medida em que encontra homens hipócritas. υποκριται (hypocritai) é um termo que designa um ator, alguém que age por e com engano. Estes, além de hipócritas falam engano, e o fazem por terem a própria consciência marcada a ferro quente,ou cauterizada. 

É precisamente aqui que se faz necessário ouvir novamente as palavras de Paulo para Timóteo. Ora, o fim do mandamento é o amor de um coração puro, e de uma boa consciência, e de uma fé não fingida (I Tm 1.5 ACF). De nada adianta a guarda da lei se não houver de que a pretende guardar uma boa consciência. 

A boa consciência decorre de um coração puro. Este indica uma natureza que foi trasnformada de dentro para fora. Se o coração é puro, não há ali espaço para fingimento, representação, atuações teatrais no campo da fé, ou da piedade. É nesta instância que se cumprem os objetivos centrais da lei, visto que o amor é o cumprimento da mesma (Rm 13.8ss). 

Os homens cuja consciência é marcada à ferro quente são os que de tanto negarem a voz desta se tornaram insensíveis aos apelos da mesma. Para estes armar ciladas e intrigas se tornou algo natural. O mesmo se pode dizer de espalhar intrigas entre irmãos. O mais complicado em todo este processo é que pode ser possível uma pessoa ter uma conduta exemplar, e no entanto, agir de forma traiçoeira. 
Mas ao ímpio diz Deus: Que fazes tu em recitar os meus estatutos, e em tomar a minha aliança na tua boca? Visto que odeias a correção, e lanças as minhas palavras para detrás de ti. Quando vês o ladrão, consentes com ele, e tens a tua parte com adúlteros. Soltas a tua boca para o mal, e a tua língua compõe o engano. Assentas-te a falar contra teu irmão; falas mal contra o filho de tua mãe (Sl 50. 16 - 20 ACF)
Daí a recomendação: Conservando a fé, e a boa consciência, a qual alguns, rejeitando, fizeram naufrágio na fé (I Tm 1. 19 ACF).  Guardando o mistério da fé numa consciência pura (I Tm 3. 9 ACF). O obreiro tem de ser tudo o que é recomendado por Paulo, mas de nada adiantará ele ser irrepreensível, ou fazer de tudo para parecer ser, caso ele não tenha uma boa consciência. Fica agora a pergunta: como reconhecer a falsa doutrina? 

Stott propõe dois testes a fim de que se reconheça a veracidade da doutirna cristã. O primeiro, o crivo doutrinário. Aqui a pergunta a ser feita é: a doutrina ensinada é verdadeira. Ela se afina com o que dizem as Escrituras sobre a matéria, ou consiste em uma inovação? Daí que para combater a heresia em apreço, Paulo apela para a doutrina da criação. 
eles proíbem o casamento, exigem abstinência de alimentos, quando Deus os criou para serem recebidos, com ações de graças, pelos que têm fé e conhecem a verdade. Pois tudo o que Deus criou é bom, e nada desprezível, se tomado com ações de graças, porque é santificado pela Palavra e pela oração. Expondo estas coisas aos irmãos, serás bom servidor de Cristo Jesus, nutrido com as palavras da fé e da boa doutrina que tens seguido, rejeita as fábulas ímpias,coisas de pessoas caducas (I Tm 4. 3 - 7 Bíblia de Jerusalém).
Este é o primeiro teste. O segundo é mais complicado. trata-se do exame da piedade. O problema é que Paulo sabe que sem boa consciência não há coração puro, e que sem este não há piedade de fato. além do mais o mistério da piedade é Cristo. O obreiro e ministor piedoso é alguém que imita a Cristo em sua humilhação, encarnação, pureza, pobreza, dependência de Deus, etc.... (I Tm 3. 16). 

Verificar a autencidade de um líder, ou ensinador cristão demanda mais do que olhar seu comportamento externo, requer que se tenha discernimento de espíritos. Isto porque o falso mestre, pregador, pastor, profeta está a serviço de espíritos enganadores (πνευμασιν πλανοις), logo, o mesmo está igualmente comprometido com o engano. Daí a inviabilidade de se perceber o real caráter. 

Todavia, Paulo exortou a Timóteo com as seguintes palavras:
Porque para isto trabalhamos e somos injuriados, pois esperamos no Deus vivo, que é o Salvador de todos os homens, principalmente dos fiéis. Manda estas coisas e ensina-as. Ninguém despreze a tua mocidade; mas sê o exemplo dos fiéis, na palavra, no trato, no amor, no espírito, na fé, na pureza. Persiste em ler, exortar e ensinar, até que eu vá. Não desprezes o dom que há em ti, o qual te foi dado por profecia, com a imposição das mãos do presbitério. Medita estas coisas; ocupa-te nelas, para que o teu aproveitamento seja manifesto a todos. Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina. Persevera nestas coisas; porque, fazendo isto, te salvarás, tanto a ti mesmo como aos que te ouvem (I Tm 4. 10 - 16 ACF). 

  1. A piedade se percebe no sofrimento paciente do homem na tribulação. 
  2. No zelo do mesmo em exortar ao povo a permanecer na verdade.
  3. Na disposição do líder em ser exemplo (padrão, modelo, tipo): na palavra, no trato, no amor, no espírito, na fé, na pureza. 
  4. Na persistência em ler a fim de se alimentar da Palavra da Verdade. 
  5. No apreço ao chamado ministerial, por ser algo divino (I Tm 3.1). 
  6. No cuidado de si mesmo. 
  7. Na paciência e na perseverança nas disposições iniciais. 
Estas são algumas das marcas dos verdadeiros servos de Deus. Em outros textos Paulo indicará taxativamente as marcas dos homens cuja mente está cauterizada (II Tm 3. 1ss). Mas esperando em Deus a oportunidade abordarei este texto depois. 

Em Cristo, 

Marcelo Medeiros. 

domingo, 1 de dezembro de 2013

Ovelhas que buscam mestres segundo os seus desejos?


Pois virá o tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, sentindo coceira nos ouvidos, segundo os seus próprios desejos juntarão mestres para si mesmos. Eles se recusarão a dar ouvidos à verdade, voltando-se para os mitos (II Tm 4.3 - 4 NVI).
O cartaz aponta para a inexorável verdade de que já vivemos estes dias vividos por Paulo. Dias em que a verdade não pode ser mais falada. Homens que vivem flagrantemente uma vida contraria ao Evangelho sequer podem ser denunciados, ou apontados. Nas palavras de Paulo ao seu filho Tito, eles são homens que: afirmam que conhecem a Deus, mas por seus atos o negam; são detestáveis, desobedientes e desqualificados para qualquer boa obra (Tt 1. 16 NVI). 
Minha sincera opinião é a de que as ovelhas de Jesus não agem da forma descrita na imagem acima, pelo contrário, elas rejeitam os lobos, os mercenários, os falsos profetas, porque elas conhecem a voz do supremo pastor e seguem ao pastor, e recebem dele a vida eterna, e possuem a garantia de que nada as arrebatará das mãos de Cristo (Jo 10. 1 - 11, 14, 16, 26 - 29). MAS ISTO É DITO DAS OVELHAS DE JESUS, É CLARO.
 
Marcelo Medeiros, Em Cristo.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Malaquias, a Sacralidade da Famíia





O profeta Malaquias (מַלְאָכִֽי ) profetizou no período que sucedeu o ministério profético de Ageu e Zacarias. A pregação destes, ao que parece foi de extrema utilidade para que o povo desse continuidade às obras de restauração dos muros e do templo de Jerusalém. Mas não resolveu a questão referente à apatia espiritual do povo. Os dias que sucederam a construção do templo não trouxeram de imediato o cumprimento das profecias de Ageu e Zacarias. Conforme dito ao longo deste série de estudos, somente quando Herodes, o Idumeu restaurou o templo, que parte da glória (כָּבֹ֔וד) prometida foi vista. Ainda assim, Temper e Longman III nos fazem observar que não há em toda literatura do judaísmo qualquer relato de que a glória do Senhor (no sentido de manifestação divina), tenha descido sobre o templo. Daí a impassibilidade do pov frente às questões de natureza espiritual.
No que tange à autoria, Malaquias (מַלְאָכִֽי ) apresenta sérios problemas. Priemeiro, não há ocorrência deste mesmo nome em todo o Antigo Testamento. Segundo, Malaquias (מַלְאָכִֽי ) ocorre como nome próprio no cabeçalho do livro, mas a expressão também ocorre no terceito capítulo, onde o termo em apreço (מַלְאָכִֽי ) possui outro o sentido, o de meu mensageiro.
Vejam, eu enviarei o meu mensageiro (מַלְאָכִֽי ), que preparará o caminho diante de mim. E então, de repente, o Senhor que vocês buscam virá para o seu templo; o mensageiro da aliança (מַלְאָכִֽי ), aquele que vocês desejam, virá", diz o Senhor dos Exércitos (Ml 3. 1 NVI). Conforme podemos ver há duas ocorrências do termo (מַלְאָכִֽי ), que equivale ao nome do profeta. Partindo deste dado muitos estudiosos tem proposto que o nome em apreço não seja de caráter pessoal, mas um termo para um profeta anônimo, que se auto denomina mensageiro do Senhor.
Esta posição tem sido rejeitada tanto por ortodoxos como Dillardd e Hill, quanto por moderados como Temper e Longman III. MacArthur propõe na intordução de sua Bíblia de Estudo que o nome do profeta de fato seja este, como acontece no cabealho de tocdos os profetas. Além do mais, precisamos lembrar que outros nomes de profetas tem o seu significado e muitos deles se relacionam
sim com o conteúdo de sua profecia. É o caso, por exemplo, de Zacarias filho de Baraquias  בֶּן־בֶּ֣רֶכְיָ֔ה   (Zarariah ben barakya). O nome Zacarias (זְכַרְיָה֙) significa "Deus se lembra", ao passo que Baraquias, significa "Deus abençoa". Por esta regra nenhum destes livros era para ser de autoria pessoal. Mas isto não é aceitável por nenhuma escola, por que seria no caso de Malaquias?
A mensagem de Malaquias é bem simples. O relacionamento entre Deus e Israel está sendo desprezado pelo povo. Isto pode ser visto na forma com que o povo trata a própria condição de eleitos. Deus os amou e consequentemente rejeitou os edomitas, os descentens de Esaú (Ml 1. 2 - 4), mas o povo não responde da forma adequada. O filho honra seu pai, e o servo o seu senhor. Se eu sou pai, onde está a honra que me é devida? Se eu sou senhor, onde está o temor que me devem?, pergunta o Senhor dos Exércitos a vocês, sacerdotes. "São vocês que desprezam o meu nome! Mas vocês perguntam: ‘De que maneira temos desprezado o teu nome? (Ml 1. 6 NVI). Deus afirma categoricamente: Não tenho prazer em vocês, diz o Senhor dos Exércitos, e não aceitarei as suas ofertas (Ml 1. 10 c NVI).
Os sacerdote eram os principais responsáveis pela lei e pelo ensino da mesma ao povo. Porque os lábios do sacerdote devem guardar o conhecimento, e da sua boca todos esperam a instrução na lei, porque ele é o mensageiro do Senhor dos Exércitos (Ml 2. 7 NVI). Mas o que vemos é totalmente inverso. Malaquias prossegue afirmando: vocês se desviaram do caminho e pelo seu ensino causaram a queda de muita gente; vocês quebraram a aliança de Levi, diz o Senhor dos Exércitos (Ml 2. 7 NVI).
O profeta prosssgue em estio de debate com o povo: Vocês têm cansado o Senhor com as suas palavras. ‘Como o temos cansado?, vocês ainda perguntam. Quando dizem: ‘Todos os que fazem o mal são bons aos olhos do Senhor, e ele se agrada deles’ e também quando perguntam: ‘Onde está o Deus da justiça? (Ml 2. 7 NVI). A possivel prosperidade dos maus instigava a mente dos judeus de forma  negativa. Eles achavam que os padrões de conduta divina haviam mudado. De forma tal que entre eles se falava: É inútil servir a Deus. O que ganhamos quando obedecemos aos seus preceitos e andamos lamentando diante do Senhor dos Exércitos? Por isso, agora consideramos felizes os arrogantes, pois tanto prospera o que pratica o mal como escapam ilesos os que desafiam a Deus! (Ml 3. 14, 15 NVI).
O que vemos aqui? Simples, se a aliança está comprometida, os relaciomentos também o serão, por este motivo o povo começa uma prática abominável, que de acordo com os estudiosos supra citados, será a de divorciarem das mulheres judias para se casarem com estrangeiras. Vejamos:
Há outra coisa que vocês fazem: Enchem de lágrimas o altar do Senhor; choram e gemem porque ele já não dá atenção às suas ofertas nem as aceita com prazer. E vocês ainda perguntam: "Por quê? " É porque o Senhor é testemunha entre você e a mulher da sua mocidade, pois você não cumpriu a sua promessa de fidelidade, embora ela fosse a sua companheira, a mulher do seu acordo matrimonial.
Não foi o Senhor que os fez um só? Em corpo e em espírito eles lhe pertencem. E por que um só? Porque ele desejava uma descendência consagrada. Portanto, tenham cuidado: Ninguém seja infiel à mulher da sua mocidade. "Eu odeio o divórcio", diz o Senhor, o Deus de Israel, e "o homem que se cobre de violência como se cobre de roupas", diz o Senhor dos Exércitos. Por isso tenham bom senso; não sejam infiéis (Ml 2. 13 - 16 NVI).

Revisando:
  1. Israel é um povo escolhido pelo Senhor mas que não honra a aliança que Deus estabeleceu com eles.
  2. O povo alega um relacionamento filial com YHWH, mas não o honra nem como Pai, muito menos como Senhor.
  3. Este pensamento reflete-se na adoração, uma vez que em termos práticos YHWH, nem é Pai, nem Senhor, qualquer coisa que se ofereça em seu altar é aceitável.
  4. Os sacerdotes, que deveriam guardar a aliança, são a principal causa do desvio do povo.
  5. A justiça de Deus é colocada em dúvida, uma vez que os maus estão prosperando, que sentido faz servir a Deus com fidelidade?
  6. A vida religiosa do povo se reflete na banalização da vida familiar, uma vez que o relacionamento entre Deus e o homem é modelo do relacionamento entre marido e mulher.
 Em função de tal postura:

  1. Deus escolherá entre os gentios, um povo que seja seu. Em toda parte incenso e ofertas puras são trazidos ao meu nome, porque grande é o meu nome entre as nações, diz o Senhor dos Exércitos (Ml 1. 11 NVI).
  2. Os que não honrarem ao Senhor serão amaldiçoados. Maldito seja o enganador que, tendo no rebanho um macho sem defeito, promete oferecê-lo e depois sacrifica um animal defeituoso, diz o Senhor dos Exércitos; "pois eu sou um grande rei, e o meu nome é temido entre as nações (Ml 1. 14 NVI).
  3. Deus não muda, por este motivo o povo não é destruído. De fato, eu, o Senhor, não mudo. Por isso vocês, descendentes de Jacó, não foram destruídos (Ml 3. 6 NVI).
  4. Quando o Senhor vier, ele irá purificar os sacerdotes, a fim de que estes ofereçam uma oferta aceitável. Vejam, eu enviarei o meu mensageiro, que preparará o caminho diante de mim. E então, de repente, o Senhor que vocês buscam virá para o seu templo; o mensageiro da aliança, aquele que vocês desejam, virá", diz o Senhor dos Exércitos. Ele se sentará como um refinador e purificador de prata; purificará os levitas e os refinará como ouro e prata. Assim trarão ao Senhor ofertas com justiça. Então as ofertas de Judá e de Jerusalém serão agradáveis ao Senhor, como nos dias passados, como nos tempos antigos (Ml 3. 1, 3, 4 NVI).
  5. Haverá um dia, e este é o dia do Senhor, em que Deus mesmo fará com que todos vejam a diferença entre o justo e o ímpio. Este dia, não deixará nem raiz nem ramo, mas para aqueles que temem ao nome do Senhor, nascerá o sol da justiça (Ml 3. 16 - 4. 3).
  6. Deus odeia qualquer banalização do relacionamento conjugal.
Em termos práticos:

Vivemos dias em que Deus já tem escolhido entre os gentios, um povo exclusivamente seu, zeloso de boas obras (Tt 2. 14; I Pe 2. 9).
Deus engrandeceu o seu nome entre as nações da terra, ao conquistar para si homens de toda a tribo língua, povo e nação (Ap 5. 9, 10) e engrandecerá ainda mais, quando o mundo for sejeito ao seu Filho, Jesus Cristo, e este também se sujeitar a Deus. Então virá o fim, quando ele entregar o Reino a Deus, o Pai, depois de ter destruído todo domínio, autoridade e poder. Pois é necessário que ele reine até que todos os seus inimigos sejam postos debaixo de seus pés. O último inimigo a ser destruído é a morte. Porque ele "tudo sujeitou debaixo de seus pés". Ora, quando se diz que "tudo" lhe foi sujeito, fica claro que isso não inclui o próprio Deus, que tudo submeteu a Cristo. Quando, porém, tudo lhe estiver sujeito, então o próprio Filho se sujeitará àquele que todas as coisas lhe sujeitou, a fim de que Deus seja tudo em todos (I Co 15. 24 - 28 NVI).
Deus não muda (Tg 1. 17), tal como ocorreu com Israel, assim é conosco, sua fidelidade é a causa de nossa salvação (II Tm 2. 11, 12).
Fomos feitos povo de propriedade exclusiva de Deus (Tt 2. 13, 14; I Pe 2. 9), e reis e sacerdotes para Deus nosso Pai (Ap 1. 5; 5. 9, 10). É por Cristo Jesus que oferecemos a Deus sacrifícios agradáveis (Hb 13. 15; I Pe 2. 5).
Nossa vida familiar deve refletir nosso comprometimento com Deus (Ef 5. 22 - 6. 4).
É esta a lição que extraímos de Malaquias. Por ora paro por aqui, mas prometo rever este assunto, e com certeza Deus há de falar mais aos nossos corações.

Em Cristo, Pr Marcelo Medeiros.
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