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sábado, 1 de agosto de 2015

Apostasia, fidelidade e deligência no Ministério



Ao obreiro é determinado que ele seja irrepreensível a fim de que na qualidade e ecônomo dos mistérios de Deus ele administre com fidelidade o conteúdo da fé cristã (I Tm 3. 1 - 16; II Tm 2. 2; Tt 1. 5 - 8). Não é sem razão que imediantamente após uma descrição do perfil do obreiro Paulo aborde a questão da apostasia dos dias finais, tema deste estudo. 

O Espírito diz expressamente que nos últimos tempos alguns renegarão a fé, dando atenção a espíritos sedutores e a doutrinas demoníacas (I Tm 4. 1 Bíblia de Jerusalém). 

O texto não trata de mais uma exposição das ideias de Paulo, mas de uma fala expressa. O verbete ρητως (reetoos), indica algo que ocorrerá de forma explícita, condundente, positiva e terminante. A menção ao Espírito evoca que o evento anunciado nas palavras subsequentes são de natureza inequívoca. Na verdade o apóstolo está dando um tom profético, tal como ocorrem em seu discurso aos anciãos de Éfeso. 
Estai atentos a vós mesmos e a todo rebanho: nele o Espírito santo vos constituiu guardiães, para apascentar a Igreja de Deus, que ele adquiriu para si pelo sangue do seu próprio Filho. Bem sei que depois da minha partida, introduzir-se-ão entre vós lobos vorazes que não pouparão ao rebanho. Mesmo do meio de vós surgirão alguns, falando coisas pervertidas, para arrastarem atrás de si os discípulos (At 20. 28 - 30 Bíblia de Jerusalém). 

  1. O Espírito Santo constituiu Bispos na Igreja no intento de que os mesmos fossem guardiãos do povo de Deus. 
  2. A Igreja depende dos mesmos a fim de preservar sua integridade doutrinária e apostólica. 
  3. A Essência da heresia é a perversão da doutrina bíblica e apostólica. 
  4. O Fato que o Espírito diz expressamente tanto no discurso de Paulo em Éfeso, quanto na carta por ora estudada é a apostasia. 
αποστησονται (apostesontai) é traduzido na BJ por renegar, de re partícula que indica uma ação repetitiva, e negar, cujo sentido é o de afirmar negativamente, contestar, recusar. Nesta caso a apostadia possuí dois movimentos. O primeiro de negativa das doutrinas evangélicas, tal como no caso Himineu e Alexandre, que por rejeitarem a boa consciência naufragaram na fé (I Tm 1. 19, 20). O primeiro igualmente começou a ensinar que a ressurreição já havia passado (II Tm 2. 17, 18). 

Todavia a negação da verdade bíblica tem seu fundamento na negativa humana em crer no conteúdo doutrinário. Em outras palavras a pessoa não se dispõe, sob hipótese alguma em acreditar, a despeito do quanto se argumente com a mesma com bases bíblicas. O problema que se coloca diante do leitor e do estudioso da Bíblia é que este será um padrão de comportamento seguido por muitos. Não serão poucos os apóstatas. 

Estes, darão ouvidos a espíritos sedutores (πνευμασιν πλανοις [penumasin planois]). Repare a expressão πλανοις [planois]. Desta vem a palavra planeta. O engano é associado em razão de se crer naquela época que o movimento dos planetas não possibilitava uma observação plena dos sentidos. Os falsos mestres e os espíritos que os inspiram possuem esta capacidade: a de enganar os sentidos e a percepção dos seus ouvintes. 

Paulo passou por este problema em Corinto, e isto ao ponto de dizer:
Receio, porém, que assim, como a serpente seduziu Eva, por astúcia, vossos pensamentos se corrompam, desviando-se da simplicidade devida a Cristo. Com efeito, se vem alguém e vos proclama outro Jesus diferente daquele que vos proclamamos, ou se acolheis um espírito diverso do que recebestes ou um evangelho diverso daquele que abraçastes, vós o suportais de bom grado (II Co 11. 3, 4 Bíblia de Jerusalém). 
O texto descreve a leniência de Corinto para com os falsos mestres e a falsa doutrina, mas fala igualmente da astúcia de Satanás em enganar a Eva. Doutrina demoníaca é toda a doutrina que tem por finalidade negar alguma verdade central do Evangelho, que é veiculada por homens que já foram seduzidos pelo engano. 

Por causa da hipocrisia dos mentirosos, que tem a propria consciência como que marcada a ferro quente (I Tm 4. 2 Bíblia de Jerusalém). 

O diabo encontra solo fértil para atuação na medida em que encontra homens hipócritas. υποκριται (hypocritai) é um termo que designa um ator, alguém que age por e com engano. Estes, além de hipócritas falam engano, e o fazem por terem a própria consciência marcada a ferro quente,ou cauterizada. 

É precisamente aqui que se faz necessário ouvir novamente as palavras de Paulo para Timóteo. Ora, o fim do mandamento é o amor de um coração puro, e de uma boa consciência, e de uma fé não fingida (I Tm 1.5 ACF). De nada adianta a guarda da lei se não houver de que a pretende guardar uma boa consciência. 

A boa consciência decorre de um coração puro. Este indica uma natureza que foi trasnformada de dentro para fora. Se o coração é puro, não há ali espaço para fingimento, representação, atuações teatrais no campo da fé, ou da piedade. É nesta instância que se cumprem os objetivos centrais da lei, visto que o amor é o cumprimento da mesma (Rm 13.8ss). 

Os homens cuja consciência é marcada à ferro quente são os que de tanto negarem a voz desta se tornaram insensíveis aos apelos da mesma. Para estes armar ciladas e intrigas se tornou algo natural. O mesmo se pode dizer de espalhar intrigas entre irmãos. O mais complicado em todo este processo é que pode ser possível uma pessoa ter uma conduta exemplar, e no entanto, agir de forma traiçoeira. 
Mas ao ímpio diz Deus: Que fazes tu em recitar os meus estatutos, e em tomar a minha aliança na tua boca? Visto que odeias a correção, e lanças as minhas palavras para detrás de ti. Quando vês o ladrão, consentes com ele, e tens a tua parte com adúlteros. Soltas a tua boca para o mal, e a tua língua compõe o engano. Assentas-te a falar contra teu irmão; falas mal contra o filho de tua mãe (Sl 50. 16 - 20 ACF)
Daí a recomendação: Conservando a fé, e a boa consciência, a qual alguns, rejeitando, fizeram naufrágio na fé (I Tm 1. 19 ACF).  Guardando o mistério da fé numa consciência pura (I Tm 3. 9 ACF). O obreiro tem de ser tudo o que é recomendado por Paulo, mas de nada adiantará ele ser irrepreensível, ou fazer de tudo para parecer ser, caso ele não tenha uma boa consciência. Fica agora a pergunta: como reconhecer a falsa doutrina? 

Stott propõe dois testes a fim de que se reconheça a veracidade da doutirna cristã. O primeiro, o crivo doutrinário. Aqui a pergunta a ser feita é: a doutrina ensinada é verdadeira. Ela se afina com o que dizem as Escrituras sobre a matéria, ou consiste em uma inovação? Daí que para combater a heresia em apreço, Paulo apela para a doutrina da criação. 
eles proíbem o casamento, exigem abstinência de alimentos, quando Deus os criou para serem recebidos, com ações de graças, pelos que têm fé e conhecem a verdade. Pois tudo o que Deus criou é bom, e nada desprezível, se tomado com ações de graças, porque é santificado pela Palavra e pela oração. Expondo estas coisas aos irmãos, serás bom servidor de Cristo Jesus, nutrido com as palavras da fé e da boa doutrina que tens seguido, rejeita as fábulas ímpias,coisas de pessoas caducas (I Tm 4. 3 - 7 Bíblia de Jerusalém).
Este é o primeiro teste. O segundo é mais complicado. trata-se do exame da piedade. O problema é que Paulo sabe que sem boa consciência não há coração puro, e que sem este não há piedade de fato. além do mais o mistério da piedade é Cristo. O obreiro e ministor piedoso é alguém que imita a Cristo em sua humilhação, encarnação, pureza, pobreza, dependência de Deus, etc.... (I Tm 3. 16). 

Verificar a autencidade de um líder, ou ensinador cristão demanda mais do que olhar seu comportamento externo, requer que se tenha discernimento de espíritos. Isto porque o falso mestre, pregador, pastor, profeta está a serviço de espíritos enganadores (πνευμασιν πλανοις), logo, o mesmo está igualmente comprometido com o engano. Daí a inviabilidade de se perceber o real caráter. 

Todavia, Paulo exortou a Timóteo com as seguintes palavras:
Porque para isto trabalhamos e somos injuriados, pois esperamos no Deus vivo, que é o Salvador de todos os homens, principalmente dos fiéis. Manda estas coisas e ensina-as. Ninguém despreze a tua mocidade; mas sê o exemplo dos fiéis, na palavra, no trato, no amor, no espírito, na fé, na pureza. Persiste em ler, exortar e ensinar, até que eu vá. Não desprezes o dom que há em ti, o qual te foi dado por profecia, com a imposição das mãos do presbitério. Medita estas coisas; ocupa-te nelas, para que o teu aproveitamento seja manifesto a todos. Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina. Persevera nestas coisas; porque, fazendo isto, te salvarás, tanto a ti mesmo como aos que te ouvem (I Tm 4. 10 - 16 ACF). 

  1. A piedade se percebe no sofrimento paciente do homem na tribulação. 
  2. No zelo do mesmo em exortar ao povo a permanecer na verdade.
  3. Na disposição do líder em ser exemplo (padrão, modelo, tipo): na palavra, no trato, no amor, no espírito, na fé, na pureza. 
  4. Na persistência em ler a fim de se alimentar da Palavra da Verdade. 
  5. No apreço ao chamado ministerial, por ser algo divino (I Tm 3.1). 
  6. No cuidado de si mesmo. 
  7. Na paciência e na perseverança nas disposições iniciais. 
Estas são algumas das marcas dos verdadeiros servos de Deus. Em outros textos Paulo indicará taxativamente as marcas dos homens cuja mente está cauterizada (II Tm 3. 1ss). Mas esperando em Deus a oportunidade abordarei este texto depois. 

Em Cristo, 

Marcelo Medeiros. 

segunda-feira, 9 de junho de 2014

Perigo! Perigo!





Quando criança, aprendi com minha avó a assistir e apreciar séries de extraordinária qualidade, dentre as quais, Perdidos no Espaço. A cena do robô gritando perigo, perigo, perigo, ficou na minha memoria. Mas na medida em que fui crescendo como cristão, identifiquei alguns perigos, que não são tão fáceis de serem notados, falo aqui dos de natureza espiritual.

Jesus, Paulo e os demais apóstolos que escreveram a Bíblia falaram notadamente do advento de uma série de movimentos espúrios que precederiam a sua vinda. E tenho observado que há uma considerável ânsia, por parte do povo de Deus com relação a vinda de um avivamento nos dias que antecedem à Vinda do Filho do Homem. Mas a pergunta que Cristo fez ao termino da parábola do juiz iniquo, ressoa nos corações dos leitores atentos das Escrituras, dentre os quais nós. De forma que eu e você somos indagados: Quando porém vier o Filho do homem, porventura achará fé na terra? (Lc 18. 8 ACF).

A fé depende da palavra de Deus (Rm 10. 17), E daí? E daí, que descreio em qualquer avivamento em proporções mundiais, quando vejo um povo cada vez mais desinteressado pelo Evangelho, sem fome e sede de justiça, sem anseio real, por Deus e por sua palavra. Meu argumento é histórico e bíblico. Todo genuíno e autentico avivamento começa com o arrependimento por parte do povo em relação aos seus pecados, um quebrantamento, ambos oriundos da ministração da Palavra de Deus. Este mesmo tem de escoar em uma sede cada vez maior, por parte do povo, em relação à PALAVRA DE DEUS. Do contrário, é gato por lebre.

Não vejo em toda a extensão do ministério de Cristo, um único momento em que ele tenha cantado para entreter e emocionar a multidão, e atrair as pessoas para si, este é um expediente dos falsos profetas. Daí minha preocupação, uma vez que paralelamente vejo que todo movimento satânico começa com um estratégica substituição da Palavra de Deus por milagres, falsos ensinos (os que contradizem a doutrina de Cristo), vento de doutrina (ensinamentos que são passageiros), etc....,

Meu consolo em toda esta situação é que nem mesmo o mal e o engano escapam ao controle soberano de Deus, e na verdade a operação do erro, é enviada pelo próprio Deus, a fim de antecipar o juízo de Deus sobre os que não aceitam a verdade, é isto que Paulo afirma em sua segunda carta aos Tessalonisences.
Porque já o mistério da injustiça opera; somente há um que agora o retém até que do meio seja tirado; E então será revelado o iníquo, a quem o Senhor desfará pelo assopro da sua boca, e aniquilará pelo esplendor da sua vinda; A esse cuja vinda é segundo a eficácia de Satanás, com todo o poder, e sinais e prodígios de mentira, E com todo o engano da injustiça para os que perecem, porque não receberam o amor da verdade para se salvarem. E por isso Deus lhes enviará a operação do erro, para que creiam a mentira (II Ts 2. 7 - 11 ARCF). 
Sugiro ao leitor, que leia mais a sua Bíblia, que busque mais e mais a Deus, Cristo prometeu aos seus opositores: Se alguém quiser fazer a vontade dele, pela mesma doutrina conhecerá se ela é de Deus, ou se eu falo de mim mesmo (Jo 7. 17). Forte Abraço em Cristo, Jesus.
Pr Marcelo Medeiros.
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