Deus é sábio. Jó o descreve nas seguintes palavras: Ele é sábio de coração, e forte em poder;
quem se endureceu contra ele, e teve paz? (Jó 9. 4 ACF). Ana em seu cântico
repreende os altivos nas seguintes palavras: não multipliqueis palavras de altivez, nem saiam coisas
arrogantes da vossa boca; porque o Senhor é o Deus de conhecimento, e por ele
são as obras pesadas na balança (I Sm 2. 3 ACF).
Ele mesmo ordena as coisas de uma forma tal que ninguém possa
ensinar nada a Ele. Não sem razão que Jó indaga aos seus amigos: Porventura a Deus se ensinaria ciência, a
ele que julga os excelsos? (Jó 21. 22 ACF). E Isaías questione: Quem guiou o Espírito do Senhor, ou como seu
conselheiro o ensinou? Com quem tomou ele conselho, que lhe desse entendimento,
e lhe ensinasse o caminho do juízo, e lhe ensinasse conhecimento, e lhe
mostrasse o caminho do entendimento? (IS 40. 13, 14 ACF).
Neste estudo pretendo demonstrar como a sabedoria de Deus se
manifesta na distribuição de dons espirituais. Pedro afirma: Cada um administre aos outros o dom como o
recebeu, como bons despenseiros da multiforme graça de Deus (I Pe 4. 10
ACF). A sabedoria de Deus é evidenciada na multiplicidade de dons que ele dá á
sua Igreja, no propósito dos mesmos (o serviço), e no aperfeiçoamento que este
serviço produz.
I) A MULTIFORME SABEDORIA DE DEUS
Deus demonstra sua sabedoria multiforme na variedade de
dons. Paulo afirma que há diversidade de
dons, mas o Espírito é o mesmo (I Co 12. 4 ACF). A diversidade de dons se
justifica a partir da metáfora do corpo. Veja:
As lições do texto são:Porque assim como em um corpo temos muitos membros, e nem todos os membros têm a mesma operação, Assim nós, que somos muitos, somos um só corpo em Cristo, mas individualmente somos membros uns dos outros. De modo que, tendo diferentes dons, segundo a graça que nos é dada, se é profecia, seja ela segundo a medida da fé (Rm 12. 4 – 6 ACF).
- Um corpo precisa ter diferentes membros a fim de realizar as mais variadas funções. De igual modo a Igreja, se nesta não se manifestam os mais variados dons, ela se torna uniforma, no lugar de multiforme.
- O corpo é disposto de tal forma a que toda autossuficiência seja suplantada pela mútua dependência. Logo, não há quem possa olhar para si mesmo e se julgar mais importante do que ninguém, uma que todos dependem uns dos outros.
- A graça se manifesta por meio da distribuição dos mais variados dons no corpo de Cristo. Já abordei neste espaço como isto se dá (aqui).
do que foi dito destaco:
E o olho não pode dizer à mão: Não tenho necessidade de ti; nem ainda a cabeça aos pés: Não tenho necessidade de vós. Antes, os membros do corpo que parecem ser os mais fracos são necessários; E os que reputamos serem menos honrosos no corpo, a esses honramos muito mais; e aos que em nós são menos decorosos damos muito mais honra. Porque os que em nós são mais nobres não têm necessidade disso, mas Deus assim formou o corpo, dando muito mais honra ao que tinha falta dela;Para que não haja divisão no corpo, mas antes tenham os membros igual cuidado uns dos outros (I Co 12. 21 - 25 ACF).
- O dom espiritual aponta para a mutua necessidade que os crentes possuem uns dos, e em relação aos outros.
- Mesmo os crentes mais insignificantes podem e devem de serem honrados.
- Deus distribui os dons de uma forma tal que aqueles que aos olhos da comunidade são os menos honrados, e mais, carecem da mesma, sejam mais honrados.
- O dom estabelece a lógica da graça, a saber: nada é por mérito, mas pode favor divino.
- O dom manifesta o cuidado mútuo dos crentes.
Esta é a multiforme sabedoria de Deus revelado no seu corpo que é a igreja.
II) O CRENTE COMO DISPENSEIRO DA GRAÇA DE DEUS
Me agrada e muito a tradução que Nova Versão Internacional faz do texto de I Pe 4. 10. A primeira parte do texto diz: Cada um exerça o dom que recebeu para servir aos outros. Tal fragmento de texto por si só já nos diz que os dons de Deus são colocados á disposição do povo de Deus visando o serviço, que neste texto equivale á diakonia (διακονιαν).
Na Carta aos Efésios, Paulo declara haver recebido por meio da graça de Deus a capacitação para ser ministro do Evangelho. Deste me tornei ministro pelo dom da graça de Deus, a mim concedida pela operação de seu poder (Ef 3. 7 ACF). O termo ministro aqui é a tradução de διακονος (diakonos), de onde vem a palavra diácono, que nada mais é do que um serviçal.
A condição para o ministério (διακονιαν) é o dom da graça de Deus (δωρεαν της χαριτος [dorean tee charistos]). Sem a graça de Deus nem servos podemos ser, esta é a verdade. Esta graça, por sua vez evidencia o poder de Deus em nossas vidas. A expressão operação de seu poder, visa traduzir a expressão ενεργειαν της δυναμεως αυτου (energeian tees dynameoos auton), sendo que ενεργειαν tanto pode ser eficácia quanto operosidade, indicando com isto que o poder de Deus é dinâmico, eficaz. A graça manifesta a eficácia do poder divino.
Como exercer este ministério de forma dinâmica, eficaz? Simples: como bons despenseiros da multiforme graça de Deus.Outro termo de suma importância é οικονομους (oykonomoys), donde provavelmente venha a palavra ecônomo, uma vez que economia, certamente de venha de οικονομιαν (oikonimian). O οικονομους é um dispenseiro, o termo é empregado em (I Co 4. 1, 2; Tt 1. 7; I Pe 4. 10). Deus deu dons à sua Igreja a fim de que cada crente o exerça colocando o mesmo a serviço uns dos outros. Esta é a condição para que os mesmos sejam bons dispenseiros.
A fim de que cada crente se porte como bom οικονομους é vital que os demais ministros que Cristo constituiu se portem como agentes na preparação dos demais crentes para a obra do ministério, conforme afirmado neste espaço (aqui).
Em Cristo, Pr Marcelo Medeiros
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