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sábado, 9 de novembro de 2013

Aprender a ouvir para aprender a falar



À título de introdução, tudo o que posso falar é que esta imagem me provocou, o mesmo digo dos dizeres atribuídos ao educador e pensador Rubem Alves. De imediato me lembrei das palavras de Tiago para quem todo o homem deve ser: pronto para ouvir, tardio para falar, tardio para se irar (Tg 1. 19 ARCF). Percebi também que estamos distantes desta pratica que é sinal de verdadeira sabedoria. O problema é que ao nos distanciarmos da sabedoria nos aproximamos da tolice. E em nenhum lugar do mundo tal sabedoria é mais necessária do que dentro do lar.
Ao ver o cartaz com os seus dizeres, automaticamente me lembrei de um livro do Jonh Stott, cujo titulo era Ouça o Espírito, ouça o mundo. A ideia principal do mesmo é de que o mundo somente nos ouvirá na medida em que dissermos algo interessante e relevante para o mesmo. Falar algo de relevante demanda que percebamos os anseios que as pessoas trazem consigo. O mundo não fala. Este é o problema, ele Grita! E nós? Estamos surdos!
A leitura de um livro intitulado Entre a ciência e a sapiência, de Rubem Alves, me faz conjecturar que parte da motivação que nos leva a ser mais falantes do que ouvintes é a arrogância, típica das mentalidades medianas, que faz a massa afirmar: nós conhecemos, senão tudo, ao menos quase tudo, e mais, nós estamos certos e todos os demais estão errados. Quem se julga certo e o outro previamente errado, não ouve o que o outro tem a dizer, afinal, ele está errado.
Longe de mim adotar um discurso e uma filosofia relativista, mas em seu clássico Pedagogia da Autonomia, Paulo Freire sabiamente nos alerta que a prática docente exige de nós o ouvir, ainda que saibamos que o educando está errado, ou equivocando. Se não o ouvimos, aquilo que temos a dizer nada dirá para ele.
O mais curioso é que Agostinho narra em suas confissões que aprendeu a falar associando a fala das pessoas adultas com os objetos as quais as mesmas se referiam. Em outras palavras, é dentro dos limites do meu conhecimento, o primeiro pensador a propor que a fala se aprende mediante a audição. Daí, concluo que quem não aprende a ouvir, desaprende de falar. Este é um fenômeno corriqueiro em nosso tempo, basta olhar a multiplicidade dos discursos e a vacuidade dos mesmos. Sim, caro leitor, não se espante, mas desaprendemos a fala, o discurso, e por este motivo precisamos de cursos de oratória, para aprendermos a falar. Agora, você reparou que em um curso as pessoas se não ouvem, ao menos tentam, ou fingem ouvir?
 
Marcelo Medeiros.

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Questionar é melhor do obedecer cegamente

Pode parecer estranho esta frase como título de uma postagem de autoria de um pastor, mas é isto aí mesmo. Minha percepção a respeito da obediência é que ela é equivalente à fé. Quem crê, obedece, ao menos é isto que vemos nos grandes heróis da fé apresentados pelo autor da carta aos hebreus (Hb 11. 7 - 12). Percebo com maior clareza que quanto mais destituída de senso crítico é uma pessoa, mais desobediente ela tende a ser.
Me lembro aqui de uma parábola em que Cristo falou a respeito de dois filhos, um que perguntado pelo pai se ai para a lavoura prontamente respondeu que sim, e NÃO FOI. Outro que igualmente questionado responde negativamente, MAS DEPOIS, DE PONDERAR, FOI. A pergunta do mestre foi fulminante. Quem cumpriu a vontade do Pai? Mesmo que apelemos ao contexto da parábola, ainda assim a lição fica. A obediência que Deus requer nem sempre se enquadra em nosso molde.
Ao longo da minha vida tenho visto uma tendência horrorosa no meio religioso, a de confundir desobediência com questionamento crítico. É como se a única atitude possível em uma pessoa que obedece fosse a subserviência. Complicado, confesso. O problema é que os exemplo de obediência da Bíblia não enquadram neste molde.
O que dizer de nosso pai na fé, o velho Abraão, que depois de receber a promessa de que seria pai de um grande nação (Gn 12. 3), resolveu questionar a Deus a medida em que o tempo ia passando e o único herdeiro que tinha em sua casa era o damasceno Eliezer (Gn 15. 2ss)? O que dizer de Gideão, que mesmo diante de tantas provas dadas por Deus a respeito do seu chamado e das garantias de vitória, ainda fez mais provas com Deus (Jz 6. 11ss)?
O exemplo de Maria ainda é mais impactante. Ela viu um anjo vindo entregar uma mensagem de Deus para ela, mas ainda assim resolveu perguntar como uma menina, que não conhecia homem algum poderia dar à luz a um filho (Lc 1. 35ss). Estes textos, por si só já nos mostram que a obediência, tal como a fé, não está na falta de pensamento crítico, mas no aquietar do coração diante da resposta de Deus.
Aqui cabe notar que estes homens e mulheres questionaram ao próprio Deus, diante de uma experiência fantástica, será que homens não podem ser questionados à luz da Bíblia? O obediência cega é um dos mais cômicos problemas em nosso meio. Ao ver alguém que obedece cegamente, me lembro imediatamente do filme "Sim Senhor", com Jim Carrey, onde o personagem representado por este ator passa a dizer sim para tudo e para todos após participar de um palestra de motivação.
Por outro lado é necessário destacar que a obediência às Escrituras sagradas tem sido um dos maiores desafio do nosso cristianismo atual. Frases claras tais como: fazei todas as coisas sem contendas e nem murmurações, cada um considere os outros superiores a si mesmo, são cada vez mais ignoradas e varridas para baixo do tapete do nosso inconsciente.

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Essa deu o que falar, e ainda vai render muito

Polêmica na escola motivou ida de representantes de Fórum,OAB e MPE

Trata-se do mais novo buxixo na internet,  matéria que fala de um suposto caso de intolerância, por parte de alunos evangélicos. Ao que tudo nos indica eles se recusaram a fazer um trabalho sobre cultura e religião afro, e como justificativa apresentaram que o trabalho era uma forma de apologia ao satanismo e ao homossexualismo. Digo suposto, porque não temos em oda a matéria uma fala consistente por parte dos alunos supra citados, tudo o que temos é o olhar do jornalista.

A dúvida que fica é a respeito da ligação entre cultura afro e homossexualismo. Sim, porque a confusão tem sido criada de ambos os lados, tanto por parte de pastores despreparados, quanto por parte dos defensores da cartilha do politicamente correto que atrelam o homossexualismo à diversidade étnica e religiosa.

Vivi a experiência na época em que cursava Pedagogia na UNESA, e tenho vivido novamente a mesma experiência no Curso de pós graduação em Ensino Religioso no IAVM - UCAM. Me lembro de ter entrevistado apenas nos três primeiros módulos pessoas de vários seguimentos dos cultos afro e do espiritismo. Ao todo são dois candomblecistas, três kardecistas e três católicos. Fiz todas estas pesquisas motivado pela necessidade de completar o curso, mas também pela necessidade de diálogo com estas linhas. Aprendi com o maravilhoso Bispo anglicano Jonh Stott, que não há possibilidade de sermos ouvidos em nossa pregação, se não soubermos ouvir e captar, em meio ao diálogo o anseio das pessoas. Somente deste modo podemos mostrar às pessoas a relevância da mensagem cristã, de outra forma, sempre seremos tachados como retrógrados, fundamentalistas, intolerantes, e coisas afins.

Agora vamos imaginar uma situação hipotética. Suponhamos que os professores tenham trabalhado o conteúdo de forma genérica, superficial e ideológica; que eles não tenham tentado, de fato, trabalhar a tolerância, mas transmitir uma ideologia, e que por este motivo os alunos tenham entendido que estavam em meio a um processo proselitista, ao invés de escolar, ainda assim, os alunos perderam a oportunidade de estabelecer diálogo com a questão. Falta de preparo e de capacidade de diálogo dos alunos, falta de preparo dos pastores, falta de preparo docente. Não consigo acreditar, que se os professores tivessem argumentado com base no que versam os nossos PCN's,sobre a questão da diversidade e da cidadania, eles não teriam sido ouvidos pelos evangélicos.

Já defendi neste espaço a necessidade de sermos tolerantes. Não quero dizer com isto que de agora em diante iremos aquiescer com tudo o que as pessoas dizem, mas que ao menos teremos de ouvir as mesmas. E não se trata de ouvir de forma técnica, mas de ouvir com a mente e com o coração, em Cristo Jesus, nosso Senhor.
Pr Marcelo Medeiros.
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