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quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Papa Francisco se veste de padre para visitar pobres


De acordo com este site esta seria uma imagem do então Papa Francisco saindo de padre durante a noite a fim de evangelizar os pobres. Já comentei aqui e aqui a respeito das boas impressões que este papa me causou a começar pela postura que ele tomou ao ser eleito, e pela sua atuação frente á jornada mundial da juventude. A cena foi descrita da forma mais positiva por Caio Fabio em sua pagina no facebook. Compartilhamos da mesma percepção, a de que o catolicismo está sendo agraciado com o pontificado de um padre, que pretende viver o Evangelho. A questão em comum é se o vinho novo do Evangelho cabe dentro do odre velho da instituição?
O problema indicado pelos questionamento acima se agrava ainda mais quando percebemos que o ranço de disputa entre católicos e protestantes ainda permanece, quando na verdade, o que mais precisamos é de diálogo. Olhe o site por nós indicado e você caro leitor verá uma briga patética entre um suposto católico e um provável evangélico, a julgar o teor nem um nem outro sabem o que é de fato ser católico, ou evangélico, mas o que é ser sectarista.
Como cristão evangélico reafirmo aqui que o momento não é de guerra, mas de aproximação e diálogo. Do contrário, perderemos o bonde, como diversas vezes já perdemos. Que o exemplo do Papa Francisco sirva de despertamento para o nosso povo. Vejo como Evangélico que sou a necessidade de vivermos a dimensão social do Evangelho de Cristo, afinal, como diz Jonh Stott, a missão não exclui a ação social, mas é complementada por esta.
 
Em Cristo, Pr Marcelo Medeiros

sábado, 9 de novembro de 2013

Aprender a ouvir para aprender a falar



À título de introdução, tudo o que posso falar é que esta imagem me provocou, o mesmo digo dos dizeres atribuídos ao educador e pensador Rubem Alves. De imediato me lembrei das palavras de Tiago para quem todo o homem deve ser: pronto para ouvir, tardio para falar, tardio para se irar (Tg 1. 19 ARCF). Percebi também que estamos distantes desta pratica que é sinal de verdadeira sabedoria. O problema é que ao nos distanciarmos da sabedoria nos aproximamos da tolice. E em nenhum lugar do mundo tal sabedoria é mais necessária do que dentro do lar.
Ao ver o cartaz com os seus dizeres, automaticamente me lembrei de um livro do Jonh Stott, cujo titulo era Ouça o Espírito, ouça o mundo. A ideia principal do mesmo é de que o mundo somente nos ouvirá na medida em que dissermos algo interessante e relevante para o mesmo. Falar algo de relevante demanda que percebamos os anseios que as pessoas trazem consigo. O mundo não fala. Este é o problema, ele Grita! E nós? Estamos surdos!
A leitura de um livro intitulado Entre a ciência e a sapiência, de Rubem Alves, me faz conjecturar que parte da motivação que nos leva a ser mais falantes do que ouvintes é a arrogância, típica das mentalidades medianas, que faz a massa afirmar: nós conhecemos, senão tudo, ao menos quase tudo, e mais, nós estamos certos e todos os demais estão errados. Quem se julga certo e o outro previamente errado, não ouve o que o outro tem a dizer, afinal, ele está errado.
Longe de mim adotar um discurso e uma filosofia relativista, mas em seu clássico Pedagogia da Autonomia, Paulo Freire sabiamente nos alerta que a prática docente exige de nós o ouvir, ainda que saibamos que o educando está errado, ou equivocando. Se não o ouvimos, aquilo que temos a dizer nada dirá para ele.
O mais curioso é que Agostinho narra em suas confissões que aprendeu a falar associando a fala das pessoas adultas com os objetos as quais as mesmas se referiam. Em outras palavras, é dentro dos limites do meu conhecimento, o primeiro pensador a propor que a fala se aprende mediante a audição. Daí, concluo que quem não aprende a ouvir, desaprende de falar. Este é um fenômeno corriqueiro em nosso tempo, basta olhar a multiplicidade dos discursos e a vacuidade dos mesmos. Sim, caro leitor, não se espante, mas desaprendemos a fala, o discurso, e por este motivo precisamos de cursos de oratória, para aprendermos a falar. Agora, você reparou que em um curso as pessoas se não ouvem, ao menos tentam, ou fingem ouvir?
 
Marcelo Medeiros.

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