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domingo, 20 de julho de 2014

Morre Rubem Alves



Me encantei com textos de Rubem Alves durante o período da graduação. Ao fazer a pós o encanto se tornou definitivo, afinal entre a Ciência e a Sapiência foi, e tem sido pontual na minha busca por elementos que permitam um rico diálogo entre Ciência e religião, algo que começou com um livro do escritor em apreço, O que é Religião? da coleção primeiros passos. 

A razão de ser deste post a respeito da morte de Rubem Alves não se resume à admiração confessa que tenho por este escritor (pelo menos não no sentido em que a palavra é compreendida). Confesso que sucessivas vezes me espantei com este artista e artífice das palavras e pensamentos, por ver no mesmo aquilo que queria verbalizar, mas não encontrava meios para tal. Todavia, ensinar em vida é uma oportunidade que todos os seres humanos possuem, mas que poucos se engajam em fazer. Mas na morte todos se tornam mestres. 

O óbito deste maravilhoso escritor é notícia em uma infinidade de sites na internet. Para fugir do comum, prefiro fazer menção a um texto, a ele atribuído, mas que me impactou, visto que aos meus quarenta anos me pego com a mesma sensação. O nome do texto? O tempo e as jabuticabas (aqui e aqui). Não citarei o texto na íntegra, apenas compartilharei as minhas impressões. 

Aprendi com Rubem Alves que a vida é tão orgânica quanto uma jabuticabeira. É preciso semear para colher, mas antes de colher teremos de regar, de cuidar para ver crescer, e aguardar pacientemente pelo fruto. Quando vier o fruto, o mesmo terá de ser cuidadosa e devidamente saboreado, pois tal como o tempo, ele se acaba. 

Há um momento na vida do homem, a juventude, em que se gastam energias com coisas fúteis, sem valor, é o chupar displicente das jabuticabas. Mas a maturidade vem quando uma por uma das jabuticabas são saboreadas, é quando o ser humano aprende a priorizar a doçura que a vida oferece e a largar de mão o amargo. É a lição que quero levar comigo. 

Tudo o que me resta neste momento é orar à Deus por consolação para toda esta família, que sentirá a falta deste tão ilustre componente, e agradecer a Deus por ter aprendido aos quarenta anos, com este ilustre cozinheiro do saber, que a doçura de jabuticaba e a azedume do limão precisam ser aproveitados ao máximo, e que não há tempo à perder. Rubem Alves se vai, mas a semente dele fica em minha vida.

Em Cristo, Pr Marcelo Medeiros

sábado, 9 de novembro de 2013

Aprender a ouvir para aprender a falar



À título de introdução, tudo o que posso falar é que esta imagem me provocou, o mesmo digo dos dizeres atribuídos ao educador e pensador Rubem Alves. De imediato me lembrei das palavras de Tiago para quem todo o homem deve ser: pronto para ouvir, tardio para falar, tardio para se irar (Tg 1. 19 ARCF). Percebi também que estamos distantes desta pratica que é sinal de verdadeira sabedoria. O problema é que ao nos distanciarmos da sabedoria nos aproximamos da tolice. E em nenhum lugar do mundo tal sabedoria é mais necessária do que dentro do lar.
Ao ver o cartaz com os seus dizeres, automaticamente me lembrei de um livro do Jonh Stott, cujo titulo era Ouça o Espírito, ouça o mundo. A ideia principal do mesmo é de que o mundo somente nos ouvirá na medida em que dissermos algo interessante e relevante para o mesmo. Falar algo de relevante demanda que percebamos os anseios que as pessoas trazem consigo. O mundo não fala. Este é o problema, ele Grita! E nós? Estamos surdos!
A leitura de um livro intitulado Entre a ciência e a sapiência, de Rubem Alves, me faz conjecturar que parte da motivação que nos leva a ser mais falantes do que ouvintes é a arrogância, típica das mentalidades medianas, que faz a massa afirmar: nós conhecemos, senão tudo, ao menos quase tudo, e mais, nós estamos certos e todos os demais estão errados. Quem se julga certo e o outro previamente errado, não ouve o que o outro tem a dizer, afinal, ele está errado.
Longe de mim adotar um discurso e uma filosofia relativista, mas em seu clássico Pedagogia da Autonomia, Paulo Freire sabiamente nos alerta que a prática docente exige de nós o ouvir, ainda que saibamos que o educando está errado, ou equivocando. Se não o ouvimos, aquilo que temos a dizer nada dirá para ele.
O mais curioso é que Agostinho narra em suas confissões que aprendeu a falar associando a fala das pessoas adultas com os objetos as quais as mesmas se referiam. Em outras palavras, é dentro dos limites do meu conhecimento, o primeiro pensador a propor que a fala se aprende mediante a audição. Daí, concluo que quem não aprende a ouvir, desaprende de falar. Este é um fenômeno corriqueiro em nosso tempo, basta olhar a multiplicidade dos discursos e a vacuidade dos mesmos. Sim, caro leitor, não se espante, mas desaprendemos a fala, o discurso, e por este motivo precisamos de cursos de oratória, para aprendermos a falar. Agora, você reparou que em um curso as pessoas se não ouvem, ao menos tentam, ou fingem ouvir?
 
Marcelo Medeiros.

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