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terça-feira, 23 de maio de 2017

Mais uma Greve?



Escrevo este artigo aqui neste espaço em razão da notícia, ou boato de uma nova Greve Geral que circula em redes sociais. Já escrevi a respeito neste post, e agora retomo o assunto em razão das notícias veiculadas pela mídia, cujo teor atestam o que todo mundo já sabia, mas não queria admitir, que o presidente Temer é parte do problema e está longe de ser solução. 

As últimas notícias a respeito da corrupção do atual governo fizeram do Brasil um país em ebulição, ou melhor convulsão política. As delações premiadas aprofundaram a crise política e institucional da nação. Mas a descoberta do óbvio, que era a simples possibilidade do governo Temer estar envolvido no processo de corrupção, dantes atribuído exclusivamente ao PT (Lula, Dilma e Diceu), representou a pá de cal na política nacional.  

A despeito da decepção necessária para com a política do atual desgoverno, permanece ainda a polarização que tem marcado os pleitos partidários e eleitorais. Oras é Lula contra Temer, ou contra Aécio, ao passo que nem Tucanos, petistas, democratas e afins representam mais solução. Conforme diz um amigo a corrupção no Brasil não é nem canhota nem destra, é ambidestra. É partindo destas premissas que faço minhas considerações a respeito dos movimentos programados para hoje. 

A despeito do justo apelo para uma nova greve geral, e para novas manifestações, há que se considerar a necessidade de uma coesão nacional, algo que não existe ainda em nosso país. O sentimento de pertença a uma classe entrava a ação política. O Brasil ainda é uma nação cujos cidadãos acreditam ainda no cada um por si. O resultado desta lógica, é óbvio. O diabo contra todos e Deus que se cuide. 

Daí que necessariamente o resultado é uma adesão parcial aos movimentos de protesto contra as medidas antipopulares das reformas do governo. Há que se considerar ainda o fato de que as medidas contras as quais se protesta tanto não são conhecidas em profundidade pelo povo e menos ainda discutidas. 

Sou a favor da greve não por seu aspecto partidário, ou polarizante, mas por causa da forma com a qual Temer e seus asseclas conduzem o processo das reformas trabalhistas e previdenciária. Eles excluem o povo, maior interessado dos debates. Daí a necessidade de movimentos profundos e marcantes como forma de resposta. 

A despeito disto, reitero, que um longo caminha precisa ser percorrido até que a nação, ou boa parte tome a devida e necessária consciência e passe a atuar no processo político. Outro fato a ser encarado: é normal que apareçam messias neste processo de crise. Mas mudanças reais na política demandam um longo processo de mudança cultural, tanto por parte do eleitorado quanto por parte dos políticos. Resultado: não há soluções imediatas. 

Erros e acertos políticos vem ocorrendo desde Collor. Sim, nem tudo foi trágico de lá para cá. Saber onde e quando ambos ocorreram é importante neste processo. Deixar os maniqueísmos partidários é de suma importância. Ver as necessidades e anseios comuns mais ainda. Enquanto tal não ocorre vou me equilibrando na esperança, afinal, como disse João Bosco, o show do bom artista tem de continuar

Marcelo Medeiros. 

sábado, 29 de abril de 2017

Greve Geral uma Avaliação


Um dia após o movimento de greve programado para o dia 28 de Abril do corrente ano venho a este espaço expor a minha opinião a respeito desta articulação. Em 2013, escrevi este artigo com o intuito de avaliar a posição politica da nação. Os movimentos desencadeados pelo aumento das tarifas de ônibus, insatisfação com os serviços públicos nas áreas de segurança, saúde e educação me surpreenderam. A surpresa deu-se em razão da famosa letargia e indicava sinais de mudança de status político. algo do tipo de deitado eternamente em berço esplêndido para verás que um filho teu não foge à luta.

Em outra avaliação fiz um diagnóstico presente já nas manifestações, e publiquei neste artigo aqui. O Brasil não sabe esperar do verbo esperançar, nem equilibrar-se na esperança. Falta a perseverança nas manifestações, falta organização de classe, senso de luta por ideais. Vi gente reclamando de obstruções nas vias estaduais, e do transtorno para chegar ao local de trabalho. Reclamação injustificável em meio a uma convocação a uma greve geral contra as medidas anti trabalhistas e anti populares do presidente Michel Temer.

Face a tal fato sou levado a concluir que: ou as pessoas não entenderam a motivação da greve, ou simplesmente não entendem o que está acontecendo no cenário político e econômico, ou sofrem de idiotia (busca por interesses pessoais acima dos sociais). Esta, aliás tem sido uma das falhas mais cruéis de nossa democracia.

Uma classe a ser excluída da observação acima é a dos empreendedores. Estes sim são os que por não possuírem patrões, carteiras assinadas, não ter quem os obrigue a trabalhar, se vêem obrigados pela necessidade a trabalhar, ainda que prazerosamente, em tempo oportuno e no inoportuno. Ainda assim seria nobre por parte dos mesmos um mínimo senso de solidariedade ao movimento, uma vez que piorando a situação de considerável parcela da classe trabalhadora, de funcionários públicos a dos empreendedores também piora. Daí a necessidade de que se aplique aos tais as observações que farei nas linha subsequentes. 

A democracia grega era exercida exclusivamente por homens livres (livres aqui quer dizer com tempo disponível para deliberar os assuntos da cidade), ficavam de fora os escravos, é lógico, as mulheres e os artesãos. O mesmo se dá com a democracia atual. As discussões são exercidas por estudantes de classe média e quando trabalhadores comuns aparecem no cenário é para se manifestarem favoráveis à reforma da previdência, por exemplo.

Um agravante da democracia atual é que no lugar de um discurso hábil, feito por pessoas treinadas por mestres na retórica e na oratória, tem-se no cenário atual todo um jogo de mídia e um discurso raso e pragmático. Não há como se esperar mais de um país cuja educação é superficial, ao ponto de Filosofia e Sociologia serem paulatinamente excluídas do currículo do ensino médio, e sem manifestação alguma da sociedade. Me pergunto onde foram parar as pessoas que se manifestavam avidamente pelo impeachment de Dilma, que iam às ruas com as faixas e com gritos de ordem, dizendo: fora PT, fora Dilmaintervenção militar etc...?

Um outro fator a ser considerado é a questão da idiotia e da cordialidade. No primeiro caso a busca por interesses pessoais suplanta o público, o político. No segundo caso, as emoções comandam a participação no debate público e questões políticas se transformam em discursos pessoalisados; e ser partidário desta, ou daquela política se torna algo como torcer para este, ou aquele time. 

além de tudo o que já foi dito, concluo que o recado foi dado nas ultimas eleições municipais. As abstenções, os votos brancos e nulos, podem ser indicadores de que uma significativa parcela da população deixou de acreditar na via política institucional, daí que manifestações politicamente articuladas como esta de ontem não mais façam sentido, e as pessoas prefiram simplesmente manter seus empregos diante da crise. 

Tem de haver mobilização política sim, ainda que seja de cunho apartidário como se deu nas manifestações de 2013. Não dá para aceitar passivamente nenhuma das propostas que Temer está concretizando. Reconheço que elas estão aí desde o governo de FHC, e que nem Lula, nem Dilma tiveram peito. Como resta pouco, ou nada de carreira política para o sósia do Nosferato, a ele cabe o trabalho sujo. 

Ter de haver resistência ao sistema sim. O leitor talvez não perceba mas lentamente estamos sendo escravizados. Para se ter uma noção da escravidão imposta pelo capitalismo, pergunte a si mesmo e a quem conhece se trabalha naquilo que gosta de fazer, ou se sente vocacionado. Mas este é um assunto a ser tratado em um post a respeito da reforma da previdência. 

Marcelo Medeiros. 

quinta-feira, 31 de março de 2016

P'ra não dizer que não falei de flores



Há pouco mais que um ano atrás escrevi este post a respeito das manifestações. Nele pontuei algumas fragilidades da política e do exercício da mesma por parte da popualação. Uma delas era a constante de que a sigla PT era sinônimo de corrupção, quando na verdade, em termos políticos, este é tão somente uma face daquela.

Longe de mim entrar no ufanismo dos militantes que chegam às rais de negar o aspecto corruptível de tal partido! Mas a grande verdade é que além desta estar entenhada em cada um de nós (guardadas as devidas proporções), politicamente ela se manifesta na constante que o PMDB, por exemplo tem sido desde a ditadura. Outro fato esquecido por militates de ambos os lados da atual polarização: do bolsa família a agenda atual o PT tem sido uma continuidade do governo PSDB.

Uma segunda polarização nefasta presente nas manifestações (além da partidária) é a que se dá entre "direitismo" e "esquerdismo". Este é frequantemente associado à militância gay, causas pró-aborto e tudo mais. Aquele é associado ao cristianismo por ser pró-família, concservador, quando na verdade, cristãos e demais "conservadores" estão deixando de ver que o PT não segue sua própria agenda, mas a tendência da moda, diga-se de passagem mundial.

Um ano depois, a hermenêutica do ódio tem sido o viés por meio do qual manifestantes (favoráveis e contrários à Lula e Dilma) interpretam um ao outro. Ser favorável é ser inclusivo, progressista, social, e coisas do tipo. Ser contrário à Lula e Dilma é ser reacionário, pedir a volta da ditadura, ser machista, misógeno e coisas do tipo.

A contradição subjacente a esta Hermenêutica está no fato inconteste de que em ambos os grupos existem de pessoas de perfis mais variados, com ideias diversas, mas querendo o fim da corrupção, da crise, e tudo o mais. Me entristece ver que ideologias como "liberalismo" e "comunismo" tem sido enxergadas da forma mais estreita possível.

Mas nenhuma tristeza me é pior do que ver uma igreja brasileira que não ora. Que se entrega às mesmas polarizações que tem dividido a nação, pior, que não faz leitura do momento. Ambos os grupos precisam pensar nos anseios do outro. A Igreja precisa captar os anseios dos "coxinhas" e dos "pão com mortadela" e "refresco de groselha", interpretar os discurso para somente então superar a "soma de todos os medos". 

Marcelo Medeiros, em Cristo. 

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Quando os Artistas Falam



Está virando meme. Os artistas estão protestando contra a corrupção. Primeiro foi Fábio Jr. e agora Ana Carolina. Todavia o que se vê são dois modos antagônicos de manifestar repúdio à situação. No primeiro caso, revolta declarada (não usarei o termo ódio aqui). No segundo, poesia, esperança, utopia e outros tantos elementos que tem servido como combustível para a esperança equilibrista. 

Minha avaliação a respeito do protesto de Fábio Jr é que a mesma centraliza a corrupção de forma partidária e aliancista, como se o  PT, PMDB e demais patidos aliados fossem os únicos responsáveis pela degenereção moral e política que corrói a nação. (Creio ter sido um dos primeiros a me manifestar a respeito desta "amnésia", que faz os brasileiros esquecerem de que o problema vem desde de o século dezesseis, e que PSDB tem sim a sua parcela de contribuição neste caos [aqui]). E honestamente com todo o respeito que tenho a este artista e consideração pelo ato patriótico do mesmo, não creio ser esta a melhor forma de prostestar. 

Direcionar o microfone à platéia, de forma a captar ofensas e insultos da mesma, foi simplesmente pífio. Já me expressei a respeito aqui neste espaço. Ao meu ver não é nada democrática a atitude de um povo que xinga sua presidente. Denota clara falta de educação é preparo, a mesma que aliás conduz todo o processo político que resulta na alternância entre PT e PSDB. 

A respeito da leitura da poesia no show de Ana Carolina: belo, belíssimo, ainda que com as devidas ressalvas. Conforme explicitado aqui, não creio que pequenas ações morais corretas sejam a causa de uma onde macro de corrupção. Creio que o problema esteja na natureza humana mesmo. O Mr Hyde que trazemos em nós é vencido exclusivamente com a graça de Deus. Esta é derramada sobre todos e para todos a despeito das convicções religiosas que sustentam. 

Daí que o poema lido por Ana Carolina reflete em parte esta mesma graça. Todavia, pequenas ações de corrupção podem sim cauterizar a consciência [aqui], é isto que faz importante que as ações propostas pela belísssima peça literária sejam fomentadas, estimuladas. Por mais compreeensível que seja a ação de Fábio Jr, o protesto poético de Ana Carolina traz a beleza necessária a efetivação da mudança tão almejada. 

Marcelo Medeiros. 

sábado, 29 de agosto de 2015

A Corrupção dos Últimos Dias



O entendimento comum de corrupção é o de depravação moral, devassidão e coisas afins. Mas há um sentido pouco trabalhado que é o de decomposição, putrefação. É com este sentido que o termo grego correspondente διαφθοραν (diaphthoran) é empregado nestes textos (At 2. 37; 13. 35, 37). Já em Rm 8. 21; I Co 15. 50; II Pe 2. 19) aparece φθοραν (phthoran), por exemplo, com o mesmo sentido. 

A corrupção moral do tempo presente tem como principal causa a tendência dos homens dos homens à decomposição física. Em outras palavras os homens se vendem como escravos ao pecado por terem noção do seu senso de finitude. Este é um ponto crucial para a compreensão da tendência à apostasia nestes dias finais. Na dúvida, veja este texto:
Prometendo-lhes liberdade, sendo eles mesmos servos da corrupção. Porque de quem alguém é vencido, do tal faz-se também servo. Porquanto se, depois de terem escapado das corrupções do mundo, pelo conhecimento do Senhor e Salvador Jesus Cristo, forem outra vez envolvidos nelas e vencidos, tornou-se-lhes o último estado pior do que o primeiro (II Pe 2. 19, 20 ACF). 
Perceba a expressão δουλοι υπαρχοντες της φθορας [doyloi huparchontes tees phthoras], sendo eles mesmos servos da corrupção. Em outras palavras os falsos mestres, tem como seu senhor o senso de sua finitude. É este que lhes dita o comportamento que os mesmo têm de ter. Sob este prisma empreenderei algumas considerações a respeito do texto bíblico. 

Sabe, porém, isto: que nos últimos dias sobrevirão tempos trabalhosos (II Tm 3. 1 ACF). 

A expressão εσχαταις ημεραις [eschatais heemerais] é indicador do tempo decorrente da ascenção de Cristo até seu retorno glorioso. Daí que não seja uma descrição dos dias atuais em si, mas de algo que vai do tempo de Paulo até os dias atuais e chegando a té a vinda de Cristo. 

Em segundo lugar o entendimento de que os dias finais são καιροι χαλεποι [kairoi chalepoi], em outras palavras tempos perigosos. Perigosos devido à qualidade de homens com quem os crentes, e principalmente pastores novos como Timóteo terão de lidar. Segundo Paulo, os homens serão:
amantes de si mesmos, avarentos, presunçosos, soberbos, blasfemos, desobedientes a pais e mães, ingratos, profanos, Sem afeto natural, irreconciliáveis, caluniadores, incontinentes, cruéis, sem amor para com os bons, Traidores, obstinados, orgulhosos, mais amigos dos deleites do que amigos de Deus, Tendo aparência de piedade, mas negando a eficácia dela. Destes afasta-te (II Tm 3. 2 - 5 ACF). 

  1.  amantes de si mesmos, sem a mínima capacidade de pensarno bem estar alheio. Este é o sentido de φιλαυτοι [philautoi]. 
  2. avarentos, o mesmo que amantes do dinheiro, ou amigos do. O que se pode ver na expressão  φιλαργυροι [philargoi]. Os que querem ser ricos caem em tentação, e em laço, e em muitas concupiscências loucas e nocivas, que submergem os homens na perdição e ruína. Porque o amor ao dinheiro é a raiz de toda a espécie de males; e nessa cobiça alguns se desviaram da fé, e se traspassaram a si mesmos com muitas dores (I Tm 6. 9, 10 ACF). 
  3. presunçosos. A presunção é um tipo de afetação, vaidade pessoal. αλαζονες [alazones] é o mesmo que fanfarrão, uma pessoa que fala o tempo todo de suas realizações ao ponto de extrapolar a verdade. Aquele, porém, que se gloria, glorie-se no Senhor. Porque não é aprovado quem a si mesmo se louva, mas, sim, aquele a quem o Senhor louva (II Co 10. 17, 18 ACF). 
  4. em decorrência os homens se tornam altivos, soberbos, o termo original é υπερηφανοι [hypereephanoi]. 
  5. βλασφημοι [blasfemoi] é o termo grego que dá origem à palavra blasfêmia, cuja definição lexiacal é de palavra ofensiva à divindade, praga, imprecação. Mas no sentido bíblico pode ser, entre outros o de caluniador. 
  6. desobedientes a pais e mães. O uso do termo απειθεις [apeitheis] indica que são pessoas que não se deixam convencer por nenhuma admoestação paterna, quando a recomendação bíblica é justamente a contrária. Ouvi, filhos, a instrução do pai, e estai atentos para conhecerdes a prudência (Pv 4. 1 ACF). 
  7. Incapazes de ações de graças. Acham que tudo lhes é devido, daí sua ingratidão para com tudo e com todos. 
  8. profanos, ou ανοσιοι [anosioi], sem percepção do que e sagrado, daquilo que lhes supera. Incapazes de qualquer atitude de reverência para com as coisas de Deus. 
  9. αστοργοι [astorgoi] é uma expresão para se referir a quem é destituído de qualquer afeição natural (filhos, mulher, parentes, amigos, etc...). 
  10. ασπονδοι [aspondoi] pessoas que nutrem tamanha hostilidade que não admitem tréguas. 
  11. διαβολοι [diaboloi], caluniadores, acusadores. 
  12. ακρατεις [akrateis]. Pessoas sem o mínimo de controle próprio. Como a cidade derrubada, sem muro, assim é o homem que não pode conter o seu espírito (Pv 25. 28 ACF). 
  13. ανημεροι [anemeroi] pessoas selvagens, sem civilidade. Em decorrência de sua falta de controle. 
  14. αφιλαγαθοι [aphilagatoi], sem amor uns para com os outros, principalmente para com os bons. Um desdobramento da primeira marca. 
  15.  προδοται [prodatai], palavra empregada para designar pessoas que tinham faltando para com seu juramento, que haviam desertado de um exército. 
  16. προπετεις [propeteis], alguém que é obstinado, não sujeito à mudança, nem admoestação. 
  17. Orgulhosos, ou cheios de algo, expressão mais adequada para traduzir τετυφωμενοι [tetyphoomenoi]
  18. φιληδονοι μαλλον η φιλοθεοι [philedonoi mallon e philotheoi] designa pessoas que colocam seus prazeres pessoais acima de Deus. 
A recomendação de Paulo é: destes afasta-te. Eles aparentam piedade, mas negam o poder da mesma, com uma vida contraditória. Em razão de seu caráter eles sempre resistirão a verdade, que não podem conhecer plenamente em razão de seu mau caráter (II Tm 3. 5 - 7). Diante disto o que um líder cristão pode fazer?
Não irão longe, porém; como no caso daqueles, a sua insensatez se tornará evidente a todos. Mas você tem seguido de perto o meu ensino, a minha conduta, o meu propósito, a minha fé, a minha paciência, o meu amor, a minha perseverança, as perseguições e os sofrimentos que enfrentei, coisas que me aconteceram em Antioquia, Icônio e Listra. Quanta perseguição suportei! Mas, de todas essas coisas o Senhor me livrou! De fato, todos os que desejam viver piedosamente em Cristo Jesus serão perseguidos. Contudo, os perversos e impostores irão de mal a pior, enganando e sendo enganados (II Tm 3. 9 - 13 ACF). 

  1. Acreditar que em algum momento a insensatez dos mesmos será evidenciada aos olhos de todos.
  2. Transmitir o ensino fiel aos demais crentes. 
  3. Contar com a graça de Deus com o fim de ser exemplo. 
  4. Entender que os verdadeiros cristãos são testados mediante o sofrimento, algo que os apóstatas acima descritos não suportam. 
  5. A despeito das observações supra, o movimento apóstata seguirá em frente. 
Contudo Timóteo tem de responder com apego à doutrina, e fidelidade na pregação, sabendo com que finalidade as Escrituras foram concedidas
Quanto a você, porém, permaneça nas coisas que aprendeu e das quais tem convicção, pois você sabe de quem o aprendeu. Porque desde criança você conhece as sagradas letras, que são capazes de torná-lo sábio para a salvação mediante a fé em Cristo Jesus. Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção e para a instrução na justiça, para que o homem de Deus seja apto e plenamente preparado para toda boa obra (II Tm 3. 14 - 17 ACF). 
Em Cristo, Marcelo Medeiros.


terça-feira, 17 de março de 2015

Será a falsa moralidade a causa da corrupção no Brasil?



A imagem acima possui uma mensagem clara, e até certo ponto bastante coerente. Me proponho a discutir a mesma em razão do caráter ambíguo do recado que a mesma passa, e da ligação desta com os últimos fatos. O momento é de ebulição política e ideológica, que pode se comparar com o fenômeno da Babel bíblica. Ninguém se entende e isto, em questões básicas. Daí a necessidade de que teólogos, filósofos e historiadores reflitam sobre o momento e tragam algum tipo de contribuição, que produza maior esclarecimento e orientação para o público que está indo às ruas. 

Em primeiro lugar é verdadeiro que os hábitos acima descritos indicam no mínimo uma distorção ética e social, mas mentira que possam ser comparados com a corrupção política. Na verdade fica difícil dizer se a corrupção política deriva de tais ações, ou se estas são inspiradas no exemplo que vem do governo, dos parlamentares e tantas autoridades investidas pelo poder público com fins de cuidar do que é público, mas que usam do cargo para cuidarem da causa pessoal. 

Segundo, ao que parece o autor que propões esta mensagem acredita que mudanças lentas, por parte do povo, resultarão em mudanças políticas. Embora reconheça que em algum grau a corrupção social está atrelada à política, não estou nada nada disposta admitir o contrário (que boas ações populares irão gerar bons políticos). Isto porque a sociedade é heterogênea, e quem ascende aos cargos políticos não são pessoas do povo, mas famosos jogadores de futebol (que há muito deixaram de ser povão), humoristas, apresentadores de programas de TV, artistas, cantores do mundo gospel, pastores há muito afastados de seu propósito e missão, e gente oriunda do latifúndio como é o caso da família Magalhães, Collor e dos Sarneys da vida. 

Um terceiro problema a ser colocado é o inconteste fato de que o perfil da classe política brasileira é de gente que, ou foi criada para pensar assim, ou em algum ponto de sua trajetória aprendeu a se ver como alguém que pode tudo. O poder é o maior corruptor. Alias este é o único ponto que vejo em comum entre os políticos e a sociedade. Pratica a corrupção quem tem algum tipo de poder, seja o financeiro (para subornar o guarda), seja o do conhecimento para obter aquele atestado daquele médico. Mas as possibilidades do poder político são exponencialmente mais corruptoras do que o que se descreve na imagem acima. 

(A esta altura o leitor já deve de ter percebido que não sou do politicamente correto. filosoficamente prefiro Hobbes à Rousseau. Teologicamente tenho predileção por Agostinho de Hipona, Lutero, Calvino e Edwards à Pelágio, Erasmo, Finney, e outros que desprezam a depravação total. Sim, creio que somente a graça de Deus promove ao homem escape da corrupção inerente à natureza do mesmo). 

Por último deficiências de caráter não podem ser usadas como meio de combate aos protestos que tem ocorrido em nosso solo. O povo brasileiro é tão pecador quanto o americano, o sueco, e será que por este motivo que brasileiros precisam e devem aturar os políticos que possuem? Creio que não! Ou será que o Brasil tem de adotar o ufanismo americano, ou a frieza européia para que se tenha aqui o mesmo nível de vida e dignidade que por lá se veem? 

Conforme implícito nas linhas acima, a causa da corrupção é o poder dado a certos homens, que como os demais possuem uma natureza pecaminosa, corrompida. A diferença entre aqui e as demais partes do mundo é que em decorrência da graça comum (que também se manifesta aqui e é perceptível na solidariedade diante de tragédias, por exemplo, no acolhimento às mais diversas pessoas), mecanismos de combate à corrupção são criados e respeitados. 

Diante do exposto nas linhas supra, de forma alguma posso acreditar que cumprir com as exigências do cartaz promoverá uma reforma política. Se isto fosse possível o farisaísmo teria promovido uma verdadeira revolução nos dias de Jesus, mas foi necessária o desenvolvimento de padrões do Reino, que somente podem ser cumpridos mediante a ação do Espírito de Deus. 

Aqui dirijo a minha fala aos crentes que atenderam á convocação de Silas Malafaia de demais lideranças religiosas. É preciso sabedoria e tato para sinalizar à atual sociedade que cristãos genuínos não pretendem de forma alguma construir e instituir uma teocracia neste país. Mas tão somente influenciar positivamente a sociedade. Que esta influência se dá por meio da ação como sal e como luz neste mundo. 

Mas do que enquadramento ético cristãos precisam serem vistos por suas boas obras e influência. Humildade, quebrantamento, mansidão (capacidade de suportar crítica), desejo espiritual, misericórdia, espírito pacífico, pureza de coração e paciência são as marcas dos que de fato influenciam o mundo. Na minha perspectiva somente a graça pode produzir tal caráter no homem e na mulher. E somente os que possuem todas estas marcas de fato influenciar à longo prazo a sociedade. 

Marcelo Medeiros. 

segunda-feira, 16 de março de 2015

Vem vamos embora que esperar não é saber




Neste artigo faço menção aos versos da canção pra não dizer que não falei das flores, popularizada por meio da inesquecível interpretação de Geraldo Vandré. Esta canção se tornou o hino nacional contra a ditadura. Faço menção à referida canção em razão dos protestos deste último domingo. Eles refletem o caldeirão cultural e a babilônia (falo no sentido de confusão das línguas ocorridas no evento bíblico Babel) ideológica que esta nação povoada pelas mais diversas etnias se tornou.

Nunca, assim creio eu, foi tão necessária a esta nação uma voz que traduzisse para os próprios manifestantes seus mais profundos anseios. Falo disto, porque não tenho como acreditar que o povo queira, de fato, intervenção militar, ou ditadura (diga-se de passagem que ambas são extremamente diferentes), mas inaceitáveis. O povo quer é retorno nos impostos, fim de regalias para políticos, melhorias na saúde, educação, segurança e demais serviços.

Enquanto governo e oposição discutem o teor das manifestações, e o fazem com o foco na polarização direita/esquerda, em conspirações contra a democracia (falo dos pedidos "populares" de impeachment), em golpismo, em corrupção do governo (como se esta fosse um problema da situação, ao invés da marca indelével desta nação); o grito permanece preso no coração das pessoas.

Vejo imagens em redes sociais de pessoas com faixas e nestas a cruz suástica, simbolo do nazismo cuja herança maldita ninguém quer de fato. Outras seguram faixas pedindo intervenção militar, alguns chegam ao cúmulo de solicitar a volta da ditadura. E onde a canção de Geraldo Vandré entra nisto? No simples verso quem sabe faz a hora, não espera acontecer.

João Bosco, grande filósofo da MPB acertou em cheio quando disse que a esperança equilibrista sabe que o show do bom artista, tem que continuar. Particularmente creio que é a Esperança o gás que move professores a continuar ensinando mesmo em um país onde o governo corta gastos com educação e teóricos insistem em querer aplicar conceitos empresariais e meritocráticos à educação como se educar fosse similar à produção fabril, por exemplo.

É a esperança que move o homem a ser minimamente honesto, mesmo em meio ao lamaçal de este corrupção que este país tem se tornado. Mas perceba que o autor fala de uma esperança equilibrista, o que supõe um abismo a ser atravessado. Atravessar o abismo equilibrando na esperança é o desafio de quem sabe e faz a hora e não espera acontecer.

Aqui são mais do que válidas as palavras de Paulo Freire e frequentemente citadas por Mario Sérgio Cortella, é preciso esperar, mas esperar do verbo esperançar, em outras palavras, uma espera que não é passiva, mas que conforme atravessa o abismo do real em direção ao utópico, ao esperado, ao desejado.

Toda vez que vejo um Fora Dilma, Fora PT, e tantas outras palavras de ordem presentes nos protestos dos últimos anos me lembro das palavras acima, que somente agora consigo traduzir, mas que já as trago como anseio. O problema com a democracia no Brasil está na falta de percepção de que é preciso saber esperar, mas esperar do verbo esperançar, e que aí reside a sabedoria do esperar que é saber e que faz acontecer, não percebido por Vandré.

O brasileiro sofre de um mal, o de esperar o amanhecer de um pensamento, que vai mudar o mundo com seus moinhos de vento, e com isto se entrega a toda e qualquer cruzada quixotesca. Não há mudanças que ocorram em um passem de mágica. A democracia à brasileira ainda é muito marcada pela herança nefasta da ditadura. A própria ausência de participação popular no processo democrático, nas cobranças ao governo, no uso politico consciente das redes sociais demonstra isto.

Por este motivo não atendi a solicitação de Malafaia, não coloquei camisa amarela, e não fui, e nem irei às ruas pedir a volta da ditadura. Me manifestarei sim contra a corrupção e contra a forma de se fazer política neste país. Todavia, o farei sabedor de que o momento atual ainda que não seja perfeito é democrático em sua essência e infinitamente melhor do que o retrocesso à ditadura. E mais, a precariedade de nossa democracia (bem como tudo o que reclamam em Dilma) a é consequência direta da nefasta herança ditatorial. 

Falo isto sabedor de que os militares deixaram o poder há mais de vinte anos e que já era o tempo em que o povo e os políticos deste país deveriam começar a acertar. Estes cumprindo a sua real missão, aqueles cobrando, mas esperançoso de que no caminho a ser percorrido ambos aprenderão por meio de erros e acertos. 

Ao povo que protesta nas ruas, eleitores de Dilma, ou não, foco. E o foco é a corrupção, que não é particular do PT e menos ainda do PSDB, mas da forma de se fazer política neste país. Aos políticos, chega de conchavos e protecionismos. Transparência nas ações políticas e no combate á corrupção são palavras de ordem. E acima de tudo, entendam que este é o real pedido do povo nas ruas. 

Marcelo Medeiros.

quinta-feira, 20 de junho de 2013

Não é somente por R$ 0, 20



Esta foi a frase mais ouvida ao longo da última semana, quando todos vimos o Brasil, do Norte ao Sul, indo às ruas para protestar. O mais curioso em tudo isto  foi o fato de que a imprensa focou exclusivamente o preço das passagens no Rio, em São  Paulo, e em Brasília. Depois tentaram desviar o foco e colocar tudo na conta do Marcos Feliciano, e a julgar pela página pessoal de alguns pastores no facebook, teve gente engolindo esta história. Tem até blogueiro que já tirou o foco e apresentou matéria com médicos afirmando que a homossexualidade pode ser doença, coisa que duvido. O que acredito que estes assuntos apenas servem para tirar o foco do que está ocorrendo em nosso solo. Mas liberdade de imprensa é isto, cada um publica o que quiser. Eu, por exemplo, resolvi ser chato com este assunto. Mas para descontrair um pouco, vamos falar do belíssimo gol do Neymar Jr?
Ah! que lindo gol que o Neymar Jr fez! Lindo mesmo, e curioso ele jogar o que jogou logo neste momento, agora só falto o Brasil ser campeão da Copa das Confederações, e numa final contra a Espanha! Mas e as manifestações que ocorreram em frente ao Castelão? Nada. Apenas uma pálida menção no Bom dia Brasil, e nada mais. 
Agora o foco está na redução dos preços das passagens no Rio em São Paulo e na conquista do passe livre em Brasília, sendo que neste último estado, os protestos contra a PEC 37 e a corrupção foram mais incisivos, não queremos com isto, dizer que no Rio e em São Paulo estes não tenham ocorrido. 
Agora com a redução das passagens anunciada pela prefeitura do Rio e com a suspensão dos aumentos das passagens de trens, metrôs, e barcas, anunciada pelo Governador do Estado, creio ter chegado o momento de deixar claro para o Brasil, para os políticos e para o mundo todo que a luta é por melhoria na qualidade dos serviços, de péssima qualidade, diga-se de passagem, por maiores investimentos na saúde, educação, segurança, e se não pelo fim, pela diminuição da corrupção. Aqui entenda-se como a prisão dos condenados pelo mensalão (que em momento algum deram a cara durante o movimento, e que a imprensa oficial em nosso país foi tão eficaz em esconder, mascarar e ocultar), uma vez que é claro que a ausência de investimentos nos serviços não se deve à ausência de recursos, mas a má gestão e aplicação dos mesmos. 
Não é tempo de parar, mas de empregar as mesmas redes sociais, que serviram para a articulação dos movimentos, para o ajuste de uma agenda de prioridades do movimento, sem esquecermos do foco principal que é a luta contra a legitimação da corrupção, que é o que querem os proponentes da PEC 37. Me desculpem a insistência com o assunto, mas creio ser uma voz que clama neste deserto.

Em Cristo, Marcelo Medeiros. 

sábado, 15 de junho de 2013

Carta de um Jornalista a Arnaldo Jabour


Devido ao meu perfil sóbrio, e uma doença que me limita (a de escrever apenas com conhecimento de causa), ainda não me manifestei a respeito das manifestações que vem ocorrendo no Rio e em São Paulo, em razão do aumento das passagens de ônibus.Mas vi este texto no facebook, e resolvi reproduzir o mesmo aqui no meu. Lá na rede social ele aparece creditado à Sandro Miranda, que ao que parece é jornalista. Então vamos ao Texto.



Prezado Jabor,

Posso te chamar de Arnaldo? Ou melhor, Naldo! Ah, Naldo é bacana, vai! Tá na moda, dá um ar descolado. Apesar de o papo aqui entre nós ser bem sério hoje. 

Sabe, o problema não são os "vinte centavos a mais" que você falou outro dia. É a relação inversamente proporcional entre o custo da passagem que sobe, e a qualidade do transporte público que desce. 

Se pagar 3,15 no Rio me garantisse um ônibus de qualidade, em intervalos regulares e guiado por um motorista bem preparado (e educado), eu estaria feliz da vida, cara! Te juro! Deixaria até gorjeta pro "piloto". Mas você REALMENTE acha que é isso que acontece? 

Ah, você nem sabe, né? Porque dentro do seu carrão super confortável deve ser mesmo muito difícil imaginar alguém andando por aí como uma sardinha em lata e se sentindo humilhado pelas condições degradantes que lhe impuseram. É quase um universo paralelo.

Confesso que fiquei bastante '#chatiado'com você, pra usar uma expressão bem comum hoje em dia entre os jovens. Jovens como eu, de classe média, com algum grau de esclarecimento e que utilizam constantemente a internet. 

Uma turminha que, segundo você, não tinha nada que estar ali protestando, já que não depende de metrô, ônibus, trem. Essa foi uma das afirmações mais tolas que já ouvi em toda a minha vida, e pior ainda é que boa parte da Imprensa embarcou na mesma onda! 

Diversos jornalistas - pra minha tristeza e repúdio - classificaram como mero vandalismo a ação dos manifestantes, e estão até agora tentando me convencer de que há toda uma TEORIA DA CONSPIRAÇÃO por trás, gente oportunista que estaria se aproveitando da proximidade das eleições pra manipular os demais e assim conseguir que... ok, já chega, podem parar por aí antes que o meu estômago revire de vez.

O que eu queria entender, caro Jabor, é por que não apareceu a cara de pelo menos UM empresário dono de ônibus na minha TV. Ou ao menos UMA linha sequer falando sobre eles em um jornal. Uma mísera declaração no rádio. Num site, que seja. Quem são eles? Aonde vivem? Do que se alimentam? Ninguém sabe, ninguém viu. Tal qual criaturas das trevas, eles se escondem nas sombras e são sempre poupados, preservados. Por quê???

Enquanto isso, policiais tomam pedrada, estudantes levam gás de pimenta, rodoviários são escravizados, trabalhadores são prejudicados. Aí você veste o seu terninho elegante, vai pra frente da câmera e tem a PACHORRA (só pra usar um termo que gente velha adora) de me falar que isso tudo foi "por causa de vinte centavinhos a mais"?

Olha, eu condeno atos de violência e acho lamentável depredar lojas, saquear, fazer balbúrdia. Mas desviar a atenção toda pra essa questão, como se fosse este o foco do problema, e querer refletir sobre a força maligna que estaria por trás, é de uma covardia que eu não sei nem dimensionar. Mais do que isso, é querer me chamar de abestado! 

Ainda mais com essa total PARCIALIDADE que os meios de comunicação estão demonstrando, querendo desqualificar os protestos legítimos e praticamente dizer que eles são um exagero, coisa de um bando de gente reprimida que não tinha videogame pra extravasar sua raiva e decidiu protestar contra a primeira bobeirinha que apareceu. 

Sou capaz de aceitar que esse discurso de lavagem cerebral venha de um político idiota, pois assim são os políticos. Pega o Paes no Rio e o Haddad em Sâo Paulo, que você vai ver. Ou o Cabral e o Alckim. O discurso é o mesmo, são tudo farinha do mesmo saco. Só muda o sotaque. 

Agora, vir de jornalistas como você, Naldo, aí não dá pra engolir. Esse posicionamento antagônico com a população mostra apenas a falta de identidade e o descompasso que a profissão vive atualmente, mas aí é outra história, deixa quieto. 

Coincidentemente, olha só, precisou que uma repórter da Folha fosse atingida no olho por balas de borracha pra começarem a rever os conceitos e partirem pro ataque. Mas atacar quem, cara-pálida? Eu? Você? Ei, espera aí galera, que eu saiba devíamos estar lutando juntos, do mesmo lado! Só que não.

Realmente, deve ser muito mais legal pros nossos prefeitos e governantes que o mundo ache que isso aqui é uma festa incessante, uma farra do bundalelê! Onde todo mundo vai trabalhar de biquíni e sunga, sambando no pé e com um sorriso de orelha a orelha, batendo uma bolinha na hora do almoço e voltando pra floresta em um carro alegórico, tudo regado a bastante caipirinha e cerveja gelada. No dia seguinte, tudo de novo, claro!

Afinal, estamos no Brasil, o malandrão, a potência, a terra do jeitinho. Aqui é tudo tão bom, tão perfeito, que a gente só de sacanagem resolve dar uma aprontada de vez em quando, só pra ver qual é.

Sim, há muito jovem alienado de classe média (e alta) nas redes sociais. Mas eu prefiro falar dos que têm algo a dizer, e não só os que dizem, mas principalmente fazem. Há militantes em potencial por aí, e não rebeldes sem causa. Até porque o que não faltam são causas pra lutar. 

Também tem os aproveitadores, e a galera do oba-oba, mas eles são que nem barata, estão em toda a parte. A garotada de hoje em dia pode não ter lutado na Ditadura, nem nas Diretas ou no Impeachment do Collor. Mas tem voz e ferramentas pra reclamar de muita coisa, nessa bagunça em forma de país. 

Que não subestimem os jovens por gostarem de um Facebook aqui, um Instagram ali, um vídeo engraçado do Youtube acolá. Gostar de alguma futilidade não é ser alienado e 
nem indiferente. E é por isso mesmo que eu te digo, Naldo Jabor: Você errou. Errou feio. Errou rude. E se existe um Deus (polinésio ou não) ele tá de olho em você.

Um abraço, do amigo Sandro

Que país é esse?





Há não sei quantos anos atrás o vocalista de uma banda de Rock já perguntava que país é este? As viagens para o exterior, o claro desrespeito às leis, por parte dos nossos governantes associado á corrupção e à impunidade. Algo de espantoso na letra da música, de provável autoria de Renato Russo, é a constatação quase bíblica de a degeneração está presente em todos os cantos da nação. Na favela, no Nordeste, na Baixada, no Senado, na Câmara, todos estão envolvidos no esquema. 
A letra da canção interpretada por Renato Russo revela o que há de pior na natureza humana. Sim, Afinal somos um país de políticos corruptos, mas de onde vem os nossos políticos? Nossa polícia é retratada nos jornais estrangeiros com sendo uma das mais brutais, mas de onde vem mesmo os nossos policiais? De Vênus, de Marte? Claro que não! A resposta para a pergunta de Juan Arias está nas palavras do profeta Isaías, para quem, Toda a cabeça está enferma e todo o coração fraco. Desde a planta do pé até a cabeça não há nele coisa sã, senão feridas, e inchaços, e chagas podres não espremidas, nem ligadas, nem amolecidas com óleo (Is 1. 5, 6 ARCF). Estas palavras se aplicam, ou não á nossa nação? Creio que sim, mas o mesmo profeta que aponta a doença aponta a cura, que está em repartir o pão com o faminto, em soltar as ligaduras da iniquidade, em fazer a justiça brotar como ribeiro de azeite (Is 58. 6 - 11). Este é o caminho para a mudança, marchar pelo fim da opressão social, mudar hábitos que reproduzem a dinâmica da opressão. Este é o caminho e não pode haver desvios nem para a direita, nem para esquerda. 

Marcelo Medeiros
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