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sábado, 21 de maio de 2016

O mais recente tiro no pé da militância evangélica



A cantora Ana Paula Valadão protagonizou nesta semana o mais recente tiro no pé de um militância evangélica, que a cada dia procura coar mosquitos, mas que vem engolindo camelos. Falo com respeito à mais recente propaganda da C&A (aqui e aqui).  Não se trata de ignorar que o comercial incentiva a ideologia de gênero. Menos ainda de tachar a cantora em apreço de homofóbica, Mas de colocar as coisas em seu devido lugar.

Ja falei neste espaço que mesmo discordando não há como impedir que uma empresa como Boticário e a citada acima deixem de usar ideologias contrárias à fé cristã, com fins de ampliar o seu público. As razões para criticar a forma de proteste encetada por Ana Paula Valadão já foram expostas neste post, e as reitero aqui. 

De minha perspectiva teológica nenhuma denominação religiosa tem contribuído tanto para a distorção do Evangelho de Cristo e para a apostasia quanto este conglomerado chamado Lagoinha, com suas Igrejas em forma de boite com o intuito de alcançar fiéis, mas assim como não posso forçar os marketeiros da C&A, não posso forçar os de Lagoinha a pensarem como eu. 

Marcelo Medeiros. Em Cristo. 

terça-feira, 7 de outubro de 2014

Quem vota em Dilma é ignorante?



Existem mil e uma formas de explicar o voto em Dilma, destas quase todas são ponderáveis, menos o apelo a qualquer forma de preconceito étnico racial. Mas infelizmente a imagem de um dos maiores intelectuais está sendo associada ao preconceito. Sim, FHC, quem diria teve suas palavras distorcidas, pela mídia ao atribuir a força de Dilma nas urnas com a ausência de discernimento por parte do povo (entendida pela imprensa como ignorância). 

Para o ex-presidente não é o fato de serem pobres que faz as pessoas votarem em Dilma, mas a ausência de discernimento. Pronto, foi o suficiente para que o discurso do mesmo fosse associado ao preconceito étnico, particularmente contra o nordestino [aqui]. Tudo por uma colocação que poderia ter sido feita de outra forma. 

Na verdade a força de Dilma está ligada ao medo. Não posso afirmar, por exemplo que pessoas como a professora e filosofa Marilena Chauí, e Leonardo Boff, sejam ignorantes. Mas por alguma razão que ignoro, eles resolveram apoiar um discurso bem similar ao dos simpatizantes do PSDB às vésperas da eleição de Lula. Sim, o medo do retrocesso em programas sociais tem sido o carro chefe da propaganda de Dilma, tal como o medo do retorno da inflação foi no período em que Lula se elegeu, em 2002. 

A questão da grande massa, é o medo da mudança. É algo tipo: precisamos mudar, mas para mudar para pior, deixa como está. Meu único espanto é com a associação de intelectuais do calibre de Boff e Chauí, que em tese não são nada sugestionáveis, e pior, assumem que o Brasil está em um ponto ao qual não pode retroceder [aqui]. 

Minha questão é: se o Lula não retrocedeu em nada no processo iniciado por FHC, por que devo acreditar que qualquer outro candidato que entrar seria um retrocesso? A grande diferença é que faltou aos tucanos um nome que fizesse frente a Lula, e houve alternância no poder, o que não ocorre agora, quando há nomes fortes (ainda que nenhum desfrute de minha simpatia), mas o medo de retroceder não permite a alternância de poder, e aí a democracia corre o sério perigo de ser democracia apenas na forma, e não no conteúdo. 

Creio que a despeito do bolsa família, dos programas cuja eficácia é contestável, a maior herança da perpetuação do PT no poder é o processo de morte de toda e qualquer ideia que seja contrária, e o caso Levy Fidélix [aqui] e Rachel Sheherazard [aqui, aqui, e aqui] foram lições impressionantes. É isto que me faz ver a perpetuação do PT como algo nocivo à democracia. Não vejo Aécio como alternativa viável, mas começo a pensar na alternância, e na ausência da mesma, que Deus nos livre de que isto aqui se torne outra Venezuela. E que intelectuais entendam que a alternância no poder faz parte do processo democrático. 

Marcelo Medeiros

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Hino Nacional em ritmo de funk



A exibição do hino nacional em ritmo de funk me causou asco, nojo, náuseas e tudo o mais que se possa nomear [aqui]. Não falo aqui pelo ritmo cuja única atratividade reside nos elaborados passos dos dançarinos e no remelexo chamativo das maninas, de forma alguma! Antes me refiro a uma das maiores contradições filosóficas, a de que tal como os discursos que revindicam liberdade, e terminam por produzir maior escravidão, o discurso da diversidade termina por produzir o seu extremo oposto. 

Ainda que em temos bíblicos não seja a favor da diversidade, reconheço quem culturalmente ela é importante, artisticamente nem se fala. Nesta aspecto a dessemelhança ritmica entre o baião, o carimbó, o forró, e mesmo o axé, é vital para que não se tenha a sensação de similar a de quem olha para o mar, as árvores, a areia e vê a mesma cor. Creio que se os olhos não se cansam de ver e nem os ouvidos de ouvir, dada a a esta múltipla percepção, sem entrar no mérito do quanto ela seja real, ou não. 

Há anos venho recebendo com verdadeiro horror os argumentos dos inclusivistas de plantão em favor do funk, e honestamente creio que eles defendam tal expressão cultural porque não são forçados por nenhum vizinho chato a ouvirem o que não querem, ou sequer possuem conhecimento e refinamento musical para entender o que acontece ali, é tudo a mesma coisa, o tempo todo. E como se não bastasse, agora é funk na Igreja. 

O curioso fato de meninas, da cidade de Cacimba de Dentro, no carimatu paraibano, fazerem uma coreografia com o  hino nacional em ritmo de funk, ao invés de xote a baião, demonstra o quanto o funk é letal culturalmente. Pior! Os argumentos em favor do mesmo que apelam a inclusividade, e tudo o mais são contraditórios, quando a realidade produzida não é a de preservação cultural, mas de homogenização. Minha previsão é de que precisaremos de muito, mas muito estômago

Marcelo Medeiros




quarta-feira, 13 de agosto de 2014

A Fé se Manifesta em Obras



O autor da Carta aos Hebreus aparentemente define fé como: o firme fundamento das coisas que se esperam e a prova das que não se veem (Hb 11. 1 ARC), ou como traduz a ARA: ora a fé é a certeza das coisas que não se veem, e a convicção de fatos que se não veem (Hb 11. 1 ARA). Mas na medida em que se avança na leitura do texto, torna-se mais e mais perceptível a ideia de que a intenção do autor não foi a de definir fé, mas sim de indicar com a mesma age.

Parto deste princípio porque creio que para falar de interação entre fé e obras, seja necessário um sólida conceituação do que vem a ser a fé, do papel das obras na vida cristã, etc... . O assunto é mais do que atual pela questão apologética (visto que é necessária a remoção da suposta contradição entre Tiago e Paulo), sim. Mas creio que o pelagianismo, esta heresia que tem cercado a Igreja Evangélica Brasileira, seja um mal ainda maior.

FÉ NA BÍBLIA

Não existe no Antigo Testamento uma palavra cujo conceito se aproxima do de fé. A palavra mais próxima, אֱמוּנָתֹ֥ו (emunah [fidelidade]),é igualmente usada para confiança e segurança despertadas pela fidelidade divina quanto ao cumprimento de suas promessas. É no Novo Testamento que ideia ganha maior corpo, por meio do termo πιστις (pistis), cujo emprego pode englobar:

  1. Uma firme persuasão, quanto a uma verdade, ou o conteúdo de alguma afirmativa. É o caso, por exemplo de Paulo, que tinha convicção de que após sua morte receberia um novo corpo (II Co 5. 7, 8). 
  2. Boa fé, fidelidade, sinceridade. Manter a boa fé requer firme convicção a respeito da fidelidade divina (I Tm 1. 19; 2. 7; II Tm 2. 22). Fidelidade é fruto do Espírito (Gl 5. 22; Ap 2. 19; 13. 10). 
  3. Um modo de se apropriar aquilo Deus em Cristo reservou ao homem. É neste sentido, creio eu, que a fé é entendida pelo autor da carta aos Hebreus, quando este afirma: a fé é um modo de possuir, desde agora o que se espera, um meio de conhecer realidades que não se veem (Hb 11. 1 TEB). 
  4. Demonstrada acima de tudo na oração com base na vontade de Deus, que como tal, é feita sem duvidar (Mt 17. 20; 21.21; Mc 11. 22). 
  5. A confiança que os enfermos depositaram em Cristo (Mt 8. 10; 9. 2, 22, 29; 15. 28; Mc 10. 52). 
  6. As doutrinas do Evangelho, que serem fonte de fé (Rm 10. 17), são confundidas com a própria fé. Assim, quando se dizia que os sacerdotes, ou os gentios obedeciam a fé, quer se dizer que obedeciam ao Evangelho (At 6. 7; Rm 1. 5). A abertura da fé aos gentios equivale à pregação (At 14. 27). 
  7. A fé salvadora, ou salvífica, conforme encontrada nos textos de Paulo (Rm 3. 22, 25 - 28, 30, 31). Por meio da fé do Evangelho é imputada ao homem a justiça de Deus (Rm 1. 17; 5. 1, 2; 9. 30, 32; 10. 4). 
Antes de prosseguir com o estudo em apreço, pretendo deixar claro aqui minha anuência às sábias palavras de Ed René Kivitz, quando este afirma que ao contrário do que se pensa, a fé não é algo que leva o ser humano a mexer com Deus, mas que move o ser humano em direção a algo. Em outras palavra, a fé conduz o homem à prática, à ação. Isto é algo que aparece tanto em Paulo quanto em Tiago. 

Pela fé Abel ofereceu melhor sacrifício do que Caim. Mas quando se observa o contexto de Gênesis, por exemplo, torna-se perceptível que a aceitação de um e rejeição de outro estava ligado ao que eles praticavam (Gn 4. 6, 7). Esta interpretação aqui oferecida não se dá em um vácuo hermenêutico, pelo contrário, é confirmada pela própria Bíblia quando João afirma: não como Caim, que era do maligno, e matou a seu irmão. E por que causa o matou? Porque as suas obras eram más e as de seu irmão justas (I Jo 3. 12 ACF). 

Em outras palavras o sacrifício mais excelente de Abel começou na qualidade da oferta, mas com a vida do ofertante. O autor sacro aos Hebreus colocou isto de uma forma diferente, ao afirmar que pela fé os antigos alcançaram testemunho (Hb 11. 2 ACF). O testemunho de Abel foi seu maior ato de fé, e o processo de exegese feito aqui demonstra que nele se evidencia a profunda conexão entre fé e ação. Esta é a essência da fé bíblica. Agora convém falar das obras. 

OBRAS NA PERSPECTIVA BÍBLICA

O que a Bíblia diz a respeito das boas obras? Em primeiríssimo lugar, as Escrituras foram legadas ao povo de Deus com a estrita finalidade de instruir e educar o homem de Deus em toda a boa obra (II Tm 3. 16, 17). Em segundo lugar, mesmo afirmando que a salvação é exclusivamente pela graça de Deus, e independente de obras (Ef 2. 8, 9), a mesma Bíblia diz no mesmo contexto que os crentes, ou salvos, foram criados em Cristo Jesus para as boas que Deus já antes preparara para que nela andássemos (Ef 2. 10 Bíblia de Jerusalém). Aqui se faz necessária uma explicação. 

Quando Paulo afirma a salvação pela graça independente de obras de justiça, sejam quais forem (Ef 2. 8, 9), há que se atentar para o contexto, que descreve o homem sem Deus como morto em seus delitos e pecados, vivendo de acordo com o espírito que opera nos filhos da desobediência, satisfazendo as vontades da carne e o seus impulsos (Ef 2. 1 - 4). Faço aqui uma pausa para lembrar que a carne não pode obedecer a lei de Deus (Rm 8. 5 - 8). Sim, os que estão na carne não podem agradar a Deus (Rm 8. 8 Bíblia de Jerusalém). 

Para que o crente pratique as boas obras descritas no texto, necessário se faz com que Deus faça dele uma nova criatura em Cristo (ποιημα κτισθεντες εν χριστω [poieema kthistentes en Christon]). A habilitação do homem para fazer as boas obras é em si, uma obra de Deus. A teologia chama esta obra de regeneração. Sei que até agora esteou transitando dentro do pensamento paulino, mas o que Tiago tem a dizer a este respeito? 

Em primeiro lugar, conforme visto neste espaço, Tiago sabe que o homem natural é atraído como um animal por seus desejos, de forma a vir a pecar (ver gerados pela palavra da verdade aqui), e afirma que o homem tem de ser praticante da palavra (ver a parte em que falo da religião pura e imaculada aqui); mas note, que antes desta célebre escritor falar da prática da Palavra e da verdadeira religião ele afirma: Por sua vontade, ele nos gerou pela palavra da verdade, para que fôssemos como que as primícias dentre as suas criaturas (Tg 1. 18 Bíblia de Jerusalém). 

Em outras palavras, em Cristo, o homem foi gerado pela Palavra da Verdade para para praticar a Palavra (Tg 1. 18 - 25). Este contexto tem de ser levado em conta pelo intérprete bíblico, a fim de que toda dúvida seja jogada por terra. Querendo ou não os teólogos liberais, há mais semelhança entre Paulo e Tiago do que imagina toda vã teologia acadêmica. 

Mas somente as Escrituras habilitam o crente a praticar as boas obras requeridas por Deus. Primeiro, por serem a fonte de regeneração (Tg 1. 18; I Pe 1. 22 - 23), segundo por indicarem a glória de Deus como propósito fundamental para a prática das mesmas (Mt 5. 16), e por último por apontarem que somente por Deus e por Cristo é que tais podem ser praticadas. 

Esta verdade aparece já no Antigo Testamento quando Isaías afirma: Iahweh tu nos asseguras a paz; na verdade todas as nossas obras tu as realizas por nós (Is 26. 12 Bíblia de Jerusalém). Jesus mesmo disse aos seus discípulos: permanecei em mim, e eu em vós. Como o ramo não pode dar fruto por si mesmo, se não permanecer na videira, assim também vós se não permanecerdes em mim. Eu sou a videira, e vós os ramos. Aquele que permanece em mim e eu nele produz muito fruto; porque sem mim, nada podeis fazer (Jo 15. 4, 5 Bíblia de Jerusalém). 

O mesmo pode ser dito de Paulo, que preocupado com o progresso dos irmãos de Filipo desejou aos mesmos que que o amor deles crescessem mais e mais. Como? Em conhecimento e em sensibilidade, a fim de que os mesmos pudessem discernir o que é importante e fossem puros e irreprováveis no dia de Cristo, na maturidade do fruto da justiça, que vem por Jesus Cristo e para a glória e o louvor de Deus (Fp 1. 9 - 11 Bíblia de Jerusalém). Mas Paulo fez esta oração sabendo que o querer e o efetuar estão em Deus (Fp 2. 13). 

Não há em Tiago o espaço para uma oposição entre fé e obras e nem para uma especulação de um suposta salvação pelas obras. Afirmo isto por uma simples razão: a essência da fé é um desesperar de si mesmo, e um depositar da confiança humana no agir de Deus. Esta mensagem aparece quanto o autor faz menção aos exemplo de fé e obras do Antigo Testamento, a saber: Abraão e Raabe. Ambos demonstraram confiança no Deus de Israel e se apoiaram na mesma para agir como agiram.

Minha conclusão a respeito deste assunto é que a Bíblia em momento algum condena as boas obras. Pelo contrário incentiva a prática das mesmas, desde que com a motivação correta, a glória de Deus e de Cristo (Mt 5. 16), e que jamais as mesma sejam usadas como uma forma de marketing pessoal. Isto se dá quando a motivação para as boas obras é ser visto pelos homens.

Um outro problema abordado nas Escrituras é a confiança nas boas obras como se estas fossem um tipo de crédito entre o homem e Deus. A matriz cultural deste pensamento é a justiça diretiva do judaísmo pré cristão. Uma justiça, cuja base é o desempenho do homem no cumprimento da lei, como se cada mandamento cumprido fosse uma moeda de negociação entre o homem e Deus. Em um primeiro momento Davi parece acreditar neste tipo de Justiça (Sl 18. 18 - 27), mas somente até experimentar o poder desolador do pecado e orar pedindo compadece-te de mim ó Senhor (Sl 51). Para mais sobre o assunto, ver aqui.

FÉ E OBRAS NO CONTEXTO DA CARTA DE TIAGO

Antes de um exame a respeito da vida destes dois ícones, gostaria de ressaltar o contexto em que Tiago fala, que por sua vez segue a seguinte ordem:
  1. Geração pela Palavra da Verdade (Tg 1. 16 - 18)
  2. Chamado à prática da Palavra de Deus (Tg 1. 19 - 25)
  3. Indicação da religião pura (Tg 1. 26, 27)
  4. Condenação à fé em Cristo, quando supostamente exercida em acepção de pessoas (Tg 2. 1 - 13). 

Gostaria de chamar a atenção para os versos finais em que o irmão do Senhor pede: assim falai, e assim procedei, como devendo ser julgados pela lei da liberdade. Porque o juízo será sem misericórdia sobre aquele que não fez misericórdia; e a misericórdia triunfa do juízo (Tg 2. 12, 13 ACF). É esta fala que antecede a pergunta retórica a respeito da relação entre fé e caridade e obras.

A caridade vazia de obras é nula, não é sem razão que João pede: não amemos de palavra, nem de língua, mas por obra e em verdade (I Jo 3. 18). Nos escritos paulinos, fé, esperança e amor constituem uma tríade que vei a ser conhecida como a das virtudes teologais (Rm 5. 1 - 5; I Co 13. 13), e o fator mais revelador de todos, a afirmação de que a fé opera por meio do amor. 

Porque nós pelo Espírito da fé aguardamos a esperança da justiça. Porque em Jesus Cristo nem a circuncisão nem a incircuncisão tem valor algum; mas sim a fé que opera pelo amor (Gl 5. 5, 6 ACF).  Fé e amor operam de modo conjunto, daí que mais que normal que para exemplificar a operosidade da fé, Tiago tenha recorrido ao exemplo de caridade conforme se vê em Tg 2. 14 - 17. 

ABRAÃO E RAABE, EXEMPLOS DE FÉ E OBRAS

Assim também a fé, se não tiver obras está completamente morta. De fato alguém poderá objetar-lhe tu tens a fé e eu tenho as obras. Mostra-me a tua fé sem as obras, e eu te mostrarei a minha fé pelas obras (Tg 2. 17, 18 Bíblia de Jerusalém). O que Tiago ensina neste texto? Que não existe fé separada de obras. Este ensino pode ser observado na Carta aos Hebreus, especificamente na lista dos heróis da fé, uma vez que a cada vez que o autor diz: pela fé, vem um verbo denotado a ação dos mesmos.

Tiago a fim de demonstrar esta verdade de forma mais prática e concisa recorre ao exemplo de Abraão e Raabe. Vou começar com o exemplo do patriarca de Israel e pai na fé dos cristãos. Não foi pelas obras que nosso pai Abraão foi justificado ao oferecer seu filho Isaque sobre o altar? Já vês que a fé concorreu para as suas obras e assim a fé se realizou plenamente. E assim cumpriu a Escritura que diz: Abraão creu em Deus e isto lhe foi imputado como justiça (Tg 2. 21 - 23 Bíblia de Jerusalém). Algumas observações precisam ser feitas aqui:
  1. Em primeiro lugar a imputação de justiça a Abraão se deu quando este ainda não tinha filho algum, e ao ouvir do próprio Deus que teria uma descendência tão numerosa quanto as estrelas do céu, creu (Gn 15. 1 - 6). 
  2. Diante do exposto seria um problema se Tiago afirmasse que a oferta, ou apresentação de Isaque sobre o altar foi o motivo da justificação de Abraão, mas não é isto que se lê no texto. Tiago na verdade está fazendo duas afirmativas bem significativas. 
  3. Que a fé (já demonstrada na anuência ao projeto de Deus para a sua vida) de Abraão atingiu sua plenitude quando este ofereceu (na verdade o verbo ανενεγκας [anenégkas] é melhor traduzido por apresentar, o que ressalta a obediência do patriarca) Isaque sobre o altar. 
  4. Que este ato foi o cumprimento da declaração escriturística de que o patriarca crera na palavra de Deus e isto lhe foi imputado como justiça. 
  5. Há uma sinergia entre fé e obras, que permite que a fé seja consumada. 
  6. A obra que Tiago toma como exemplo, é em si, um ato de fé da parte do patriarca, que tinha despedido seu filho Ismael e tinha exclusivamente em Deus a esperança do cumprimento da promessa. 
  7. O que Tiago pretende demonstrar aqui é que fé e obras andam juntas. 
Esta é a visão de fé que Tiago tem. Agora convém analisar o exemplo de Raabe. O que tenho a dizer a respeito dela é muito simples: as obras da fé que esta mulher demonstrou são fruto de uma consciência da superioridade do Deus de Israel. Tiago indaga: Raabe, a prostituta, não foi justificada pelas obras quando acolheu os mensageiros e os fez voltar por outro caminho? Com efeito assim como o corpo sem o sopro de vida é morto, assim também é morta a fé sem obras (Tg 2. 25, 26 Bíblia de Jerusalém).

No lugar de entender precipitadamente que as obras de uma meretriz pagã foram a fonte de sua justificação, ou que um judeu do século primeiro entenderia assim, prefiro a compreensão de que de nada adiantaria àquela mulher sentir o mesmo tremor que os demais cidadãos de Jericó sentiram, e ter a mesma atitude deles. Este tipo de fé é similar ao corpo sem fôlego de vida, algo morto em essência.

Em Cristo, Pr Marcelo Medeiros

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Aquilo que é polêmico também pode trazer edificação.

Na apologética ouvi sucessivas vezes a frase: não julgueis, e ao longo de anos de polêmica percebi que existem pessoas intocáveis, cujo comportamento, na prática, está acima do bem e do mal, são os ungidos do Senhor, os mega pregadores, os astros da música gospel. Tais assumem um comportamento que não pode ser criticado ainda que passível de severas repreensões. Uma vez que foi esclarecido que o crente pode julgar, uma vez que não há quem não faça julgamentos e o ato de julgar não nos serve para a estereotipia e discriminação, mas para o discernimento entre o que é ovelha e o que é lobo em pele de ovelha; precisamos meditar em outro pretexto, o da edificação.
Tenho visto críticas honestas e sinceras serem rebatidas com o pretexto de que as mesmas não trazem edificação. O bordão da vez é este: Se não produz edificação, para que comentar (ou postar)? O que ignoram é a questão da edificação. Em primeiro lugar, sobre qual fundamento estamos edificando? Para Paulo, se o fundamento não for Cristo de anda adianta continuarmos na construção, daí a recomendação do apóstolo: veja cada um como edifica sobre ele. Porque ninguém pode pôr outro fundamento além do que já está posto, o qual é Jesus Cristo (I Co 3. 10, 11 ARCF). 
Em segundo lugar, ainda que o fundamento de nossa iniciativa seja Cristo, precisamos pensar no material que estamos usando para a edificação, afinal,
se alguém sobre este fundamento formar um edifício de ouro, prata, pedras preciosas, madeira, feno, palha,  A obra de cada um se manifestará; na verdade o dia a declarará, porque pelo fogo será descoberta; e o fogo provará qual seja a obra de cada um. Se a obra que alguém edificou nessa parte permanecer, esse receberá galardão. Se a obra de alguém se queimar, sofrerá detrimento; mas o tal será salvo, todavia como pelo fogo (I Co 3. 12 - 15 ARCF). 
O contexto prossegue dizendo que somos o templo do Espirito Santo de Deus. Este somos indica que não o somos em nossa individualidade, mas na coletividade. O convite à revisão do material implica que temos sim de ser polêmicos a respeito de como edificamos, e do nosso projeto de Igreja. Daí a necessidade sim de tocarmos em assuntos polêmicos tais como: musica, doutrina, vestes, costumes, ministérios, ética pastoral. Como pretendo retornar a este texto encerro a minha reflexão por aqui, na esperança de que o post seja instrumentalizado pelo Espírito de Deus a fim de novas posturas seja produzidas.
Creio que um crente que não possui capacidade para debater não deve se lançar nesta atividade, afinal, ao servo de Deus não convém contender. Mas discordo veementemente do silêncio que tenho visto em muitos cristãos.
 
Em Cristo, Pr Marcelo Medeiros

sexta-feira, 8 de março de 2013

Marco Feliciano eleito para comissão de direitos humanos

 

Depois de sucessivos tumultos, interrupções , tentativas de obstrução por parte do outrora presidente da comissão dos direitos humanos, o deputado Marcos Feliciano é eleito para a presidência da referida comissão. Sua eleição seria uma ótima oportunidade para que como cristãos mediante o nosso bom exemplo pudéssemos calar a boca dos que falam contra nós. SERIA, MAS NÃO É. Meus senões com o referido deputado se devam ás declarações de péssimo tom que o mesmo deu a respeito dos negros e homossexuais dando a entender que era racista e homofóbico. De acordo com o site G1, ele chegou a publicar em seu twitter que "sobre o continente africano repousa a maldição do paganismo, ocultismo, misérias, doenças oriundas de lá: ebola, Aids, fome... Etc". A infelicidade é que se tais critérios de fato fossem seguidos países como Estados Unidos, entre outros, cujo número de satanistas cresce cada vez mais, seriam assolados em igual proporção. Com esta mesma declaração ele demonstrou extrema falta de percepção e despreparo teológico. Não estou usando este espaço para brincar de malhar o judas com o deputado e pastor, e quem lê meus posts sabe da minha antipatia com a agenda do politicamente correto. Também preciso falar que não tenho, nem posso ter problemas com a pessoa do pastor, apenas com suas idéias.
Associar as intempéries naturais que assolam a África com maldição é ignorância bíblica e histórica. Pior do que isto é associar o homossexualismo à criminalidade, quando a ligação não é nem de longe evidente. Assim minha critica se dirige às idéias do referido pastor, e sinto o quanto nossas igrejas carecem de discernimento por abrirem espaço a este tipo de ministro para falar. Sem contar que a palavra por ele ministrada em Camburiú é no mínimo vergonhosa, pedir oferta daquela forma, e tem sido a maior arma nas mãos dos nada simpáticos ao evangelho. HONESTAMENTE, TENHO MEDO.
 
Pr Marcelo Medeiros
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