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domingo, 28 de fevereiro de 2016

Vai ter shortinho sim



Esta semana, quase que acidentalmente assisti a uma matéria em que garotas de um colégio tradicional de Porto Alegre, estavam envolvidas em uma mobilização em prol da abolição das normas de vestuários, e na consequente adoção do shortinho em ambiente escolar. Se a reportagem em apreço não tivesse o recurso visual, parte do meu senso de julgamento teria sido afetado sim, e possivelmente seria mais uma dos seis mil a farem assinaturas. Me explico. 

Fato inconteste que o "olhar dos garotos" em si, não é razão para que se proíba uma menina de andar com este, ou com aquele traje. Meninos precisam aprender que não basta ver uma menina atraente e ir para a batalha. Que antes de tudo a empatia conta. A questão a ser colocada é se um garoto entre os seus doze a dezesseis anos consegue aprender e aplicar tal norma de conduta. Mesmo em caso de negativa, esta não é argumento que justifique as regras referentes a vestuário. 

O argumento, ao meu ver se encontra no fato de que por mais lindo que seja ver adolescente se reunindo com o intuito de quebrar esta, ou aquela regra, a sociedade não funciona assim. Militares, civis, médicos e demais profissionais usam o uniforme. Na dúvida, basta lembrar do terno do advogado e da toga do juiz (para não falar das roupas que tal ambiente exige). 

Ao ler a relação de peças do vestuário permitidas pelo colégio, segundo a matéria tradicional, achei o mesmo flexível. Como egresso da escola pública, não vejo nada demais em exigências para com o uniforme, e a liberdade dada pelo colégio Anchieta teria sido muito bem recebida pela minha geração. 

Sobre o protesto? Quixotesco, e só. A diferença é que Dom Quixote saiu a lutar contra moinhos de vento após ler romances de cavalaria, e ao que parece nossas meninas o fazem após algumas aulas sobre ideologia de gênero (na verdade discussão, ou de gênero), feminismo, e coisas do tipo. Tais ideologias, tal como a literatura tem lá as suas funções (distrair o ser humano de sua miséria, e preencher a existência com significados), mas se levadas demasiadamente à sério dão os resultados conhecidos por quem leu o romance. 

Forte Abraço, Marcelo Medeiros

sábado, 15 de novembro de 2014

Em terra de Chico nem tudo são flores para Francisco





O título do presente post é uma alusão ao protesto realizado por ativistas do grupo femem no Vaticano. Uma das ativistas traz nos seios uma frase com os dizeres o papa não é político. A razão de ser do protesto é a visita do pontífice romano ao parlamento de Estrasburgo, que na interpretação das mesmas é um ataque ofensivo ao processo de secularização (laicização) da Europa (aqui , aqui e aqui). 

O grupo FEM é famoso por seus protestos com os seios à mostra. Algumas causas defendidas pelo mesmo são de cunho legítimo, tais como os protestos contra o turismo sexual, homofobia, e sexismo. Mesmo com a apelação a mensagem mantenha dentro, cujo significado é o de que a religião tem de ser cada vez mais algo da esfera íntima do indivíduo, possui o seu respaldo (se você duvida disto, precisa se informar mais sobre a reforma). Mas considero que protestar no Vaticano com gestos que insinuam a introdução de uma cruz no ânus foi o cúmulo. 

Ao que tudo indica o papa foi convidado para fazer esta visita, ao menos é este o destaque dado pela imprensa estrangeira. Além do mais, ele tem se mostrado disposto, aberto ao diálogo justamente nas questões defendidas pelo grupo, daí minha sensação de que a ação foi um tiro pela culatra. Primeiro, por reagir uma suposta injúria, com uma ofensa objetiva. Segundo, pelo protesto não se constituir a melhor forma de diálogo (modo pelo qual interesses comuns poderiam ser traçados). Por último, por não reconhecerem que a laicização, ou secularização é um legado da reforma protestante, logo, a ideia delas possui um cunho religioso fortíssimo. 

Minha leitura do fato em si é que em terra de Chico nem tudo são flores para Francisco. O papa Francisco é o papa mais simpático, carismático e popular que já vi na minha breve vida. O legado jesuíta do mesmo mostra o seu amplo preparo para ser o chefe de uma Igreja em um mundo em transformação, a simpatia e humildade dos mesmo lhe deu apoio popular. Mas o tempo de namoro do mesmo com a Europa terminou. a repercussão do protesto e o enfoque do mesmo nas redes sociais mostra que os anticlericalistas estão vindo com tudo e algo mais. 

O cristianismo, sem entrar no mérito de sua ligação com Cristo, é uma religião de proclamação e de conversão. Como  já me expressei aqui neste espaço o homem moderno (falo no sentido de atual), está cada vez mais indisposto a ouvir quaisquer mensagens de censura, e a mensagem da cruz é um julgamento de Deus para a humanidade. Como se isto não bastasse, o histórico da Igreja sempre vem à memória. Na verdade uma história, que como toda estória, tem o seu cunho ideológico, foi cunhada para que as pessoas crescessem odiando a religião. Ela pegou na Europa, que já não se pode mais dizer cristã, e ameaça pegar aqui. 

Soluções? A Bíblia já as deu. Nossos opositores devem ser tratados da mesma forma que Cristo tratou seus detratores, sem responder as provocações e respondendo as questões dos mesmos com mansidão e temor. O contexto (I Pe 3. 9 - 16), indica que não se deve opor ao mal com mal, nem injúria com injúria, visto que o chamado cristão demanda perseverança. Resumindo, ainda que nem tudo sejam flores, cabe a cada cristão, católico, protestante e evangelicalista espalhar o cheiro de Cristo. 

Em Cristo, Marcelo Medeiros. 

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Manifestações no Rio e em boa parte do Brasil


Curioso, mas creio que exatamente uma semana após ter publicado a crítica de Juan Arias aqui em meu blog, e de ter postado, o diagnóstico que Aldous Huxley fazia de nosso tempo, fui surpreendido com um movimento que começou de forma aparentemente tímida, desorganizada, e manipulada, mas que com o passar do tempo ganhou dimensões nacionais, e a julgar pelas matérias nos canais de TV aberta, está muito bem articulado. 
Confesso que demorei a comentar aqui, porque foi difícil diagnosticar este fenômeno. Não faltaram pessoas para atrelarem o movimento, que se dá próximo aos eventos esportivos e á visita do Papa Francisco, a uma ação política orquestrada por partidos que querem implantar o comunismo aqui em nosso país, o que descreio. Primeiro, porque a capitulação do regime comunista no mundo está ligada a um fato mais do que inconteste: a maioria absoluta dos presidentes com perfil de esquerda que foram eleitos, traíram seus ideais e adotaram a agenda neo liberal. Segundo, a Globalização, é na verdade uma síntese de tudo o que há de ruim no Capitalismo e no comunismo, de forma que tanto direita quanto esquerda precisam serem reconstruídas e este trabalho vai demorar anos. Por último, qualquer pessoa que tenha visto os jornais e seja minimamente informada viu a multidão gritando: " não temos partido, não temos partido...". 
A frase de ordem é uma clara demonstração de insatisfação para com a política partidária em nosso país que a despeito das siglas, legendas, e das supostas ligações deste, ou daquele partido com uma suposta "esquerda", ou "direita", na verdade se mostrou comprometida com a manutenção dos velhos vícios políticos de nossa nação. A maior demonstração desta realidade concreta, mas não imutável, é o claro descumprimento, por parte do legislativo, com relação às sentenças do supremo, mensaleiros comprovadamente culpados, julgados e condenados, assumem cargos importantes, em flagrante desrespeito para com uma nação que pela primeira vez sentiu os ares de uma democracia.  
O segundo golpe dos críticos do movimento foi a razão de ser do mesmo. Afinal, por que protestar por reles R$ 0, 20? E a resposta veio por meio de um jornalista que criticando Arnaldo Jabour, afirmou, com muita propriedade que a razão não estava nos vinte centavos, mas na queda da qualidade do serviço. Aliás não é de hoje que os empresários de ônibus, que recebem concessões do governo para explorarem linhas, oferecem serviço de qualidade pífia, um transporte público que não atende à população e obriga o povo a usar o veículo particular, o que provoca congestionamentos no trânsito e piora na qualidade de vida. 
Uma outra crítica muito comum às passeatas, que ocorrem em todo o Brasil, foi a prática de vandalismo. Mais uma vez a própria imprensa, se viu forçada, a admitir que o movimento em apreço foi majoritariamente pacífico e ordeiro.  Entre as imagens, manifestantes distribuindo flores para as autoridades policiais, o desastre em todo o Brasil fica por conta de um grupo de bandidos, que se valendo do movimento, ao meu ver legítimo, depreda patrimônio público, queima e quebra prédios históricos além de humilhar e expor à vexação o poder público, representado por meio de uma instituição com mais de dois séculos de existência, e que a despeito de quaisquer críticas que possam ser feitas, é a força com a qual todo cidadão conta nas horas mais difíceis. Mas tenho de dizer que acredito sim em manifestação pacífica, na não violência (visto que a base suprema desta é cristã também).
Eu sei que o problema real de nossos políticos é o pecado, sim, acredito que o homem é irremediavelmente corrupto, desonesto, que como disse Hobbes, todo homem que ascende ao poder, usa o mesmo em benefício próprio. E, exatamente por este motivo, não creio que após esta série de protestos, outras serão necessárias. Não vejo, com bons olhos a questão proposta pelo ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, que  chegou a afirmar que não entendia a dinâmica dos novos protestos visto que não tinham liderança, e por isto não dava para negociar. Para mim, esta é uma forma velada de dizer que a população não será atendida, coisa que duvido, caso as pressões sociais aumentem. 
O que não podemos fazer é entender que sentados, trabalhando, estudando e cuidando de nossa vidinha as coisas irão melhorar por si sós, conforme entendiam os positivistas. Não de forma alguma, até nós cristãos temos de protestar sim, e sem temer pelo futuro, que a Deus pertence, pois como disse Jesus, basta de  cada dia o seu mal. O que não é bom é a semeadura da omissão, e queira Deus que esta esteja saindo de moda em nosso solo pátrio, e que, de fato o gigante adormecido tenha despertado. 

Rio 18 de Junho de 2013, ás 0 horas e  11 minutos. 
Marcelo Medeiros

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