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quarta-feira, 19 de junho de 2013

Manifestações no Rio e em boa parte do Brasil


Curioso, mas creio que exatamente uma semana após ter publicado a crítica de Juan Arias aqui em meu blog, e de ter postado, o diagnóstico que Aldous Huxley fazia de nosso tempo, fui surpreendido com um movimento que começou de forma aparentemente tímida, desorganizada, e manipulada, mas que com o passar do tempo ganhou dimensões nacionais, e a julgar pelas matérias nos canais de TV aberta, está muito bem articulado. 
Confesso que demorei a comentar aqui, porque foi difícil diagnosticar este fenômeno. Não faltaram pessoas para atrelarem o movimento, que se dá próximo aos eventos esportivos e á visita do Papa Francisco, a uma ação política orquestrada por partidos que querem implantar o comunismo aqui em nosso país, o que descreio. Primeiro, porque a capitulação do regime comunista no mundo está ligada a um fato mais do que inconteste: a maioria absoluta dos presidentes com perfil de esquerda que foram eleitos, traíram seus ideais e adotaram a agenda neo liberal. Segundo, a Globalização, é na verdade uma síntese de tudo o que há de ruim no Capitalismo e no comunismo, de forma que tanto direita quanto esquerda precisam serem reconstruídas e este trabalho vai demorar anos. Por último, qualquer pessoa que tenha visto os jornais e seja minimamente informada viu a multidão gritando: " não temos partido, não temos partido...". 
A frase de ordem é uma clara demonstração de insatisfação para com a política partidária em nosso país que a despeito das siglas, legendas, e das supostas ligações deste, ou daquele partido com uma suposta "esquerda", ou "direita", na verdade se mostrou comprometida com a manutenção dos velhos vícios políticos de nossa nação. A maior demonstração desta realidade concreta, mas não imutável, é o claro descumprimento, por parte do legislativo, com relação às sentenças do supremo, mensaleiros comprovadamente culpados, julgados e condenados, assumem cargos importantes, em flagrante desrespeito para com uma nação que pela primeira vez sentiu os ares de uma democracia.  
O segundo golpe dos críticos do movimento foi a razão de ser do mesmo. Afinal, por que protestar por reles R$ 0, 20? E a resposta veio por meio de um jornalista que criticando Arnaldo Jabour, afirmou, com muita propriedade que a razão não estava nos vinte centavos, mas na queda da qualidade do serviço. Aliás não é de hoje que os empresários de ônibus, que recebem concessões do governo para explorarem linhas, oferecem serviço de qualidade pífia, um transporte público que não atende à população e obriga o povo a usar o veículo particular, o que provoca congestionamentos no trânsito e piora na qualidade de vida. 
Uma outra crítica muito comum às passeatas, que ocorrem em todo o Brasil, foi a prática de vandalismo. Mais uma vez a própria imprensa, se viu forçada, a admitir que o movimento em apreço foi majoritariamente pacífico e ordeiro.  Entre as imagens, manifestantes distribuindo flores para as autoridades policiais, o desastre em todo o Brasil fica por conta de um grupo de bandidos, que se valendo do movimento, ao meu ver legítimo, depreda patrimônio público, queima e quebra prédios históricos além de humilhar e expor à vexação o poder público, representado por meio de uma instituição com mais de dois séculos de existência, e que a despeito de quaisquer críticas que possam ser feitas, é a força com a qual todo cidadão conta nas horas mais difíceis. Mas tenho de dizer que acredito sim em manifestação pacífica, na não violência (visto que a base suprema desta é cristã também).
Eu sei que o problema real de nossos políticos é o pecado, sim, acredito que o homem é irremediavelmente corrupto, desonesto, que como disse Hobbes, todo homem que ascende ao poder, usa o mesmo em benefício próprio. E, exatamente por este motivo, não creio que após esta série de protestos, outras serão necessárias. Não vejo, com bons olhos a questão proposta pelo ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, que  chegou a afirmar que não entendia a dinâmica dos novos protestos visto que não tinham liderança, e por isto não dava para negociar. Para mim, esta é uma forma velada de dizer que a população não será atendida, coisa que duvido, caso as pressões sociais aumentem. 
O que não podemos fazer é entender que sentados, trabalhando, estudando e cuidando de nossa vidinha as coisas irão melhorar por si sós, conforme entendiam os positivistas. Não de forma alguma, até nós cristãos temos de protestar sim, e sem temer pelo futuro, que a Deus pertence, pois como disse Jesus, basta de  cada dia o seu mal. O que não é bom é a semeadura da omissão, e queira Deus que esta esteja saindo de moda em nosso solo pátrio, e que, de fato o gigante adormecido tenha despertado. 

Rio 18 de Junho de 2013, ás 0 horas e  11 minutos. 
Marcelo Medeiros

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