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sábado, 16 de julho de 2016

Igreja Agência Evangelizadora



A Igreja é a Agência Evangelizadora. Com isto, o que se quer dizer é que a razão de ser desta é a evangelização, ou a pregação do Evangelho. A grande comissão é o relato que expõe claramente  esta dimensão, ou modo de ser da Igreja. Todavia existem outros ensinos claros de Cristo que apontam para esta mesma verdade. O objetivo primordial deste post consiste em apontar para estes ensinos e articular os mesmos com os relatos da grande comissão e a descrição da atividade da comunidade primitiva nos Atos dos Apóstolos. 

O ENSINO DE CRISTO A RESPEITO DA NATUREZA DA IGREJA
Vós sois o sal da terra; e se o sal for insípido, com que se há de salgar? Para nada mais presta senão para se lançar fora, e ser pisado pelos homens. Vós sois a luz do mundo; não se pode esconder uma cidade edificada sobre um monte; Nem se acende a candeia e se coloca debaixo do alqueire, mas no velador, e dá luz a todos que estão na casa. Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus (Mt 5. 13 - 16 ARCF). 
Não se sabe ao certo, se por razões medicinais, ou meramente religiosas o sal era um elemento que era esfregado em uma criança recém nascida. Todavia seu uso mais importante se deve às funções preservativas do mesmo, conforme destacado por Lucas em seu evangelho. Bom é o sal; mas, se o sal degenerar, com que se há de salgar? Nem presta para a terra, nem para o monturo; lançam-no fora. Quem tem ouvidos para ouvir, ouça (Lc 14. 34, 35 ARCF). 

Partindo deste elemento pode-se concluir que o texto de Mt 5. 13 - 16 na verdade versa a respeito da influência que os discípulos exercem na terra. É de suma importância, para a percepção de tal a leitura articulada com Mt 5. 2 - 12, onde as características dos discípulos de Jesus são traçadas. Quais?

  1. Senso de miséria espiritual e dependência divina, representado na pobreza. Falo a respeito neste e neste texto
  2. A contrição e o arrependimento decorrentes do senso de miséria espiritual, do qual falo melhor neste texto.  
  3. A mansidão cuja marca maior é a capacidade de autocrítica. 
  4. A fome de Deus e de Cristo e de sua Palavra.
  5. A misericórdia de acordo com este post, esta pode ser exercida pelo comedimento no julgar aos outros, ou pelo menos em fazê-lo de forma temerária. 
  6. A esta última pode-se somar um coração limpo, e 
  7. um espírito pacífico, decorrente da mansidão e misericórdia. 
Estes, mesmo sob o peso e esmagamento da perseguição exercem influência sobre os indivíduos. Deus soberanamente escolheu trabalhar desta forma a fim de que os êxitos do Evangelho pertencessem exclusivamente a Ele. Em outro texto Paulo fala claramente desta contraposição entre a majestade de Deus e do Evangelho e a fragilidade dos instrumentos que Cristo levanta a fim de proclamar sua Palavra. 
Mas, se ainda o nosso evangelho está encoberto, para os que se perdem está encoberto. Nos quais o deus deste século cegou os entendimentos dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, que é a imagem de Deus. Porque não nos pregamos a nós mesmos, mas a Cristo Jesus, o Senhor; e nós mesmos somos vossos servos por amor de Jesus. Porque Deus, que disse que das trevas resplandecesse a luz, é quem resplandeceu em nossos corações, para iluminação do conhecimento da glória de Deus, na face de Jesus Cristo. Temos, porém, este tesouro em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus, e não de nós (II Co 4. 3 - 7 ARCF). 
Que o leitor perceba uma verdade. O Evangelho traz a Glória de Cristo, que é a imagem de Deus, traz como conteúdo o próprio Cristo, o Senhor, traz  iluminação do conhecimento da glória de Deus, na face de Jesus Cristo. Tal como no caso das lamparinas da Judeia, é marcada pela contraposição fragilidade do recipiente e excelência do conteúdo. Feitas as considerações iniciais, necessário se faz abordar a Grande comissão. 

A GRANDE COMISSÃO
E, chegando-se Jesus, falou-lhes, dizendo: É-me dado todo o poder no céu e na terra. Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; Ensinando-os a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos. Amém (Mt 28. 18 - 20 ARCF). 
A comissão na ótica de Mateus tem a ver com a autoridade que Cristo recebe imediatamente após a ressurreição, a fim de que se perceba tal verdade basta olhar para o kerigma primitivo e ver o quanto Jesus é chamado de SENHOR.  Sob esta autoridade os discípulos são enviados a batizar em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo

A comissão aqui compreende o discipulado cuja marca é a submissão obediente ao que Cristo ensinou. Para mais a respeito do discipulado ver aqui. A Igreja compreendeu isto perfeitamente tanto que o primeiro historiador chamou os fiéis da mesma de μαθηται (mathetai). O crescimento da Igreja primitiva equivalia ao crescimento do número dos discípulos. 
E disse-lhes: Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura. Quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado. E estes sinais seguirão aos que crerem: Em meu nome expulsarão os demônios; falarão novas línguas; Pegarão nas serpentes; e, se beberem alguma coisa mortífera, não lhes fará dano algum; e porãoas mãos sobre os enfermos, e os curarão. Ora, o Senhor, depois de lhes ter falado, foi recebido no céu, e assentou-se à direita de Deus. E eles, tendo partido, pregaram por todas as partes, cooperando com eles o Senhor, e confirmando a palavra com os sinais que se seguiram. Amém (Mc 16. 15 - 20 ARCF). 
A respeito deste último texto traço minhas considerações neste post.  A ordem é para que os discípulos preguem pelo caminho. somente duas reações são possíveis, a de crença no Evangelho, e a de rejeição. Jesus oferece aos seus sucessores poder para que a mensagem seja confirmada por meio de sinais. 

A IGREJA PRIMITIVA E A OBEDIÊNCIA À GRANDE COMISSÃO

O testemunho da Igreja primitiva decorre do derramamento do Espírito no Pentecoste. E eis que sobre vós envio a promessa de meu Pai; ficai, porém, na cidade de Jerusalém, até que do alto sejais revestidos de poder (Lc 24. 49 ARCF), e: Mas recebereis a virtude do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria, e até aos confins da terra (At 1. 8 ARCF). 

Após o derramar do Espírito, os apóstolos compeçaram a pregar com ousadia. Pedro, porém, pondo-se em pé com os onze, levantou a sua voz, e disse-lhes: Homens judeus, e todos os que habitais em Jerusalém, seja-vos isto notório, e escutai as minhas palavras (At 2. 14 ARCF), e como efeito da mensagem entregue sob autoridade, inspiração e poder do Espírito, três mil almas se renderam. 
E, ouvindo eles isto, compungiram-se em seu coração, e perguntaram a Pedro e aos demais apóstolos: Que faremos, homens irmãos? E disse-lhes Pedro: Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para perdão dos pecados; e recebereis o dom do Espírito Santo; Porque a promessa vos diz respeito a vós, a vossos filhos, e a todos os que estão longe, a tantos quantos Deus nosso Senhor chamar. E com muitas outras palavras isto testificava, e os exortava, dizendo: Salvai-vos desta geração perversa. De sorte que foram batizados os que de bom grado receberam a sua palavra; e naquele dia agregaram-se quase três mil almas (At 2. 37 - 41 ARCF). 

  1. A mensagem esmaga, quebranta o coração dos ouvintes. 
  2. Eles perguntam aos apóstolos o que devem fazer. 
  3. Os apóstolos apontam para eles o arrependimento e o batismo como condição, a fim de que os ouvintes desfrutem  dos dons do Espírito e da salvação. 
  4. Os apóstolos recomendam aos seus ouvintes, agora convertidos que os mesmos se separem de sua geração. 
  5. Somente após tais recomendações as pessoas são batizadas. 
  6. O batismo aqui decorre da recepção à PALAVRA DE DEUS. 
Ao lado do mover do Espírito, a oração era a mola propulsora da evangelização na Igreja primitiva. E, tendo orado, moveu-se o lugar em que estavam reunidos; e todos foram cheios do Espírito Santo, e anunciavam com ousadia a palavra de Deus (At 4. 31 ARCF). O efeito imediato do mover do Espírito Santo aqui é a fala aberta e ousada por parte dos discípulos de Cristo. O termo anunciar aqui tem a ver com o verbo grego λαλέω (laleoo), que é a fala a respeito de um assunto específico. 

Outro termo importante é παρρησιας (parresias), cujo sentido é o de ousadia. Em outras palavras os discípulos propagavam o Evangelho abertamente, e até de forma rude. Talvez seja uma alusão ao caráter acusatório do Evangelho, uma vez que em todo o querigma os judeus são acusados da morte de Cristo e os gentios de sua idolatria. 
Mas vós negastes o Santo e o Justo, e pedistes que se vos desse um homem homicida. E matastes o Príncipe da vida, ao qual Deus ressuscitou dentre os mortos, do que nós somos testemunhas (At 3. 14, 15 ARCF). 
Por mera questão de tempo concluo este estudo afirmando a dependência do Espírito, da oração e da palavra para que a Igreja conclua sua missão enqunto agência evangelizadora. Em Cristo. 

Marcelo Medeiros. 

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Este soube contornar, veja o video.


Um pouco de falta de sabedoria, depois um pouco de jogo de cintura, mas o fato é que o vídeo indica que a obreirada está sabendo contornar. Sobre as glorificações dos santos, creio que tal se tenha dado pelo fato de o mendigo haver cantado após supostamente ter se convertido.
 

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Igreja sem religião?


Há algum tempo atrás publiquei neste blog um texto mostrando que a religião não mais pode ser considerada o ópio do povo, e que este lugar foi ocupado pela mídia leia aqui. Desde então tenho preparado um artigo, cujo título sugestivo seria somos todos viciados em ópio. Minha intenção seria mostrar que somos irremediavelmente religiosos e como disse Chesterton, quando tiramos Deus colocamos no seu lugar historia, economia, revolução, alguma coisa. Mas para a minha surpresa, me deparei com esta foto no facebook, anunciando uma Igreja sem Deus.
De acordo com este site todo o formato das reuniões é eclesiástico e religioso, incluindo a caixinha de ofertas, mas não há menções a Deus, e também não existe uma filosofia ateísta. Sim, eles rejeitam a pecha de ateus, ou humanistas, mas se identificam com os britânicos que não possuem religião. O mais interessante é que se trata de um movimento sem religião, mas que gera expectativas religiosas.
Mas este site já afirma que se trata sim de uma igreja para ateus, visto ser um público que precisa sim se reunir e que precisa se apropriar de estratégias já empregadas por cristãos. O motivo da celebração seria o milagre da vida, em lugar de um deus, o que ao meu ver nos leva de volta ao que Chesterton falou, e Pondé repetidas vezes nos lembrou. Mas deixando Pascal e Chesterton falaram quero me voltar para a matéria de acordo com este site.
Ao ver e ouvir o vídeo, percebo que as pessoas esperam que as assembleias despertem a bondade das pessoas, outra afirma querer ver um pouco de amor e também cantar. Não posso imaginar algo mais religioso do que isto, sendo que não há um objeto definido para a adoração. Existe um blog que traz uma perspectiva bem interessante a respeito do tema. Para este autor, estamos presenciando a união entre religiosidade e ateísmo e tal vem se dando em razão de que a dimensão religiosa está entranhada no ser humano.
Na perspectiva de Caio Fábio (veja aqui), estas pessoas estão dizendo com os seus gestos que estão saturadas dos deuses das denominações e instituições, cristãs, evangélicas, pentecostais. A análise de Caio é ao meu ver a que mais se aproxima do que Pascal e Lewis afirmam. Meu único problema é ver nesta busca algo imbuído da verdade, mas Caio acerta sim ao afirmar que este ateísmo (ao meu ver mais um anticlericalismo) não mata a sede que as pessoas possuem do transcendental.
Me despeço aqui com a promessa de voltar a este assunto e elaborar o post que prometi, mas desde já antecipando que na época em que fui assinante da revista Galileu, sucessivas vezes vi Marcelo Gleiser falar em seus artigos e entrevistas de uma espiritualidade cósmica, assunto que não é novo na boca dos cientistas, visto que Einstein mesmo fala desta forma de espiritualidade e que conforme falamos aqui ele a identificava com a mesma religiosidade dos salmistas bem como de personagens como Francisco de Assis.

Pr Marcelo Medeiros

sábado, 2 de novembro de 2013

Ecclésia Reformata et semper reformata est


 Aproveitando que ainda estamos sob o frescor da semana de comemoração da Reforma Protestante, gostaria de propor neste post uma leitura do lema: Ecclésia Reformata et semper reformata est, a partir de uma leitura dos capítulos iniciais da primeira carta de Paulo aos Coríntios. A escolha do tema se dá em parte pela data, e em parte pelo sentimento que tem tomado conta do povo de Deus, o de que a Igreja atual precisa, e muito de uma nova reforma. A opção pelo texto se deu pelo fato de que percebi, mediante a leitura do mesmo, que mesmo uma Igreja santa, justificada e purificada pelo Espirito de Deus, tal como a Igreja de Corinto é descrita por Paulo, precisa de reforma.

Uma verdade a ser ressaltada neste post é a de que o alcance da Reforma promovida por Lutero, Calvino, Zuínglio, Menon Simons, e tantos outros foi de alcance restrito dada á ênfase no aspecto doutrinário, e mesmo sob este prisma se deu de forma incompleta, dadas as limitações dos agentes humanos que a empreenderam. O grau de incompletude da reforma nos dias atuais se manifesta nas questões que a nova geração levanta, mas que a igreja por não ouvir ao mundo não responde. Tais fatores nos servem de indicadores da necessidade premente de uma nova Reforma sim.

O termo Ecclésia, conforme visto no cartaz acima é a transliteração do termo grego εκκλησια, cujo sentido é o de uma assembleia.  Reunião de pessoas no mesmo local; e conjunto das pessoas que formam um corpo constituído, são alguns dos termos que o nosso léxico emprega para definir o grego εκκλησια, indicando com isto que Igreja não é, ao menos na Bíblia, sinônimo de templo. Este é um espaço físico, que pode, ou não servir de abrigo às reuniões de uma assembleia, ao passo que aquela é um ajuntamento de pessoas.

Quando partimos de uma perspectiva bíblica percebemos que pelo fato de a εκκλησια de Cristo ser formada de um grupo de pessoas cuja principal marca é a depravação humana, esta precisa estar em constante reforma, em contínua revisão dos seus princípios e de sua identidade própria. Sim, a verdade bíblica em essência é que: não há homem justo sobre a terra, que faça o bem, e nunca peque
(Ec 7. 20 ARCF). Por falta de componentes perfeitos não há Igreja, ou assembleia perfeita.

Quando nos voltamos para o Novo Testamento, por exemplo, vemos, já no primeiro século uma Igreja precisando passar por sérias reformas, a de Corinto. A despeito do belo começo que teve, do privilégio em ter tido Paulo como seu fundador, e instrutor por mais de um ano (At 18. 1 - 12), e de haver sido galardoada por Deus com vários dons do Espírito Santo (I Co 1. 4ss), bem cedo esta precisou de intervenção apostólica.

O primeiro problema observável na Igreja foi a questão do partidarismo, haviam grupos dissidentes na Igreja, alguns se diziam de Paulo, outros de Apolo, outros de Pedro, outros, por se julgarem mais espirituais se diziam serem de Cristo (I Co 1. 11 - 16). Diante de tamanha incoerência para com o espírito do Evangelho, Paulo envidou todos os esforços para lembras àqueles crentes que a essência do Evangelho é Cristo, e que qualquer que seja o homem, este é um mero servo de Deus, um instrumento por meio do qual estes vieram a crer (I Co 2. 2; 3. 6 - 8; 4. 1).

Este passo tomado pelo apostolo é um indicador de que na Carta aos Coríntios ficam estabelecidos dois solis da reforma. Solus Christus e soli Deo gloria. Paulo diz que:
Deus escolheu as coisas vis deste mundo, e as desprezíveis, e as que não são, para aniquilar as que são; Para que nenhuma carne se glorie perante ele. Mas vós sois dele, em Jesus Cristo, o qual para nós foi feito por Deus sabedoria, e justiça, e santificação, e redenção; Para que, como está escrito: Aquele que se gloria glorie-se no Senhor (I Co 1. 28 - 31 ARCF). 
Em outras palavras: Cristo é o centro do Evangelho e a totalidade da vida cristã. Aliás Brennan Manning afirma que Cristo não é o centro do Evangelho, mas que ele é todo o Evangelho. No pensamento do autor, todas as demais pessoas que aparecem no Evangelho o fazem em reação à pessoa dele, e que quando ele se manifestar todas as demais estrelas serão eclipsadas. Então, SOLUS CHRISTUS!!! Se Deus é o único motivo de glória do crente, então: SOLI DEO GLORIA!!!!

O SOLA SCRIPTURA, pode ser visto no apelo que Paulo faz á Escritura como fonte de autoridade para fundamentar sua refutação à conduta dos crentes de Corinto. Por sua vez o principio do SOLA GRATIA aparece, quando se reconhece que a despeito de sermos cooperadores de Deus, ou de termos sido agente na plantação, ou na irrigação, é de Deus que vem o crescimento.

Neste momento pelo ao leitor, que por favor, perceba que estas verdades estão sendo afirmadas no século primeira da nossa era, e que tais afirmações estão sendo feitas para uma Igreja que era cheia dos dons espirituais, que tinha a promessa da graça de Deus como cana de força para a plena realização do proposito de Deus em suas vidas (I Co 1. 4 - 8), mas que ao que tudo indica bem cedo precisou de uma reforma.

Em nossos dias a Reforma se faz necessária quando a idolatria e o personalismo se instalam de forma sutil entre nós, através de movimentos que retiram a glória de Deus e colocam o homem no centro, seja como autor de sua própria salvação, seja como autor da salvação dos demais. O que os crentes de Corinto fizeram com Paulo, Apolo, e Pedro, foi e é a velha idolatria sim, e ela ocorre quando sem nos dar conta amamos mais aos homens do que à Deus, e nos esquecemos de que a GRAÇA sobre a vida deles é GRAÇA, ao invés de mérito humano.

O princípio do SOLA FIDE aparece quando reconhecemos que os homens, na condição de servos de Deus são instrumentos por meio dos quais viemos a crer em Deus. Se a ação divina não nos conduz ao crer estamos privados da graça. Afinal, como afirma C. S. Lewis, em seu livro Cristianismo Puro e Simples, a fé é o ato por meio do qual o homem se desespera de si mesmo e confia absoluta e irrestritamente em Deus.

Pensar a reforma hoje consiste em considerar sobre qual fundamento estamos construindo o nosso projeto de Igreja, lembrando que seja qual for o projeto, este tem de seguir o modelo que nos é revelado nas Escrituras. Para Paulo, se o fundamento não for Cristo de anda adianta continuarmos na construção, daí a recomendação do apóstolo:
veja cada um como edifica sobre ele. Porque ninguém pode pôr outro fundamento além do que já está posto, o qual é Jesus Cristo se alguém sobre este fundamento formar um edifício de ouro, prata, pedras preciosas, madeira, feno, palha,  A obra de cada um se manifestará; na verdade o dia a declarará, porque pelo fogo será descoberta; e o fogo provará qual seja a obra de cada um. Se a obra que alguém edificou nessa parte permanecer, esse receberá galardão. Se a obra de alguém se queimar, sofrerá detrimento; mas o tal será salvo, todavia como pelo fogo (I Co 3. 11 - 15 ARCF). 
Sim, a Igreja é o templo do Espírito Santo e a edificação que se dá a partir de materiais como: madeira, feno, palha, tornam a construção frágil e fadada à destruição. Aquele que por negligencia construiu o Templo do Senhor (não falo do espaço físico, mas da εκκλησια), com materiais que vão contribuir para a destruição da mesma será destruído por Deus.
Se alguém destruir o templo de Deus, Deus o destruirá; porque o templo de Deus, que sois vós, é santo. Ninguém se engane a si mesmo. Se alguém dentre vós se tem por sábio neste mundo, faça-se louco para ser sábio. Porque a sabedoria deste mundo é loucura diante de Deus; pois está escrito: Ele apanha os sábios na sua própria astúcia. E outra vez: O Senhor conhece os pensamentos dos sábios, que são vãos. Portanto, ninguém se glorie nos homens; porque tudo é vosso; Seja Paulo, seja Apolo, seja Cefas, seja o mundo, seja a vida, seja a morte, seja o presente, seja o seja o futuro; tudo é vosso,
E vós de Cristo, e Cristo de Deus
(I Co 3. 17 - 23 ARCF). 
Nós destruímos o templo de Deus quando edificamos a Igreja sobre o personalismo humano, ao fazê-lo, julgamos a nós mesmos como mais sábios do que os demais homens, afinal, os outros não são iluminados como nós. Mas a graça subverte todas estas coisas. O combate ao personalismo e ao partidarismo, bem como ao orgulho advindos do mesmo são apenas alguns dos aspectos nos quais precisamos sim fazer uma nova Reforma. E isto, sabedores de que nossa ação precisa ser pautada no fundamento que é Cristo.
Em Cristo, Pr Marcelo Medeiros

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Bento XVI e padre Emilson Face humana do Catolicismo

No dia em que eu, e grande parte humanidade fomos surpreendidos com a renúnica de Bento XVI, tive a impressão de que os  motivos da renúncia do santo Pader não estavam muito claros. Desde quando a debilidade física derruba um Papa? Ao ouvir a reportagem em que o mesmo declarara "não ter mais forças para continuar no ofício de Pedro", logo imaginei: "foi pressionado a renunciar". Antes de prosseguir quero deixar duas coisas bem claras. Primeira, não estou aqui para fazer comparações entre o Papa e a Igreja Católica com a Besta. Segundo, sei que, não fosse o papel desempenhado pela mesma durante a Idade Média, estaríamos voltados para Meca, e não seríamos  uma democracia, de forma alguma.

Mas, os escândalos financeiros, os de natureza sexual, não podem ser vistos de forma banal. Não quero com isto defender aqui uma visão conspiracionista. Mas as pressões desta natureza e a fala de alguns cardeais afirmando que o futuro Papa tem de ser alguém que consiga conduzir a Igreja em um mundo moderno e acompanhar a evolução do mesmo, são indicadores de que as minhas suspeitas não estavam de todo erradas. O golpe fatal ao meu ver veio com um escândalo sexual, envolvendo um padre e duas menores na Cidade do Rio de Janeiro. É incrível, mas justamente na semana em que o Papa Bento XVI oficializa a sua renúncia, os jornais se dividem entre a última cerimônia do santo padre na praça de São Pedro, e um escândalo que aponta a necessidade de se discutir a questão do celibato.

O padre Emilson Soares Corrêa e o cardeal Joseph Ratzinger são opostos. O primeiro entre em cenário midiático envolvido em um escândalo sexual. O pai de duas jovens orientou uma delas a gravar cenas em que faziam sexo com o sacerdote em apreço. Resultado o mesmo foi indiciado por estupro. A condenção ainda não saiu, mas ao que parece, a opinião pública já se antecipou, e junto com a credibilidade do sacerdócio, vai-se a força da instituição. Com que autoridade esta irá se colocar contra a homossexualidade, o aborto, as drogas. Os politicamente corretos de plantão logo lançarão mãos de casos como este para derrubar a credibilidade da mesma.

Já o segudo, no caso, Joseph Ratzinger, que segundo as agências de notícias continuará  se chamar por Bento XVI, se despede em aclamação popular em plena praça de São Pedro. Volto a dizer que não sou conspiracionista, mas me pergunto, alguém tão recluso quanto ele seria lembrado de forma tão carinhosa não tivesse feito um gesto tão nobre?

É preciso que nos lembremos que Joseph Ratzinger, ou como queiram, Bento XVI, nem de longe era tão carismático quanto seu antecessor. Sua imagem sempre esteve atrelada a de um inquisitor moderno, e o pior, nós do mundo moderno conhecemos a inquisição exclusivamente pela imagem que os filmes, a imprensa, e os historiadores nos passam da mesma. Resultado, independente do que seja na verdade esta tal Congregação para a Doutrina da Fé (CDF), aprendemos, por razões psicológicas, a destestá-la, e com isto a imagem do cardeal, outrora Papa não era das melhores. (Não quero minimizar os danos que a santa inquisição causou. Minhas observações apenas questionam nossa antipatia à figura do cardeal).

 Então, quebrando toda a tradição formada por vários que o antecederam, inclusive João Paulo, eis que Bento XVI renuncia e com isto mostra a face humana. E foi justamente com este gesto que os mais tradicionais interpretaram como sendo um ato de covardia, que Bento XVI conquistou o mundo. Mas a face humana deste foi contrastada por outa igualmente humana, um padre que colocou os seus desejos acima das consequências. E conforme dito trouxe à tona a necessidade da Igreja rever questões, dentre as quais a do celibato, e a questão do pecado humano.

Comecemos com a segunda. Tanto o ato do sumo pontífice, quanto o ato deste padre, filmando fazendo sexo diante de um quadro da santa ceia nos remetem a uma verdade que tem de ser vista com maior seriedade, a do pecado. Creio que o papa a tenha sentido e para evitar o orgulho, renunciou, ao que C. S. Lewis classifica como sendo a essência do pecado. E a lição dada por ele tem de ficar para nós evangélicos também. Quanto ao padre Emilson, este cedeu à natureza e trouxe a questão do celibato à tona. É com este tema que encerro este post.

Não creio que possamos encontrar em um mundo como o nosso, mergulhado na ideologia sexista tantos homens com este dom, afinal o próprio Jesus disse: Nem todos têm condições de aceitar esta palavra; somente aqueles a quem isso é dado. Alguns são eunucos porque nasceram assim; outros foram feitos assim pelos homens; outros ainda se fizeram eunucos por causa do Reino dos céus. Quem puder aceitar isso, aceite (Mt 19. 11, 12 NVI).

Na condições atuais, ou um padre é alguém que nasceu eunuco, ou que se fez eunuco, lembrando que o texto não trata de condições genéticas diferenciadas, como alguns pastores entendem, mas do  casamento, da indissolubilidade do mesmo, tendo como exceção apenas a traição,  e das responsabilidades que o mesmo acarreta. De acordo com a Bíblia se o indivíduo não consegue se conter, é melhor que se case, visto que de acordo com Paulo, se não conseguem controlar-se, devem casar-se, pois é melhor casar-se do que ficar ardendo de desejo (I Co 7. 9 NVI). Fosse seguida esta recomendação, uma instituição tão tradicional como a Igreja romana não teria tais notícias sendo veiculadas no jornais.
Em Cristo, Pr Marcelo Medeiros.
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