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sábado, 16 de julho de 2016

Igreja Agência Evangelizadora



A Igreja é a Agência Evangelizadora. Com isto, o que se quer dizer é que a razão de ser desta é a evangelização, ou a pregação do Evangelho. A grande comissão é o relato que expõe claramente  esta dimensão, ou modo de ser da Igreja. Todavia existem outros ensinos claros de Cristo que apontam para esta mesma verdade. O objetivo primordial deste post consiste em apontar para estes ensinos e articular os mesmos com os relatos da grande comissão e a descrição da atividade da comunidade primitiva nos Atos dos Apóstolos. 

O ENSINO DE CRISTO A RESPEITO DA NATUREZA DA IGREJA
Vós sois o sal da terra; e se o sal for insípido, com que se há de salgar? Para nada mais presta senão para se lançar fora, e ser pisado pelos homens. Vós sois a luz do mundo; não se pode esconder uma cidade edificada sobre um monte; Nem se acende a candeia e se coloca debaixo do alqueire, mas no velador, e dá luz a todos que estão na casa. Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus (Mt 5. 13 - 16 ARCF). 
Não se sabe ao certo, se por razões medicinais, ou meramente religiosas o sal era um elemento que era esfregado em uma criança recém nascida. Todavia seu uso mais importante se deve às funções preservativas do mesmo, conforme destacado por Lucas em seu evangelho. Bom é o sal; mas, se o sal degenerar, com que se há de salgar? Nem presta para a terra, nem para o monturo; lançam-no fora. Quem tem ouvidos para ouvir, ouça (Lc 14. 34, 35 ARCF). 

Partindo deste elemento pode-se concluir que o texto de Mt 5. 13 - 16 na verdade versa a respeito da influência que os discípulos exercem na terra. É de suma importância, para a percepção de tal a leitura articulada com Mt 5. 2 - 12, onde as características dos discípulos de Jesus são traçadas. Quais?

  1. Senso de miséria espiritual e dependência divina, representado na pobreza. Falo a respeito neste e neste texto
  2. A contrição e o arrependimento decorrentes do senso de miséria espiritual, do qual falo melhor neste texto.  
  3. A mansidão cuja marca maior é a capacidade de autocrítica. 
  4. A fome de Deus e de Cristo e de sua Palavra.
  5. A misericórdia de acordo com este post, esta pode ser exercida pelo comedimento no julgar aos outros, ou pelo menos em fazê-lo de forma temerária. 
  6. A esta última pode-se somar um coração limpo, e 
  7. um espírito pacífico, decorrente da mansidão e misericórdia. 
Estes, mesmo sob o peso e esmagamento da perseguição exercem influência sobre os indivíduos. Deus soberanamente escolheu trabalhar desta forma a fim de que os êxitos do Evangelho pertencessem exclusivamente a Ele. Em outro texto Paulo fala claramente desta contraposição entre a majestade de Deus e do Evangelho e a fragilidade dos instrumentos que Cristo levanta a fim de proclamar sua Palavra. 
Mas, se ainda o nosso evangelho está encoberto, para os que se perdem está encoberto. Nos quais o deus deste século cegou os entendimentos dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, que é a imagem de Deus. Porque não nos pregamos a nós mesmos, mas a Cristo Jesus, o Senhor; e nós mesmos somos vossos servos por amor de Jesus. Porque Deus, que disse que das trevas resplandecesse a luz, é quem resplandeceu em nossos corações, para iluminação do conhecimento da glória de Deus, na face de Jesus Cristo. Temos, porém, este tesouro em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus, e não de nós (II Co 4. 3 - 7 ARCF). 
Que o leitor perceba uma verdade. O Evangelho traz a Glória de Cristo, que é a imagem de Deus, traz como conteúdo o próprio Cristo, o Senhor, traz  iluminação do conhecimento da glória de Deus, na face de Jesus Cristo. Tal como no caso das lamparinas da Judeia, é marcada pela contraposição fragilidade do recipiente e excelência do conteúdo. Feitas as considerações iniciais, necessário se faz abordar a Grande comissão. 

A GRANDE COMISSÃO
E, chegando-se Jesus, falou-lhes, dizendo: É-me dado todo o poder no céu e na terra. Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; Ensinando-os a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos. Amém (Mt 28. 18 - 20 ARCF). 
A comissão na ótica de Mateus tem a ver com a autoridade que Cristo recebe imediatamente após a ressurreição, a fim de que se perceba tal verdade basta olhar para o kerigma primitivo e ver o quanto Jesus é chamado de SENHOR.  Sob esta autoridade os discípulos são enviados a batizar em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo

A comissão aqui compreende o discipulado cuja marca é a submissão obediente ao que Cristo ensinou. Para mais a respeito do discipulado ver aqui. A Igreja compreendeu isto perfeitamente tanto que o primeiro historiador chamou os fiéis da mesma de μαθηται (mathetai). O crescimento da Igreja primitiva equivalia ao crescimento do número dos discípulos. 
E disse-lhes: Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura. Quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado. E estes sinais seguirão aos que crerem: Em meu nome expulsarão os demônios; falarão novas línguas; Pegarão nas serpentes; e, se beberem alguma coisa mortífera, não lhes fará dano algum; e porãoas mãos sobre os enfermos, e os curarão. Ora, o Senhor, depois de lhes ter falado, foi recebido no céu, e assentou-se à direita de Deus. E eles, tendo partido, pregaram por todas as partes, cooperando com eles o Senhor, e confirmando a palavra com os sinais que se seguiram. Amém (Mc 16. 15 - 20 ARCF). 
A respeito deste último texto traço minhas considerações neste post.  A ordem é para que os discípulos preguem pelo caminho. somente duas reações são possíveis, a de crença no Evangelho, e a de rejeição. Jesus oferece aos seus sucessores poder para que a mensagem seja confirmada por meio de sinais. 

A IGREJA PRIMITIVA E A OBEDIÊNCIA À GRANDE COMISSÃO

O testemunho da Igreja primitiva decorre do derramamento do Espírito no Pentecoste. E eis que sobre vós envio a promessa de meu Pai; ficai, porém, na cidade de Jerusalém, até que do alto sejais revestidos de poder (Lc 24. 49 ARCF), e: Mas recebereis a virtude do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria, e até aos confins da terra (At 1. 8 ARCF). 

Após o derramar do Espírito, os apóstolos compeçaram a pregar com ousadia. Pedro, porém, pondo-se em pé com os onze, levantou a sua voz, e disse-lhes: Homens judeus, e todos os que habitais em Jerusalém, seja-vos isto notório, e escutai as minhas palavras (At 2. 14 ARCF), e como efeito da mensagem entregue sob autoridade, inspiração e poder do Espírito, três mil almas se renderam. 
E, ouvindo eles isto, compungiram-se em seu coração, e perguntaram a Pedro e aos demais apóstolos: Que faremos, homens irmãos? E disse-lhes Pedro: Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para perdão dos pecados; e recebereis o dom do Espírito Santo; Porque a promessa vos diz respeito a vós, a vossos filhos, e a todos os que estão longe, a tantos quantos Deus nosso Senhor chamar. E com muitas outras palavras isto testificava, e os exortava, dizendo: Salvai-vos desta geração perversa. De sorte que foram batizados os que de bom grado receberam a sua palavra; e naquele dia agregaram-se quase três mil almas (At 2. 37 - 41 ARCF). 

  1. A mensagem esmaga, quebranta o coração dos ouvintes. 
  2. Eles perguntam aos apóstolos o que devem fazer. 
  3. Os apóstolos apontam para eles o arrependimento e o batismo como condição, a fim de que os ouvintes desfrutem  dos dons do Espírito e da salvação. 
  4. Os apóstolos recomendam aos seus ouvintes, agora convertidos que os mesmos se separem de sua geração. 
  5. Somente após tais recomendações as pessoas são batizadas. 
  6. O batismo aqui decorre da recepção à PALAVRA DE DEUS. 
Ao lado do mover do Espírito, a oração era a mola propulsora da evangelização na Igreja primitiva. E, tendo orado, moveu-se o lugar em que estavam reunidos; e todos foram cheios do Espírito Santo, e anunciavam com ousadia a palavra de Deus (At 4. 31 ARCF). O efeito imediato do mover do Espírito Santo aqui é a fala aberta e ousada por parte dos discípulos de Cristo. O termo anunciar aqui tem a ver com o verbo grego λαλέω (laleoo), que é a fala a respeito de um assunto específico. 

Outro termo importante é παρρησιας (parresias), cujo sentido é o de ousadia. Em outras palavras os discípulos propagavam o Evangelho abertamente, e até de forma rude. Talvez seja uma alusão ao caráter acusatório do Evangelho, uma vez que em todo o querigma os judeus são acusados da morte de Cristo e os gentios de sua idolatria. 
Mas vós negastes o Santo e o Justo, e pedistes que se vos desse um homem homicida. E matastes o Príncipe da vida, ao qual Deus ressuscitou dentre os mortos, do que nós somos testemunhas (At 3. 14, 15 ARCF). 
Por mera questão de tempo concluo este estudo afirmando a dependência do Espírito, da oração e da palavra para que a Igreja conclua sua missão enqunto agência evangelizadora. Em Cristo. 

Marcelo Medeiros. 

sábado, 2 de julho de 2016

O Que é Evangelização



No sentido lexical do termo evangelização é o ato, efeito, ou movimento de evangelizar, de pregar a palavra do Evangelho, sendo posteriormente entendido como a divulgação de qualquer sistema de ideia. Ainda seguindo o mesmo dicionário pode-se dizer que o Evangelismo consiste na divulgação de qualquer doutrina religiosa baseada no Evangelho, ou na elaboração de um sistema moral e político que tem naquele a sua base. A pregação e a propagação do Evangelho em si são a essência do Evangelismo.

Destas definições compreende-se que evangelizar é pregar o Evangelho, perdoem-me pela redundância. a discussão se dá em torno da seguinte questão: qual o papel da ação social nesta? Com exceção da TMI (Teologia da Missão Integral), pouquíssimas propostas de evangelização trazem em seu bojo um projeto de melhoria social. É como se a salvação de almas fosse equivalente a uma garantia de vaga no céu, quando na verdade o Evangelho reclama o homem por completo. Neste estudo buscarei base bíblica e exegética para o que até o momento foi afirmado.

CONSIDERAÇÕES TEXTUAIS
Ele, porém, disse-lhes: Não vos assusteis; buscais a Jesus Nazareno, que foi crucificado; já ressuscitou, não está aqui; eis aqui o lugar onde o puseram. Mas ide, dizei a seus discípulos, e a Pedro, que ele vai adiante de vós para a Galiléia; ali o vereis, como ele vos disse (Mc 16. 6, 7 ARCF). 
Uma consideração inicial  é a de que a base por excelência da ação evangelística é a encarnação, vida, morte e ressurreição de Cristo. Sem Jesus encarnado, humanizado, tentado, morto e ressurreto não há Evangelho de fato. A encarnação e vida de Cristo diz concernente à presença de Deus entre os homens. Afinal, o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade (Jo 1. 14 ARCF), e: Deus nunca foi visto por alguém. O Filho unigênito, que está no seio do Pai, esse o revelou (Jo 1. 18 ARCF). Todos os evangelistas justificam a ressurreição de Cristo nesta base.
E Jesus, tendo ressuscitado na manhã do primeiro dia da semana, apareceu primeiramente a Maria Madalena, da qual tinha expulsado sete demônios. E, partindo ela, anunciou-o àqueles que tinham estado com ele, os quais estavam tristes, e chorando (Mc 16. 9, 10 ARCF). 
A qualidade essencial do Evangelista é o encontro com Jesus, e as marcas resultantes do mesmo. Em Maria as marcas foram a libertação. Somente quem experimenta libertação tem poder de anunciar Cristo para quem está triste. Neste contexto απηγγειλεν (apaggelein) vem απηγγέλλω (apaggeloo), cujo sentido é o de levar e trazer informação, uma mensagem, notícias. A notícia neste contexto tem a ver com a ressurreição de Cristo. Ela não é endereçada a todos, mas aos tristes. 


Não é a primeira vez que se associa o Evangelho (boa notícia) com os tristes. O próprio Jesus disse: O Espírito do Senhor é sobre mim, Pois que me ungiu para evangelizar os pobres. Enviou-me a curar os quebrantados de coração, A pregar liberdade aos cativos, E restauração da vista aos cegos, A pôr em liberdade os oprimidos, A anunciar o ano aceitável do Senhor (Lc 4. 18, 19 ARCF). Pobres, tristes, quebrantados de coração, este é o público destinatário do Evangelho. 

E, ouvindo eles que vivia, e que tinha sido visto por ela, não o creram. E depois manifestou-se de outra forma a dois deles, que iam de caminho para o campo. E, indo estes, anunciaram-no aos outros, mas nem ainda estes creram (Mc 16. 11, 12 ARCF). 
Nem sempre o Evangelho atrai a credibilidade, e não é para menos afinal a ressurreição era uma doutrina incrível, na acepção do termo. Os judeus a condicionavam à restauração de todas as coisas. E a ressurreição de Jesus tem como diferencial dos demais casos de ressurreição, o fato de ter como propósito uma nova vida. Em seguida texto faz menção indireta a um evento cujo relato encontra-se no Evangelho de Lucas sobre o encontro com Cristo no caminho de Emaús, e de como Cristo os convenceu pelas Escrituras de que seus sofrimentos, morte e ressurreição eram necessários. A base do Evangelho é a própria Escritura, e em certo sentido evangelizar é compartilhar a mesma com quem não a conhece.
Finalmente apareceu aos onze, estando eles assentados juntamente, e lançou-lhes em rosto a sua incredulidade e dureza de coração, por não haverem crido nos que o tinham visto já ressuscitado. E disse-lhes: Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura. Quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado  (Mc 16. 14 - 16 ARCF). 
Tal como a missão, A evangelização pressupõe uma experiência íntima com Deus e com Cristo. Nesta a incredulidade natural é lançada em rosto. Em outras palavras Deus trata as várias facetas do ceticismo natural. Somente após o homem é enviado. O que quero falar aqui é que enquanto o homem é escravo de sua autocentricidade, de sua arrogância, ansiedade e desejos por prazer ele não possui a percepção e a sensibilidade necessárias ao pregador do Evangelho. O coração do evangelista é totalmente tomada pela realidade da cruz e da ressurreição.

O verbo que aparece aqui é κηρύσσω (keryssoo), cujo sentido é o de apregoar, proclamar em voz alta. Usualmente este era empregado para designar a função do arauto. Este era um mensageiro que saía até as praças públicas para anunciar as decisões judiciais. O Evangelho possui este caráter por ter uma mensagem de apelo ao arrependimento. Do judeu, por ter matado e crucificado a Cristo, do pagão por ter se entregue à idolatria e ao culto dos prazeres sensuais. 

A fé é a resposta exigida pelo Evangelho a fim de que o homem possa ser salvo. A pregação é acompanhada de uma série de sinais. 
E estes sinais seguirão aos que crerem: Em meu nome expulsarão os demônios; falarão novas línguas; Pegarão nas serpentes; e, se beberem alguma coisa mortífera, não lhes fará dano algum; e porãoas mãos sobre os enfermos, e os curarão (Mc 16. 17, 18 ARCF).
A expressão σημεια (seemeia) indica um sinal pelo qual Deus torna seu poder conhecido. O Evangelho é poder de Deus. Não é sem razão que Paulo afirma: não me envergonho do evangelho de Cristo, pois é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê; primeiro do judeu, e também do grego (Rm 1. 16 ARCF). Porque a palavra da cruz é loucura para os que perecem; mas para nós, que somos salvos, é o poder de Deus (I Co 1. 18 ARCF). 

Por último, os sinais são Deus cooperando com os seus santos no intuito de confirmar a mensagem. Ora, o Senhor, depois de lhes ter falado, foi recebido no céu, e assentou-se à direita de Deus. E eles, tendo partido, pregaram por todas as partes, cooperando com eles o Senhor, e confirmando a palavra com os sinais que se seguiram. Amém (Mc 16. 19, 20 ARCF). 

EVANGELIZAÇÃO E AÇÃO SOCIAL

Não é nova a discussão a respeito do papel da ação social na Evangelização, menos ainda da predominância de uma sobre a outra. Para Jonh Stott a evangelização tem a ver com o anúncio da boa notícia, podendo ser acompanhada de ação social enquanto sinal de libertação da autocentricidade humana. Sim a ação social é mais um sinal de que a salvação chegou na vida da pessoa do que da missão em si. Em consonância com o texto acima Stott afirma categoricamente:
Aboa nova é Jesus. E a boa nova que anunciamos a respeito de Jesus é que ele morreu pelos nossos pecados e foi ressuscitado da morte. Em consequência, ele reina como Senhor e Salvador a destra de Deus e tem autoridade tanto para ordenar o arrependimento e a fé quanto para conceder o perdão de pecados e o dom do Espírito Santo a todos aqueles que se arrependerem, crerem e forem batizados. E tudo isto, de acordo com as Escrituras do Antigo e do Novo Testamento. E mais: isso é exatamente o que significa "proclamar o Reino de Deus". Pois, em cumprimento às Escrituras, o Reino de Deus penetrou na vida dos homens por meio da morte e ressurreição de Jesus. Este reino ou domínio de Deus é exercido a partir do trono por Jesus, que concede a salvação e requer obediência. Essas são as benção e exigência do Reino (STOTT, Jonh. A Missão Cristã no Mundo Moderno). 
A afirmação de Stott aqui é a de que Jesus é a totalidade do Evangelho, que por sua vez diz a respeito de Cristo e tão somente deste. 
Paulo, servo de Jesus Cristo, chamado para apóstolo, separado para o evangelho de Deus. O qual antes prometeu pelos seus profetas nas santas escrituras, Acerca de seu Filho, que nasceu da descendência de Davi segundo a carne, Declarado Filho de Deus em poder, segundo o Espírito de santificação, pela ressurreição dentre os mortos, Jesus Cristo, nosso Senhor  (Rm 1. 1 - 4 ARCF).
São recorrentes em todo o querigma primitivo a abordagem a respeito da morte, ressurreição e exaltação de Cristo.  Esta é a base da Evangelização. Tudo o mais é tão somente detalhe. A grande questão é deixar o evangeliquês de lado e pregar a Cristo encarnado.  O lugar da ação social é o de sinal da libertação do eu. Ação social aqui não é assistencialismo apenas, mas uma tomada de ações visando a correção dos fatores que produzem e aprofundam as injustiças sociais. 

CONCLUSÃO

Evangelizar é pregar o Evangelho, que por sua vez é a boa nova de Salvação em Cristo, que traz a promessa de perdão, salvação e reconciliação entre o homem e Deus, e por outro a exigência de arrependimento e obediência radical. Em Cristo, Marcelo Medeiros. 
 


quarta-feira, 21 de maio de 2014

O ministério de Evangelista

 

A verdade prática da lição que pretendo comentar neste post define o Evangelista como sendo alguém que proclama o pleno evangelho de Cristo com ousadia; sendo um arauto de Deus neste mundo. Tal colocação transmite o seguinte retrato de Evangelista:
  1. Evangelista não é um mero panfletário, muito menos todo e qualquer pregador itinerante, mas alguém que prega o Evangelho pleno, ou seja, em seus aspectos positivos e negativos.
  2. Este Evangelho tem de ser pregado com a ousadia devida (Ef 6. 18 - 20), o que demanda oração.
  3. O pregador, ou κηρυξ (kerix), é alguém que no mundo antigo era incumbido de proclamar em praça pública as decisões judiciais, é a esta figura que se associa a figura do verdadeiro evangelista.
Para uma maior compreensão deste glorioso ministério estarei recorrendo à pessoa de Jesus, o Evangelista por excelência, e Paulo. Para tal começarei com o conceito de Evangelismo.

I) O QUE É EVANGELISMO?

Parece uma pergunta banal, mas não é. Atualmente o evangelismo tem sido praticado na forma de panfletagem. Nada contra os irmãos que por alguma limitação na área da comunicação verbal, ou escrita, ou em ambas; comunicam o evangelho desta forma. O verbo grego ευαγγελιζω (euaggelizoo), e suas variantes possuem o sentido de levar uma boa noticia e no contexto do Evangelho, em particular, anunciar as novas de salvação.
Alguns textos em que as versões de língua portuguesa traduzem por pregar o Evangelho, não verdade trazem ευαγγελιζω. Quando Cristo afirma que o Senhor o ungiu para pregar boas novas aos pobres (Lc 4. 18 NVI), o autor, neste caso Lucas, emprega o verbo supra, sugerindo com isto que a compreensão de Evangelismo é o anuncio das boas novas de Cristo.
Foi neste sentido que Lucas aplicou ευαγγελιζω às atividades dos apóstolos na comunidade primitiva. Segundo o relato todos os dias, no templo e nas casas, não cessavam de ensinar, e de anunciar a Jesus Cristo (At 5. 42 ACF).  Faço questão de grifar est texto a fim de que fique claro que 1) evangelismo em principio é uma atividade diária, portanto não limitada a um único dia da semana, 2) não se limita aos espaços públicos, podendo ser  realizada nos lares e mesmo em templos, constituindo com isto, 3) uma atividade incessante, 4) que pode ser conciliada com o ensino. Por último, 5) tem como principal conteúdo a pessoa de Cristo.
Quando a perseguição chegou na Igreja, os que andavam dispersos iam por toda a parte, anunciando a palavra (At 8. 4 ACF). Mais uma vez Lucas emprega o termo ευαγγελιζω para expressar a atividade proclamadora da igreja, que agora não se encontra mais restrita aos apóstolos, mas é abrangente ao povo de Deus perseguido. Estes agora vão por toda a parte proclamado a palavra, indicando que o conteúdo para a Evangelização é a Bíblia.
Deus é o Evangelista supremo nas Escrituras, uma vez que, de acordo com as palavras de Pedro na casa de Cornélio, Deus enviou a sua palavra aos filhos de Israel, anunciando a paz por Jesus Cristo (At 10. 36 ACF). Evangelismo, portanto, é a proclamação das boas novas de salvação por meio de Cristo Jesus, e de como ele reconciliou o homem.
Evangelismo não é fazer propaganda no sentido moderno da palavra, uma vez que a pregação que o acompanha é um desafio ao arrependimento e um chamado concreto à renúncia, para não falar na mais que acertada observação feita por Geisler, de que o Evangelho é de graça, mas pode custar a própria vida, afinal, Jesus foi essencialmente verdadeiro quando disse: quem achar a sua vida perdê-la-á; e quem perder a sua vida, por amor de mim, achá-la-á (Mt 10. 39 ACF). 
 
I) PAULO COMO EVANGELISTA
 
Na carta aos Coríntios Paulo define sua atividade como a de um Evangelista, afinal, sua pregação do Cristo é frequentemente descrita como ευαγγελιζω. Ele mesmo afirma: Pois Cristo não me enviou para batizar, mas para pregar o evangelho, não com palavras de sabedoria humana, para que a cruz de Cristo não seja esvaziada. Cristo, Sabedoria e Poder de Deus (I Co 1. 17 NVI), o verbo que aparece para pregar o Evangelho aqui é: ευαγγελιζεσθαι (euanggelizesthai), que deriva de ευαγγελιζω e possui o sentido descrito acima.
Enquanto evangelista, Paulo define a própria pregação como prioridade ministerial, não permitindo com isto, que sequer o batismo, que é igualmente uma ordenança de Cristo (Mt 28. 19, 20; Mc 16. 15, 16), ou o direito legítimo ao salario pastoral (I Co 9. 1 - 16 [aqui e aqui]) sejam empecilho para o cumprimento de sua missão. Caso o leitor visite os links acima, poderá perceber que Paulo sempre dependeu de alguém que o mantivesse, a fim de que o Evangelho fosse pregado, mas que abriu mãos do sustento da comunidade de Corinto, para que isto não se constitui-se barreira ao Evangelho.
Paulo se sente constrangido no cumprimento da missão de pregar o Evangelho, e isto, ao ponto de dizer: me é imposta a necessidade de pregar. Ai de mim se não pregar o evangelho! (I Co 9. 16 NVI). Primeiro pregar é uma compulsão, ou necessidade, este é o sentido do termo αναγκη (anagkee). Segundo, a expressão ουαι δε μοι εστιν εαν μη ευαγγελιζωμαι (uiai de moi estin ean me euggelizomai [Ai de mim se não pregar o evangelho]), indica que omitir-se em coloca o evangelista sob estrita reprovação.
Paulo rejeita inteiramente a retorica grega por julgar que a exposição do conteúdo do Evangelho é suficiente para promover salvação, é o que se pode perceber por meio das palavras abaixo:
Irmãos, quero lembrar-lhes o evangelho que lhes preguei, o qual vocês receberam e no qual estão firmes.  Por meio deste evangelho vocês são salvos, desde que se apeguem firmemente à palavra que lhes preguei; caso contrário, vocês têm crido em vão (I Co 15. 1, 2 NVI). 
gostaria de destacar aqui a expressão Por meio deste evangelho vocês são salvos, que ao meu ver é indicador máximo de que o Evangelho é o poder de Deus para a salvação do que crê. O verdadeiro Evangelista é alguém que crê que a palavra da cruz é loucura para os que se perdem, mas salvação para os que creem (I Co 1. 18).
 
II) JESUS O EVANGELISTA POR EXCELÊNCIA
 
Em seu primeiro discurso na sinagoga de Nazaré, Cristo definiu sua missão na terra a partir de um texto extraído do profeta Isaías.
Foi-lhe entregue o livro do profeta Isaías. Abriu-o e encontrou o lugar onde está escrito:
"O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me ungiu para pregar boas novas aos pobres. Ele me enviou para proclamar liberdade aos presos e recuperação da vista aos cegos, para libertar os oprimidos e proclamar o ano da graça do Senhor" (Lc 4. 17 - 19 NVI). 
O nome Cristo significa Ungido em grego. Partindo deste pressuposto afirmo que ele foi autorizado por Deus para  pregar boas novas aos pobres. A expressão que a NVI traduz por pregar é traduzida por evangelizar na Almeida Corrigida Fiel, uma vez que o verbo empregado por Lucas é ευαγγελιζω. Mais adiante o mesmo Jesus diz:
É necessário que eu pregue as boas novas do Reino de Deus noutras cidades também, porque para isso fui enviado".  E continuava pregando nas sinagogas da Judéia (Lc 4. 43, 44 NVI). 
A pregação de Jesus nas sinagogas e definida como evangelização, visto que o pregar o Evangelho é a tradução que a NVI emprega para  ευαγγελισασθαι (euanggelizasthai). A sinagoga não é uma Igreja como se pensa. Na época de Cristo a mesma era um espaço de educação pelo qual todos os meninos judeus tinha de passar, e aos sábados os homens se reunião para a leitura da torá. Jesus se valeu deste mesmo espaço para proclamar o Evangelho. Tal como Paulo ele definia sua missão como proposito de vida.
 
III) O MINISTÉRIO DE EVANGELISTA
 
Tanto Jesus quanto Paulo estiveram inteiramente dedicados a pregação do Evangelho e o fizeram se valendo dos mais variados espaços, e creio que seja isto mesmo que um evangelista faz. Mas a obra do Evangelista não se esgota na pregação. O Evangelista dedica tempo no preparo de outras pessoas na pregação do Evangelho. É isto que vemos Jesus fazendo (Mt 9. 35 - 10. 15; Mc 3. 14; Lc 9. 1 - 6), e Paulo também (II Tm 3. 14 - 4. 5).
Neste processo de formação a maturidade doutrinaria é de suma importância, afinal, tanto o evangelista prático, quanto o ministro devem estar solidamente alicerçados na doutrina bíblica, a fim de serem fieis á mensagem que lhes foi confiada é este o conselho que vemos Paulo dando a Timóteo
Conjuro-te, pois, diante de Deus, e do Senhor Jesus Cristo, que há de julgar os vivos e os mortos, na sua vinda e no seu reino, Que pregues a palavra, instes a tempo e fora de tempo, redarguas, repreendas, exortes, com toda a longanimidade e doutrina.
Porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo comichão nos ouvidos, amontoarão para si doutores conforme as suas próprias concupiscências;
E desviarão os ouvidos da verdade, voltando às fábulas.
Mas tu, sê sóbrio em tudo, sofre as aflições, faze a obra de um evangelista, cumpre o teu ministério (II Tm 4. 1 - 5 ACF)
 
O evangelista nos moldes bíblicos é alguém que
  1. Prega a palavra visando agradar única e somente a Deus, a quem vai prestar contas no dia do juízo.
  2. Sua pregação de dá no tempo oportuno (ευκαιρως [eukairos]) e no tempo inoportuno (ακαιρως
  3. [akairos]), ele faz o tempo e a ocasião.
  4. A pregação do evangelista também possui um caráter de ensino e doutrina, do contrário ele não poderia trabalhar no aperfeiçoamento dos santos para a obra do ministério (aqui).
  5. O Evangelista não segue as tendências da moda, ele não faz conchavos, não vende a verdade em busca de aprovação popular, e nem se comporta como um palhaço para tal, antes, tem uma disposição para ser sofredor e cumprir o serviço que lhe foi confiado.
Este é, ao meu ver o perfil bíblico de um verdadeiro evangelista.
 
Em Cristo, Pr Marcelo Medeiros.

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Carta a um pastor zeloso

 
 
Rio de Janeiro, 10 de Julho de 2013

Estimado Pastor vi a tua preocupação com as guerras que ocorrem em ambiente virtual e a sua indignação pelo simples fato de que a maioria das pessoas envolvidas em tais querelas, não são tão zelosas pela prática evangelística, pelo discipulado, pela consolidação, enfim, com o ide de Cristo. Também pude perceber o teu zelo pela unidade do corpo de Cristo, que ao teu entender se dá por meio do discipulado. De imediato venho dizer que de certo modo compactuo com teus ideais. Como? Simples.
Entendo que Cristo nos chamou para a paz em um só corpo. De igual modo, vejo no discipulado, no evangelismo, na consolidação (algo no qual muito se fala, mas pouco se compreende dentro dos limites bíblicos), a manifestação suprema da missão da Igreja, dai a minha anuência inicial à tua fala. Outro fator que é preciso ressaltar é o uso que muitos crentes dão ás mídias e ás redes sociais. Brigas pessoais, questiúnculas que se resolveriam com dialogo vão parar, por exemplo, no facebook, e isto sim, eu vejo como um atitude anticristã.
Todavia, necessário se faz com que façamos a clara distinção entre as briguinhas de caráter individual, e o uso que se faz das redes sociais para a manifestação e defesa de opinião, principalmente se esta tem o seu apoio nas Escrituras Sagradas. Aqui, creio serem válidas as palavras de Paulo aos irmãos de Corinto: importa que hajam dissenções entre vós, para que os que são fieis se manifestem (I Co 11. 19). Rogo a tua paciência, a fim de que faças um exame contextual deste texto e comigo percebas que a despeito de Paulo pedir unidade para a igreja de Corinto desde o inicio da carta, ele percebeu que um mínimo de dissensão é bom para que haja a manifestação dos que são fieis.
É digno de nota que o termo que a Bíblia grega emprega é dokimoi (δοκιμοι), o mesmo termo para aprovados. em outras palavras somente mediante algum tipo de dissensão que podemos ver quem é, ou não pela verdade. Neste ponto o conflito passa a ser inevitável, visto que a verdade bíblica e os posicionamentos produzem um confronto que nos retiram de nossa zona de conforto.
Particularmente creio que o projeto divino de unidade nada tem a ver com o sacrifício da verdade. Afinal, no mesmo texto em que Paulo nos exorta a manter o vínculo da unidade (Ef 4. 1 - 3), ele nos admoesta a SEGUIR A VERDADE EM AMOR, indicando com isto que ambas são inseparáveis (Ef 4. 15).  Não há como seguir a verdade em amor sem falarmos a verdade uns para com os outros (Ef 4. 25). De igual modo, creio que a ira deva ser deixada de lado, e que devamos com temor e tremor expor a razão do esperança que há em nós (Ef 4. 26; I Pe 3. 15). Mas o debate, jamais deve ser abandonado. Me despeço rogando a Deus para que ele ilumine os olhos do teu entendimento para que percebas a clara diferença entre as questões aqui tratadas.
 
Em Cristo, Pr Marcelo Medeiros.
 
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