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sexta-feira, 17 de julho de 2015

Cultos jovens atraentes e coisas afins



Há aproximadamente dois meses soube de uma extensão da Lagoinha em Niterói. Não sabia dos meandros do estabelecimento da mesma, mas segundo matéria do Globo, agora acessada por mim, a mesma se deve a fatos inopinados ligados à vida pessoal dos fundadores. O que me chamou a atenção, tão logo tive acesso à notícia da mesma, foi o ambiente de boate, e afins. A matéria pode ser conferida na íntegra aqui.

Já me envolvi em controvérsias no facebook, por haver criticado uma reunião, promovida por esta mesma denominação, em que a mensagem foi uma apresentação humorística. Nada tenha contra o uso do humor como forma de cominicação da mensagem. Minha crítica se dirige ao uso do entretenimento como forma de atração, ou distração, o que não se coaduna com a missão cristã. 

Em parte alguma do Evangelho Jesus mandou que os discípulos distraíssem as pessoas, que alugassem espaços para a promoção de entretenimentos variados, ou que sequer imitassem o ambiente atraente das bacanais [cultos promovidos a Baco, ou Dionísio], para que as pessoas fossem atríadas pela mensagem. 

Na Carta aos Coríntios Paulo recomendou expressamente a separação entre os templo de Deus e o templo dos demônios, entre luz e trevas, entre os fiéis e os que mesmo em ambiente religioso tivessem quaisquer comportamentos divergentes à doutrina apostólica. Contudo, os empreendedores do momento levam à sério exclusivamente uma suposta flexibilidade paulina de fazer-se de tudo para com todos. O que tem comprometido seriamente a doutrina. 

A matéria do jornal é sintomática. A descrição da mudança do ambiente é bem extensa, e um único exemplo de "conversão" é apresentado. Conheço pessoas que se converteram ao ouvir a voz de Deus em uma sessão espírita, mas nem por isto recomendo a ninguém que frequente uma para que tenham a mesma experiência. Exceções jamais devem ser transformadas em regras, e pela estrutura e organização da matéria [...]. 

Nada tenho contra pregar em qualquer ambiente que seja, com visual tradicional, ou descolado. Um problema indigesto para mim é a pregação adulterada do Evangelho, que ao que parece a maioria destes pregadores descolados apresentam. A falta de discernimento do povo também é espantosa, para não falar na omissão dos líderes que irão dar contas a Deus de temanha omissão. 

Marcelo Medeiros. 

segunda-feira, 13 de julho de 2015

Uma questão pontual na política atual



Li este artigo na página de um renomado Senador da República, em que o mesmo perguntava a respeito da atuação dos evangélicos durante o período da ditadura. Creio que a mensagem era uma forma de cobrança por uma postura militante no tocante à defesa de direitos que foram violados em período tão negro. Escrevi uma resposta ao mesmo em sua página, e que não me foi replicada, mas que vou resumir aqui. 

Não sou simpático às atuações dos evangélicos na política. Creio que tal como ocorre com a sociedade em geral, nossos melhores evangélicos não são eleitos. A eleição de Enéas Carneiro (político competente, diga-se de passagem), Clodovil Hernandes e Tiririca, é indicador de que a mídia é o meio para a ascensão política. Daí a eleição de figuras toscas e despreparadas como Marco Feliciano. 

Existe sim uma dívida séria dos cristãos em geral na luta pelos direitos. Todavia jamais esta pode se dar às expensas dos direitos fundamentais como a liberdade de crença e de expressão, algo que tem sido seriamente ameaçado nesta nova cruzada do ativismo gay, por exemplo. A postura deste último grupo tem sido um tiro no pé dos mesmos. Evangélicos que se sintam vilados em seus direitos veem em Eduardo Cunha e cia seus messias. 

É desta forma que a política brasileira caminha. Lutando contra moinhos de vento, pensando que são gigantes. Minha primeira impressão da leitura de Cervantes foi a de que Quixote enlouqueceu de tanto ler livros de Cavalaria. Seria este o efeito de leituras mal feitas de teses sociais, ou de conspirações aventadas na internet?

Marcelo Medeiros. 

sábado, 11 de julho de 2015

O Evangelho da Graça



Evangelho é uma palavra cujo sentido original é o de "galardão que se dá ao que entrega boas novas". Usualmente estas boas notícias são concernentes à vitória do exército em tempo de guerra. A nova cristã é devidamente sintetizada no credo que tem por nome o mistério da piedade (I Tm 3. 15, 16). Trata da doutrina apostólica pela qual tanto Timóteo quanto Tito tem o dever de zelar. Como tal a mesma deve de ter precedência sobre fábulas e quaisquer outros assuntos de natureza especulativa (I Tm 1. 4). Visando expor o programa do Evangelho delineado nas pastorais este autor escreve este artigo em complementação aos Estudos bíblicos dominicais.

PRESERVAR A PUREZA DO EVANGELHO, UM DEVER DO MINISTRO
Como te roguei, quando parti para a macedônia, que ficasses em Éfeso, para advertires a alguns, que não ensinem outra doutrina, Nem se dêem a fábulas ou a genealogias intermináveis, que mais produzem questões do que edificação de Deus, que consiste na fé; assim o faço agora (I Tm 1. 3, 4 ACF). 
Quando Paulo se despediu de Éfeso, recomendou aos Presbíteros que olhassem pelo rebanho de Deus, sobre o qual os mesmos foram constituídos. Ele fez isto sabedor de que nos últimos dias lobos entrariam no meio do rebanho e devorariam sem pena o mesmo (At 20. 28, 29). Aqui fica estabelecido que o papel de um pastor consisite no zelo pela pureza doutrinária. 

Nenhuma outra doutrina além do Evangelho. Este é o lema do apóstolo. 
Se alguém ensina alguma outra doutrina, e se não conforma com as sãs palavras de nosso Senhor Jesus Cristo, e com a doutrina que é segundo a piedade. É soberbo, e nada sabe, mas delira acerca de questões e contendas de palavras, das quais nascem invejas, porfias, blasfêmias, ruins suspeitas, Perversas contendas de homens corruptos de entendimento, e privados da verdade, cuidando que a piedade seja causa de ganho; aparta-te dos tais (I Tm 6. 3 - 5 ACF). 
  1. doutirna errada não é aquela que não se conforma ao credo denominacional. De igual modo, não é a que não se afina com os conceitos do líder, muito menos a que vai de encontro ao programa da nova metodologia.
  2. doutrina estranha - heteodidaskalei [ετεροδιδασκαλει] - é a doutrina que não se conforma com as sãs palavras de Cristo.
  3. O teste do genuíno ensino é a conformidade do mesmo com as palavras  de Jesus, cujo registro se veem no Evangelho. 
  4. Daí a expressão προσερχεται [prosechetai], cujo sentido é o de adesão, indicando com isto que o padrão é o Evangelho. 
Todavia a preservação da pureza do Evangelho demanda uma séria iniciativa, por parte do ministro, contra tudo o que possa desviar os ouvintes do Evangelho. No tempo de Paulo eram as questões loucas suscitadas por fábulas. Aqui se faz necessário o entendimento de Paulo não está falando nestes textos de todo e qualquer debate. Para este apóstolo a verdade tem de ser defendida. 

As questões loucas das quais Paulo fala aqui são mitos [μυθοις], histórias extraordinárias oriundas da literatura apócrifa e nas quais cristãos passaram a incorrer pela importância que se atribuiam às mesmas nas controvérsias com os judeus. De acordo com Stott Jubileus e Salmos dos Filhos de Salomão figuravam entre tais livros. 

Este simples trabalho de exegese fica como lição de que toda a vez que a canonicidade é estrapolada, a doutrina é violada. Ultrapassar os limites da doutrina de Cristo nunca foi tão fácil quanto neste momento, uma vez que há o abismo cultural, teológico, filosófico e linguístico. Diante de tais abismos é grande a tentação de se interpretar a Bíblia de acordo com o que se acha, ao invés de o fazer segundo a exegese. 

O ministro que não for exegeta, mas que sinceramente possuir desejo de conhecer a verdade, pode conhecer e alimentar seu rebanho com as sãs palavras de Cristo, uma vez que Cristo disse: a minha doutrina não é minha, mas daquele que me enviou. Se alguém quiser fazer a vontade dele, pela mesma doutrina conhecerá se ela é de Deus, ou se eu falo de mim mesmo (Jo 7. 16, 17 ACF). Todavia, hoje há muito recurso acessível de exegese no mercado e obreiro algum deveria se olvidar ao dever e sagrado direito de acessar os mesmos. 

O alvo do Evangelho é a οικονομιαν (oikonomian), palavra da qual vem economia, ou mordomia, ou administração. Trata-se do que comummente se chama de dispensação. O Evangelho marca uma aliança cujo agir e mover divino são marcados pela relação baseada em graça e em misericórdia. O que inevitavelmente conduz a presente reflexão para a questão do Evangelho e da lei. 

O EVANGELHO E A LEI
Ora, o fim do mandamento é o amor de um coração puro, e de uma boa consciência, e de uma fé não fingida. Do que, desviando-se alguns, se entregaram a vãs contendas; Querendo ser mestres da lei, e não entendendo nem o que dizem nem o que afirmam. Sabemos, porém, que a lei é boa, se alguém dela usa legitimamente; Sabendo isto, que a lei não é feita para o justo, mas para os injustos e obstinados, para os ímpios e pecadores, para os profanos e irreligiosos, para os parricidas e matricidas, para os homicidas, Para os devassos, para os sodomitas, para os roubadores de homens, para os mentirosos, para os perjuros, e para o que for contrário à sã doutrina, Conforme o evangelho da glória de Deus bem-aventurado, que me foi confiado (I Tm 1. 5 - 11 ACF). 
  1. a lei se cumpre em sua plenitude na vida de quem ama. A ninguém devais coisa alguma, a não ser o amor com que vos ameis uns aos outros; porque quem ama aos outros cumpriu a lei (Rm 13. 8 ACF).  
  2. Aqui convém atentar para a expressão νομον πεπληρωκεν [nomon peplerookeen], ou cumpre plenamente a lei. 
  3. o centro da lei era o coração humano, tanto que o shemá Ishrael [שְׁמַ֖ע יִשְׂרָאֵ֑ל], diz: amarás, pois, o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças, para somente então dizer: e estas palavras, que hoje te ordeno, estarão no teu coração (Dt 6. 5, 6 ACF), indicando com isto que o centro do mandamento era o coração.  
  4. O centroda atenção da lei era o coração. Este é um ponto que o Evangelho preserva, tanto que Jesus chamou a atenção dos seus discípulos para o coração como centro de onde procedem as saídas da vida (Pv 4. 23; Mc 7. 10 - 21). 
  5. Não ter esta percepção sujeita o indivíduo aos debates infrutíferos. 
  6. os que não se conformam ao Evangelho terminarão por terem de se adequar à lei, em razão de sua clara rejeição à boa nova. 
  7. Quem possui um viver contrário a são doutrina acaba por se enquadrar na lei, que foi dada em razão das transgressões acima enumeradas, sendo cada uma delas correspondentes a um mandamento do decálogo. 
No Evangelho da graça não há espaços para a glorificação pessoal, tal como no judaísmo farisaico do primeiro século. 

O CERNE DO EVANGELHO
E dou graças ao que me tem confortado, a Cristo Jesus Senhor nosso, porque me teve por fiel, pondo-me no ministério; A mim, que dantes fui blasfemo, e perseguidor, e injurioso; mas alcancei misericórdia, porque o fiz ignorantemente, na incredulidade. E a graça de nosso Senhor superabundou com a fé e amor que há em Jesus Cristo. Esta é uma palavra fiel, e digna de toda a aceitação, que Cristo Jesus veio ao mundo, para salvar os pecadores, dos quais eu sou o principal. Mas por isso alcancei misericórdia, para que em mim, que sou o principal, Jesus Cristo mostrasse toda a sua longanimidade, para exemplo dos que haviam de crer nele para a vida eterna. Ora, ao Rei dos séculos, imortal, invisível, ao único Deus sábio, seja honra e glória para todo o sempre. Amém (I Tm 1. 12 - 17 ACF). 
  1. A graça do Evangelho é vista no fato de que não havia nada em Paulo para que Deus o escolhesse para o seu ministério. Pelo contrário ele era um perseguidor feroz da boa nova. Mas onde o homem vê um inimigo, Deus vê um instrumento. 
  2. Paulo não diz: graças a Deus por que sou fiel, mas: graças ao que me teve por fiel. O julgamento de Deus foi prévio a qualquer obra de justiça da parte de Paulo. Nas palavras do Senhor a Ananias: eu lhe mostrarei quanto deve padecer pelo meu nome (At 9. 16 ACF). 
  3. O testemunho de Paulo foi o de que a graça superou sua ignorância em seu zelo  judaico, e seu histórico de perseguição da fé. 
  4. Do texto se conclui que a eleição de Paulo nada tem a ver com conhecimento prévio, da parte de Deus, das boas obras deste apóstolo, mas com misericórdia. 
  5. O exemplo do amor, da graça, da misericórida e graça de Deus para com Paulo se torna modelo do agir gracioso e misericordioso de Deus para com todos quantos viessem a crer em Cristo para a vida eterna. 
  6. Por meio do exemplo de Paulo, fica claro que Deus pode salvar todo e qualquer tipo de homem, dos que demonstram simpatia pelo Evangelho aos que se mostram seus mais feroses opositores.
  7. No final, a glória cabe exclusivamente a Deus, não havendo no Evangelho da graça espaço algum para a glorificação humana, bem ao contrário do que este evangelho humanista da atualidade advoga. 
Este é o cerne do Evangelho da graça de Deus, e por este Evangelho o ministro tem de combater o bom combate.

Em Cristo, Marcelo Medeiros. 


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