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sábado, 27 de fevereiro de 2016

A Vinda de Jesus em Glória



Um grande acerto da CPAD foi o lançamento de uma lição de Escola Bíblia co abordagem voltada para a Escatologia. Um grave erro é a persistência na posição prétribulacionista, inclusive em detrimento do que os textos de fato afirmam, e os exemplos serão alistados um a um abaixo. Contudo, o estudo a respeito é extremamente gratificante, afinal, por meio deste a noiva do Cordeiro é reiterada de seu compromisso com o Noivo. 

CRÍTICA AO COMENTÁRIO DA LIÇÃO

Seguem abaixo as críticas ao comentário da lição:

  1. O comentarista toma Cl 3. 4 como base para afirmar a distinção entre segunda vinda e arrebatamento. Todavia tal distinção não encontra no texto que afirma claramente: "Quando Cristo, que é a nossa vida, se manifestar, então também vós vos manifestareis com ele em glória" (Cl 3. 4 ACF). 
  2. Tanto a manifestação de Cristo quanto amanifestação dos santos á chamada de φανερωσις (phanerosis), que por sua vez advém de φανερóω cujo sentido é o de tornar aparente, manifesto conhecido. 
  3. O problema é que conforme se verá neste estudo, φανερωσις é um dos termos correspondentes de parousia. 
  4. O autor usa Jo 14. 2, 3 para afirmar que Jesus voltará com os santos, quanto em parte alguma do texto isto é afirmado. Para dirimir dúvidas leia: "Na casa de meu Pai há muitas moradas; se não fosse assim, eu vo-lo teria dito. Vou preparar-vos lugar. E quando eu for, e vos preparar lugar, virei outra vez, e vos levarei para mim mesmo, para que onde eu estiver estejais vós também".
  5. Leu? Se Você leu, percebeu que o texto fala que Jesus virá para levar os santos para si. Admitir que  este mesmo fala da Vinda em Glória, e particulamente admito, equivale a crer que a Vinda de Jesus e o Arrebatamento da Igreja se darão em uma única fase. 
  6. A respeito do cortejo que acompanhará o Rei, creio, e o faço com base nas Escrituras que, os anjos e tão somente estes farão parte da comitiva em apreço. Os santos estarão na terra e nesta ocasião se dará o encontro dos mesmos com o Senhor nos ares. 
  7. Seguido ao referido encontro o cortejo de Cristo avança para a terra. 
  8. As profecias do Antigo Testamento descrevem o Senhor vindo e pisando com seus pés no Monte das Oliveiras. As decrições do Novo Testamento e particularmente de João são mais discretas. Ap 19. 12 - 19 descrevem Jesus pisando como vencedor no campo de batalha. 
  9. Nos Evangelhos é notável impotência dos demônios com relação à pessoa de Jesus. Uma legião de demônios chega a suplicar a Cristo para não serem enviados ao abismo (Lc 8. 31). Mas no Apocalipse eles serão irremediavlemente lançados no abismo (Ap 20. 1). E isto já é por si só sufuciente. 
Na sequência deste estudo serão vistas as promessas pertinentes à Vinda de Jesus em Glória, e ao modo como a mesma se dará, bem como o propósito desta. 

PROMESSAS PERTINENTES À VINDA DE CRISTO
Porque o Filho do homem virá na glória de seu Pai, com os seus anjos; e então dará a cada um segundo as suas obras (Mt 16. 27 ACF). 
Este texto fala a respeito da Vinda do Filho do homem (Porque o Filho do homem virá), do modo como este virá (virá na glória de seu Pai), e do propósito da mesma (e então dará a cada um segundo as suas obras). 
E, estando assentado no Monte das Oliveiras, chegaram-se a ele os seus discípulos em particular, dizendo: Dize-nos, quando serão essas coisas, e que sinal haverá da tua vinda e do fim do mundo?  Portanto, se vos disserem: Eis que ele está no deserto, não saiais. Eis que ele está no interior da casa; não acrediteis. Porque, assim como o relâmpago sai do oriente e se mostra até ao ocidente, assim será também a vinda do Filho do homem. E, como foi nos dias de Noé, assim será também a vinda do Filho do homem. Porquanto, assim como, nos dias anteriores ao dilúvio, comiam, bebiam, casavam e davam-se em casamento, até ao dia em que Noé entrou na arca, E não o perceberam, até que veio o dilúvio, e os levou a todos, assim será também a vinda do Filho do homem (Mt 24. 3, 26, 27, 37 - 39 ACF). 

  1. Os discípulos fazem três perguntas ao Senhor: 1) quando serão essas coisas, 2) que sinal haverá da tua vinda 3) e do fim do mundo? Cristo não diz quando serão as coisas, mas lhes diz a respeito dos sinais. 
  2. Os disípulos devem rejeitar todo pretenso messias, uma vez que o regresso de Cristo será algo tão visível quanto o relâmpago. 
  3. Mesmo o descrédito e indiferença para com a Vinda de Cristo devem ser vistos como claro sinal para a mesma. 
Na casa de meu Pai há muitas moradas; se não fosse assim, eu vo-lo teria dito. Vou preparar-vos lugar. E quando eu for, e vos preparar lugar, virei outra vez, e vos levarei para mim mesmo, para que onde eu estiver estejais vós também (Jo 14. 2, 3 ACF).
Este texto fala da necessidade temporária de separação entre Cristo e seus discípulos. Por meio da cruz ele abriu o caminho do homem a Deus (Hb 10. 19 - 23). Em sua assunção ele preparou o nova habitação dos cristãos, e agora virá outra vez a fim de se reunir com todo o seu povo.
Os quais lhes disseram: Homens galileus, por que estais olhando para o céu? Esse Jesus, que dentre vós foi recebido em cima no céu, há de vir assim como para o céu o vistes ir (At 1. 11 ACF). 
 A indagação dos anjos quanto a atitude dos discípulos, ao verem Jesus indo para o céu, se dá em razão de que o retorno de Cristo demanda rápida resposta dos discípulos. Retornado ao contexto é possível verificar que: 
E, quando dizia isto, vendo-o eles, foi elevado às alturas, e uma nuvem o recebeu, ocultando-o a seus olhos. E, estando com os olhos fitos no céu, enquanto ele subia, eis que junto deles se puseram dois homens vestidos de branco (At 1. 9, 10 ACF). 
A nuvem que recebeu a Cristo e que o ocultou à vista de seus discípulos, será a mesma que o revelará ao mundo. Então aparecerá no céu o sinal do Filho do homem; e todas as tribos da terra se lamentarão, e verão o Filho do homem, vindo sobre as nuvens do céu, com poder e grande glória (Mt 24. 30 ACF). 

A mesma percepção a respeito da Vinda é vista em Daniel que relata: Eu estava olhando nas minhas visões da noite, e eis que vinha nas nuvens do céu um como o filho do homem; e dirigiu-se ao ancião de dias, e o fizeram chegar até ele. E foi-lhe dado o domínio, e a honra, e o reino, para que todos os povos, nações e línguas o servissem; o seu domínio é um domínio eterno, que não passará, e o seu reino tal, que não será destruído (Dn 7. 13, 14 ACF). 

Estas nuvens apontam para o poderio e juízo de Deus. Conforme se vê neste texto poético:
Nuvens e escuridão estão ao redor dele; justiça e juízo são a base do seu trono. Um fogo vai adiante dele, e abrasa os seus inimigos em redor. Os seus relâmpagos iluminam o mundo; a terra viu e tremeu. Os montes derretem como cera na presença do Senhor, na presença do Senhor de toda a terra (Sl 97. 2 - 5 ACF). 
De igual modo, Cristo virá com os seus anjos.  Perguntado no sinédrio a respeito de sua identidade messiânica Jesus resposndeu: Tu o disseste; digo-vos, porém, que vereis em breve o Filho do homem assentado à direita do Poder, e vindo sobre as nuvens do céu (Mt 24. 64 ACF). Por último, é dito que ele vem para julgar todas as obras.
Sempre devemos, irmãos, dar graças a Deus por vós, como é justo, porque a vossa fé cresce muitíssimo e o amor de cada um de vós aumenta de uns para com os outros, De maneira que nós mesmos nos gloriamos de vós nas igrejas de Deus por causa da vossa paciência e fé, e em todas as vossas perseguições e aflições que suportais; Prova clara do justo juízo de Deus, para que sejais havidos por dignos do reino de Deus, pelo qual também padeceis; Se de fato é justo diante de Deus que dê em paga tribulação aos que vos atribulam, E a vós, que sois atribulados, descanso conosco, quando se manifestar o Senhor Jesus desde o céu com os anjos do seu poder, Com labareda de fogo, tomando vingança dos que não conhecem a Deus e dos que não obedecem ao evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo; Os quais, por castigo, padecerão eterna perdição, longe da face do Senhor e da glória do seu poder, Quando vier para ser glorificado nos seus santos, e para se fazer admirável naquele dia em todos os que crêem (porquanto o nosso testemunho foi crido entre vós) (II Ts 1. 3 - 10 ACF). 
Deste texto pode-se inferir que:

  1. A Vinda de Cristo é motivação para que o crente suporte a tribulação uma vez que na mesma este receberá alívio. 
  2. Os ímpios que perseguem ao povo de Deus serão devidamente julgados. 
  3. Será dado aos mesmos o justo castigo por sua impenitência, o de padecer longe da face do Senhor. Cristo será glorificado nos seus santos, o que significa que estes partilharão da mesma glória d'aquele. 

Agora, necessário se faz rever os nomes pertinentes à Vinda de Jesus.

NOMES PARA A VINDA DE JESUS

A vinda de Cristo é mencionada pelo seguintes termos: 

  1. Tempos de refrigérioArrependei-vos, pois, e convertei-vos, para que sejam apagados os vossos pecados, e venham assim os tempos do refrigério pela presença do Senhor (At 3. 19 ACF). A expressao para tempos de refrigério - καιροι αναψυξεως (kairoi anapsyxeoos) - indica um tempo de revigoração, análogo ao termo usando em At 3. 21 para a restauração de todas as coisas. 
  2. Tempos da restauração de tudo. Em analogia com Rm 8. 21, αποκαταστασεως (apokatastaseoos) indica a restauração da saúde, sendo que neste caso o que está em jogo é a saúde do Kosmos. O qual convém que o céu contenha até aos tempos da restauração de tudo, dos quais Deus falou pela boca de todos os seus santos profetas, desde o princípio (At 3. 21 ACF). 
  3. Aparição de Jesus Cristo. Para que a prova da vossa fé, muito mais preciosa do que o ouro que perece e é provado pelo fogo, se ache em louvor, e honra, e glória, na revelação de Jesus Cristo (I Pe 1. 7 ACF). Seja revelação, aparição, ou manifestação, o termo αποκαλυψει (apocalipsei) se aplica tanto aqui quanto aqui: esperando a manifestação de nosso Senhor Jesus Cristo (I Co 1. 7 ACF). 
  4. Epiphaneia (επιφανειαν). É a manifestação, ou aparição, empregado tanto para a manifestação de Cristo em seu primeiro advento (II Tm 1. 10), quanto para seu segundo advento. E então será revelado o iníquo, a quem o Senhor desfará pelo assopro da sua boca, e aniquilará pelo esplendor da sua vinda (II Ts 2. 8 ACF). Neste texto em particular επιφανειαν é articulado com παρουσιας (parousia), sendo esta a expressão para a Vinda e aquela para o esplendor decorrente da mesma. 
  5. Que guardes este mandamento sem mácula e repreensão, até à aparição de nosso Senhor Jesus Cristo (I Tm 6. 14 ACF). Neste texto επιφανειαν equivale à aparição. O mesmo se pode dizer de (II Tm 4. 1, 8) em que o termo é traduzido por Vinda. 
  6. Παρουσιας (parousias). É um termo que descreve a visita do imperador em uma das cidades pertencentes ao Império. Pode indicar a presença física de uma pessoa tal como o apóstolo (II Co 10. 10), ou para a vinda de Cristo e consequente destruição do estado judaico e imperio romano (Mt 24. 3, 27, 37 - 30 vide supra). 
  7. Παρουσιας também é um momento em que os santos receberão recompensas de sua respectiva fidelidade e os ímpios o jugamento (I Ts 2. 19; II Ts 2. 8). 
  8. Em geral a vinda de Cristo ( ITs 2. 19; 3. 13; 4. 15; 5. 23). É conforme visto a palavra chave da Carta aos Tessalonicenses. Não indica um evento secreto, uma vez que o termo era empregado para visita do imperador. 



Estes são os termos pertinentes à vinda de Cristo. 

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Esteja alerta e Vigilante, Jesus Voltará



O termo alerta diz respeito ao estado de atenção necessário em decorrência de algum evento esperado. Sinais foram dados para a vinda de Cristo, ao crente cabe a ponderação a respeito dos mesmos a fim de não ser pego de surpresa na manifestação de Cristo. Vigiar é literalmente estar de vigília e de sentinela. Neste texto pretendo abordar brevemente a necessidade de manter a máxima atenção aos sinais da Vinda de Cristo com vistas a não sermos pegos de surpresa na mesma.

A NECESSIDADE DE VIGILÂNCIA
Vigiai, pois, porque não sabeis a que hora há de vir o vosso Senhor. Mas considerai isto: se o pai de família soubesse a que vigília da noite havia de vir o ladrão, vigiaria e não deixaria minar a sua casa. Por isso, estai vós apercebidos também; porque o Filho do homem há de vir à hora em que não penseis (Mt 24. 42 - 44 ACF). 
O texto aponta claramente que a vigilância deve se dar em razão do total desconhecimento da ocasião em que Cristo há de vir. É com este intuito que se evoca a figura do ladrão, cuja missão se realiza em função do elemento surpresa. O texto termina com a afirmação de que o Filho do homem Virá em uma hora em que ninguém pensa.

A parábola das Dez Virgens é uma mensagem que visa reforçar esta fala. As virgens saem em cortejo ao noivo e este chega apenas na terceira vigília da noite. Vigiai, pois, porque não sabeis o dia nem a hora em que o Filho do homem há de vir (Mt 25. 13 ACF), esta é a lição da parábola contada pelo Senhor. Esta mesma vigilância pode ser expressa nas palavras:
Estejam cingidos os vossos lombos, e acesas as vossas candeias. E sede vós semelhantes aos homens que esperam o seu senhor, quando houver de voltar das bodas, para que, quando vier, e bater, logo possam abrir-lhe. Bem-aventurados aqueles servos, os quais, quando o Senhor vier, achar vigiando! Em verdade vos digo que se cingirá, e os fará assentar à mesa e, chegando-se, os servirá. E, se vier na segunda vigília, e se vier na terceira vigília, e os achar assim, bem-aventurados são os tais servos (Lc 12. 35 - 38 ACF). 
  1. Lombos cingidos podem ser indidcadores de prontidão para uma partida. Neste caso é estar adequadamente vestido para receber o Senhor quando este voltar. 
  2. As candeias devem de estar acesas, uma vez que a chegada do mesmo poderá se dar em quaisquer das vigílias da noite. 
  3. A atitude que Ele, o Senhor espera dos seus serviçais é que estes o recebam tão logo Ele chegar, para tal, devem estar acordados (vigiando). 
  4. A referência Às sucessivas vigílias é um indicador de que a parousia vai demorar a ocorrer. A parábola das virgens já indicava tal. 
  5. Os servos que estiverem vigilantes serão honrados. 
Mais um texto a ser visto é este abaixo transcrito:
Mas daquele dia e hora ninguém sabe, nem os anjos que estão no céu, nem o Filho, senão o Pai. Olhai, vigiai e orai; porque não sabeis quando chegará o tempo. É como se um homem, partindo para fora da terra, deixasse a sua casa, e desse autoridade aos seus servos, e a cada um a sua obra, e mandasse ao porteiro que vigiasse. Vigiai, pois, porque não sabeis quando virá o senhor da casa; se à tarde, se à meia-noite, se ao cantar do galo, se pela manhã, Para que, vindo de improviso, não vos ache dormindo. E as coisas que vos digo, digo-as a todos: Vigiai (Mc 13. 32 - 37 ACF).   
  1. Cristo trata eventos futuros como assunto exclusivo do Pai (At 1. 7), daí o fato dele vedar aos seus discípulos o conhecimento da data de sua Vinda. 
  2. A despeito de negar aos seus o conhecimento de uma possível data da Vinda de Cristo, ele mesmo pede aos seus que olhem para os sinais. O verbo βλεπω (blepoo) vai desde a percepção com a faculdade da visão até a percepção, ou discernimento. 
  3. Ao partir Jesus deu autoridade aos seus servos para pregar o Evangelho, explusar demônios, curar enfermos, etc.... (Mc 16. 15 - 19). Ele determinou vigilância. 
  4. Todavia, tal como o chefe da casa a Vinda de Cristo se dará de improviso. 
  5. A palavra de Cristo teve aplicação para a geração de discípulos que o ouviu, e ainda tem para os que o ouvem na atualidade, o que se percebe na palavra: E as coisas que vos digo, digo-as a todos: Vigiai. 
VIGILÂNCIA EM TERMOS PRÁTICOS
E isto digo, conhecendo o tempo, que já é hora de despertarmos do sono; porque a nossa salvação está agora mais perto de nós do que quando aceitamos a fé. A noite é passada, e o dia é chegado. Rejeitemos, pois, as obras das trevas, e vistamo-nos das armas da luz. Andemos honestamente, como de dia; não em glutonarias, nem em bebedeiras, nem em desonestidades, nem em dissoluções, nem em contendas e inveja. Mas revesti-vos do Senhor Jesus Cristo, e não tenhais cuidado da carne em suas concupiscências (Rm 13. 11 - 14 ACF). 
  1. A parábola das Virgens mostra que "todas" dormiram, e "todas" foram despertadas com o brado anunciando a chegada do noivo. Este é o indicador de que é tempo de acordar. Por isso diz: Desperta, tu que dormes, e levanta-te dentre os mortos, e Cristo te esclarecerá. Portanto, vede prudentemente como andais, não como néscios, mas como sábios, Remindo o tempo; porquanto os dias são maus (Ef 5. 14 - 16 ACF). 
  2. Para Paulo já estamos vivendo nos fim dos séculos. Ora, tudo isto lhes sobreveio como figuras, e estão escritas para aviso nosso, para quem já são chegados os fins dos séculos (I Co 10. 11 ACF). 
  3. Uma das metáforas para a Vinda de Cristo é o nascer do sol. Mas para vós, os que temeis o meu nome, nascerá o sol da justiça, e cura trará nas suas asas; e saireis e saltareis como bezerros da estrebaria (Ml 4. 2 ACF). 
  4. Em razão da proximidade da Vinda de Cristo, as obras das Trevas têm de ser rejeitadas e o comportamento condizente com a luz adotado. E olhai por vós, não aconteça que os vossos corações se carreguem de glutonaria, de embriaguez, e dos cuidados da vida, e venha sobre vós de improviso aquele dia (Lc 21. 34 ACF). 
Que este alerta fique gravado em nossos corações. Em Cristo, 

Marcelo Medeiros. 

sábado, 16 de janeiro de 2016

Esperando a Volta de Jesus




Aguardando a bem-aventurada esperança e o aparecimento da glória do grande Deus e nosso Senhor Jesus Cristo (Tt 2. 13 ACF). Este texto indica que a esperança cristã tem na volta de Jesus o seu cerne. Neste mesmo texto a epifanéia, nome dado à vinda de Cristo, é classificada como bem-aventurada. Aguardar o retorno glorioso de Cristo já é estar em estado de ventura. No presente post pretendo abordar esta Esperança.


A ESPERANÇA

É bem mais do que mera expectativa. É o grande e execelente motivo de Glória do Cristão. Paulo diz: e nos gloriamos na esperança da glória de Deus (Rm 5. 2 ACF). Mesmo em meio Às maiores tribulações, os cristãos podem fazer das mesmas apredizado porque a "esperança não traz confusão" (Rm 5. 5 ACF), pois a base da mesma é o amor de Deus revelado em Cristo Jesus. em outras palavras, 
Porque para mim tenho por certo que as aflições deste tempo presente não são para comparar com a glória que em nós há de ser revelada. Porque a ardente expectação da criatura espera a manifestação dos filhos de Deus. Porque a criação ficou sujeita à vaidade, não por sua vontade, mas por causa do que a sujeitou, Na esperança de que também a mesma criatura será libertada da servidão da corrupção, para a liberdade da glória dos filhos de Deus (Rm 8. 18 - 21 ACF). 
Este texto é de suma importância para uma reflexão a respeito da Esperança, uma vez que o mesmo aponta para os objetos da Esperança Cristã. Quais?

  1. Uma Glória que em nós há de ser revelada. A mesma da qual Paulo fala em Rm 5. 2. O pecado privou o homem desta glória, mas a libertação do corpo do pecado (Rm 7. 7 - 24). 
  2. A libertação da servidão da corrupção. Esta se dará quando o que for mortal e corruptível não mais o for. Na perspectiva paulina: convém que isto que é corruptível se revista da incorruptibilidade, e que isto que é mortal se revista da imortalidade (I Co 15. 53 ACF).  
  3. A liberdade da Glória dos filhos de Deus. Será a liberdade dos grilhões e aguilões do pecado. Ora, o aguilhão da morte é o pecado, e a força do pecado é a lei (I Co 15. 56 ACF). libertos do poder do pecado os salvos em Cristo experimentarão a liberdade da glória dos filhos de Deus. 
  4. Esta libertação inclui a natureza, que tal como o homem também foi sujeita à vaidade (Gn 3. 19; Rm 8. 22 - 26). 
Todavia, o texto igualmente aponta para a essência da nossa Esperança. 
  1. A Esperança é αποκαραδοκια (apokaradokia), ou ardente expectativa. Aos crente de Felipo Paulo escreve que segundo a intensa expectação [αποκαραδοκια (apokaradokia)] que o mesmo tinha, Cristo seria glorificado tanto em sua vida como em sua morte. 
  2. Tanto a ardente expectativa quando a espera suave eliminam quaisquer possibilidades de confusão por parte de quem espera, visto que todas as promessas tem o sim e o amém de Deus, inclusive as pertinentes à Vinda de seu Filho Jesus Cristo (II Co 1. 20). 
  3. Tanto em Fp 1. 20, quanto em Rm 8. 19, 20 o termo αποκαραδοκια (apokaradokia) vem acompanhado de um outro que igualmente denota a esperança Cristã, ελπιδι ou ελπις (elpidi, ou elpis). Consiste na espera, ou expectativa prazerosa que se mantém em relação a algo. Daí a força da exortação paulina que recomenda: Alegrai-vos na esperança (Rm 12. 12a ACF). 
  4. Um último verbete a ser visto no tocante à Esperança é προσδεχομαι [prosdechomai], esperar, ou ter expectativa. 
  5. Em todos estes casos a Esperança nasce da libertação que o crente experimenta em relação ao poder do pecado, por meio da justificação e da santificação, e aponta para a rendenção final, a saber: a glorificação (Tt 2. 11 - 14). 
  6. A essência da fé cristã está ligada com a ardente expectativa, e ao mesmo tempo com o desejo agradável de que Cristo venha buscar a sua Igreja. 
Mas qual é a base da Esperança no tocante à volta do Senhor? Simples, a Esperança é a firme confiança do crente nas promessas de Deus. Segue-se então que a base da Esperança de que Cristo vierá são as promessas de seu Glorioso Retorno. 

A PROMESSA DA VINDA DE CRISTO

Em tempos em que qualquer sonho, desejo, ou aspiração pessoal tem sido elevado à categoria de promessa de Deus, ainda que a mesma não tenha o mínimo de fundamentação bíblica, convém examinar a mais frequante das promessas da Bíblia, a Vinda de Cristo. E uma considerável quantidade de textos referendam à mesma. Veja:
Porque o Filho do homem virá na glória de seu Pai, com os seus anjos; e então dará a cada um segundo as suas obras (Mt 16. 27 ACF). 
E, estando assentado no Monte das Oliveiras, chegaram-se a ele os seus discípulos em particular, dizendo: Dize-nos, quando serão essas coisas, e que sinal haverá da tua vinda e do fim do mundo? Porque, assim como o relâmpago sai do oriente e se mostra até ao ocidente, assim será também a vinda do Filho do homem. E, como foi nos dias de Noé, assim será também a vinda do Filho do homem. E não o perceberam, até que veio o dilúvio, e os levou a todos, assim será também a vinda do Filho do homem (Mt 24. 3, 27, 37, 39 ACF).  
Não se turbe o vosso coração; credes em Deus, crede também em mim. Na casa de meu Pai há muitas moradas; se não fosse assim, eu vo-lo teria dito. Vou preparar-vos lugar. E quando eu for, e vos preparar lugar, virei outra vez, e vos levarei para mim mesmo, para que onde eu estiver estejais vós também (Jo 14. 1 - 3 ACF).
E, quando dizia isto, vendo-o eles, foi elevado às alturas, e uma nuvem o recebeu, ocultando-o a seus olhos. E, estando com os olhos fitos no céu, enquanto ele subia, eis que junto deles se puseram dois homens vestidos de branco. Os quais lhes disseram: Homens galileus, por que estais olhando para o céu? Esse Jesus, que dentre vós foi recebido em cima no céu, há de vir assim como para o céu o vistes ir (At 1. 9 - 11 ACF). 
De maneira que nenhum dom vos falta, esperando a manifestação de nosso Senhor Jesus Cristo (I Co 1. 7 ACF).
E esperar dos céus o seu Filho, a quem ressuscitou dentre os mortos, a saber, Jesus, que nos livra da ira futura (I Ts 1. 10 ACF).
Porque, qual é a nossa esperança, ou gozo, ou coroa de glória? Porventura não o sois vós também diante de nosso Senhor Jesus Cristo em sua vinda? (I Ts 2. 19 ACF). 
Estas promessas são a base da Esperança do Cristão.  

COMO ESPERAR A VINDA DE CRISTO?

Como Cristo espera que estejamos para o seu retono glorioso? Esta pergunta precisa ser feita, principalmente se for considerado que a cada nova tragédia uma febre escatológica é deflagrada, todavia ao invés de alimentar a curiosidade de seus discípulos Jesus deixou aos mesmos um norte a respeito de como deveriam agir. 

A) Com Vigilância
Vigiai, pois, porque não sabeis a que hora há de vir o vosso Senhor. Mas considerai isto: se o pai de família soubesse a que vigília da noite havia de vir o ladrão, vigiaria e não deixaria minar a sua casa (Mt 24. 42, 43 ACF). 
Vigiai, pois, porque não sabeis o dia nem a hora em que o Filho do homem há de vir (Mt 25. 13 ACF).
Em ambos os textos é erceptível a presença do verbo γρηγορευω [gregoreuoo], cujo sentido é o de manter-se acordado, não dormir. Daí a recomendação de Paulo: Não durmamos, pois, como os demais, mas vigiemos, e sejamos sóbrios (I Ts 5. 6 ACF). O sono aqui é uma metáfora, que é explicada pela parábola em que mordomo aguarda o retorno de seu Senhor. 

B) Mordomia
Quem é, pois, o servo fiel e prudente, que o seu senhor constituiu sobre a sua casa, para dar o sustento a seu tempo? Bem-aventurado aquele servo que o seu senhor, quando vier, achar servindo assim. Em verdade vos digo que o porá sobre todos os seus bens (Mt 24. 45 - 47 ACF). 
Estejam cingidos os vossos lombos, e acesas as vossas candeias. E sede vós semelhantes aos homens que esperam o seu senhor, quando houver de voltar das bodas, para que, quando vier, e bater, logo possam abrir-lhe. Bem-aventurados aqueles servos, os quais, quando o Senhor vier, achar vigiando! Em verdade vos digo que se cingirá, e os fará assentar à mesa e, chegando-se, os servirá. E, se vier na segunda vigília, e se vier na terceira vigília, e os achar assim, bem-aventurados são os tais servos (Lc 12. 35 - 38 ACF).
A vinda de Cristo é descrita como um momento de alegria? Sim, as igualmente o é como uma prestação de contas, daí a necessidade de mordomia. 

C) Santidade

E o Senhor vos aumente, e faça crescer em amor uns para com os outros, e para com todos, como também o fazemos para convosco; Para confirmar os vossos corações, para que sejais irrepreensíveis em santidade diante de nosso Deus e Pai, na vinda de nosso Senhor Jesus Cristo com todos os seus santos (I Ts 3. 12, 13 ACF).
E o mesmo Deus de paz vos santifique em tudo; e todo o vosso espírito, e alma, e corpo, sejam plenamente conservados irrepreensíveis para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo. Fiel é o que vos chama, o qual também o fará (I Ts 5. 23, 24 ACF).  

  1. A vida descrita aqui transcende a superficialidade, é uma vida de plenitude.  A base da mesma é o amor. 
  2. Na medida em que o amor cristão cresce, os crentes igualmente crescem em santidade diante de Deus. 
  3. Este crescimento tem de ser contínuo até a Vinda de Cristo. 
  4. É Deus quem mediante o seu Espírito, santifica o crente e o faz irrpreensível, até a Vinda de Cristo Jesus. 
  5. A santidade realizada pelo mesmo tem sua progressão em todas as áreas da vida do cristão, aqui representadas pelo Espírito, alma e corpo. 
Em Cristo, Marcelo Medeiros

 
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