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terça-feira, 4 de junho de 2013

A morte de Eliseu


Escrevo este texto com a finalidade de compartilhar uma ideia simples que me ocorreu enquanto meditava no texto bíblico serve de base para a nossa lição de Escola Bíblica Dominical. De acordo com o texto bíblico Elias e Eliseu são os últimos precursores dos profetas escritores. E algo de marcante em seus ministérios é a presença dos sinais, é claro, mas também da PALAVRA DO SENHOR. Assim sendo, passemos então a uma breve análise do texto.
Ora, Eliseu estava sofrendo da doença da qual morreria. Então Jeoás, rei de Israel, foi visitá-lo e, curvado sobre ele, chorou gritando: "Meu pai! Meu pai! Tu és como os carros e os cavaleiros de Israel! " (II Rs 13. 14 NVI).
Em primeiro lugar Eliseu estava doente. A doença revela a condição de todos os seres humanos, nós somos como a erva e nossa glória como a flor do campo (Sl 90. 5; 102. 11; Is 40. 7; I Pe 1. 24). O fato relatado aqui se deu após o reinado de Jeú, período de mais de quarenta anos após as últimas atividades mencionadas de Eliseu.
A declaração de Tu és como os carros e os cavaleiros de Israel!  é um indicador de que o ministério profético de Eliseu era mais estratégico do que a presença de carros e cavalos nos exércitos de Israel. Provavelmente seja uma menção ao exercício profético de Eliseu que revelou sucessivas vezes os planos do rei da Síria (II RS 6. 9, 12, 13, 16 - 22).
E Eliseu lhe disse: "Traga um arco e algumas flechas"; e ele assim fez. "Pegue o arco em suas mãos", disse ao rei de Israel. Quando pegou, Eliseu pôs suas mãos sobre as mãos do rei e lhe disse para abrir a janela que dava para o leste e atirar. O rei o fez, então Eliseu declarou: "Esta é a flecha da vitória do Senhor, a flecha da vitória sobre a Síria! Você destruirá totalmente os arameus, em Afeque". Em seguida Eliseu mandou o rei pegar as flechas e golpear o chão. Ele golpeou o chão três vezes e parou. O homem de Deus ficou irado com ele e disse: "Você deveria ter golpeado o chão cinco ou seis vezes; então iria derrotar a Síria e a destruiria completamente. Mas agora você a derrotará somente três vezes".
A preocupação do rei de Israel é respondida com um sinal profético. Estes atos são muito comuns no ministérios dos profetas orais (I Rs 20. 20ss). Mesmo diante da iminência da morte o profeta interpreta o ato do rei e lhe libera uma palavra de vitória da parte de Deus. O problema se deu quando o rei recebeu ordem de atirar com seu arco no chão, e o fez apenas três vezes, indicando com isto que feriria os sírios por apenas três vezes.
Aqui cabe a observação de que o profeta mandou o rei atirar, mas em princípio não lhe disse quantas vezes deveria atirar, apenas o repreendeu quando não atirou um número suficiente de vezes que representasse o aniquilamento total dos sírios. Existem coisas em nossa vida que funcionam com uma dinâmica similar, ao recebermos uma ordem divina, devemos de ser pródigos no cumprimento da mesma, a fim de sermos abençoados.

Então Eliseu morreu e foi sepultado. Ora, tropas moabitas costumavam entrar no país em todas as primaveras.Certa vez, enquanto alguns israelitas sepultavam um homem, viram de repente uma dessas tropas; então jogaram o corpo do homem no túmulo de Eliseu e fugiram. Assim que o cadáver encostou nos ossos de Eliseu, o homem voltou à vida e se levantou. Hazael, rei da Síria, oprimiu Israel durante todo o reinado de Jeoacaz. Mas o Senhor foi bondoso para com eles, teve compaixão e mostrou preocupação por eles, por causa da sua aliança com Abraão, Isaque e Jacó. Até hoje ele não se dispôs a destruí-los ou eliminá-los de sua presença. E Hazael, rei da Síria, morreu, e seu filho Ben-Hadade foi o seu sucessor. Então Jeoás, filho de Jeoacaz, conquistou de Ben-Hadade, filho de Hazael, as cidades que, em combate, Hazael havia tomado de seu pai Jeoacaz. Três vezes Jeoás o derrotou e, assim, reconquistou essas cidades israelitas (II R 13. 14 - 25 NVI).

Notemos aqui, que a despeito de experimentar a fragilidade comum a todos os seres humanos (Eliseu adoeceu), e de passar pela experiência de morte (uma sentença adâmica Gn 3. 19; Ec 3. 20), Eliseu traz até o leito de sua morte e leva até à sepultura a sua herança, a saber: a porção dobrada do espírito profético que estava na vida de Elias. Ao olharmos para a vida de outros profetas, tais como Aías de Silo, percebemos que esta é uma das marcas distintivas do profeta de Deus, mesmo diante da precariedade física, a unção de Deus não os abandona. E talvez esta seja a maior de todas as lições da vida deste homem de Deus. A fama, a onda, os holofotes, os tapas nas costas, as ovações, tudo isto passa mas o que permanece, ou ao menos deve permanecer é a graça de Deus em nossas vidas.
Mesmo depois de morto Eliseu ainda pode abençoar vidas, e tudo por uma razão muito simples: a comunhão com Deus não é interrompida nem com a morte (Sl 16. 9 - 11). Que possamos valorizar a nossa comunhão com o Altíssimo acima da glória e da fama humana.

Em Cristo, Pr Marcelo Medeiros. 

quarta-feira, 13 de março de 2013

Os milagres de Eliseu


Gostaria de começar este estudo propondo uma leve mudança no título do mesmo. No lugar de falarmos em milagres de Eliseu, por que não milagres de Deus na vida de Eliseu? O motivo é bastante simples, em momento algum a Bíblia atribui poderes de fato à pessoa de Eliseu, ou á pessoa de Elias, os fatos miraculosos ocorridos na vida destes é na verdade uma intervenção da parte de Deus, ao menos é deste modo, que ao meu ver, temos de ler e interpretar.
No contexto do livro dos Reis, particularmente no registro da ação profética no Reino Norte, os milagres estão ligados à ação e palavra de Deus na boca dos profetas. Assim, tudo o que ocorre de extraordinário é um modo de Deus mostrar ao povo que ele, é o Senhor da história, ao invés de Ba'al. Daí as constantes intervenções por meio de sinais espantosos no meio do povo. Por milagres aqui, não entendo os atos poderosos dos homens de Deus, mas a ação de Deus em manifestar, e confirmar a sua santa Palavra por meio dos profetas.

A Definição de milagres.

Neste estudo não recorrerei a definição de termos técnicos, por este mtivo lançarei mão exclusivamente dos nossos léxicos. De acordo com os nossos dicionários milagres são:
1 Fato que se atribui a uma causa sobrenatural.
2 Teol Algo de difícil e insólito, que ultrapassa o poder da natureza e a previsão dos espectadores (Santo Tomás).
3 Coisa admirável pela sua grandeza ou perfeição; maravilha. 
4 Fato que, pela raridade, causa grande admiração.
5 Intervenção sobrenatural.  
 
O que entendemos desta conceituação dicionarizada?
 
  1. Que milagres não podem jamais serem explicados mediante causas naturais. Tomemos como exemplo o fenômeno da sarça ardente. É comum que sarças peguem fogo no deserto, o que é incomum é a sarça queimar e não se consumir (Ex 3. 1 - 8ss). O mesmo pode ser dito da ocasião em que Eliseu profetiza a provisão de água para o exército de Israel, Edom, e Judá (II Rs 3. 16ss). Se a água fosse encontrada mediante o cavar de poços, a provisão não seria milagrosa, do mesmo modo, se viesse por meio de uma chuva no deserto, mas a água simplesmente veio pelo caminho do deserto a o povo matou a sede.
  2. Milagres não são previstos. Apesar de alguns milagres serem anunciados antecipadamente, como é o caso de um relato de providência, ou seja, a fuga dos sírios e a abundância em Israel, o fato é que a marca do milagre é o caráter de imprevisibilidade, ou seja, milagres não são fenômenos que possam ser calculados e conjecurados com antecedência. Quando a viúva de um dos discípulos dos profetas foi a Eliseu, nem ela, nem o homem de Deus sabiam o que iria ocorrer, ou que o azeite seria multiplicado. Mesmo diante da palavra do homem de Deus não havia ainda a previsão, de que de um pequeno frasco, muitos vasos seriam cheios, de que da venda destes vasos a dívida seria paga, e que do que sobrasse ela poderia viver com os seus filhos. DEUS MULTIPLICOU O AZEITE E AINDA MANIFESTOU SUA PROVIDÊNCIA.
  3. Milagres provocam admiração, ou espanto. Foi diante da ressurreição do filho que a viúva de Serepta afirmou que Elias era um homem de Deus, e que a PALAVRA DO SENHOR NA SUA BOCA ERA VERDADE. Os milagres apostólicos tiveram tamanho efeito. Lemos no Relato de Lucas que todos estavam cheios de temor, e muitas maravilhas e sinais eram feitos pelos apóstolos (At 2. 42 NVI). Quando da morte de Ananias e Safira, é dito que grande temor apoderou-se de todos os que ouviram o que tinha acontecido (At 5. 5 NVI), e que grande temor apoderou-se de toda a igreja e de todos os que ouviram falar desses acontecimentos (At 5. 11 NVI).
  4. Milagres são provocados por um intervenção divina na realidade. Não é sem razão que o salmista canta: Senhor, quero dar-te graças de todo o coração e falar de todas as tuas maravilhas (Sl 9. 1 NVI). Também canta: Bendito seja o Senhor Deus, o Deus de Israel, o único que realiza feitos maravilhosos (Sl 72. 18 NVI). Elifaz afirma que Ele realiza maravilhas insondáveis, milagres que não se pode contar (Jó 5. 9 NVI).
 
Esta é a essência do milagre.

Os milages de Deus na vida de Eliseu

Para entendermos os milagres div inos na vida do profeta que sucedeu Elias, temos de ver os mesmos em consonância com o pedido feito por Eliseu quando aquele estava para ser arrebatado. Momentos antes do evento Elias disse a Eliseu: "O que posso fazer por você antes que eu seja levado para longe de você? " Respondeu Eliseu: "Faze de mim o principal herdeiro de teu espírito profético" (II Rs 2. 9 NVI).
Eliseu fez tal pedido cônscio da sua missão que era levar adiante o legado de Elias. Para tal ele entendia que não bastava ser como seu antecessor, mas que diante da árdua missão que teria, ele deveria ter maior poder profético do que Elias. Este enfrentou a fúria de Acabe (I Rs 18. 17, 18), ao passo que Eliseu enfrentou a fúria do rei de Israel (II Rs 6. 31, 32) e do rei da Síria (II Rs 6. 11 - 14). Isto esclarecido, passemos aos milagres em si.
 
  1. Divisão das águas do Jordão (II Rs 2.14). Neste aspecto temos uma repetição do último milagre realizado por Elias (II Rs 2. 8).
  2. As águas de uma cidade próxima a Jericó são sanadas na fonte (II Rs 2. 19 - 21). É um ato no qual o sal é usado de forma simbólica e Eliseu profere o seguinte oráculo: Assim diz o Senhor: ‘Purifiquei esta água. Não causará mais mortes nem deixará a terra improdutiva’ (II Rs 2. 21 NVI).
  3. Amaldiçoa e proclama a morte de quarenta e dois rapazes (II Rs 2. 24). Isto é o que C. S. Lewis chama de milagre de destruição, ainda que este autor, em sua obra Milagres se atenha exclusivamente aos milagrs do Novo Testamento.
  4. Anuncia a chegada de água em pleno deserto para três exércitos (II Rs 3. 16ss).
  5.  Multiplica o azeite de uma viúva de um dos discípulos dos profetas (II Rs 4. 5). Este mlagre se assemelha ao realizado por Elias na casa de uma viúva de Serepta (I Rs 17. 14, 15).
  6. Elimina o veneno da comida (II Rs 4. 41). Algo sem precedentes em todo o antigo Testamento.
  7. Multiplica pães (II Rs 4. 43). Bem pareccido com o ocorrido na casa da viúva de Serepta, sendo que agora se dá na escola de profetas.
  8. Ressuscita o filho da Sunamita (II Rs 4. 35). Algo similar ocorreu com seu antecessor quando esteve em Sidom (II Rs 4. 17 - 24).
  9. Sara a lepra de Naamã (II Rs 5. 10). Este milagre é importante, visto que por meio do mesmo o general sírio se converte e afirma que teu servo nunca mais fará holocaustos e sacrifícios a nenhum outro deus senão ao Senhor. Mas que o Senhor me perdoe por uma única coisa: quando meu senhor vai adorar no templo de Rimom, eu também tenho que me ajoelhar ali pois ele se apóia em meu braço. Que o Senhor perdoe o teu servo por isso (II Rs 5. 17, 18 NVI).
  10. Fere Geazi de lepra (II Rs 5. 27). Mais um milagre de destruição.
  11. Faz flutuar um machado  (II Rs 6. 6). Aqui temos um milagre de providência, um machado foi tomado emprestado para ampliar o espaço na escola dos profetas (II Rs 6. 1 - 5).
  12. Fere os sírios de cegueira (II Rs 6. 18). Somente no relato da visita dos anjos a Sodoma, que teremos algo semelhante em todo o Antigo Testamento (Gn 19. 11). No Novo Testamento, Paulo faz um milagre semelhante (At 13. 11).
  13. Abre a visão espiritual de um dos seus servos (II Rs 6. 17).
  14. Abriu os olhos físicos do exército sírio (II Rs 6. 20). Este sinal é importante porque Eliseu usa de misericórdia com aqueles que quiseram leh fazer algum mal (II Rs 6. 22, 23).

Em todas estas maravilhas o que fica de exemplo é o compromisso de Deus com a sua Palavra e com a aliança que Ele tem com o seu povo. Que possamos atentar para estas coisas.

Em Cristo, Pr Marcelo Medeiros.

terça-feira, 5 de março de 2013

Há um milagre em sua casa

 
 
As lições de Escola Bíblica Dominical que abordam o ciclo de Eliseu começam com o milagre que ele operou a fim de ajudar uma das viúvas dos profetas. Tal como ocorreu com Elias, Eliseu foi um instrumento para a provisão divina sobre a vida de uma viúva. A diferença consiste em que no caso de Elias uma gentia foi socorrida, ao passo que no caso do segundo, uma israelita é socorrida. Minha abordagem ao assunto será mais textual, para o que convido ao leitor que juntos reexaminemos o texto.
 
Certo dia, a mulher de um dos discípulos dos profetas foi falar a Eliseu: Teu servo, meu marido, morreu, e tu sabes que ele temia o Senhor. Mas agora veio um credor que está querendo levar meus dois filhos como escravos (II Rs 4. 1 NVI).
 
  1. A expressão discípulos dos profetas, no original בְנֵֽי־הַ֠נְּבִיאִים (ben nebiuim), é traduzida por filhos dos profetas na Almeida Revista e Corrigida, é usada para deseignar o grupo de discípulos que se reuniam em torno de alguns profetas influentes. Ao que tudo indica, Samuel, Elias e Eliseu foram profetas que contavam com um considerável número de seguidores (I Sm 10. 5, 6; I Rs 20. 35; II Rs 4. 1).
  2. A mulher se refere ao marido, pelo termo servo. A palavra hebraica é עַבְדְּךָ֤ (tsebed), uma variante de ebed, cujo sentido é o mesmo de servo, mas que pode ser usada para referência a um escravo doméstico (Lv 25. 6, 44), ou para um servo de Deus (Nm 11. 11).
  3. Uma coisa impotantíssima para a nossa compreensão do texto é a foma como a muher descreve o seu marido. O falecido é descrito como alguém que temia ao Senhor. Anos antes Salomão já havia afirmado que no temor do SENHOR há firme confiança e ele será um refúgio para seus filhos (Pv 14. 26 ARCF). A expressão יִרְאַ֣ת יְ֭הוָה (yir'ah YHWH), ou em nossa língua temor do Senhor aponta tanto para a vida moral e piedosa, quanto para o espanto diante da grandeza de Deus. Este temor é produzido pela ministração contínua da Palavra de Deus (Sl 119. 38; Pv 2. 5), e o fato do marido da mulher ser descrito nestes termos indica que ele era um discípulo zeloso.
  4. A despeito do zelo, o texto também dá indícios de que o marido contraíra dívidas e que não possuía recursos para quitar as mesmas. Diante da impossibilidade de cumprir com os compromissos deixados pelo marido, a mulher se vê frente a possibilidade de vir a ser escrava dos credores. Nossa imagem da escravidão é a da que foi produzida na Era moderna com o Mercantilismo. Nos tempos bíblicos esta era bem diferente. Diante de apertos financeiros, uma pessoa poderia vender a si mesma como escrava. Isto era regulamentado pela lei de Moisés (Ex 21. 2 - 4; Dt 15. 12 - 18). Neste caso o tempo máximo de serviço era de seis anos, no sétimo ano era o ano da remissão, e o escravo tinha de sair forro. Mas o texto indica que a mulher, e provavelmente seus filhos não queriam estar sob esta condição.
 
Eliseu perguntou-lhe: "Como posso ajudá-la? Diga-me, o que você tem em casa? " E ela respondeu: "Tua serva não tem nada além de uma vasilha de azeite (II Rs 4. 2 NVI).
 
  1. A primeira observação nossa a respeito deste texto é que ao clamar ao servo de Deus a mulher obteve uma resposta do mesmo. Sua fala não ficou no vazio. Houve interesse por parte do homem de Deus para a situação dela.
  2. Há milagres cuja realização dependem, muito daquilo que possuímos. Deus perguntou para Moisés: o que tens nas mãos (Ex 4. 2). No caso da mulher ela tinha um frasco de azeite. Este talvez fosse uma pequena vasilha de perfume que os israelitas tinham para a higiene pessoal. Este elemento era uma tremenda de uma riqueza, mas provavelmente a mulher o tivesse em parca quantidade.
 
Então disse Eliseu: "Vá pedir emprestadas vasilhas a todos os vizinhos. Mas, peça muitas. Depois entre em casa com seus filhos e feche a porta. Derrame daquele azeite em cada vasilha e vá separando as que você for enchendo" (II Rs 4. 3, 4 NVI). 
 
  1. A ordem do profeta para que a mulher pedisse o maior número possível de vasilhas emprestadas é indicador de que o milagre da  multiplicação estava sendo anunciado.
  2. todavia a provisão se daria em caráter privado. Foi dito à mulher que pedisse vasilhas emprestadas, mas não foi dito que ela anunciasse para toda a vizinhança o que Deus iria fazer.
 Depois disso, ela foi embora, fechou-se em casa com seus filhos e começou a encher as vasilhas que eles lhe traziam. Quando todas as vasilhas estavam cheias, ela disse a um dos filhos: "Traga-me mais uma". Mas ele respondeu: "Já acabaram". Então o azeite parou de correr. Ela foi e contou tudo ao homem de Deus, que lhe disse: "Vá, venda o azeite e pague suas dívidas. E você e seus filhos ainda poderão viver do que sobrar" (II Rs 4. 5 - 7 NVI).
 
Há milagres que demandam ação por parte do homem, ou da mulher. Note a ocorrência dos verbos que indicam ação. Ela foi falar a Eliseu, ao ser questionada a respeito do que tinha em sua casa, ela respondeu, diante a ordem do homem de Deus a mulher obedeceu ela foi embora, fechou-se em casa com seus filhos e começou a encher as vasilhas. Para ocorrer milagre na vida da mulher, houve muita ação.
A mulher teve a cooperação de Deus em multiplicar o azeite, a dos vizinhos que emprestaram as vasilhas, a dos filhos ajudando a encher as vasilhas emprestadas, do homem de Deus que a orientou em relação ao que fazer com as vasilhas cheias de azeite. Cooperação é imprescindível para vermos o agir de Deus em nossa casa.
Note que depois que os vasos acabaram, o azeite parou de correr. A provisão de Deus se manifesta em nossa vida na medida em que nos preparamos para ela.
Mediante a palavra profética podemos entender que a provisão foi o suficiente para que a mulher saldasse as dívidas e vivesse do que sobrou.
 
Em Cristo, Pr Marcelo Medeiros.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

O legado de Elias



Em nossa última postagem a respeito de uma lição da Escola Bíblica Dominical, deixamos um Elias em um quadro, cujos sintomas eram similares ao da depressão. O tratamento que Deus ministra sobre a vida de Elias é a voz em meio a uma brisa suave e a missão de fazer sucessão. Uma das causas da depressão, do abatimento, ou do desânimo do servo de Deus, está no fato de que, a despeito da seca, da manifestação no Carmelo, da forte chuva que veio após o servo de Deus ter orado, o povo não abandonou o culto a Ba'al.
É com Jeú que tal culto será definitivamente erradicado em Israel, isto, de acordo com o relato do autor do livro dos Reis (II Rs 10. 28). No livro do profeta Oséias encontraremos o lamento de Deus pela idolatria de Israel. Ainda lá, Ba'al pode ser visto como concorrente do Senhor (Os 2. 8). Mas nesta lição focaremos o legado de Elias. Connvém-nos perguntar: o que é legado?
 
O que significa o termo legado?

Dentre os significados que o dicionáro eletrônico Michaellis apresenta, temos:
  1. Disposição, a título gracioso, por via da qual uma pessoa confia a outra, em testamento, um determinado benefício, de natureza patrimonial; doação "causa-mortis".
  2. Parte da herança deixada pelo testador a quem não seja herdeiro por disposição testamentária nem fideicomissário.
  3. No sentido cultural do termo: língua, costumes e tradições, que passam de uma a outra geração.
  4. Que, ou o que é encarregado de qualquer missão diplomática.
O que entendemos das definições é que legado é o mesmo que herança. Ao falarmos do legado de Elias, temos de nos perguntar pela herança que ele deixou. outra pergunta incômoda: quais foram os bens deixados por Elias, e quem foi seu herdeiro? Se atentarmos bem para nas narrativas que abordam a vida de Elias veremos que o texto não faz menção a nada do que conhecemos como bem material, casa, dinheiro, riquezas, bois, animais, etc. Que herança Elias teria deixado?
Responder estas incômodas perguntas é de suma importância para que venhamos a entender o significadode um legado de Elias. Como um homem que ao ser arrebatado deixou somente uma capa ao seu discípulo pode ter deixado um legado em Israel?

O legado de Elias
 
Elias deixou o Espirito profético para a vida de Eliseu. Se atentarmos bem veremos que o ministério de ambos é bem parecido. Os dois realizaram milagres de controle sobre as águas, ambos assitiram e foram ajudados, ou socorridos por mulheres, ressuscitaram mortos, abençoaram a vida de gentios, foram perseguidos por reis cruéis. 
O chamado de Eliseu, conforme vemos no texto da lição apresente uma séria polêmica. Por quais motivos Deus escolheu Eliseu, ao invés de alguém do colegiado profético? Quando focamos o texto de II Rs 2. 1 - 10, percebemos que os discípulos dos profetas sabiam que Deus tomaria Elias diante de Eliseu. Estes discípulos eram homens que  faziam parte de uma antiga escola, cuja finalidade era a formação de profetas. O modo com o qual Deus indica Eliseu, ao invés de um discípulo, ou do servo de Elias, nos mostra que Deus é livre em sua escolha. Pela lógica humana, o herdeiro jamais teria sido Eliseu, mas Deus assim o quis.
Por último, Eliseu é encarregado de cumprir a missão de Elias. A ele caberá o papel de resistir os maus reis de Israel, entregar palavras proféticas, realizar os sinais que comprovam que o verdadeiro Deus é o Deus de Israel. Eliseu recebe de elias uma ordem, um encargo, o dever de levar adiante a missão que lhe foi outorgada.
Em termos culturais, o legado de Elias se vê na Teologia dos profetas. Ao contrário do que se vê nos Salmos, nos quais alguns autores adimitem a existência de outros deuses (Sl 82. 1; 86. 5; 95. 3), os profetas afirma que os deuses das nações são meros ídolos. Isaías afirma, que ao contrário do Deus de Israel, eles não podem revelar o futuro (Is 41. 23), e Jeremias pergunta: pode o homem mortal fazer os seus próprios deuses? ao que ele mesmo responde: Sim, mas estes não seriam deuses! (Jr 16. 20 NVI).
É verdade que ainda nos Salmos temos algumas declarações a respeito da nulidade dos ídolos. Um exemplo é este clássico: Os ídolos das nações não passam de prata e ouro, feitos por mãos humanas. Têm boca, mas não podem falar, olhos, mas não podem ver; têm ouvidos, mas não podem escutar, nem há respiração em sua boca. Tornem-se como eles aqueles que os fazem e todos os que neles confiam (Sl 135. 15 - 18 NVI). Mas ao observamos o contexto amplo do mesmo veremos que ainda se consideram as demais divindades. De forma que o mesmo salmista afirma: Na verdade, sei que o Senhor é grande, que o nosso Soberano é maior do que todos os deuses (Sl 135. 5 NVI). Mas é nos profetas que vemos este grito de que apenas Deus é Deus.
A verdade que não foi dita de coração no momento em que o povo de Israel viu que pelo clamor de Elias desceu fogo do céu, é afirmada de forma viceral em Israel pela boca dos profetas (Is 41. 24, 29; Jr 2. 11; 5. 7; 16. 20). E não temos como negar que este é um legado de Elias, aquele que no seu próprio nome já afirma quem é o Deus verdadeiro.

Em Cristo, Pr Marcelo Medeiros.
 
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