Pesquisar este blog

Mostrando postagens com marcador Ed René Kivitz. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Ed René Kivitz. Mostrar todas as postagens

sábado, 6 de dezembro de 2014

A Paz Demanda Consenso Absoluto?



Neste momento estou assistindo a um vídeo protagonizado por religiosos, dentre os quais Ed René Kivtz e o filósofo Luís Felipe Pondé. Um assunto que me salta aos olhos é a possibilidade de convivência pacífica entre as religiões. Falo dele porque o momento atual, do politicamente correto, prega o relativismo e a tolerância extremada, chegando ao extremo de considerar intolerante que discorda. 

Minha resposta à pergunta que dá título a este post é um sonoro não. Em primeiro lugar,  é preciso que se pergunte pela conceituação lexical da palavra. Em segundo, recomendo que se faça uma reflexão da definição lexical. Por último, que se perceba que a paz não é a ausência de conflitos, mas a sábia administração dos mesmos. 

Isto fica bem na cara quando, ao pesquisar a palavra no dicionário, se depara com o verbete harmonia. A palavra me faz voltar automaticamente para o mundo musical, onde harmonia é definida como a disposição de notas diferentes simultaneamente tocadas. Dentro da harmonia há os acordes consonantes, feitos a partir de terças e quartas superpostas, e os dissonantes, que são os que acrescentam os intervalos de sétima, maior, ou menor, nona, etc...

A verdade é que não se faz música com uma única nota, nem o samba de uma nota só é de fato de uma nota só. A melodia dá a sensação de que é uma única nota, mas a harmonia, como tem nota! Face á exposição, a paz é algo que demanda a diferença com suas consonâncias e dissonâncias. Desafiando é uma canção da Bossa Nova que, ao meu ver é um dos maiores exemplos de como a harmonia funciona de forma dissonante, sem este fator, a música não expressaria um desafinado que ama a arte em apreço. 

Paz é entender que quem não concorda, que quem distoa tem algo importante a dizer.



Marcelo Medeiros. 

terça-feira, 26 de março de 2013

Tragédia anunciada


 




Esta semana fui impactado pela notíca, estarrecedora, diga-se de passagem, a respeito de mais um ato religioso que somado a uma diversidade de fatores resultou em mais uma desgraça coletiva, e para meu espanto haviam crianças envolvidas na sandice. Em sua fanpage no facebook, Caio Fábio destacou a ignorância quanto ao Evangelho como principal fator na morte de duas irmãs, uma identificada como Missionária, e outra como familiar. Diante do exposo não faltarão ortodoxos para criticar o pentecostalismo, céticos para falar mal de todas as religiões, e creio que não faltarão blogueiros para comentar. Mas conforme indica acima a questão não pode ser vista de um único ângulo, vários fatores tem de serem considerados, dentre os quais o psicológico. Ao ler a notícia automaticamente me lembrei de um artigo de Ed René Kivitz.
Em um dos maiores momentos de lucidez e discernimento, Ed René Kivitz afirmou: Fico me perguntando por que existe gente disposta a ouvir bobagens travestidas de verdades divinamente reveladas. Cheguei a algumas conclusões, (prossegue o autor em apreço). Encontrei pelo menos quatro razões pelas quais os contadores de fábulas, estão levando vantagem sobre os profetas e mestres: ignorância, cobiça, culpa e desespero. As três últimas, na visão do autor, podem vitimar até pessoas esclarecidas. Isto porque em nossa trajetória, às vezes trágica, chega um momento em que deixamos de ouvir com a razão e passamos a ouvir com a emoção, e isto não é exclusividade dos religiosos, mas á algo da natureza corrompida, uma vez que o coração é mais enganoso que qualquer outra coisa e sua doença é incurável. Quem é capaz de compreendê-lo? (Jr 17. 9 NVI). Este mesmo coração, uma vez contaminado pela cobiça, culpa e desespero, nos molda a ter umouvido seletivo e a deprezar a verdade. Jejuar até que um ser celestial apareça é um ato de sandice. Acaso Jacó estava em jejum quando viu os anjos de Deus subindo e descendo pela escada, ou quando lutou com Deus no vau de Jaboc?  
Mas a julgar pelas contas atrasadas e pela radicalidade do sacrifício, creio que o fator preponderante aqui tenha sido a mistura de cobiça com desespero. Não se trata de uma ambição comedida, saudável, que nos ajuda a lidar com a existência, mas de um desejo desenfreado pelo que não é legítimo, ouna verdade pelo que é incompatível, e de acordo com a reportagem, ela queria uma casa na zona sul. Mas também é necessário que se leve em conta o desespero. E aí tenho de retornar às palavras de Ed René Kivitz para quem o desespeto é resultado da dor profunda, do sofrimento excessivo, da sensação de morte, da iminência da tragédia, pessoas nestas condições estão dispostas a quanquer coisa. Pagam qualquer preço.
Não consigo mais escrever, muito menos analisar a situação de forma racional. Algo em mim doe e muito com a situação de quem chegou a este extremo para obter uma resposta, com as crianças que de tanto jejuarem nem forças tinham para comer. É quando me lembro dos que muito sofrem e quando a alegria chegar, terão forças para se alegra? Solidariedade com o sofrimento desta família e dor pela miséria humana são as únicas coisas que me vêm à mente.
 



 
 
P.S. Não creio em um Deus indiferente ao sofrimento e à dor dos seres humanos, ainda creio em um Deus que usa a dor e o mal para os seus propósitos, é disto que Paulo fala em Romanos (8. 28), mas se o ser humano não se entende com chamado pelo eterno decreto do Pai, fica fácil ser dominado pela culpa, cobiça e pelo desespero.
 
Marcelo Medeiros.
 
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

Créditos!

Por favor, respeite os direitos autorais e a propriedade intelectual (Lei nº 9.610/1998). Você pode copiar os textos para publicação/reprodução e outros, mas sempre que o fizer, façam constar no final de sua publicação, a minha autoria ou das pessoas que cito aqui.

Algumas postagens do "Paidéia" trazem imagens de fontes externas como o Google Imagens e de outros blog´s.

Se alguma for de sua autoria e não foram dados os devidos créditos, perdoe-me e me avise (blogdoprmedeiros@gmail.com) para que possa fazê-lo. E não se esqueça de, também, creditar ao meu blog as imagens que forem de minha autoria.