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terça-feira, 5 de maio de 2015

Paulo Betti x Roberto DaMatta



Segundo notícia veiculada por pragmatismo político o ator Paulo Betti foi ofendido por Roberto DaMatta, por causa do seu personagem gay [aqui]. O caso mostra a tendência atual de considerar toda crítica a gays como homofóbica. Mas a forma como o fato tem sido tratado abre espaço para questionamentos. 

Há que se considerar que a Globo tem representado gays de forma caricata. Isto pode ser visto no personagem Téo Pereira, no Félix, e mesmo na Naná. São caricaturas. O que mais se aproxima da realidade, pasmem! são os personagens de Fernanda Montenegro e Natália Timberg. Mas pelo que vejo no desenrolar da trama, representar gays reais, pode ser uma faca de dois gumes. 

O mais curioso, voltado ao caso de Betti e DaMatta, é que a notícia vem à tona logo no momento em que o fracasso de Babilônia ganha páginas e mais de revistas e jornais. Este nada tem a ver com o boicote anunciado pelo evangélicos. Creio que a causa é a insistência em fórmulas já esgotadas, e que tenho apontado aqui. 

Marcelo Medeiros. 

quinta-feira, 26 de março de 2015

O Boicote à Babilônia



Ao que parece o boicote à nova novela das nove, Babilônia já surtiu seus efeitos nas redes sociais, primeiro foi o deputado com nome de carro, depois uma representante do partido comunista do Brasil. O que eu acho disto? Simples, para mim o recado do mundo já está dado, mas a Igreja tem de dar o seu. Vou me explicar melhor nas linhas abaixo. 

Não creio em movimento algum da Igreja que possa frear o ideologismo das novelas da Globo, e não é na pressão, ou coerção que os cristãos devem influenciar a sociedade ao seu redor. Os atuais autores fazem aquilo que sua natureza pede que eles façam e qualquer ação coercitiva exterior constitui uma violência àquilo que eles entendem como sendo a sua essência. O resultado de tal ação estapafúrdia será maior ódio deles em relação ao cristianismo e à religião em geral. 

É mais do que previsto na Bíblia que cristãos seriam odiados pelo mundo e que nem por este motivo deveriam se maravilhar (espantar). Todavia, que o sejam pelo motivo correto. Nos Evangelhos há uma bem-aventurança para os que são perseguidos pela causa da justiça, ou seja, para aquele que são hostilizados pelo mundo em razão de serem como Cristo o foi. 

(É provável que você leitor não crente esteja dizendo para si mesmos, que se os crentes fossem como Cristo jamais seriam perseguidos. Balela! Na sociedade atual todo indivíduo, com personalidade própria é aborrecido, e por uma razão simples, as pessoas tendem a odiar aquilo que não pode ser enquadrado em esquemas, daí o ódio a Cristo, e a quem de fato pretenda ser seu seguidor). 

O Jesus das Escrituras nem sempre é encantador, ele tem junto de sua compaixão e misericórdia um lado austero. Quando tudo estava pronto para ele ser feito rei, Ele teve a audácia de proferir um discurso impopular, provocando evasão da população que estava pronta para a revolução. Jesus não é revolucionário. Também não é clericalista, afinal, mandou que seus discípulos fossem servos uns dos outros. Não era nem anarquista e muito menos conservador. Era capaz de discursar contra o pecado e no entanto comer com pecadores. Daí a fonte do ódio do mundo à pessoa de Cristo. 

Martin Lloydd-Jones alertou à Igreja da Inglaterra sobre o perigo de cristãos virem a serem perseguidos por causa de sua intransigência, por exemplo. pior do que tudo isto são as estereotipias em função do mau testemunho de algumas lideranças evangélicas, bem como do flagrante desalinhamento para com os ensinos de Jesus. 

Concordo com o boicote cristão à novela Babilônia por uma única razão. Cristãos precisam ocupar o pensamento com coisas mais excelentes, desenvolver hábitos de convivência familiar mais sadios e salutares do que o isolamento midiático que tem desagregado a família. E neste ponto não estou sozinho, mas trago comigo as intervenções filosóficas de ninguém mais que Mario Sergio Cortella. 

Face as colocações supra, se a Igreja tem algum motivo para abominar Babilônia e qualquer lixo global, que este não seja, em hipótese alguma o selinho das personagens representadas por Fernanda Montenegro, e por Natália Timberg. Primeiro, porque prostituir, chantagear, enganar, subornar, e uma série de outras ações mostradas na novela são tão pecaminosas quanto. 

Uma outra razão para que se boicote Babilônia é a noção de entretenimento, que pode ser a mesma que ilusão. Pascal advertiu que os divertimentos distraíam o homem privando-o de contemplar sua própria miséria. Creio que mesmo a crítica seja uma forma perigosa de divertimento a ser evitada, e na qual teimo por razões existenciais, mas por crer que possa contribuir. 

Por último, o boicote pode sim ser justificado mediante a aplicação maior à leitura, oração, meditação, e a coisas mais excelentes que podem e devem fazer parte da rotina diária de um cristão. Reafirmo que é ilusão esperar de pessoas com mentalidade pervertida, claramente anticristã, atitudes e valores cristãos. É igualmente absurdo boicotar a novela apenas pela exposição do beijo gay a suportar a injustiça sofrida pelo personagem representado por Camila Pitanga, bem como as distorções dos mecanismos do Direito que são usadas para perverter a justiça e perpetrar a maldade

Um forte abraço em Cristo, Marcelo Medeiros. 

terça-feira, 10 de março de 2015

Babilônia



Babilônia é um nome cuja origem vem de Babel (confusão), e nos relato bíblico (visto como mitológico por alguns filósofos, teólogos, historiadores e cientistas); faz referência a um projeto de construção de uma torre cujo topo alcança os céus. Independente da visão dos antigos a respeito do universo, os céus eram compreendidos como aquilo que há de mais elevado, mais sublime. O projeto inicial fracassou, mas nem por isto os homens desistiram de construir suas torres particulares.

De acordo com o filósofo Luís Felipe Pondé, Babel se faz representar pelas constantes iniciativas de construção de uma vida feliz, e minha leitura das palavras deste pensador e do momento presente é que diante da falência os construtores estão se entregando às mais inovadoras iniciativas. Assim que diante da infelicidade proporcionada pelos modelos tradicionais de família, as pessoas buscam a felicidade nas uniões homoafetivas, na promiscuidade, na multiplicidade de parceiros.

Meu problema com isto é que tal atitude é tão racional quanto a atitude de alguém que por estar insatisfeito com sua profissão procura ter várias, e possivelmente não seja realizado em nenhuma. Não se trata do professor, por exemplo que em um ato de agregação de valores se torna palestrante, escritor, músico, não. Definitivamente não é uma questão de genialidade, mas de abrir mão da resiliência em prol de uma felicidade instantânea. Este é o foco do problema. 

Falo isto, porque concordo com Pascal e com os demais filósofos que afirmam a constante insatisfação humana, alguns por razões estritamente secularizadas, outros por entenderem com Pascal e Santo Agostinho que a única felicidade que o ser humano pode ter é a de se deleitar em Deus, aqui incluo o irlandês radicado na Inglaterra C. S. Lewis, para quem o prazer quando buscado como um fim termina por escravizar o homem, ao ponto de ele fazer as maiores peripécias por um prazer cada vez menor.

Babilônia é o título da nova novela das oito, que com certeza, passará às nove da noite, mas cujo enredo reflete bem esta tentativa de construção de uma sociedade cada vez mais difusa e confusa. Em nome da felicidade comportamentos da esfera privada, que em tese não interessariam à ninguém, serão motivo de militância política, e o mais esmagador em tudo isto, é que não há nada de novo debaixo do céu. 

Sim, porque pelo tom de mistério em torno sinopse do folhetim global pode-se esperar o que vem por aí. Adultério, licenciosidade, lesbianismo, prostituição, e bem lá no fundo alguma questão a ser tratada para dar um ar de relevância a uma trama que na verdade é cópia de cópia de alguma outra trama. No final, a crise de criatividade é tal que a Bíblia, ou a Babilônia desta ganham de lambuja. 

Marcelo Medeiros. 
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