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sábado, 10 de maio de 2014

O ministério do Apostolo


O termo ministério na carta aos Efésios é literalmente serviço, diaconia. É neste sentido que os próprios apóstolos, os que foram chamados por Cristo entendiam a sua vida ministerial, e assim se referiam às suas atividades e funções, e creio que este sendo pessoal que os apóstolos tinham precisa ser resgatado em nossos dias, dada a febre apostólica que se vive em nossos dias.
Ao se consultar a respeito da continuidade deste ministério, é possível que o leitor tenha de lidar com as respostas mais dispares, desde o posicionamento pela extinção do referido ministério (aqui), até um posicionamento mais equilibrado como o de Stott, que defende a permanência de apóstolos para os dias atuais (este é o caso, por exemplo de plantadores de Igrejas), desde que se entenda que os mesmos não são equiparados em autoridade aos apóstolos que testemunharam a vida, morte e ressurreição de Cristo (aqui). São estes os fatores que forçam ao estudante da Palavra de Deus a considerar o tema proposto.
 
I) APÓSTOLO, O SIGNIFICADO
 
Creio ser de grande utilidade o estudo a respeito do sentido da palavra apóstolo. O termo grego αποστολος (apostolous), significa basicamente alguém que é enviado, por exemplo, um mensageiro. É com este sentido que o próprio Cristo afirma: Na verdade, na verdade vos digo que não é o servo maior do que o seu senhor, nem o enviado maior do que aquele que o enviou (Jo 13. 16 ACF). O termo enviado aqui é literalmente αποστολος (apostolous). É com este sentido que Epafrodito é chamado de αποστολον (apostolon), afinal, este fora enviado pelos Filipenses (Fp 2. 25) para suprir as necessidades de Paulo em sua prisão (aqui).
Necessário se faz com que se considere também os embaixadores enviados de Deus, sendo que neste caso ocorre associação entre estes e os profetas da antiga dispensação. Por isso diz também a sabedoria de Deus: Profetas e apóstolos lhes mandarei; e eles matarão uns, e perseguirão outros (Lc 11. 49 ACF).
Aos apóstolos e profetas foi revelado pelo Espírito[...], que os gentios são co-herdeiros, e de um mesmo corpo, e participantes da promessa em Cristo pelo evangelho (Ef 3. 5, 6 ACF). Neste sentido o apostolo é apresentado como alguém que é portador, ou depositário de uma revelação especial, e neste sentido não há mais apóstolos mesmo. Alguns colaboradores com Paulo na implantação de Igrejas também são chamados assim (II Co 8. 23).
Por último, na Bíblia, o apóstolo é alguém que foi comissionado diretamente por Cristo, como é o caso dos doze mais conhecidos, mas que pelo eu se pode ver pelo relato de Atos, outros poderiam, caso tivessem preenchidos os quesitos, necessários, preencher a vaga deixada por Judas, o Iscariotes (At 1. 26). Eles foram chamados de apóstolos primeiramente por Cristo (Mt 10. 2; Lc 6. 13), e por haverem recebido da fonte original, e mais, terem sido testemunhas oculares dos ensinos e milagres de Cristo, a palavra dos mesmos se reveste de autoridade impar (Jd v. 17).
 
II) O APÓSTOLO HOJE
 
Para falar do ministério do apostolo hoje, é preciso que se atente, e bem para as palavras de Jonh Stott, que diz:
Entendemos que já não há apóstolos na igreja. Pode haver ministérios apostólicos, como os que realizam missões, os plantadores de Igreja, os líderes. Estas pessoas exercem ministério apostólico, mas não podemos chamá-las de apóstolos. Ninguém na igreja atual tem uma autoridade comparada a de Paulo, Pedro ou qualquer dos apóstolos de Jesus
Cristo. Eles tinham uma autoridade única para ensinar em nome de Jesus e ninguém tem essa autoridade hoje. Então, se não há apóstolos na igreja contemporânea, como podemos nos submeter aos ensinamentos dos apóstolos? Seus ensinamentos chegaram até nós pela Bíblia (aqui). 
 
Pelo que se pode ver nas palavras de Stott,
  1. Existe uma séria distinção entre ministério apostólico e apostolo mesmo. Afinal, os primeiros foram chamados por Cristo, ao passo que alguns entendem que houve linha de sucessão apostólica.
  2. Os ministros apostólicos são implantadores de Igreja, mas não possuem o mesmo status que os apóstolos de Cristo, do período bíblico possuíam.
É isto que se precisa ter em mente. O ponto nevrálgico desta questão é a Ascenção de modelos eclesiásticos em que a figura do pastor, a fim de se cercar o maior prestigio possível, tem lançado mas de tais títulos. Mas a verdade é que apóstolos mesmo somente Cristo e os seus discípulos. Os verdadeiros apóstolos entenderem seus respectivos ministérios como  uma diaconia, a diaconia da palavra e da oração  (προσευχη και τη διακονια του λογου). Tem sido este o foco e a visão dos atuais apóstolos?
 
Em Cristo, Marcelo Medeiros.
 

quinta-feira, 11 de julho de 2013

O problema não é a doutrina

 

Escrevo este breve post, porque percebei que a carta a um pastor zeloso deu o que falar. Um amigo meu observou como o denominacionalismo tem contribuído para fomentar ainda mais a discórdia e a falta de unidade. Imediatamente expliquei ao mesmo que o alvo do texto em questão era o movimento que prima pela unidade, ainda que com o sacrifício de posições doutrinárias, e que brigas de caráter pessoal não podem ser confundidas com a tarefa apologética.
Mas a questão do denominacionalismo ficou latente. Diante desta nova questão cabe afirmar o seguinte: as diferenças doutrinárias quanto à salvação, por exemplo, são fruto de fatores históricos, ou melhor uma percepção histórica que cada grupo desenvolveu a respeito do assunto, e na minha percepção não são o maior empecilho á unidade do corpo de Cristo.
Conversando com um pastor amigo meu, falei com ele que o que nos divide é menor que o que nos deveria unir. Grandes divisões são feitas em torno de assuntos secundários, muitos dos quais a Bíblia sequer dedica mais de um capitulo, e se a regra hermenêutica fosse seguida, jamais se formaria doutrina com base em tais textos. Mas um fator que não pode deixar de ser observado é o péssimo habito que temos de nos dividir não em questões doutrinarias, mas em questões personalistas.
O único problema doutrinário da Igreja de Corinto que me vem a mente é a questão da ressurreição, uma vez que a questão dos dons de línguas era mais litúrgica. Todavia, a causa maior da dissensão entre os mesmos era que um era de Paulo, outro de Apolo, outro de Cefas, e alguém que se dizia mais espiritual era de Cristo. Note que eram personalidades que dividiam a preferencia de grupos específicos dentro da comunidade.
Hoje alguns são de R. R. Soares, outros de Edir Macedo, outros de Eli Soriano, outros de Miguel Ângelo, de Silas Malafaia, de Ezequiel Teixeira, de Marco Antônio Peixoto, de Marco Feliciano, de Manoel Ferreira, e tantos outros nomes que poderiam ser colocados ao lado destes. Digo isto, com a clara percepção de que a autoridade da Bíblia este sendo deixada de lado pelo personalismo midiático. Tanto que quando um jovem pastor resolve tirar uma foto polemica, poucos são os que julgam o caso pela ótica bíblica, é quando entra a seguinte frase, "mas ele é um pastor muito usado por Deus!".
Aqui fica claro que estar na mídia e ser associada a tudo que representa poder, ser influente, vestir-se bem, e outras coisas mais, se tornaram o referencial supremo do que é ser usado por Deus, quando na verdade nenhuma destas coisas são indicadores reais de vida com Deus. Esta somente pode ser aferida por meio de ampla observância, afinal identificamos os frutos na medida em que os conhecemos.
Daí, me preocupa ver gente que se incomoda com divergências doutrinárias, mas que ovaciona determinados lideres, que bajula famosos evangelistas, que faz clara tietagem para cantores evangélicos, que tratam os que deveriam serem vistos por toda a comunidade dos fiéis como meros instrumentos de Deus, ou servos por meio dos quais viemos a crer. O personalismo é hoje o maior inimigo da UNIDADE.
 
Em Cristo, Pr Marcelo Medeiros.
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