Escolhi esta imagem para falar de um vídeo de dois menores, um de doze, e outro de catorze que aparecem em uma festa de aniversário, cuja temática homenageia uma drag queem. Os leitores me perdoem, mas embora norteado por uma ética de cunho cristão e por uma moral decorrente desta abandonarei a abordagem ético-moral a respeito desta questão. Minha pergunta é por que tanta exposição de duas crianças.
Perceba que o vídeo de duas crianças, ou adolescentes, duas pessoas que não possuem a mínima autonomia, são expostas em sua sexualidade (diga-se de passagem precoce), parodiando uma música de aniversário, e pior numa versão recheada de palavrões e de frases apelativas e conteúdo sexual. Minha questão é: como os adultos que ali estavam puderam compactuar com toda esta exposição?
Acredito que a sexualidade é a mola que impulsiona toda a vida humana, ainda que não seja freudiano, mas acredito. Eros é uma energia que permeia toda a vida, onde há vitalidade ele está. Mas também sei (digo levo em conta a hipótese de) que a sexualidade infantil pode ser sublimada, ou livremente associada.
Em outras palavras a energia que se desperdiça com sexo hoje, deveria ser canalizada para o crescimento e florescimento pessoal. Esta é a razão pela qual rejeito acintosamente o ensino de ideologia de gênero no ensino fundamental, época em que se constroem as competências para a aprendizagem contínua e sucessivo desenvolvimento. Mas ao que parece esta é uma fábula em que ninguém mais ousa acreditar.
Minha percepção é a de que em um mundo onde sonhos e esperanças morrem à cada dia, a infância vai morrendo também e a de forma acelerada. E aí o que sobra é a exposição seja em função de uma cultura decorrente de leituras apressadas, ou da própria sexualidade. Esta é tão poderosa, enquanto ferramenta de marketing, que quase toda propaganda faz algum tipo de apelo sexual, para garantir a atenção de seus potenciais consumidores. Feita tal consideração, há que se admitir que os produtores e divulgadores do famigerado vídeo alcançaram seu objetivo: causar. Mas a custa de quê?
Conheço muita gente boa que fala com propriedade que uma das ferramentas de dominação é a proibição o sexo. Mas há que se solicitar aos mesmos que considerem a excessiva liberação do mesmo modo. Se por um lado tenho 1984 de Orwell, por outro tenho A República de Platão (onde o sexo era uma forma de amansamento dos guerreiros), e tenho Admirável Mundo Novo, onde o mesmo é instrumentalizado para a distração das pessoas em uma sociedade onde tudo era liberado, exceto ter angústias.
Na República de Platão o teatro e artes dionisíacas era proibido, em Admirável Mundo Novo a literatura e a religião o eram. Aos leitores de cunho mais progressista, venho afirma que não acredito nem em proibição, e nem em liberação. Acredito em sublimação. Acredito em uma educação em que famílias em conjunto com instituições de ensino formal e instituições eclesiásticas trabalhem em cooperação para o desenvolvimento pleno do ser humano, de forma tal a que este aprenda a trabalhar pelo bem estar próprio e de sociedade em que está inserido, seja de forma micro, ou macro. Para tal a sublimação e a não redução da energia vital ao sexo é de fundamental importância.
Por ora deixo este texto incompleto aguardando os possíveis desdobramentos legais e filosóficos da questão.
Marcelo Medeiros