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sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Não vá no terreno do inimigo!


Escrevo este posto movido pela preocupação que tenho com a cultura do entretenimento que tem invadido os nossos meios cristãos. Um dos flancos nos quais esta mais se manifesta é a da música, que tem sido bastante confundida com louvor na atualidade. Cânticos e mais cânticos, com conteúdo teológico distorcido, tem sido introduzidos em nossas liturgias e inculcado conteúdos heréticos na cabeça de nosso povo. Uma destas canções é a famosa Eu Fui no Terreno do inimigo, ou se quiser, Debaixo do meu pé (aqui).
Há alguns anos atrás, nitidamente com a emergência do neopentecostalismo, surgiu o estranho de modismo de amarrar os demônios. Os defensores de tal prática se apegavam (como é de costume), a um único texto, fora de seu contexto. Ninguém pode entrar na casa do valente e roubar os seus bens, sem primeiro manietar o valente, isto virou um chavão nos lábios de inúmeros crentes. A leitura do contexto de Mt 12. 22 - 37 mostra-nos que esta frase faz parte de uma resposta que Cristo deu aos fariseus, quando estes o acusaram de expulsar demônios por Belzebú. Em outras palavras, os sinais e os atos de expulsão de demônios eram evidencias da presença do reino de Deus.
Não bastasse a prática fora de contexto, tem surgido em nossos dias músicas fora de contexto, uma delas é a canção interpretada pela Comunidade Internacional da Zona Sul, que diga-se de passagem já marcou profundamente o cenário evangélico com hits tais como: Ventos de Avivamento, Oferta Agradável, entre outros. Mas que infelizmente marcou negativamente com a infeliz letra debaixo do meu pé, que pode ser conferida aqui.
Eu fui no terreno do inimigo e eu...
Tomei tudo que me robou (3x)
Debaixo do meu pé (6x)
Satanás, debaixo do meu pé (bis)
Nenhum de nós esteve, e nem precisa estar no terreno do inimigo a fim de pegar qualquer coisa que ele tenha nos roubado. Inúmeras razões podem ser dadas, mas fico aqui com duas. Primeiro, a terra é do Senhor (Sl 24. 1, 2), e ela será dada em herança aos mansos (Sl 37. 11; Mt 5. 5). Segundo, porque mesmo que a Bíblia descreva o mundo atual como estando sob o poder do diabo (I Jo 5. 19), e isto ao ponto de chama-lo de príncipe deste mundo (Jo 12. 31; 14. 30; 16. 11), a grande verdade é que a terra ainda é posse divina e que Deus governa sobre todas as coisas.
Isto posto, quem de nós precisa ir ao terreno do inimigo a fim de tomar o que quer que seja? Quem fez isto foi Jesus e continua a fazer. O contrassenso deste hino não para por aí. Na verdade, a ver pelos restante do hino, o autor parece admitir isto, veja:
Você pode crer no que o Senhor já fez por mim (2x)
Curou, limpou, transformou minha vida.
E colocou meus pés na rocha firme
Você pode crer no que o Senhor já fez por mim (bis)
Veja o que Jesus fez (2x)
Meu corpo está curado
Minha mente está sarada
Eu fui salvo bem na hora
Eu vou louvar o seu nome
Nunca mais o mesmo serei
Venha louvá-lo, veja o que Jesus fez (bis)
Se foi Cristo quem fez, e a obra dele foi perfeita, devo entender que não se faz necessário que não se faz necessário pessoa alguma completar a obra dele. A Bíblia descreve Cristo descendo as profundezas, ao inferno e pregando aos espíritos em prisão (Ef 4. 8 - 10; I Pe 3. 19, 20; 4. 5), e derrotando a Satanás na cruz (Cl 2. 14, 15). Se ele fez isto ninguém precisa ir ao terreno do inimigo para tomar aquilo que ele supostamente tenha nos roubado.
Minha conclusão é de que esta música é em seu conteúdo uma completa heresia e sua única finalidade dentro dos nossos templos, e pior nos momentos de culto, é o entretenimento, afinal, o ritmo da mesma é bem movido e permite uma série de coreografias. Nossos pastores precisam atentar para tais fatores e intervir mediante diálogo junto à nossa juventude e demais ministros de música para que tais erros não se propaguem em nosso meio.
 
Em Cristo, Pr Marcelo Medeiros

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

João Alexandre e seu rompimento com a música gospel

 
Esta manhã, em minha primeira visita às paginas do facebook, me deparei com a noticia mais do velha, de que João Alexandre anunciara seu rompimento com a música gospel (aqui). Mas ao ler o conteúdo da matéria vi que não se tratava de simples rompimento, coisa que é real há mais de vinte anos, mas de um pedido que o cantor faz. João Alexandre não quer mais é ser associado ao Gospel, pois na visão do cantor em apreço este se tornou símbolo de uma cultura de massa, na qual os cantores são associados com fama, fortuna e uma diversidade de valores que contraditam a arte em si, e pior, com a mensagem cristã, que em tese tais artistas pretendem veicular.
Ainda no facebook do cantor, é possível vermos a seguinte fala:
Maldita a hora em que um publicitário teve a "brilhante" idéia de chamar a Música Cristã Contemporânea Brasileira, estrategicamente e mercadológicamente, de "GOSPEL"!
Desde então, por pior que seja uma música dentro do GOSPEL, muitos cristãos assimilam, sem nenhum critério e por melhor que seja uma música fora dele, é simplesmente rejeitada! Ainda bem que Deus não é GOSPEL!
(aqui).
As palavra são fortes? Sim, e daí! Fato é que elas retratam a realidade em que vivemos, onde se faz distinção entre música gospel e secular, ou profana, mas não entre música ruim e boa, e pior, quando falamos sempre surge alguém com o discurso de que o gosto não se discute, que é relativo, e que não existem padrões universais. Mas aqui faço voz com Ricardo Gondim, sim,
Canso com a falta de beleza artística dos evangélicos. Há pouco compareci a um show de música evangélica só para sair arrasado. A musicalidade era medíocre, a poesia sofrível e, pior, percebia-se o interesse comercial por trás do evento. Quão diferente do dia em que me sentei na Sala São Paulo para ouvir a música que Johann Sebastian Bach (1685-1750) compôs sobre os últimos capítulos do Evangelho de São João. Sob a batuta do maestro, subimos o Gólgota. A sala se encheu de um encanto mágico já nos primeiros acordes; fechei os olhos e me senti em um templo. O maestro era um sacerdote e nós, a platéia, uma assembléia de adoradores. Não consegui conter minhas lágrimas nos movimentos dos violinos, dos oboés e das trompas. Aquela beleza não era deste mundo. Envoltos em mistério, transcendíamos a mecânica da vida e nos transportávamos para onde Deus habita. Minhas lágrimas naquele momento também vinham com pesar pelo distanciamento estético da atual cultura evangélica, contente com tão pouca beleza (aqui).
Ouvir uma obra de Bach demanda uma capacidade de apreciação que está cada vez mais rara, principalmente no nosso meio. Nosso povo tem sido adestrado para o reconhecimento, é isto que chamam de gostar. A melodia, a estrutura poética, de tão batidas que são se tornam reconhecidas e facilmente identificadas pelo ouvinte. Com isto se institui uma ditadura em que é proibido discordar, não gostar desta ou daquela faixa do CD, afinal, o cantor é sucesso.
Assim, vez ou outra sou forçado a ouvir em um, ou mais cultos (que infelizmente se tornaram braços da mídia), coisas do tipo "se tiveres fé de um grão de mostarda", "incendeia Senhor a tua Igreja"e em nenhum dos casos falo do texto bíblico, mas de músicas que em comum possuem o fato de serem pessimamente mau estruturadas na melodia, na letra, na harmonia, e cuja finalidade se vê nos trenzinhos que as pessoas saem fazendo no interior do templo, e nas requebradas das moças (e eu que pensei que a lambada já era o apocalipse!).
Cada vez mais sou forçado a concordar com Adorno quando ele fala do fetichismo que há em nossa música (aqui), com a única ressalva de que discordo da divisão que ele faz entre música popular e musica erudita, e isto por uma simples razão, a giga e o minueto, por exemplo, antes de tomarem a forma erudita existiram na forma popular. Para mim, este é um claro indicador de que a música em sua expressão popular pode sim, ser refinada. A questão então seria: refinada para quem apreciar?
Graças a Deus João Alexandre e tantos outros anônimos estão entre nós. Para mim eles são como aqueles profetas que Obede escondeu em uma cisterna, ou como os sete mil que não prostraram diante de Baal, cuja boca não o beijaram, e que foram preservados por Deus em Israel. Em Cristo.
 
Marcelo Medeiros.

sexta-feira, 12 de julho de 2013

Deus procura adoradores


Mais uma que vi e tive de me manifestar. Desde muito tempo tenho ouvido falar frases do tipo que vemos no cartaz acima, e antes que você me pergunte qual o problema implícito na mesma, gostaria de fazer alguns esclarecimentos. Primeiro, esta frase é frequentemente usada como jargão cuja finalidade é tão somente levar as pessoas a responderam aos apelos dos ministros de cântico no memento da liturgia. Assim, quando se pensa em adoração, se pensa nas respostas dadas aos apelos motivacionais durante o culto. Nada mais falso do que isto.
Segundo, ao assumir tal conceito mecanizado de adoração, estes "teólogos" do entretenimento, reduzem a mesma á esfera comportamental behaviorista, onde as ações do individuo se restringem a responder um determinado padrão imposto, e isto nada tem a ver com adoração, e muito menos a que se faz em Espírito e em verdade.
Por último, ela faz uma falsa separação entre a pregação do evangelho, ou mesmo do exercício ministerial e a adoração. Como se fosse possível ser pastor e pregador do Evangelho sem ser adorador. Embora seja possível ser músico e até mesmo cantor sem ser adorador, o primeiro caso é inviável. visando trazer maior luz sobre o ensinamento convido o leitor a uma breve leitura da Bíblia.
É necessário entender que no contexto geral da Teologia Bíblica Deus procura homens. Este é um padrão que se repete desde o Éden. Quando Adão, que fora criado para adorar pecou, sua reação natural não foi a de buscar Deus, pelo contrário!, ele se escondeu de Deus. Foi este quem disse: Adão, onde estás? (Gn 3. 9).
No próprio diálogo entre Cristo e a mulher samaritana percebemos que foi o mestre quem provocou a situação. Mas é preciso que perguntemos: nesta busca, como Deus aborda o homem? No caso da mulher samaritana a abordagem não se deu por meio de um convite á adoração, mas no solícito pedido de água, ou seja, o Deus Eterno veio à mulher em forma de fraqueza de carne.
Em segundo lugar diante da recusa da mulher em atender, este não respondeu com aspereza, mas com o oferecimento de agua da vida, ou seja, de algo que poderia ir ao âmago das necessidades profundas da mulher. De inicio a oferta não foi entendida, primeiro a mulher achou que Cristo não poderia lhe satisfazer as necessidades uma vez que ele se apresentara a mulher não em sua condição divina, mas em fraqueza de carne. Depois por puro preconceito contra as origens étnicas do salvador encarnado.
Foi neste momento que Jesus a confrontou. Ele lhe disse: vai buscar o seu marido!, ela lhe respondeu: não tenho marido. Neste momento ele disse à mulher disseste bem porque já tiveste cinco, e o que está contigo agora é não é teu. Diante do novo confronto a mulher apela para a polemica do lugar da adoração. É neste momento que temos a famosa resposta de Jesus. Afinal, o lugar não interessa, o que interessa a Deus é a atitude interior do adorador, e que este faça o que faz sabedor do que está praticando (Jo 4. 22- 24).
Diante das colocações feitas por nosso Senhor, a mulher responde com o claro reconhecimento de que os ensinamentos que tivera com ele são característicos da era messiânica, e que aquele judeu moribundo que estava diante dela só poderia ser o messias. Uma vez convencida de que é ele o Cristo, ela sai proclamando a toda cidade que achara aquele de quem falavam as Escrituras. Aqui é o momento de pararmos e pensarmos um pouco.
Primeiro Jesus se apresenta para a mulher como um judeu que precisa de agua para dessedentar a própria sede. Segundo, diante da recusa da mulher, ele lhe oferece o dom da vida eterna, representado por meio da metáfora da água da vida. Terceiro, a mulher duvida de que ele tenha meios para tal, uma vez que sequer pode matar a sua sede. Quarto, Jesus sinaliza para ela que não apenas pode matar sua sede mas que se esta não beber da água que lhe oferece continuará com a mesma vida miserável. Por último, quando a mulher entende a mensagem de Jesus, ela sai pregando, e os efeitos de sua mensagem são visíveis na aceitação de todos os da cidade.
Este ensinamento deixa claro que não existe adoração genuína sem ligação com vida eterna, salvação, compreensão da mensagem do Evangelho, convite á salvação. É neste contexto que adoração tem de ser pensada, e nunca dentro da esfera estímulo/resposta.
Para que fique claro que adoração não possui a mínima relação com os cultos estimulo/resposta, observemos o texto e percebamos que: 1) a atitude de procurar veio de Cristo, ele foi ao encontro da mulher; 2) as respostas iniciais da mulher ao solícito pedido de Cristo, bem como ao oferecimento do dom de Deus, são negativas; 3) é Cristo quem insiste na aproximação com a mulher, insiste até as últimas consequências para que esta entenda o teor de sua mensagem; e, 4) quando esta entende a oferta de Cristo sai pela cidade proclamando que havia encontrado aquele de quem falavam as Escrituras. Em outras palavras a mulher poderia ficar ali adorando, contemplando o Cristo, estendendo as mãos aos céus em gratidão, tal como fazemos em nossos cultos, e nunca compartilhar a mensagem do Evangelho, mas não, ela foi e falou.
Daí que o ser pastor, ou pregador é indissociável da verdadeira adoração. Esta é definida em nossos dicionários como sendo um amor extremado. Mas no caso do nosso amor a Deus, ele é uma reposta do amor dele por nós, visto que ele nos amou primeiro (I Jo 4. 9, 10). Não há verdadeira adoração sem que tenhamos clara percepção da altura, largura, cumprimento e profundidade deste amor (Ef 3. 16 - 20). Somente assim seremos cheios da plenitude de Deus, e livres de todas e quaisquer apelações emotivas adoraremos em espírito e verdade.
 
Em Cristo Jesus, Pr Marcelo Medeiros.

terça-feira, 4 de junho de 2013

Amor de dia


De forma bem poética, melodiosa e criativa esta canção ressuscita o que há de melhor no que se refere ao estilo pop brasileiro. Eu não a cantaria durante a celebração de um culto, entendo que tais estilos sejam, na verdade uma das melhores formas de evangelizar, neste caso, o amor de Deus nos acompanha, tal como o sol e o mar. mensagem simples, clara, objetiva e eficaz para uma geração que há muito se vê espoliada de sua capacidade de pensar, de refletir e que por este motivo já não se identifica mais com canções tradicionais, de cunho mais clássico. Na verdade a letra é uma paráfrase da frase final do salmo davídico onde o rei poeta ora a Deus nas seguintes palavras: Sei que a bondade e a fidelidade me acompanharão todos os dias da minha vida, e voltarei à casa do Senhor enquanto eu viver (Sl 23. 6 NVI). Esta frase é associada a outro cântico em que Davi pede: Faze-me ouvir do teu amor leal pela manhã, pois em ti confio (Sl 143. 8 NVI). 
Minha breve e singela conclusão é a de que podemos fazer música de forma moderna e com conteúdo poético bíblico. Nem tudo, é claro, é perfeito na canção, uma vez que Deus é chamado de você, mas em face do que vemos no mercado gospel atual a presente música é um claro sinal de que produtores e cantores evangélicos começam a dar maior vazão à graça comum. 

Em Cristo, Pr Marcelo Medeiros. 






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