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domingo, 27 de julho de 2014

O Cuidado ao Falar e a Religião Pura



Se há algo interessante em Tiago como escritor, é justamente a concisão dos escritos de sabedoria. Daí a inviabilidade em encontrar neste um tratado a respeito de soteriologia, hamartialogia, e demais ramos da Teologia, mas isto está muito longe de uma omissão quanto a estes assuntos. Não vou abordar à miúde o conceito de pecado em Tiago, isto é matéria para um próximo post, mas antecipo que para este a língua figura como uma das maiores fontes de pecado e como critério da religião verdadeira. 

Outro ponto a ser brevemente discutido aqui neste espaço é a questão da verdadeira religiosidade. Atualmente o termo religião tem sido marginalizado ao extremo e tem se adotado a religiosidade em seu lugar. No meio evangélico tem sido comum associar aquele com formalismo religioso, sendo que Tiago coloca o mesmo de forma positiva. Tais fatores fazem com que ministros e demais estudiosos da Bíblia se debrucem sobre o assunto, é o que com ajuda de Deus farei no presente estudo, a começar pelo conceito de religião, e progredindo até o cuidado no falar. 

O CONCEITO DE RELIGIÃO

Não é de hoje que o meio cristão, e particularmente o evangélico neo pentecostal, marginaliza o termo religião, mas o léxico deixa claro que tal não procede visto que no dicionário Religião é: 

Culto rendido à divindade. Fé; convicções religiosas, crença: a religião transforma o indivíduo. Doutrina religiosa: religião cristã. Tendência para crer em um ente supremo. Acatamento às coisas santas. Fig. Coisa a que se vota respeito

Observe que aqui a religião se define ora pela prática de culto, pelo serviço religioso em si, pela crença em uma doutrina, mas jamais pelo formalismo em si. O Michaelis amplia o conceito para temor a Deus, tudo o que é considerado obrigação moral, ou dever sagrado indeclinável, podendo também ser o sentimento consciente de dependência ou submissão que liga a criatura humana ao Criador. Portanto em si a religião não é negativa. 

Face aos conceitos expostos posso afirmar que aquele que pretende combater à religião, seja ele "cristão", ateu, evangélico, em si termina por ser um religioso no sentido prático da questão. Alguns julgam a respeito de si, considerando que não sejam religiosos, na verdade a religiosidade dele se deslocou para sua doutrina, para suas convicções religiosas, teológicas, doutrinárias, suas metodologias de crescimento e mesmo seu trabalho secular, e sua política religiosa são sua religião. 

Minha intenção ao citar o dicionário é demonstrar que a religião não é algo negativo em si e resgatar o conceito de Tillich desenvolve a respeito do termo, sendo o estado no qual o indivíduo se preocupa de maneira absoluta, podendo se manifestar no indivíduo e nas instituições sociais e nacionais. Logo, a religião no sentido básico e mais abrangente da palavra é a preocupação suprema (ultimate concern), manifesta em todas as funções criativas do espírito, bem como na esfera moral na qualidade de seriedade incondicional que esta esfera exige

Em outras palavras o indivíduo que se devota à causa contra o formalismo acaba ele mesmo desenvolvendo um tipo de religião, e precisa atentar para que esta prática religiosa não se torne diabólica, vã e destituída de autenticidade bíblica e existencial, o mesmo pode ser dito do militante político, do homem dedicando ao seu trabalho, do professor, e dos novos ateus, que entendem que ao promover o ateísmo estão de alguma forma curando a humanidade de alguma forma de doença. 

Isto posto passarei a tecer algumas considerações a respeito da religião no sentido bíblico. 

RELIGIÃO NO SENTIDO BÍBLICO DO TERMO

A primeira colocação que julgo necessária de se fazer é que existe diferença entre religião e formalismo religioso. Logo é incompreensível do ponto de vista exegético, hermenêutico e lexical o emprego pejorativo, ou melhor, o processo de pejoração do vocábulo religião. Não é demais repetir e reforçar a ideia de que no dicionário a religião é a expressão de fé, de convicção, os  ritos, e o sentimento de dependência absoluta do homem em relação à divindade. 

Estes mesmo conceitos aparecem de forma implícita nas duas menções positivas que a Bíblia faz á religião, dentre elas destaco um discurso que Paulo fez em defesa própria veja:
Todos os judeus sabem como tenho vivido desde pequeno, tanto em minha terra natal como em Jerusalém. Eles me conhecem há muito tempo e podem testemunhar, se quiserem, que, como fariseu, vivi de acordo com a seita mais severa da nossa religião.

Agora, estou sendo julgado por causa da minha esperança no que Deus prometeu aos nossos antepassados. Esta é a promessa que as nossas doze tribos esperam que se cumpra, cultuando a Deus com fervor, dia e noite. É por causa desta esperança, ó rei, que estou sendo acusado pelos judeus (At 26. 4 - 7 NVI). 
Necessário se faz destacar que o farisaísmo que Paulo chama aqui de αιρεσιν (hairesin), de onde vem o termo heresia, aqui definido como partidarismo. É muito comum a associação entre fariseus e religião, quando na verdade o judaísmo sim é retratado no texto como religião enquanto os formalistas como partidários dentro de um espectro religioso mais amplo. 

De acordo com o texto em apreço a religião judaica constitui-se como rito e culto que são alimentados pela firme esperança, que por sua vez tem sua matriz na promessa que Deus fez à Abraão. Em outras palavras o rito, se alimenta da fé, e pretende ser uma expressão da esperança. Sem esta a religião perde o seu fervor, deixando de ser o sentimento de dependência do absoluto. Fato é que a única menção negativa que a Bíblia faz à religião θρησκεια (threskeia) é a crítica do culto aos anjos (Cl 2. 18). 

Os fariseus não eram meros religiosos, na verdade nunca foram chamados disto por Cristo. Eles são frequentemente chamados de hipócritas, é verdade. Um fator geralmente ignorando é que estes eram, ao mesmo tempo que uma seita rigorosa, um partido político, No texto em que Cristo os condena veementemente ele se refere a eles como υποκριται (hipokritai). 
Hipócritas! Bem profetizou Isaías acerca de vocês, dizendo: Este povo me honra com os lábios, mas o seu coração está longe de mim. Em vão me adoram; seus ensinamentos não passam de regras ensinadas por homens (Mt 15 . 7- 9 NVI). 
Neste texto o vocábulo υποκριται é empregado para definir a contradição entre o louvor de lábios e o coração distante de Deus. Uma marca dos fariseus era burlar os mandamentos de Deus com vistas à satisfação pessoal, assim eles se congratulavam entre si por serem supostamente obedientes a Deus quando na verdade eram os maiores violadores da lei e da aliança. Exemplo? Dizimavam o cominho e a hortelã, mas negligenciavam a justiça e a misericórdia (Mt 23. 23), negando a lei e os profetas com isto. 

É neste ponto que Jesus e Tiago se encontram, uma vez que para ambos a religião que despreza o sofrimento do outro não é legítima em si. Mas qual é o fundamento da religião pura. A fim de ser fiel ao contexto da carta de Tiago, afirmo que o Novo Nascimento e a prática da Palavra são o fundamento da Religião Pura (θρησκεια καθαρα και αμιαντος [threskeia kathara kai amiantos]). 

A RELIGIÃO PURA E IMACULADA

Como uma prática religiosa pode proceder de corações contaminados pelo pecado? Este é o grande problema do homem, conforme colocado por Cristo no Evangelho, o coração, visto que dele procedem: os maus pensamentos, os homicídios, os adultérios, as imoralidades sexuais, os roubos, os falsos testemunhos e as calúnias (Mt 15. 19). A verdade da Bíblia é que o coração humano é mau desde a infância (Gn 6. 5). Como este problema é resolvido? 

Tiago reconhece que a concupiscência humana seduz o homem da mesma forma que o caçador, ou o pescador seduzem a caça, ou a pesca (aqui), mas ele igualmente reconhece que Deus regenera os crentes por meio da Palavra, a fim de que os mesmos sejam novas criaturas (aqui), uma vez gerados pela palavra da verdade estes tem o seu coração purificado para ouvir, receber e praticar a Palavra da verdade. 

A religião pura começa com o ouvir, aqui mais do que ouvir, na verdade atender, obedecer. Este apelo é muito comum nos Evangelhos (Mt 11. 15; 13. 9, 43; Mc 4. 9; Lc 8. 8; 14. 35) e nas cartas às sete igrejas  da Ásia (Ap 2. 7, 11, 17, 29; 3. 6, 13, 22). Tiago fala da prontidão para ouvir e do retardo para a ira. considerando que o contexto fala do ouvir a Palavra, bem como da prática da mesma, creio que o apelo aqui seja referente à ira que algum crente viesse a sentir ao ser confrontado pela Palavra. 

A cata de Tiago não é de fácil digestão, ela fala de preconceito social (Tg 2. 1 - 12), de prática amorosa (Tg 2. 14 - 26), do uso da língua (Tg 1. 26, 27; 3. 1 - 12), do amor ao mundo e dos desejos, bem como do apelo ao ter em detrimento do ser (Tg 4. 1 - 9), do julgamento (Tg 4. 11, 12), da falibilidade dos projetos humanos (Tg 4. 13 - 16). Creio que é esta palavra, que em sucessivos aspectos ressoa o ensino de Cristo e dos profetas. Não são palavras que agradam ao público em geral, muito menos ao meio evangélico atual, mas creio ser elas o alvo do apelo ao ouvir feito por Tiago. O segundo apelo é à aceitação do conteúdo ouvido. 

Portanto, livrem-se de toda impureza moral e da maldade que prevalece, e aceitem humildemente a palavra implantada em vocês, a qual é poderosa para salvá-los (Tg 1. 21 NVI). Palavra aqui é o conteúdo da presente carta, que não pode ser assimilado sem que se lance fora a impureza moral, ρυπαριαν
(ryparian), e o acúmulo de malícia, περισσειαν κακιας (perissean kakaias). Isto, porque tanto a uma como a outra constituem empecilhos ao progresso da Palavra que foi implantada. 

O termo empregado pelo autor (εμφυτον [emphiton]) denota que a palavra é enxertada, ao invés de fruto de estudo, o que indica a conexão entre a obra de regeneração falada nos versos anteriores da carta (Tg 1. 18). Para todos os efeitos esta mesma palavra é poderosa para salvar as almas dos que a ouvem. Seguindo a esta fala vem o apelo à prática do conteúdo da carta. 

Como escritor Tiago é o que mais faz uso de palavras exclusivas no Novo Testamento. Quando observamos o texto em que este autor fala da prática da palavra, no lugar do célebre vocábulo ergon (εργον), o mesmo emprega termos como ποιητης (poieetees) e ποιηται (poietai), para exprimir a prática da Palavra de Deus. Todavia esta prática se dá mediante observação. 

Mas o homem que observa atentamente a lei perfeita que traz a liberdade, e persevera na prática dessa lei, não esquecendo o que ouviu mas praticando-o, será feliz naquilo que fizer (Tg 1. 25 NVI). O termo para atentar aqui é παρακυψας (parakupsas) empregado para o ato de espiar, ou para designar alguém que se inclina para o lado a fim de contemplar um objeto. Sirácida fala de tal atitude para com a sabedoria
Feliz o homem que se ocupa da sabedoria e que raciocina com inteligência, que reflete em seu coração, nos caminhos da sabedoria, e medita em seus segredos. Sai atrás dela como um caçador, põe-se á espreita em seus caminhos, inclina-se para olhar por suas janelas, escuta às suas portas. Detém-se junto à sua casa, fixa o prego nas paredes (Eclo 14. 20 - 24 Bíblia de Jerusalém). 
A expressão inclina-se para olhar por suas janelas, é tradução que a versão LXX emprega para παρακυψας (parakupsas), indicando de fato o trabalho de um espia, sendo que neste caso alguém que persegue a sabedoria. Prática da Palavra não se dissocia do estudo sistemático. De forma alguma! Quanto a língua retornarei a este assunto, do qual já falei (aqui). Jesus disse que a boca fala da abundância do que há no coração (Mt 12. 34, 35), daí que um coração que foi gerado pela palavra da verdade é comedido no falar, ou fala de coisas excelentes. 

Quanto a assistir aos órfãos e às viúvas em suas necessidades, este é um mandamento que se alinha tanto com a sabedoria quanto com a lei e os profetas (Dt 14. 29; Jó 31. 16, 17, 21; Is 1. 17, 23) e é comum ao crente que realmente pratica a palavra. É a base da justiça dos profetas (aqui). 

Em Cristo, Marcelo Medeiros. 

sexta-feira, 4 de julho de 2014

Tiago - Fé Que se Mostra Pelas Obras



Um breve histórico do cânon sagrado mostra ao leitor atento que a carta de Tiago, não teve significativa aceitação inicial, em parte por uma possível falta de conhecimento dos pais da Igreja, o que fez com que a mesma pouco fosse citada nos sermões, em parte pelos problemas de aceitação da mesma no conjunto de livros cristãos (aqui).

Um erro presente na concepção inicial que Lutero da carta de Tiago é a visão de que a mesma seja uma epístola de palha. De acordo com alguns pensadores atuais, a visão luterana se justifica pelo simples fato de que as afirmações da carta de Tiago não são de fácil compreensão e os textos que aparentemente entram em conflito com as epístolas de Paulo (aqui).

A continuação da leitura indicada no link supra aponta para uma mudança de perspectiva, uma vez que o pensamento luterano atual tem dado significativa enfase ao aspecto social do Evangelho e neste ponto a Carta de Tiago de palha se torna o melhor dos pastos. Um fato que precisa ser encarada por cristãos é que o escrito de fato se dirige a judeus e não é de natureza teológica como os de Paulo, mas se aproxima das máximas da sabedoria, podendo ser articulado com os ensinos de Jesus e de Pedro.

I) AUTORIA

Estudos dos mais diversos indicam a existência de pelo menos quatro homens na Bíblia que atendem pelo nome de Tiago, por sinal, um nome comum. Maxuell Coder destaca dois homens do colégio apostólico com este mesmo nome e acrescenta o irmão do Senhor e o pai de Judas, outro dos doze discípulos de Cristo. Tiago é a transliteração de ιακωβος (Iakoobos), que por sua vez corresponde ao nome bíblico Jacó, no hebraico Iakob (יַעֲקֹ֥ב), cujo sentido é Aquele que agarra, ou suplantador, sendo que no caso do patriarca o nome fora dado em razão da situação em que este nascera, ao passo que não temos na Bíblia as circunstâncias do nascimento dos irmãos de Jesus, bem como dos demais personagens que levam esta nome.

Dentre os que se chama Tiago, temos um que é filho de Zebedeu e Salomé e irmão de João (Mt 4. 21; 20. 20), exercendo junto a este o ofício de pescador. A possibilidade de que este seja o autor fica eliminada, visto que este Tiago, chamado o maior, foi martirizado sob Herodes Agripa I (neto de Herodes, O Grande), ocasião em que Pedro também fora preso, daí que não houvesse tempo para a produção epistolar, visto que a data mais remota da carta é o ano 49 d. C.

Outro membro do colegiado apostólico que tinha este nome é um filho de Alfeu (Mt 10. 3; Mc 3. 18; Lc 6. 16), sendo que além dele ser discípulo de Cristo, nada mais é dito a respeito do mesmo. O tom com o qual o autor da carta começa com sua missiva em nada lembra um membro do colegiado apostólico (digo isto com respeito a alguém que tenha presenciado os ensinos de Cristo. Deixando para a maioria dos pensadores uma unica alternativa viável, a de que o autor da carta de Tiago somente pode ser o irmão do Senhor.

Ele se identifica como θεου και κυριου ιησου χριστου δουλος (Thou kai Kyriou Iesou Christou doulos), servo de Deus e do senhor Jesus Cristo. O servo, ou δουλος era alguém que por não possuir mais condições de se sustentar se vendia como escravo para outrem, a fim de em troca de seu serviço e fidelidade ser mantido. Com economias alguns escravos conseguiam até comprar sua liberdade. Minhas observações se devem ao fato de que a leitura criteriosa indica que o Tiago irmão do Senhor, sequer crente era durante o ministério terreno de Cristo (Jo 7. 5).

Ele também não era considerado um dos doze apóstolos, mas possivelmente tenha vindo a crer em Cristo devido ao impacto da ressurreição de Cristo, visto que Paulo diz que Jesus fora visto pelos doze, depois por mais de quinhentos irmãos, e depois por Tiago (I Co 15. 5 - 7). Daí que Paulo o considerasse como apóstolo cuja visibilidade, e importância suplantasse a dos demais apóstolos (Gl 1. 19).

II) ESTILO

Muito se apela à aparente contradição entre a carta de Tiago e os escritos de Paulo (tema que, creia, será devidamente abordado neste espaço). Mas há que se considerar que é no estilo de ambos que reside toda a diferença. Paulo é quase que um pensador, daí que ele mesmo se chame de pregador mestre na fé dos gentios (II Tm 1. 11). E de fato parcela significativa dos escritos paulinos são o desenvolvimento dos pensamentos deste servo de Deus.

Tiago, que já no concílio de Jerusalém demonstrara considerável conhecimento das Escrituras, segue um estilo mais identificado com os escritos da sabedoria judaica, (tanto no tocante aos livros do cânon, quanto aos do segundo cânon, a saber os da LXX, que aparecem nas traduções de Bíblias católicas); o que pode ser comprovado nas temáticas escolhidas pelo autor, tais como:

  1. A tribulação Eclo 2. 1ss; Tg 1. 3 - 4 
  2. A oração por sabedoria Pv 2. 2 - 6; Sab 8. 21; Tg 1. 5 - 8
  3. A inutilidade das riquezas Pv 11. 4; Tg 1. 9 - 11
  4. As tentações Eclo 15. 11 - 20; Tg 1. 12 - 15
  5. A prática da Palavra Sl 119. 1, 2; Tg 1. 16 - 25
  6. O uso da língua Pv 10. 19; 18. 21; Eclo 5. 9 - 15; 28. 13 - 26; Tg 1. 26, 27; 3. 1ss
  7. A sabedoria em suas dimensões práticas Pv 1. 7; 8. 13; Tg 3. 13 - 18
  8. A entrega à providência Pv 27. 1; Tg 4. 13 - 16
  9. A respeito da brevidade da vida Sl 39. 4 - 6, 11; 90. 4 - 12; Tg 4. 14 
Estes temas foram escolhidos no lugar de se falar em justificação pela fé, adoção, justiça imputada, nascimento, vida, morte, ressurreição de Cristo e tantos outros temas caros ao apostolo Paulo. Ao invés de reflexão teológica, Tiago prefere a praticidade. Creio que este seja o motivo da aparente contradição entre o posicionamento dele e o de Paulo a respeito da dinâmica entre fé e obras. 

III) MENSAGEM

A mensagem central da carta de Tiago é: a fé, se não tiver as obras, é morta em si mesma, e caso alguém insistisse na separação entre ambas, o autor diria: mostra-me a tua fé sem as tuas obras, e eu te mostrarei a minha fé pelas minhas obras (Tg 2. 17, 18 ACF). Eu particularmente gostaria de chamar a atenção para a tradução da Nova Versão Internacional, assim também a fé, por si só, se não for acompanhada de obras, está morta. Mas alguém dirá: "Você tem fé; eu tenho obras". Mostre-me a sua fé sem obras, e eu lhe mostrarei a minha fé pelas obras, e, com efeito, assim como o corpo sem o sopro da vida morto, assim também é morta a fé sem obras (Tg 2. 26 Bíblia de Jerusalém). 
  1. A preposição sem seria melhor traduzida por separada de, uma vez que a expressão χωρις (chooris), tem o sentido de algo é separado, à parte de. A menagem de Tiago consistem em: a fé separada das obras é tão viva quanto um cadáver. Partindo desta perspectiva afirmo que: 
  2. Ouvir a Palavra e não colocar a mesma em prática é tão eficiente quanto ver o rosto no espelho e permanecer tal como se está (Tg 1. 22 - 25). Aqui cabe esclarecer que Tiago está apelando à prática do conteúdo da carta que está escrevendo. 
  3. O piedoso que não refreia a sua língua pratica uma religião (terminologia que Tiago usa de forma positiva), vazia (Tg 1. 26; 3. 1). 
  4. A religião verdadeira está em assistir às viúvas e aos necessitados, e guardar-se da corrupção que há no mundo (Tg 1. 27). É bem possível que a mentalidade que faz acepção de pessoas seja a corrupção da qual Tiago está falando, uma vez que imediatamente ele propõe tal temática. 
  5. Não se exerce a fé em Cristo em acepção de pessoas, principalmente se esta é feita com base na condição social da pessoa (Tg 2. 1). 
  6. A sabedoria que visa a mera ostentação intelectual, não é proveitosa em nada, a verdadeira sabedoria é pacífica, pura, tratável, cheia de bons frutos e de misericórdia, redundando em justiça e paz (Tg 3. 13 - 18). 

Partindo desta perspectiva, Tiago está longe do legalismo que alguns teólogos reformados viram nele. O pecado para ele nada tem a ver com o desempenho no cumprimento da lei, conforme possa sugerir uma leitura precipitada de Tg 2. 10, 11. O pecado do qual Tiago fala aqui não é adultério, homicídio, mentira, e se ele o faz, o faz para reforçar o caráter igualmente abominável da discriminação social. 

Face ao exposto, percebo que é possível ser um exímio cumpridor de obrigações "morais", passar uma imagem de justo e piedoso, mas ser uma pessoa que discrimina as demais com base não no caráter, mas na condição social, e Tiago vê tal postura como uma flagrante violação da lei e consequentemente como pecado. 
Se vocês de fato obedecerem à lei real encontrada na Escritura que diz: "Ame o seu próximo como a si mesmo", estarão agindo corretamente. Mas se tratarem os outros com favoritismo, estarão cometendo pecado e serão condenados pela Lei como transgressores (Tg 2. 8, 9 NVI)
A expressão αμαρτιαν εργαζεσθε (hamartian ergasesthe), foi traduzida por estarão cometendo pecado, quando poderia ter sido traduzida por estar realizando pecado, o que faria uma expressão mais forte, esta ao menos é a opinião de Vincent, que é confirmada por Rienecker e Rogers, onde εργαζεσθε é literalmente trabalhar. 

Em Cristo, Pr Marcelo Medeiros

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Revelações por meio dos sonhos


Enfoco este assunto explicitamente pelo fato de que ao estudar sobre os dons (leia-se carisma, no sentido de dádiva),  de Revelação, percebi que em grande parte das Escrituras Deus se manifesta e se revela por meio de sonhos. Isto fica implícito na fala do jovem Eliú quanto este afirma:
Antes Deus fala uma e duas vezes; porém ninguém atenta para isso. Em sonho ou em visão noturna, quando cai sono profundo sobre os homens, e adormecem na cama.   Então o revela ao ouvido dos homens, e lhes sela a sua instrução, para apartar o homem daquilo que faz, e esconder do homem a soberba. Para desviar a sua alma da cova, e a sua vida de passar pela espada (Jó 33. 14 - 18 ACF). 
observe que quando Eliú afirma: Então o revela ao ouvido dos homens, ocorre aqui a expressão hebraica גְלֶה (geelah), que usualmente corresponde ao grego αποκαλυψιν (apokalipsin), que para Robinson, é a revelação da parte de Deus de coisas dantes desconhecidas. Isto posto convém uma definição de sonho. Sei que já falei sobre o assunto (aqui), mas percebo a necessidade de retornar ao mesmo.
 
I) O CONCEITO BÍBLICO E LEXICAL DE SONHO
 
Entende-se o sonho como sendo:
 
  1. Associação de imagens, frequentemente desconexas ou confusas, que se formam no espírito da pessoa enquanto dorme.
  2. No sentido figurativo, pode ser uma ilusão, fantasia, devaneio, utopia.
  3. Alguns escritores bíblicos o definem como sendo uma coisa vã, fútil, que se esvai.
  4. Ideia acalentada, ideal, desejo intenso e vivo.
  5. Visão sobrenatural.
 
Em primeiro lugar os sonhos se constituem a partir de associações de imagens desconexas. Isto se percebe na leitura dos relatos bíblicos referentes aos sonhos. Basta a lembrança da historia de José, que interpretou os sonhos do copeiro, do padeiro, e do Faraó. O primeiro, sonhou com coisas desconexas entre si. Uma videira florescente, com três ramos, em já em frutos, que por sua vez eram espremidos e servidos em um copo, que por sua vez era entregue nas mãos do Faraó. Vale lembrar que o copeiro está na condição de prisioneiro, e não exerce mais esta função.
O padeiro, por exemplo sonhou com um cesto de pão, sobre a cabeça, lugar onde via de regra não se coloca um cesto de pão, pelo menos não em nossa cultura, e aves do céu sobre os cestos. Mais interessante ainda é o sonho do Faraó. Espigas de milho cheias, viçosas sendo devoradas por espigas mirradas, apontam para o caráter aparentemente confuso e desconexo. MacArthur nos informa que na cultura egípcia, e babilônica havia uma ciência de interpretação de sonhos, uma vez que os mesmos eram vistos como revelação do futuro.
A expressão sonhos também pode designar uma ilusão, fantasia, ou devaneio procedente de um desejo intenso associado à escassez ou ausência dos recursos que permitam a realização do referido desejo. Isaias emprega a expressão com esta conotação para repreender as nações que se ajuntam para a peleja contra o povo de Deus. Será também como o faminto que sonha, que está a comer, porém, acordando, sente-se vazio; ou como o sedento que sonha que está a beber, porém, acordando, eis que ainda desfalecido se acha, e a sua alma com sede; assim será toda a multidão das nações, que pelejarem contra o monte Sião (Is 29. 8 ACF).
Assim, o termo também pode ser empregado para se referir a tudo o que fugaz e passageiro. E como o sonho e uma visão de noite será a multidão de todas as nações que hão de pelejar contra Ariel, como também todos os que pelejarem contra ela e contra a sua fortaleza, e a puserem em aperto (Is 29. 7 ACF). Os ímpios, por mais que prosperem são considerados desta forma, a eles é dada a seguinte sentença: como o seu próprio esterco, perecerá para sempre; e os que o viam dirão: Onde está?   Como um sonho voará, e não será achado, e será afugentado como uma visão da noite (Jó 20. 7, 8 ACF). 
Quando o Salmista fala: quando o SENHOR trouxe do cativeiro os que voltaram a Sião, estávamos como os que sonham (Sl 126 . 1 ACF), fica claro aos leitores do texto que ele exprime uma aspiração, um ideal acalentado por parte daqueles que nunca haviam visto a sua pátria, a cidade chamada cidade santa. Creio que seja neste sentido que Martin Luther King empregou o termo no seu mais famoso discurso Eu tenho um sonho.
E em meio a todos estes aspectos do que vem a ser um sonho, há aqueles cujas imagens na verdade são uma representação de símbolos e elementos dos quais Deus se vale para comunicar, ou nas palavras do jovem sábio Eliú, revelar a vontade de Deus para o seu povo. É aqui que se faz mais do que necessário que tanto o sonhador ou o interprete tenham um canal aberto com Deus, para que, sendo o caso de uma revelação, possam perceber qual é a mensagem de Deus.
 
II) REVELAÇÕES POR MEIO DE SONHOS
 
Alguns sonhos são bastante claros, tais como os registrados no Evangelho de Mateus, onde se pode ler a relatos de um anjo que aparece a José e o aconselha a receber Maria por sua mulher, visto que o que está nela fora gerado do Espírito Santo, depois, o orienta sucessivamente em sua fuga para o Egito, bem como em seu retorno (Mt 1. 18 - 22; 2. 13, 19). De igual modo os magos são orientados a irem por outro caminho para sua terra, visto que as intenções de Herodes não são puras (Mt 2. 12).
Estes sonhos merecem uma atenção especial, visto que nos mesmos se percebe uma série de orientações que tocam a vida da criança, no caso Jesus. Eles revelam uma sabedoria prática. A única exceção é o sonho em que o anjo revela que a gravidez de Maria é fruto da ação do Espírito Santo, e que a sua então noiva não fornicara, nem adulterara com outro homem, e ele, José, estava livre para receber sua noiva. Neste caso, não se demonstra uma sabedoria prática, mas a sabedoria de Deus.
Já no caso de José, o que se percebe é o discernimento da procedência dos sonhos (se de Deus, ou não), o significado de cada elemento envolvido, o conhecimento de fatos futuros implícitos no mesmo, e dependendo do caso, uma palavra prática, o que revela sabedoria. O mesmo pode ser dito em relação aos sonhos de Nabucodonosor que Daniel interpretou, visto que em ambos os casos eventos futuros são revelados aos soberanos, mas a fim de que a glória seja dada exclusivamente a Deus a mensagem dos mesmos lhes é vedada. Isto posto, convém que se passe aos textos que trazem tais implicações. O sonho:
E Faraó disse a José: Eu tive um sonho, e ninguém há que o interprete; mas de ti ouvi dizer que quando ouves um sonho o interpretas. E respondeu José a Faraó, dizendo: Isso não está em mim; Deus dará resposta de paz a Faraó. Então disse Faraó a José: Eis que em meu sonho estava eu em pé na margem do rio,  E eis que subiam do rio sete vacas gordas de carne e formosas à vista, e pastavam no prado. E eis que outras sete vacas subiam após estas, muito feias à vista e magras de carne; não tenho visto outras tais, quanto à fealdade, em toda a terra do Egito. E as vacas magras e feias comiam as primeiras sete vacas gordas; E entravam em suas entranhas, mas não se conhecia que houvessem entrado; porque o seu parecer era feio como no princípio. Então acordei. Depois vi em meu sonho, e eis que de um mesmo pé subiam sete espigas cheias e boas; E eis que sete espigas secas, miúdas e queimadas do vento oriental, brotavam após elas. E as sete espigas miúdas devoravam as sete espigas boas. E eu contei isso aos magos, mas ninguém houve que mo interpretasse (Gn 41. 15 - 24 ACF)
O que se vê em seguida a esta exposição? Um discernimento da procedência do sonho,  visto que José afirma: O sonho de Faraó é um só; o que Deus há de fazer, mostrou-o a Faraó (Gn 41. 25 ACF). Aqui se percebe um Deus que mostra o futuro. Após o discernimento da procedência do sonho, os elementos que perfazem o mesmo são interpretados, e um conhecimento a respeito de um período vindouro de prosperidade seguido por um de fome, é revelado (Gn 41. 25 - 32).
Em seguida José dá ao faraó uma palavra de conselho a respeito do que ele tem de fazer. Veja:
previna-se agora de um homem entendido e sábio, e o ponha sobre a terra do Egito.   Faça isso Faraó e ponha governadores sobre a terra, e tome a quinta parte da terra do Egito nos sete anos de fartura, E ajuntem toda a comida destes bons anos, que vêm, e amontoem o trigo debaixo da mão de Faraó, para mantimento nas cidades, e o guardem.
Assim será o mantimento para provimento da terra, para os sete anos de fome, que haverá na terra do Egito; para que a terra não pereça de fome. E esta palavra foi boa aos olhos de Faraó, e aos olhos de todos os seus servos
(Gn 41. 33 - 37 ACF).
Ao Faraó   foi revelado um fato futuro, ao passo que a José, foi revelado tanto a procedência do sonho, quanto um conhecimento a respeito de um fato futuro, bem como uma palavra sábia com vistas a orientar o Faraó. Em um outro post desta série falarei a respeito dos sonhos de Nabucodonosor, e de como os mesmos se alinham com  a percepção que Eliú tem dos sonhos como meios pelos quais Deus repreende os homens. Um forte abraço em Cristo, e medite neste estudo.
 
Pr Marcelo Medeiros
 

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

O livro do Êxodo e o Cativeiro de Israel no Egito


Estou chegando atrasado aos comentários de lições de Escola Bíblica Dominical das Casas Publicadoras das Assembleias de Deus. Mas creio que a despeito do atraso, se faz importante tecer algumas considerações a respeito de questões textuais concernentes à primeira lição, a fim de proporcionar ao leitor elementos que contribuam para edificação e enlevo espiritual dos educandos que frequentam esta tão maravilhosa instituição. Passemos então às considerações.

I) O nome do Livro
Estes pois são os nomes dos filhos de Israel, que entraram no Egito com Jacó; cada um entrou com sua casa (Ex 1. 1 ARCF).

 
Em nossas Bíblias o segundo livro recebe o nome de Êxodo, do grego ἑξοδους. Tal se dá em função dos tradutores da septuaginta terem nomeado o mesmo em função do principal tema, que é a saída do povo de Israel do Egito. Mas em Hebraico o nome do livro é concomitante com as primeiras palavras do mesmo é וְאֵ֗לֶּה שְׁמֹות (wi'lleh Shemott), cuja tradução é estes são os nomes. A seguir o livro de fato nomeia os filhos de Israel no Egito, preparando com isto a mentalidade do leitor para a informação que virá após, o crescimento dos filhos de Israel na terra do Egito.
 
II) Analise literária
 
A forma como o livro começa, fornece ao leitor atento a clara percepção de que na verdade o Êxodo é uma continuação do relato do Gênesis, onde vemos a mesma fórmula do primeiro verso do Êxodo. E estes são os nomes dos filhos de Israel, que vieram ao Egito, Jacó e seus filhos: Rúben, o primogênito de Jacó (Gn 46. 8 ARCF). Aqui também aparece a expressão וְאֵ֗לֶּה שְׁמֹות (wi'lleh Shemott). Não se pode menosprezar a informação de que todas as almas que vieram com Jacó ao Egito, que saíram dos seus lombos, fora as mulheres dos filhos de Jacó, todas foram sessenta e seis almas (Gn 46. 26 ARCF), que foram adicionadas aos filhos de José, e ao próprio José, somando então, junto com Jacó, setenta pessoas. Neste sentido, Êxodo é uma continuação de Genesis.
O livro de Êxodo é um dos mais híbridos (em termos literários) que temos na Bíblia. Nele encontramos: genealogia, narrativas, poesia, cânticos, orações, leis, teologia, ficando ao leitor e ao estudioso a árdua tarefa de escolher um estiolo em que classificar este livro. Os autores clássicos o classificam como História profetizante, ou teológica. Isto fica evidencia do na medida em que ao ler o Gênesis, o leitor atenta para a mensagem profética de Deus para Abraão. Ao renovar a aliança com o patriarca em apreço, Deus lhe diz:
Saibas, de certo, que peregrina será a tua descendência em terra alheia, e será reduzida à escravidão, e será afligida por quatrocentos anos, mas também eu julgarei a nação, à qual ela tem de servir, e depois sairá com grande riqueza. E tu irás a teus pais em paz; em boa velhice serás sepultado. E a quarta geração tornará para cá; porque a medida da injustiça dos amorreus não está ainda cheia (Gn 15.13 - 16 ARCF)
De fato a continuidade do Gênesis nos mostra a descendência de Abraão descendo ao Egito com fins de preservação da posteridade (Gn 50. 20 - 23), mas em cada patriarca houve a certeza de que Deus haveria de visitar a geração futura com vistas a livrar a mesma da condição escrava, que é descrita por meio de dois verbos עֲבֹ֖ד (ebadhah), e עָנח ('anah). O primeiro é trabalhar como escravo, e o segundo significa afligir. Logo, a estada do povo de Israel no Egito foi de fato um cativeiro. Contudo, a profecia não termina aí. Deus também fala da libertação, e da saída de Israel com grandes riquezas.
 
III) Contexto histórico
Com fins de preservação da descendência de Israel, José foi vendido como escravo ao Egito. Ele mesmo reconheceu isto em meio a uma conversa com os irmãos, quando afirmou: Vós bem intentastes mal contra mim; porém Deus o intentou para bem, para fazer como se vê neste dia, para conservar muita gente com vida (Gn 50. 20 ARCF). O êxodo segue esta narrativa afirmando que Faleceu José, e todos os seus irmãos, e toda aquela geração. E os filhos de Israel frutificaram, aumentaram muito, e multiplicaram-se, e foram fortalecidos grandemente; de maneira que a terra se encheu deles (Ex 1. 6, 7 ARCF). Aqui se descreve um crescimento exponencial, visto que de setenta pessoas eles progrediram para mais de meio milhão.
A opressão do povo começa quando se levanta um novo rei sobre o Egito. O texto afirma: E levantou-se um novo rei sobre o Egito, que não conhecera a José (Ex 1. 8 ARCF) Como este rei não conheceu a José? A hipótese levantada por MacArthur é que este rei era possivelmente um hicso, e por este mesmo motivo não conheceu a José. O verbo hebraico יָדַ֖ע (Yadhah) é muito mais do que conhecimento (no sentido de informação), o verbo significa travar relacionamento, daí que a hipótese de MacArthur faça sim sentido.
Outra tese é a levantada por Werner Keller no clássico "E a Bíblia Tinha Razão". Para este autor, seria inviável um faraó egípcio ceder a um estrangeiro um lugar de honra em sua corte. Daí que ele e os defensores de uma data mais tardia do cativeiro egípcio e do êxodo defendam que o faraó contemporâneo de José tenha sido um hicso, e que no período do cativeiro o Egito os tenha expulsado passando a ver os hebreus como aliados dos invasores estrangeiros.  
Os que advogam uma data mais recente apoiam o pensamento de Werner Keller, ao passo que os que advogam uma data mais remota esposam o pensamento de MacArthur. O que tem de ficar claro é que a expressão לֹֽא־יָדַ֖ע (lo yadah), indica uma falta de familiaridade, que um relacionamento pessoal poderia ter proporcionado,  por parte do faraó com José. A imposição de trabalho foi o método do processo de escravidão.
Mas Deus que jamais esquecera a promessa feita ao seu servo Abraão, foi preparando em meio a este contexto alguém que seria o libertador, digo, o instrumento para a libertação do seu povo, visto que no plano divino constava que a nação de Israel sairia do Egito com grandes riquezas.
 
Em Cristo, Pr Marcelo Medeiros.
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