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quinta-feira, 8 de março de 2018

Exegese, pra que exegese?????



Há algum tempo atrás falei aqui neste espaço a respeito de minha participação em um programa da TV BOAS NOVAS, cuja temática era versões de Bíblias. Versões não podem e nem devem de ser confundidas com aquelas Bíblias com recursos devocionais e teológicos. Mas não é sobre nada disto que pretendo falar neste breve post que preparo juntamente com meu café. Pretendo falar de exegese. 

A menção às versões de Bíblias dá-se por conta de uma necessidade de maior alcance, que por sua vez demanda uma maior revisão dos textos sagrados. A ideia que se tem é a de que exista uma palavra que encontre correspondência em todo e qualquer idioma. Ledo engano. No caso do português existe o exemplo da palavra saudade. Esta não expressa somente a ausência nostálgica do outro, ou de algo, mas também a aspiração por algo considerado positivo e benéfico. 

Quem conhece os hinos da HARPA CRISTÃ, sabe que seu segundo hino chama-se saudosa lembrança. Como ter saudade de um lugar que em tese não conhecemos (o mundo vindouro - novo céu e nova terra)? Neste caso saudade é uma expressão do desejo anelante por chegar a este lugar, chamado de regaço pela própria letra do hino. 

Junto das palavras há expressões em nossa língua que não possuem igualmente em língua alguma. Agora o leitor tente imaginar um livro originalmente escrito em Hebraico, com algumas partes em Aramaico e em Grego! Pense por exemplo, nas palavras Graça, Misericórdia, Benignidade, Amor, Amor Leal, elas podem, e de fato são empregadas para traduzir o vocábulo hebraico חסד (hesed). 

Sheol é uma expressão usualmente traduzida por inferno, que na verdade é o mundo dos mortos. Ao traduzir-se o Antigo Testamento para o grego, usou-se a Palavra αδη, que de fato possui equivalência com Sheol. Inúmeros problemas como este poderiam ser enumerados. Mas resultariam em um tratado e extrapolaria o propósito de tal post. Mas estes breves elementos comprovam que a exegese não é luxo, mas uma necessidade. 

Bom dia, Marcelo Medeiros. 


terça-feira, 24 de junho de 2014

A Bíblia profanada


Escrevo este texto porque vi em rede social a desaprovação de cristãos em relação a Bíblia freestyle. Tal como o autor deste artigo (aqui), confesso que também recebi a notícia de que a mesma empregava palavrões em sua versão com certo ceticismo. Mas infelizmente é verdade. E pior, o emprego de tais recursos vem vestido de uma suposta adequação cultural. 
Segundo esta versão, em Mateus 26. 73.74 "Teu jeito de falar dá a entender que você é um deles sim!". E pra escapar de ser pego, Pedro começou a xingar e a jurar: "Puta que o pariu, viu! Quantas vezes vou ter que falar que eu juro que não conheço esse homem?" O problema é que no afã de fazer uma adequação cultural a exegese ficou de lado. 
Sim, na verdade, o verbo grego  καταναθεματιζειν (katanathmatizein), significa evocar maldições e conjurações sobre si, em caso de uma declaração mentirosa, coisa que o autor do tipo de Bíblia, que sequer é uma tradução, ignora. O mais estranho neste caso é a chancela de um teólogo, de uma das mais importantes instituições de Teologia de nosso país. 
Segundo o mesmo, quem se espanta diante das traduções livres que esta Bíblia traz, o faz em virtude de uma visão totêmica da Bíblia. Na verdade, tal declaração até poderia ser verdadeira em outro contexto, mas não neste, visto que o julgamento sobre a Bíblia em questão se dá tão somente pela péssima tradução que a mesma faz do texto em apreço e de tantos outros. 
Minha preocupação se dá com outro fator. O momento atual é caracterizado pelo constante desprezo, por parte de significativa parcela dos cristãos, é claro, no tocante à exegese e à hermenêutica sagrada, tornado o povo de Deus ignorante quanto ao significado original das palavras e do texto, e vulnerável a ação de homens como o adaptador desta Bíblia. 
Embora cursos de teologia estejam se tornando cada vez mais acessíveis, ainda são muitos os cristãos, que por motivos diversos não possuem formação teológica, mas dispõem do Espírito, e justamente por este motivo, possuem os meios que os habilitam a conhecer a verdade. E para tal, basta usarem o discernimento. É a este que apelo ao terminar esta postagem. 

Em Cristo, Pr Marcelo Medeiros. 

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Santificação e santidade

 

Muito pouco se fala em santificação, e em santidade nos dias atuais. Daí a tendência de que o assunto provoque um certo tabu. A tendência é que em função da graça estar em alta nas produções literárias do mundo gospel, algumas pessoas verem ambas como opostas entre si. Mas vamos ver o que este termos significam.
1) Santidade. Em nossa língua estado, ou ou qualidade de santo. No Novo Testamento as palavras empregadas para o termo são: a) οσιοτητι, cujo sentido é o de santidade, devoção e cuidadosa observância dos mandamentos de Deus. Aparece com esta conotação no cântico de Isabel, e em Paulo. Resgatar-nos da mão dos nossos inimigos para servi-lo sem medo, em santidade (οσιοτητι) e justiça, diante dele todos os nossos dias (Lc 1. 74, 75 NVI). Paulo afirma que Quanto à antiga maneira de viver, vocês foram ensinados a despir-se do velho homem, que se corrompe por desejos enganosos, a serem renovados no modo de pensar e a revestir-se do novo homem, criado para ser semelhante a Deus em justiça e em santidade (οσιοτητι) provenientes da verdade (Ef 4. 22 - 24 NVI). SANTIDADE É UM ESTADO.
b) αγιασμω. Geralmente empregado para santificação, somente a Nova Versão internacional traduz como santidade. Porque Deus não nos chamou para a impureza, mas para a santidade (I Ts 4. 7 NVI).
c) αγιοτητος. Tem em um único texto do NT o sentido de pureza, de santidade de vida. Nossos pais nos disciplinavam por curto período, segundo lhes parecia melhor; mas Deus nos disciplina para o nosso bem, para que participemos da sua santidade (Hb 12. 10 NVI).
d) Ainda com o mesmo sentido que o verbete anterior, temos o termo αγιωσυνη. Paulo ora pelos crentes de Tessalônica pedindo: Que o Senhor faça crescer e transbordar o amor que vocês têm uns para com os outros e para com todos, a exemplo do nosso amor por vocês. Que ele fortaleça os seus corações para serem irrepreensíveis em santidade diante de nosso Deus e Pai, na vinda de nosso Senhor Jesus com todos os seus santos (I Ts 3. 12, 13 NVI). Agora precisamos atentar para outro termo, santificação.
2) Santificação é o ato, ou efeito de santificar. Também pode ser a tendência do  à vida de perfeição evangélica. Neste sentido, o crente que busca a perfeição do Evangelho, é santo. Santificação é um processo. A palavra do Novo Testamento para traduzir tal processo é: αγιασμω, de sorte que Paulo a emprega a fim de exortar os crentes de Tessalônica à santidade. Que cada um de vós saiba possuir o seu vaso em santificação e honra. Porque não nos chamou Deus para a imundícia, mas para a santificação (I Ts 4. 4, 7 ARCF).  Sendo que, conforme vimos acima αγιασμω também pode ser traduzida por santidade. Uma breve consideração a respeito dos textos citados nos leva às seguintes conclusões:
Enquanto estado a santidade engloba a separação para o uso exclusivo do Senhor.
Para que tal ocorra, necessário se faz com que sejamos libertos por Deus. Esta verdade foi compreendida por Zacarias e ele a expressou em seu cântico. Notemos ainda que neste mesmo texto poético aparecem os verbos σωτηριαν, e ρυσθεντας, cujo sentido é respectivamente o de salvar e libertar.
Uma das dimensões de nossa salvação é a liberdade do poder do pecado, a fim de que possamos sim, produzir o fruto para a santificação, cujo fim, ou objetivo, do grego τελος, é a vida eterna. Mas agora que vocês foram libertados do pecado e se tornaram escravos de Deus, o fruto que colhem leva à santidade, e o seu fim é a vida eterna (Rm 6. 22 NVI).
É exclusivamente a partir de uma perspectiva da ação libertadora de Deus, que temos a realidade da santificação, e da santidade concretizadas em nossa vida. Todavia, há o papel humano. Paulo pede aos crentes de Roma: Assim como vocês ofereceram os membros dos seus corpos em escravidão à impureza e à maldade que leva à maldade, ofereçam-nos agora em escravidão à justiça que leva à santidade (Rm 6. 19 ARC).

Em Cristo Jesus, Pr Marcelo Medeiros.
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